Sábado, 8 de Maio, 2021
Media

Relatório da FIJ denuncia jornalismo como profissão de risco

A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) publicou, recentemente, o “White Paper on Global Journalism”, que reflecte sobre os atentados contra a imprensa, registados nos últimos 30 anos.

Da mesma forma, o “White Paper on Global Journalism”, dá conta das principais evoluções tecnológicas nos “media”, dedicando, igualmente, dois capítulos aos efeitos da pandemia de covid-19 na imprensa.

O relatório começa por recordar, que, desde 1990, foram assassinados, pelo menos, 2658 jornalistas.

Mais de 50% destes profissionais foram mortos nos dez países mais perigosos para a prática jornalística: Iraque (339 jornalistas assassinados), México (175), Filipinas (159), Paquistão (138), Índia (116), Rússia (110), Argélia (106), Síria (96), Somália (93) e Afeganistão (93).

Em alguns casos, estes números são um reflexo de conflitos internacionais e guerras civis, demonstrando, ainda, que a violência contra jornalistas se tem mantido constante em alguns países.

Os anos mais "sangrentos" para a imprensa foram 2006 e 2007, com 155 e 135 homicídios, respectivamente.

De acordo com o relatório, a maioria dos jornalistas é assassinada por exercer a liberdade de imprensa e reportar sobre casos de violência e corrupção. Noutros casos, como no “Charlie Hebdo”, os homicídios foram justificados com extremismo religioso.

Estes incidentes têm, ainda, consequências indirectas, como o afastamento de profissionais, que temem possíveis repercussões da sua actividade profissional.

Além disso, os atentados contra jornalistas continuam a ser considerados como “crimes de baixo risco”, já que a maioria dos responsáveis nunca é responsabilizada.

Em 2020, registou-se um ligeiro decréscimo do nível de violência contra os profissionais dos “media”, com 42 homicídios de jornalistas, menos sete do que no ano anterior.

Ainda assim, a Federação Internacional de Jornalistas considera que as organizações internacionais devem manter-se alerta, de forma a responsabilizarem governos e autoridades locais.


Neste sentido, a FIJ recorda que, pelo menos, 235 jornalistas estão presos em 34 países, o que reflecte a imposição de restrições à liberdade de imprensa.


Em alguns dos casos, alerta o FIJ, os profissionais foram condenados sem julgamento.


“Estas descobertas reflectem a preocupante realidade dos abusos de governos, que se protegem através da detenção de jornalistas”, afirmou  Anthony Bellanger, secretário-geral da FIJ. “Estes números recordam-nos do preço a pagar por exercer jornalismo e lutar pelo interesse público”.


De acordo com o estudo, a Europa é o continente com o maior número de detenções (91), destacando-se, neste âmbito, a Bielorrússia e a Turquia. Segue-se África, com 62 profissionais presos, a região Ásia Pacífico (42) e o Médio Oriente (33).


A FIJ assinala, por outro lado, que a pandemia veio acentuar as desigualdades no sector dos “media”.


Conforme assinalou o estudo, as mulheres jornalistas estão, agora, sob maior pressão, já que estão a combinar a vida familiar com a vida profissional num único espaço. Isto resultou em maiores níveis de “stress” e ansiedade.


Contudo, o maior problema registado na pandemia passa pelas restrições impostas à imprensa, com três em cada quatro jornalistas a afirmarem ter enfrentando condicionamentos à sua actividade.


Um inquérito realizado junto de 1308 jornalistas concluiu, da mesma forma, que a maioria dos jornalistas “freelancer” perdeu oportunidades de emprego e que mais de um terço dos profissionais passou a focar-se na cobertura da pandemia.


Por outro lado, o FIJ nota que a revolução digital facilitou a cobertura noticiosa sobre a covid-19. Ainda assim, a federação alerta para as condições de trabalho deficientes, bem como para os salários baixos.


Posto isto, a FIJ acredita que os “media” devem assegurar que a informação continua a ser um bem público, essencial para a tomada de decisões e para a manutenção de democracias.


Como tal, a federação considera que, perante todos os desafios, é essencial que os colaboradores em condições precárias sejam protegidos e as redacções apostem na formação de jovens jornalistas.


A FIJ propõe, igualmente, a criação de uma “plataforma mundial para jornalismo de qualidade”, de forma a promover a ética e a sustentabilidade da economia de informação.


Connosco
"The Guardian" festeja 200 anos com jornalismo na primeira linha Ver galeria

O jornal britânico “ The Guardian” celebrou, recentemente, o seu 200º aniversário.

E, como forma de assinalar a efeméride, vários editores de publicações internacionais enviaram uma mensagem de tributo à publicação.

O então “Manchester Guardian” lançou a sua primeira edição em 5 de Maio de 1821, em resposta ao massacre de Peterloo. Desde esse dia, o título publicou mais de 54 mil edições e milhões de artigos jornalísticos, conquistando alguns prémios pelo caminho, incluindo um Pulitzer.

Para Christian Broughton, director do “Independent”, o “Guardian” soube “aproveitar um massacre para iniciar um movimento”.

“O massacre de Peterloo foi um incidente único”, disse Broughton. “Enquanto houver realidades difíceis sobre as quais reportar, continuaremos a precisar de jornalistas a exercerem as suas funções, e leitores que reconheçam o seu valor”.

Por sua vez, Marty Baron, do “Independent”, elogiou o “Guardian” por ser uma “fonte de inspiração para muitos”.

“Quando se completam 200 anos enquanto instituição mediática, isso significa que se está a fornecer um serviço público de qualidade”, afirmou.

Já Fran Unsworth, directora da BBC News, considerou o marco de 200 anos como uma “conquista extraordinária”.

“A história do ‘Guardian’ é uma tapeçaria rica em jornalismo de investigação, com responsabilização do poder político e em atenção aos interesses dos seus leitores”, rematou Unsworth.

Da mesma forma, o editor-executivo do “El País”, Javier Moreno, expressou a sua admiração pelo “jornal lançado no século XIX, em Manchester”, que se “tornou numa referência mundial”.

Outros jornalistas destacaram, por outro lado, os esforços da publicação para construir um modelo de negócio sustentável.

Hillary contra países autoritários que utilizam "media" para propaganda Ver galeria

Por ocasião do 200º aniversário do “Guardian”, a antiga candidata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, concedeu uma entrevista ao jornal britânico, para debater a importância do combate à desinformação.

Conforme recordou o “Guardian”, Hillary Clinton foi candidata presidencial numa altura em que as campanhas “fake news” começaram a ganhar força.

Aliás, de acordo com várias fontes jornalísticas, a campanha de Clinton foi prejudicada por um movimento de Moscovo, que começou a disseminar notícias falsas sobre o passado da candidata nas redes sociais.

Cinco anos depois -- e apesar da mudança de presidência dos EUA-- as campanhas de desinformação e as “teorias da conspiração” ganharam ainda mais força, ameaçando a segurança e o bem-estar dos cidadãos.

Posto isto, Hillary Clinton defende que os “media” têm que alterar a sua estratégia e deixar de “defender que a verdade se encontra algures no meio”, enquanto se preparam para enfrentar o poder das redes sociais.

“As empresas tecnológicas são, agora, muito mais poderosas do que qualquer meio de comunicação tradicional”, reiterou a antiga primeira-dama dos EUA. “Acho que tem de haver um reconhecimento internacional dos perigos da desinformação, bem como da questão do monopólio”, continuou, referindo-se, em concreto, ao caso do Facebook.

Assim, Clinton espera que o actual governo dos EUA imponha novas directrizes a estas empresas.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Se olharmos para o ranking da liberdade de imprensa, elaborado pela organização internacional Repórteres sem Fronteiras (RSF), verificamos que Portugal fecha o top ten em 2020, entre 180 países avaliados, tendo melhorado duas posições desde o ano anterior. É uma classificação confortável, numa lista liderada pela Noruega, onde a vizinha Espanha aparece em 29.º lugar e a Coreia do Norte em último, um exemplo...
Limites da liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
Na internet não deve continuar a prevalecer a lei da selva. O que não é um apelo à censura, muito menos se ela for praticada pelos gestores das empresas tecnológicas. Cabe à política, e não às empresas, assegurar o bem comum. Quem escreve na internet deverá sujeitar-se às condições jurídicas que não permitam atos que são considerados crimes nos media tradicionais.Não há...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Agenda
11
Mai
A Inteligência Artificial e o Futuro do Jornalismo
14:00 @ Palácio Nacional da Ajuda
18
Mai
Congreso Internacional de Ética de la Comunicación
10:00 @ Universidade Complutense de Madrid
18
Mai
19
Mai
2021 Collaborative Journalism Summit
09:00 @ Conferência "online" do Journalism Fund