Terça-feira, 11 de Maio, 2021

  

" The Guardian" evoca o bicentenário e retrata os seus erros e falhas editoriais

Efeméride Galeria

O “Guardian” celebrou, recentemente, o seu 200º aniversário. Como tal, o jornal britânico publicou uma edição especial, dando destaque a artigos sobre a importância da liberdade de imprensa, bem como a cartas enviadas por editores da imprensa internacional.

Contudo, por esta ocasião, o “Guardian” quis, ainda, reconhecer as suas falhas ao longo dos anos, assinalando-as como momentos de aprendizagem.

Neste sentido, o “Guardian” começou por recordar que dedicou apenas algumas linhas ao naufrágio do Titanic em 1912; publicou artigos com base em descobertas científicas mal fundamentadas; além de ter anunciado, na década de 1970, a chegada de uma “era do gelo”.

No entanto, conforme referiu o jornal, os seus maiores erros foram cometidos na coluna editorial, já que é nesta secção que as publicações assinalam o principal assunto do dia e “onde os erros ficam marcados para a posteridade”.

Neste âmbito, o “Guardian” recordou que, no final da década de 1860, defendeu a criação de uma Confederação no Sul dos Estados Unidos, criticando, por isso, a presidência de Abraham Lincoln.

Conforme assinalou o jornal, para o “Guardian” daquela época, “Lincoln era uma fraude que tratava a emancipação dos escravos como algo negociável, que isso era um obstáculo da união dos EUA”.

Além disso, num editorial publicado após o assassinato daquele Presidente norte-americano, o jornal referiu-se às suas políticas como “uma série de actos abomináveis contra toda a verdadeira noção de direito constitucional e de liberdade humana”.

Governante "aduba" críticas ao "Sexta às 9" e apaga depois...

Media Galeria

O secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, escreveu um “post” no Twitter, entretanto apagado, em que classificou o programa da RTP 'Sexta às 9', conduzido por Sandra Felgueiras como "estrume" e "coisa asquerosa".

Respondendo a um outro utilizador da rede social que escreveu: "Todas as semanas abro uma garrafinha do @Joaogalamba e sento-me a ver o estrume por ele produzido", o socialista escreveu: "Lamento, mas estrume só mesmo essa coisa asquerosa que quer ser considerada 'um programa de informação'. Mas se gosta desse caso psicanalítico em busca da sua expiação moral, bom proveito."

Este comentário surgiu ligado ao “link” do último episódio emitido pela estação pública sobre o “resort” Zmar e as condições dos imigrantes que trabalham nas explorações agrícolas no Alentejo.

A direcção de Informação da RTP repudiou, entretanto, as declarações do secretário de Estado Adjunto e da Energia.

"As palavras que proferiu atentam contra o bom nome da RTP e da sua jornalista Sandra Felgueiras e desrespeitam a liberdade de Informação", referiu a direção da RTP, numa mensagem publicada no Facebook do programa.

A direcção de Informação do canal público considerou, ainda, que "vindas da parte de um membro do governo" as declarações "assumem particular gravidade. Mas nem por isso condicionarão o trabalho dos jornalistas da RTP".

Jornalistas espiados por ordem do MP vão sentar-se no banco dos réus...

Media Galeria

Os dois jornalistas que foram vigiados pela PSP por ordem do Ministério Público (MP) foram acusados de violação do segredo de Justiça.

Agora, Carlos Rodrigues Lima, subdirector da “Sábado”, terá de responder a três crimes de violação do segredo de justiça, enquanto Henrique Machado, editor de Justiça da TVI, terá de responder a um.

Por outro lado, o MP acusou Pedro Miguel Fonseca, coordenador da PJ, de três crimes semelhantes, bem como de um crime de abuso de poder e de um crime de falsidade de testemunho, perícia, interpretação ou tradução.

Recorde-se que, em Janeiro deste ano, ficou a saber-se que a procuradora Andrea Marques pediu à PSP que vigiasse os jornalistas durante dois meses, com recurso a registo fotográfico, para apurar as suas fontes.

O objectivo era identificar os responsáveis por fugas de informação relacionadas com o caso E-toupeira, sobre uma alegada rede que permitia ao Benfica aceder a processos judiciais do seu interesse.

A vigilância, que decorreu entre Abril e Maio de 2018, gerou polémica entre os profissionais dos “media”, com o Sindicato dos Jornalistas a considerar que este incidente constituiu “uma clara violação do sigilo profissional e da protecção das fontes”.

Neste âmbito, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) referiu-se, por sua vez, a um “ostensivo olvidar de direitos fundamentais de jornalistas”.

Da mesma forma, os jornalistas visados manifestaram intenção de avançar com um processo contra o Estado por abuso de poder do MP.

Artigo de opinião gera greve na revista "Washingtonian"

Mundo Galeria


Os colaboradores da revista “The Washingtonian” cumpriram um dia de greve, após a CEO do título, Cathy Merrill, ter redigido um artigo de opinião sobre os “perigos do teletrabalho”.

Nesta peça, que foi partilhada na secção de opinião do “Washington Post” (WP), Merrill começou por afirmar que “enquanto CEO”, queria que os seus colaboradores percebessem “os riscos de não voltarem a trabalhar na redacção”.

“Se os empregados não participam em trabalhos extra, a gestão sente-se tentada em alterar o estatuto do trabalhador. Em vez de receberem um salário fixo, estes colaboradores recebem, apenas, por aquilo que fazem”.

“Embora voltar à redacção possa gerar alguma ansiedade e algum medo, tem a vantagem de dar segurança aos profissionais”, continuou aquela responsável. “Recordem-se de algo que todos os gestores sabem: as pessoas mais difíceis de dispensar são aquelas que conhecemos”.

Os profissionais do “Washingtonian” consideraram que este artigo constituia uma ameaça, e decidiram, assim, suspender a publicação de artigos “online” durante um dia.

“Senti-me humilhada”, declarou a assistente de edição fotográfica do título, Lauren Bulbin, em declarações ao “WP”. “Todas as pessoas que conheço leram aquele texto de opinião e falaram comigo sobre isso. Profissionais que respeito no sector dos ‘media’ ficaram chocados por saber que trabalho neste ambiente”.

Perante esta situação, cerca de uma dezena de colaboradores partilharam a sua indignação através das redes sociais.

Faculdades de Jornalismo na UE

Breves

A Comissão Europeia abriu as candidaturas para que Universidades de jornalismo se candidatem a uma subvenção de um milhão de euros, com o objectivo de aprofundar os conhecimentos sobre a Europa e reduzir a desinformação da UE.

A política de coesão desenvolvida pela União Europeia, dirigida aos estudantes de jornalismo, procura aumentar o número de jornalistas especializados em assuntos da UE e contribuir para a cobertura informada das políticas e iniciativas europeias.

“Esta iniciativa irá permitir aos futuros jornalistas conhecer a União Europeia e compreender melhor a forma como a UE está a apoiar o desenvolvimento das suas regiões e municípios. A Comissão está empenhada em incentivar a formação, a investigação e a reflexão sobre as bases da União, o trabalho em curso e o seu futuro”, declarou Elisa Ferreira, Comissária responsável pela Coesão e Reformas.

As Instituições de Ensino Superior interessadas deverão apresentar a sua candidatura até 24 de Agosto.

Radicais italianos criticam conteúdos da Rai

Mundo Galeria

O operador público italiano, Rai, está a ser criticado por movimentos activistas, por emitir conteúdos de índole alegadamente racista e homofóbica.

“A situação é muito pior do que aquilo que imaginamos”, afirmou Alessia Reyna, fundadora da associação D.E.I Futuro Antirazzista, em declarações ao “Guardian”.

“Enquanto emissora pública, a Rai deveria representar uma instituição, com a capacidade de informar e promover uma cultura de entretenimento, de forma plural e inclusiva”, disse.

A associação pediu, entretanto, que o operador emitisse um pedido de desculpas pelos seus conteúdos ofensivos.

“Pedimos à Rai que eliminasse os episódios em causa, mas eles responderam-nos que era tudo uma sátira”, afirmou Reyna. “A intenção da emissora é defender que, hoje em dia, existe demasiada ‘preocupação com aquilo que é politicamente correcto’ e que, por isso, vão ‘ dizer todas as palavras proibidas’” .

Em entrevista para a Associated Press, o director da Rai para as Causas Sociais, Giovanni Parapini, disse que não iria aceitar as críticas, já que isso significaria “que a emissora não fez nada nos últimos anos integração”.

 

"The Guardian" festeja 200 anos com jornalismo na primeira linha

Media Galeria

O jornal britânico “ The Guardian” celebrou, recentemente, o seu 200º aniversário.

E, como forma de assinalar a efeméride, vários editores de publicações internacionais enviaram uma mensagem de tributo à publicação.

O então “Manchester Guardian” lançou a sua primeira edição em 5 de Maio de 1821, em resposta ao massacre de Peterloo. Desde esse dia, o título publicou mais de 54 mil edições e milhões de artigos jornalísticos, conquistando alguns prémios pelo caminho, incluindo um Pulitzer.

Para Christian Broughton, director do “Independent”, o “Guardian” soube “aproveitar um massacre para iniciar um movimento”.

“O massacre de Peterloo foi um incidente único”, disse Broughton. “Enquanto houver realidades difíceis sobre as quais reportar, continuaremos a precisar de jornalistas a exercerem as suas funções, e leitores que reconheçam o seu valor”.

Por sua vez, Marty Baron, do “Independent”, elogiou o “Guardian” por ser uma “fonte de inspiração para muitos”.

“Quando se completam 200 anos enquanto instituição mediática, isso significa que se está a fornecer um serviço público de qualidade”, afirmou.

Já Fran Unsworth, directora da BBC News, considerou o marco de 200 anos como uma “conquista extraordinária”.

“A história do ‘Guardian’ é uma tapeçaria rica em jornalismo de investigação, com responsabilização do poder político e em atenção aos interesses dos seus leitores”, rematou Unsworth.

Da mesma forma, o editor-executivo do “El País”, Javier Moreno, expressou a sua admiração pelo “jornal lançado no século XIX, em Manchester”, que se “tornou numa referência mundial”.

Outros jornalistas destacaram, por outro lado, os esforços da publicação para construir um modelo de negócio sustentável.

Hillary contra países autoritários que utilizam "media" para propaganda

Media Galeria

Por ocasião do 200º aniversário do “Guardian”, a antiga candidata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, concedeu uma entrevista ao jornal britânico, para debater a importância do combate à desinformação.

Conforme recordou o “Guardian”, Hillary Clinton foi candidata presidencial numa altura em que as campanhas “fake news” começaram a ganhar força.

Aliás, de acordo com várias fontes jornalísticas, a campanha de Clinton foi prejudicada por um movimento de Moscovo, que começou a disseminar notícias falsas sobre o passado da candidata nas redes sociais.

Cinco anos depois -- e apesar da mudança de presidência dos EUA-- as campanhas de desinformação e as “teorias da conspiração” ganharam ainda mais força, ameaçando a segurança e o bem-estar dos cidadãos.

Posto isto, Hillary Clinton defende que os “media” têm que alterar a sua estratégia e deixar de “defender que a verdade se encontra algures no meio”, enquanto se preparam para enfrentar o poder das redes sociais.

“As empresas tecnológicas são, agora, muito mais poderosas do que qualquer meio de comunicação tradicional”, reiterou a antiga primeira-dama dos EUA. “Acho que tem de haver um reconhecimento internacional dos perigos da desinformação, bem como da questão do monopólio”, continuou, referindo-se, em concreto, ao caso do Facebook.

Assim, Clinton espera que o actual governo dos EUA imponha novas directrizes a estas empresas.

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O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Se olharmos para o ranking da liberdade de imprensa, elaborado pela organização internacional Repórteres sem Fronteiras (RSF), verificamos que Portugal fecha o top ten em 2020, entre 180 países avaliados, tendo melhorado duas posições desde o ano anterior. É uma classificação confortável, numa lista liderada pela Noruega, onde a vizinha Espanha aparece em 29.º lugar e a Coreia do Norte em último, um exemplo...
Limites da liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
Na internet não deve continuar a prevalecer a lei da selva. O que não é um apelo à censura, muito menos se ela for praticada pelos gestores das empresas tecnológicas. Cabe à política, e não às empresas, assegurar o bem comum. Quem escreve na internet deverá sujeitar-se às condições jurídicas que não permitam atos que são considerados crimes nos media tradicionais.Não há...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...