Agudiza-se conflito entre Vasp e bancas de jornais
A Associação Nacional de Vendedores de Imprensa (ANVI) acusou a Vasp, empresa distribuidora de Publicações, de continuar a fazer cobranças extra, mesmo depois de os pontos de venda terem avançado com uma providência cautelar, para a suspensão de taxas de distribuição diárias.
“Esta taxa está a sobrecarregar e a duplicar os custos dos agentes [de venda de jornais], com forte incidência nos mais frágeis. Tendo já provocado danos de grande impacto nestes pequenos empresários, alguns inclusivamente já não recebem qualquer imprensa”, afirmou a ANVI em comunicado.
Por sua vez, a Vasp rejeitou as críticas apresentadas pela ANVI, afirmando que o “comunicado” não tem “qualquer fundamento”.
“ A VASP cumpre, escrupulosamente, as decisões judiciais que lhe são dirigidas. Portugal é um Estado de Direito democrático e mesmo as providências cautelares, como por princípio qualquer decisão judicial, apenas vinculam as partes, não sendo as mesmas oponíveis a terceiros, nem produzindo efeitos ‘erga omnes’, salvo as excepções previstas na lei, como a acção popular ou a acção prevista no regime jurídico das cláusulas contratuais gerais”, disse a Vasp em comunicado.
Aliás, de acordo com aquela empresa “a decisão em causa não foi proferida ao abrigo de qualquer um destes regimes, aplicando-se a regra de que a mesma só é oponível entre as partes do procedimento cautelar”.
Outubro 21
A Vasp defende, igualmente, que "tem cumprido, integralmente, a providência decretada”. “Este entendimento é reconhecido e aceite por outros pontos de venda, que reconhecem que esta providência não lhes é aplicável”, sublinha a empresa.
Recorde-se que, em Maio, a Vasp anunciou que iria passar a cobrar taxas extra pela distribuição de jornais e revistas. À época, aquela empresa invocou a queda de circulação das publicações durante a pandemia, como uma das razões para a necessidade de criação de encargos adicionais.
Por isso mesmo, em Junho, diversos quiosques e papelarias boicotaram a venda de publicações, como forma de protesto.
Mais tarde, a fim de pedir a suspensão destas taxas, a AVNI avançou com uma providência cautelar, que foi aceite pelo Tribunal.
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