Sexta-feira, 30 de Julho, 2021
Media

Relatório da FIJ denuncia jornalismo como profissão de risco

A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) publicou, recentemente, o “White Paper on Global Journalism”, que reflecte sobre os atentados contra a imprensa, registados nos últimos 30 anos.

Da mesma forma, o “White Paper on Global Journalism”, dá conta das principais evoluções tecnológicas nos “media”, dedicando, igualmente, dois capítulos aos efeitos da pandemia de covid-19 na imprensa.

O relatório começa por recordar, que, desde 1990, foram assassinados, pelo menos, 2658 jornalistas.

Mais de 50% destes profissionais foram mortos nos dez países mais perigosos para a prática jornalística: Iraque (339 jornalistas assassinados), México (175), Filipinas (159), Paquistão (138), Índia (116), Rússia (110), Argélia (106), Síria (96), Somália (93) e Afeganistão (93).

Em alguns casos, estes números são um reflexo de conflitos internacionais e guerras civis, demonstrando, ainda, que a violência contra jornalistas se tem mantido constante em alguns países.

Os anos mais "sangrentos" para a imprensa foram 2006 e 2007, com 155 e 135 homicídios, respectivamente.

De acordo com o relatório, a maioria dos jornalistas é assassinada por exercer a liberdade de imprensa e reportar sobre casos de violência e corrupção. Noutros casos, como no “Charlie Hebdo”, os homicídios foram justificados com extremismo religioso.

Estes incidentes têm, ainda, consequências indirectas, como o afastamento de profissionais, que temem possíveis repercussões da sua actividade profissional.

Além disso, os atentados contra jornalistas continuam a ser considerados como “crimes de baixo risco”, já que a maioria dos responsáveis nunca é responsabilizada.

Em 2020, registou-se um ligeiro decréscimo do nível de violência contra os profissionais dos “media”, com 42 homicídios de jornalistas, menos sete do que no ano anterior.

Ainda assim, a Federação Internacional de Jornalistas considera que as organizações internacionais devem manter-se alerta, de forma a responsabilizarem governos e autoridades locais.


Neste sentido, a FIJ recorda que, pelo menos, 235 jornalistas estão presos em 34 países, o que reflecte a imposição de restrições à liberdade de imprensa.


Em alguns dos casos, alerta o FIJ, os profissionais foram condenados sem julgamento.


“Estas descobertas reflectem a preocupante realidade dos abusos de governos, que se protegem através da detenção de jornalistas”, afirmou  Anthony Bellanger, secretário-geral da FIJ. “Estes números recordam-nos do preço a pagar por exercer jornalismo e lutar pelo interesse público”.


De acordo com o estudo, a Europa é o continente com o maior número de detenções (91), destacando-se, neste âmbito, a Bielorrússia e a Turquia. Segue-se África, com 62 profissionais presos, a região Ásia Pacífico (42) e o Médio Oriente (33).


A FIJ assinala, por outro lado, que a pandemia veio acentuar as desigualdades no sector dos “media”.


Conforme assinalou o estudo, as mulheres jornalistas estão, agora, sob maior pressão, já que estão a combinar a vida familiar com a vida profissional num único espaço. Isto resultou em maiores níveis de “stress” e ansiedade.


Contudo, o maior problema registado na pandemia passa pelas restrições impostas à imprensa, com três em cada quatro jornalistas a afirmarem ter enfrentando condicionamentos à sua actividade.


Um inquérito realizado junto de 1308 jornalistas concluiu, da mesma forma, que a maioria dos jornalistas “freelancer” perdeu oportunidades de emprego e que mais de um terço dos profissionais passou a focar-se na cobertura da pandemia.


Por outro lado, o FIJ nota que a revolução digital facilitou a cobertura noticiosa sobre a covid-19. Ainda assim, a federação alerta para as condições de trabalho deficientes, bem como para os salários baixos.


Posto isto, a FIJ acredita que os “media” devem assegurar que a informação continua a ser um bem público, essencial para a tomada de decisões e para a manutenção de democracias.


Como tal, a federação considera que, perante todos os desafios, é essencial que os colaboradores em condições precárias sejam protegidos e as redacções apostem na formação de jovens jornalistas.


A FIJ propõe, igualmente, a criação de uma “plataforma mundial para jornalismo de qualidade”, de forma a promover a ética e a sustentabilidade da economia de informação.


Connosco
Relatório do Obercom analisa tendências futuras dos “media” Ver galeria

Com a pandemia, a maioria dos jornalistas passou a ter que trabalhar em regime remoto, abandonando o espaço de redacção e o contacto directo com colegas de profissão.

Isto fez com que os colaboradores dos “media” passassem a depender dos seus dispositivos electrónicos para assegurar a comunicação com os editores, além de conjugarem a vida pessoal e profissional num único local.

Se, por um lado, alguns dos jornalistas apreciaram a flexibilidade deste novo regime, por outro lado, um número considerável de profissionais disse estar descontente com o “continuum” família/trabalho.

O caso da imprensa portuguesa foi, agora, analisado por um relatório do “Obercom”, cujos investigadores quiseram perceber qual a opinião dos jornalistas nacionais, quanto à possibilidade de o teletrabalho se transformar no “novo normal”.

O relatório analisou, ainda, outras questões relacionadas com o futuro do jornalismo português, como a diversidade nas redacções e “atracção e retenção de talentos em tempos de incerteza”.

Para este relatório foram consideradas as respostas de 98 inquiridos.

De acordo com o estudo, em Portugal, o teletrabalho é percepcionado como algo que teve consequências negativas para o jornalismo, em particular no que diz respeito ao trabalho colaborativo (75% dos inquiridos discordam que o trabalho remoto tenha facilitado a construção e manutenção de relações em equipa). Neste sentido, os inquiridos dizem, ainda, ter sentido quebras na sua eficiência e criatividade.

A percepção sobre os efeitos negativos do teletrabalho está, também, em concordância com a vontade expressa pelos jornalistas de regressar às redacções.

Dicas (possíveis) para a protecção “online” dos jornalistas Ver galeria

Após a revelação do “Projecto Pegasus”, e de que cerca de 180 jornalistas poderiam ter sido vigiados por um “software” móvel, a associação Repórteres sem Fronteiras (RSF) publicou uma lista de recomendações para profissionais dos “media”, com o objectivo de garantir um maior nível de segurança para todos os potenciais visados.

Neste sentido, os RSF recomendaram que os profissionais incluídos na lista de jornalistas vigiados trocassem, de imediato, os seus dispositivos móveis, para continuarem a comunicar sem que as suas informações pessoais fossem partilhadas com terceiros.

Da mesma forma, a associação recordou a importância de desconectar todas as contas das redes sociais, bem como da alteração de palavras-passe.

Caso não seja possível trocar de “smartphone”, os RSF aconselham os jornalistas a reiniciarem os dispositivos, já que isto pode travar o funcionamento dos “softwares”.

Após estes primeiros passos, recomenda-se que os jornalistas reforcem o nível de segurança dos dispositivos tecnológicos, activando uma palavra-passe com quatro dígitos distintos, que não tenha qualquer relação com dados pessoais, tais como a data de nascimento.

Um maior nível de segurança passa, também, pela actualização frequente dos sistemas operativos, e pela instalação de um serviço antivírus.

Quanto às redes sociais, os RSF aconselham que os jornalistas activem o acesso em dois passos: palavra-passe e identificação facial, por exemplo.

A associação recomenda, ainda, que os profissionais dos “media” não utilizem redes wi-fi suspeitas, e que nunca carreguem em “links” de fontes desconhecidas.

Para os jornalistas que trabalham na área da investigação, a melhor solução é optar por um telemóvel antigo, que não tenha acesso à internet, acrescentam os RSF.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
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