Terça-feira, 11 de Maio, 2021

  

Governante "aduba" críticas ao "Sexta às 9" e apaga depois...

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O secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, escreveu um “post” no Twitter, entretanto apagado, em que classificou o programa da RTP 'Sexta às 9', conduzido por Sandra Felgueiras como "estrume" e "coisa asquerosa".

Respondendo a um outro utilizador da rede social que escreveu: "Todas as semanas abro uma garrafinha do @Joaogalamba e sento-me a ver o estrume por ele produzido", o socialista escreveu: "Lamento, mas estrume só mesmo essa coisa asquerosa que quer ser considerada 'um programa de informação'. Mas se gosta desse caso psicanalítico em busca da sua expiação moral, bom proveito."

Este comentário surgiu ligado ao “link” do último episódio emitido pela estação pública sobre o “resort” Zmar e as condições dos imigrantes que trabalham nas explorações agrícolas no Alentejo.

A direcção de Informação da RTP repudiou, entretanto, as declarações do secretário de Estado Adjunto e da Energia.

"As palavras que proferiu atentam contra o bom nome da RTP e da sua jornalista Sandra Felgueiras e desrespeitam a liberdade de Informação", referiu a direção da RTP, numa mensagem publicada no Facebook do programa.

A direcção de Informação do canal público considerou, ainda, que "vindas da parte de um membro do governo" as declarações "assumem particular gravidade. Mas nem por isso condicionarão o trabalho dos jornalistas da RTP".

Jornalistas espiados por ordem do MP vão sentar-se no banco dos réus...

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Os dois jornalistas que foram vigiados pela PSP por ordem do Ministério Público (MP) foram acusados de violação do segredo de Justiça.

Agora, Carlos Rodrigues Lima, subdirector da “Sábado”, terá de responder a três crimes de violação do segredo de justiça, enquanto Henrique Machado, editor de Justiça da TVI, terá de responder a um.

Por outro lado, o MP acusou Pedro Miguel Fonseca, coordenador da PJ, de três crimes semelhantes, bem como de um crime de abuso de poder e de um crime de falsidade de testemunho, perícia, interpretação ou tradução.

Recorde-se que, em Janeiro deste ano, ficou a saber-se que a procuradora Andrea Marques pediu à PSP que vigiasse os jornalistas durante dois meses, com recurso a registo fotográfico, para apurar as suas fontes.

O objectivo era identificar os responsáveis por fugas de informação relacionadas com o caso E-toupeira, sobre uma alegada rede que permitia ao Benfica aceder a processos judiciais do seu interesse.

A vigilância, que decorreu entre Abril e Maio de 2018, gerou polémica entre os profissionais dos “media”, com o Sindicato dos Jornalistas a considerar que este incidente constituiu “uma clara violação do sigilo profissional e da protecção das fontes”.

Neste âmbito, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) referiu-se, por sua vez, a um “ostensivo olvidar de direitos fundamentais de jornalistas”.

Da mesma forma, os jornalistas visados manifestaram intenção de avançar com um processo contra o Estado por abuso de poder do MP.

Artigo de opinião gera greve na revista "Washingtonian"

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Os colaboradores da revista “The Washingtonian” cumpriram um dia de greve, após a CEO do título, Cathy Merrill, ter redigido um artigo de opinião sobre os “perigos do teletrabalho”.

Nesta peça, que foi partilhada na secção de opinião do “Washington Post” (WP), Merrill começou por afirmar que “enquanto CEO”, queria que os seus colaboradores percebessem “os riscos de não voltarem a trabalhar na redacção”.

“Se os empregados não participam em trabalhos extra, a gestão sente-se tentada em alterar o estatuto do trabalhador. Em vez de receberem um salário fixo, estes colaboradores recebem, apenas, por aquilo que fazem”.

“Embora voltar à redacção possa gerar alguma ansiedade e algum medo, tem a vantagem de dar segurança aos profissionais”, continuou aquela responsável. “Recordem-se de algo que todos os gestores sabem: as pessoas mais difíceis de dispensar são aquelas que conhecemos”.

Os profissionais do “Washingtonian” consideraram que este artigo constituia uma ameaça, e decidiram, assim, suspender a publicação de artigos “online” durante um dia.

“Senti-me humilhada”, declarou a assistente de edição fotográfica do título, Lauren Bulbin, em declarações ao “WP”. “Todas as pessoas que conheço leram aquele texto de opinião e falaram comigo sobre isso. Profissionais que respeito no sector dos ‘media’ ficaram chocados por saber que trabalho neste ambiente”.

Perante esta situação, cerca de uma dezena de colaboradores partilharam a sua indignação através das redes sociais.

Radicais italianos criticam conteúdos da Rai

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O operador público italiano, Rai, está a ser criticado por movimentos activistas, por emitir conteúdos de índole alegadamente racista e homofóbica.

“A situação é muito pior do que aquilo que imaginamos”, afirmou Alessia Reyna, fundadora da associação D.E.I Futuro Antirazzista, em declarações ao “Guardian”.

“Enquanto emissora pública, a Rai deveria representar uma instituição, com a capacidade de informar e promover uma cultura de entretenimento, de forma plural e inclusiva”, disse.

A associação pediu, entretanto, que o operador emitisse um pedido de desculpas pelos seus conteúdos ofensivos.

“Pedimos à Rai que eliminasse os episódios em causa, mas eles responderam-nos que era tudo uma sátira”, afirmou Reyna. “A intenção da emissora é defender que, hoje em dia, existe demasiada ‘preocupação com aquilo que é politicamente correcto’ e que, por isso, vão ‘ dizer todas as palavras proibidas’” .

Em entrevista para a Associated Press, o director da Rai para as Causas Sociais, Giovanni Parapini, disse que não iria aceitar as críticas, já que isso significaria “que a emissora não fez nada nos últimos anos integração”.

 

Global Media recua no Apoio à Retoma Progressiva

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O Grupo Global Media comunicou aos colaboradores que já não vai recorrer ao Regime de Apoio à Retoma Progressiva da Actividade, medida que tinha sido anunciada em 21 de Abril.

A decisão foi confirmada ao jornal “Expresso” por Helena Ferro de Gouveia, directora de comunicação do Grupo Bel, também liderado por Marco Galinha.

“As direcções dos meios explicaram aos jornalistas o motivo da não adesão e prende-se com os resultados da operação”, avançou a responsável. “Não vamos recorrer aos planos de apoio, uma vez que já não é necessário”.

“Houve uma alteração da situação ao nível dos resultados e das vendas. Os primeiros três meses do ano não foram fáceis, mas agora a situação está a melhorar”, disse, ainda, ao semanário da Impresa.

A redução dos horários de trabalho, com cortes nos ordenados iguais ou superiores a dois mil euros, entraria em vigor em meados de Maio e duraria até Setembro.

Grupo Reach investe no digital e melhora receitas

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Apesar da situação pandémica, o Grupo Reach conseguiu aumentar as suas receitas publicitárias, após ter implementado um programa de transformação digital e alteração do modelo de negócio.

“Tivemos um início de ano positivo e estamos a ver os benefícios do programa de transformação”, afirmou o CEO do Grupo, Jim Mullen, em entrevista à “Press Gazette”. “Agora que a publicidade digital tem mais peso do que os anúncios tradicionais, estamos bem posicionados para registarmos mais progressos em 2021”.

De acordo com um porta-voz do Grupo, esta aposta publicitária tem vindo a ser desenvolvida nos últimos seis meses.

“Apesar de 2020 ter sido um ano atípico, também comparámos as receitas com os números de 2019, e estamos confiantes de que esta tendência positiva irá alargar-se".

Conforme indicou a “Press Gazette”, as receitas de publicidade digital do Grupo Reach cresceram 25, 5% nos primeiros três meses deste ano, o que representa uma melhoria de 41,3% face ao período homólogo de 2019.

Por outro lado, a circulação dos jornais do Grupo caiu em 10,4%.
Recorde-se que, no Verão do ano passado, o Grupo Reach -- responsável pelos jornais “Daily Mirror” e “Sunday Mirror” -- iniciou um plano de reestruturação, que incluiu o despedimento colectivo de 500 colaboradores.

Consórcio ibérico sobre "fake news" obtém financiamento da UE

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O consórcio ibérico Iberifier obteve financiamento da Comissão Europeia para criar um observatório de investigação e identificação de ameaças desinformativas.

Com um fundo de 1,47 milhões de euros, o Iberifier é um dos oito pólos regionais que farão parte do Observatório Europeu dos Media dos Media Digitais (EDMO, na sigla inglesa) da Comissão Europeia.

O Iberifier é um centro de investigação sobre meios digitais que reúne um consórcio de 23 parceiros em Espanha e Portugal, entre os quais 12 Universidades, cinco organizações independentes de verificação de factos e agências noticiosas públicas -- incluindo a agência Lusa -- , bem como seis instituições líderes de investigação computacional, análise estratégica e investigação sobre meios de comunicação.

O projecto, que será liderado pelo ISCTE e pela Universidade de Navarra, abrange quatro actividades: criação de um núcleo multinacional de investigação sobre meios digitais; detecção, análise e divulgação de campanhas de desinformação; actividades de literacia mediática; e cooperação com autoridades nacionais em Portugal e Espanha, para o acompanhamento das políticas das plataformas em linha e do ecossistema dos meios digitais.

Com o apoio de organizações de “media” de ambos os países, o objectivo do consórcio é reunir conhecimentos sobre desinformação “online” e intercâmbio de resultados de investigação científica, bem como monitorizar as políticas das plataformas “online”.

Jornalista francês sequestrado no Mali

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As autoridades francesas abriram uma investigação antiterrorismo após o desaparecimento do jornalista Olivier Dubois no Mali.

Segundo noticiou “Le Monde”, Dubois, que colabora com os jornais “Libération” e “Point Afrique", terá sido sequestrado pelo Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos, um movimento de apoio da Al-Qaeda.

Em 4 de Maio, foi publicado, nas redes sociais, um vídeo deste profissional, com um pedido de ajuda às autoridades francesas.

A veracidade do vídeo está, agora, a ser investigada.

“Confirmamos o desaparecimento de Olivier Dubois no Mali. Estamos em contacto com sua família e também com as autoridades do país. Estamos, também, a realizar as verificações técnicas habituais”, afirmou, em comunicado, o ministério francês dos Negócios Estrangeiros.

Os Repórteres sem Fronteiras (RSF) reagiram, também, ao sequestro do profissional, sublinhando que “este é um golpe extremamente duro para o jornalismo”.

“ Os grupos armados continuam a avançar, enquanto o jornalismo e a informação estão em declínio. Mais de uma semana após o assassinato de dois jornalistas espanhóis no Burkina Faso e oito anos após o assassinato de Ghislaine Dupont e Claude Verlon [no] norte do Mali, o sequestro de Olivier Dubois mostra que ainda é difícil e perigoso reportar nesta parte do Mundo ” .

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O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Se olharmos para o ranking da liberdade de imprensa, elaborado pela organização internacional Repórteres sem Fronteiras (RSF), verificamos que Portugal fecha o top ten em 2020, entre 180 países avaliados, tendo melhorado duas posições desde o ano anterior. É uma classificação confortável, numa lista liderada pela Noruega, onde a vizinha Espanha aparece em 29.º lugar e a Coreia do Norte em último, um exemplo...
Limites da liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
Na internet não deve continuar a prevalecer a lei da selva. O que não é um apelo à censura, muito menos se ela for praticada pelos gestores das empresas tecnológicas. Cabe à política, e não às empresas, assegurar o bem comum. Quem escreve na internet deverá sujeitar-se às condições jurídicas que não permitam atos que são considerados crimes nos media tradicionais.Não há...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...