Terça-feira, 27 de Julho, 2021

  

“Workshop” de análise de dados

Breves

 Cerca de 400 jornalistas de 58 países participaram no "workshop" "Hands-on Data Journalism: Techniques of Analysis and Visualization”, promovido pelo Knight Center e leccionado por John Keefe, responsável pelos gráficos climáticos da CNN.

Através deste curso -- que decorreu entre 31 de Maio e 27 de Junho -- os participantes adquiriram competências a nível da análise de informação gráfica, e foram incentivados a criar as suas próprias bases de dados.

Os alunos destacaram o “ambiente confortável” e “encorajador” proporcionado por John Keefe, que, ao longo do “workshop”, “trabalhou para desmistificar conceitos complexos”, para que fossem “compreendidos por todos os presentes”.

Os interessados podem, agora, aceder a alguns dos recursos leccionados neste “workshop”, consultando a plataforma do Knight Center.

Relatório prevê declínio de jornais impressos

Media Galeria

A empresa de auditoria PwC publicou o seu mais recente relatório com previsões sobre o futuro dos “media”, indicando que, nos próximos quatro anos, o número de jornais impressos continuará a decrescer, e que a publicidade digital se tornará ainda mais relevante.

Neste âmbito, a PwC apontou, ainda, que 24% de todo o mercado publicitário passará a ser controlado pelos jornais de “legado”, como o “New York Times”.

O relatório aponta, da mesma forma, que a Google e o Facebook continuarão a dificultar o acesso dos jornais “online” ao investimento de publicidade na internet.

Isto resultará, de acordo com a PwC, em maiores preocupações a nível de regulação do mercado e, também, da competição.

O relatório sugere, igualmente, que este cenário será impulsionado pela utilização do telemóvel para o consumo de notícias, já que se prevêem, nos próximos anos, avanços substanciais a nível da velocidade da internet móvel.

Além disso, a PwC dá destaque ao crescimento dos novos formatos mediáticos, como os “podcasts”, cujas receitas globais deverão aumentar 8,9% até 2025.

Grupo Lagardère sujeito a investigação judicial

Media Galeria

O Ministério Público Financeiro francês (PNF) abriu, em Abril, uma investigação judicial por suspeita de compra de votos, abuso de activos corporativos, contas imprecisas e informações falsas ou enganosas, num caso sobre uma possível relação ilegal estabelecida entre o Grupo Lagardère no fundo Amber Capital, revelou o jornal “Le Monde”.

A abertura desta investigação judicial levou à nomeação de um juiz de instrução, acrescenta o mesmo jornal, que não cita nenhuma fonte, mas especifica que o Ministério Público das Finanças nacionais decidiu aceitar uma denúncia apresentada, em Fevereiro.

Em causa está a alteração da estrutura accionista do Grupo Lagardère, que, no final de Abril, chegou a um acordo para evitar o seu desmantelamento nos próximos cinco anos.

Com este acordo, a parceria entre Arnaud Lagardère e Bernard Arnault desapareceu, o que contribuiu para o equilíbrio na estrutura accionista de “peso”, composta pela Vivendi que detém 26% das acções, o fundo Amber Capital que detém 20% e o Qatar que detém 13%.

Violência contra jornalistas

Breves

O canal de notícias francês BFMTV vai apresentar uma queixa contra os cidadãos que ameaçaram os seus colaboradores, durante uma manifestação em Paris.

De acordo com a jornalista Aurélie Casse, dois dos profissionais foram, mesmo, alvo de tentativa de agressões físicas. “Este é um comportamento inaceitável, que a redacção da BFMTV condena e que irá ser alvo de uma denúncia”, acrescentou.

O repórter Igor Sahiri acrescentou, por sua vez, que a violência física foi evitada graças a dois agentes de segurança do canal. “Felizmente, nenhum dos nossos jornalistas foi agredido. Por outro lado, fomos alvo de uma corrente de ódio. Basicamente, estão a culpar-nos por narrarmos os factos”.

Esta é a segunda vez que a equipa da BFMTV é alvo de insultos durante a cobertura de manifestações. O primeiro incidente, recordou o jornal “Le Figaro”, ocorreu durante o movimento dos “coletes amarelos”, no final de 2018.

Conversas com jornalistas para promover a literacia mediática

Media Galeria

O trabalho editorial é, por vezes, um mistério para as audiências que não entendem o processo adjacente, e que tendem a desumanizar a figura do jornalista, tomando-o como alguém quase “robotizado”, que prima pela neutralidade e objectividade, sem nunca se envolver com as histórias que publica.

Este tipo de percepção cria, assim, um distanciamento entre os profissionais dos “media” e os restantes cidadãos, que encaram as reportagens com cepticismo e desconfiança, criticando o papel do jornalista na sociedade.

Perante este cenário, os repórteres McArdle Hankin e Lauren Peace decidiram lançar o projecto “Local Live(s) Project”, que convida os jornalistas locais a falarem do seu percurso profissional, com o objectivo de fomentar uma relação de confiança com o público e promover a literacia mediática informal.

Em entrevista para a “Columbia Journalism Review”, os criadores da iniciativa explicaram que tudo começou com conversas informais, em que os jornalistas subiam a palco para contar as peripécias do trabalho jornalístico, respondendo às questões colocadas.

Mais tarde, com a pandemia, os eventos passaram a ser promovidos “online”, através de videoconferências.

Tumblr aposta em subscrições num mercado saturado

Media Galeria

A rede social Tumblr -- conhecida por ser a maior plataforma de “microblogs” do mundo -- deverá lançar planos de subscrição já em Outubro, para que os seus utilizadores possam apoiar o trabalho dos criadores de conteúdos, noticiou o “Wall Street Journal”.

De acordo com o mesmo jornal, os editores dos “microblogs” poderão passar a cobrar um montante mensal -- entre 3,99 € e 9,99 € -- aos seus subscritores, para garantirem a rentabilidade do seu processo criativo. O Tumblr ficará com 5% das receitas totais.

O Tumblr espera que este recurso ajude a reter utilizadores da geração Z -- nascidos entre 1996 e 2010 -- e a garantir a sustentabilidade financeira da plataforma, que se popularizou no final dos anos 2000.

Esta nova aposta tem vindo, contudo, a levantar diversas questões, já que o mercado dos “media” e do entretenimento começa a caracterizar-se pelo número excessivo de ofertas de “streaming” e “on demand”.

Além disso, segundo recordou o “Laboratorio de Periodistas”, o número de pessoas que subscrevem conteúdos informativos permanece baixo, de acordo com o mais recente Digital News Report, do Reuters Institute for the Study of Journalism.

A liberdade de imprensa já conheceu melhores dias…

Opinião

Há sinais que não enganam, ou que só enganam quem queira deixar-se enganar.
Enquanto o Parlamento “chumbou” a tentativa de revogar o polémico artigo 6º da Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital, apontado como tendencialmente censório, anuncia-se, de mansinho, uma possível revisão da Lei de Imprensa, com o pretexto de estar a celebrar-se o bicentenário do primeiro documento publicado com esse objectivo.
Para tal, o governante que tutela a comunicação social pública tenciona criar “um primeiro grupo de trabalho” que “vai fazer um levantamento daquilo que vale a pena ter em conta, quando se pensar numa alteração”.
Depois da Carta na Era Digital, que apanhou distraídos muitos parlamentares e, até, o Presidente da República, que a promulgou, é de temer que qualquer mexida na Lei de Imprensa seja orientada para prevenir narrativas tão em voga, como o “discurso do ódio” ou outros discursos que os regimes sabem inventar para se perpetuarem no poder e evitar maçadas democráticas.
Por alguma razão a vice-presidente da Comissão Europeia para os Valores e Transparência, Vera Jourova, se mostrou preocupada com o caso da ordem dada por uma procuradora do Ministério Público para vigiar dois jornalistas, da revista Sábado e da TVI.
O certo é que essa operação existiu, o Sindicato dos Jornalistas protestou e outros o fizeram também, até cair um espesso silêncio sobre o assunto, apenas interrompido pela iniciativa incomum de um dos profissionais visados, que resolveu avançar com uma queixa-crime contra a procuradora em causa, envolvendo ainda elementos da PSP que participaram nessa operação de vigilância, sem mandato judicial, ocorrida em 2018.
Dir-se-á que estamos, por enquanto, longe das restrições à liberdade de Imprensa vigentes em Cuba, na Venezuela, ou, mais recentemente, em Hong Kong, território submetido à lógica da nova Lei de Segurança Nacional, que serve de alibi para tudo, inclusive, por tabela, para condicionar também Macau, que, supostamente, gozaria de autonomia administrativa até 2049.

O acordo de Macau rasgado pela China

Opinião

Sem alterar qualquer nova lei, em Macau, como em Hong-Kong, a China não respeita os acordos que assinou. O Governo português nem sequer protesta. Razão tem o presidente J. Biden para endurecer o relacionamento com a China e o seu regime de ditadura absoluta do partido comunista chinês.

 Na passada terça-feira o jornal “Público” dedicou quatro páginas à atual situação em Macau. Dois jornalistas (Hugo Pinto e Isabel Castro, esta ex-residente naquele território) denunciaram a violação do acordo assinado em 1987 sobre a transferência da soberania de Portugal para a China.

 Aquele acordo previa que durante 50 anos seriam mantidos em Macau os direitos, liberdades e garantias ali vigentes. Afinal, parece que o período de 50 anos, que terminaria em 2049, já acabou. O mesmo está acontecer em Hong-Kong, mas aí com forte e corajosa resistência dos democratas locais e intensa cobertura mediática no Reino Unido, o antigo “soberano”. Em Macau nunca houve resistência democrática significativa, antes e depois do 25 de Abril. E Portugal parece ter-se esquecido daquele território, onde ainda vivem 170 mil portugueses.

 Assim, a dois meses de eleições em Macau, uma comissão eleitoral decidiu excluir 21 candidatos, que pretendiam entrar na Assembleia Legislativa do território. Motivo: esses candidatos poderiam não respeitar a Lei Básica daquela região administrativa especial, bem como a constituição chinesa. Tradução: não davam garantias de respeitar os ditames do Partido Comunista Chinês (PCC).

 A Televisão de Macau (TDM) passou a ser um órgão de propaganda do PCC; dez jornalistas portugueses já se demitiram. A TDM, hoje, não divulga informações ou opiniões contrárias às políticas do PCC. Mais de metade dos jornalistas da Rádio Macau também se demitiram por idênticos motivos.

 A tradicional vigília anual, em memória das vítimas do massacre de Tiananmen, passou a ser proibida em Macau, apesar de geralmente não envolver mais do que algumas dezenas de pessoas.

 Em contrapartida, no corrente ano em Hong Kong e Macau pela primeira vez foi celebrado o aniversário do PCC, com os transportes públicos e os aparelhos de pagamentos electrónicos exibindo símbolos da força política do PCC.

 

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O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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