Sexta-feira, 30 de Julho, 2021
Media

Apogeu e declínio do “Jornal do Brasil” sem edição impressa

No dia 9 de Abril, o “Jornal do Brasil”, também conhecido por JB, celebrou o seu 130º aniversário.

Se, em meados do século XX, este era um grande jornal de referência, com uma redacção de centenas de jornalistas, hoje, conta, apenas, com um colaborador fixo, que adapta peças de agências noticiosas.

O auge e o declínio deste título foram recordados pela jornalista Itala Maduell Vieira num artigo publicado no “Observatório da Imprensa” -- associação com a qual o CPI mantém um acordo de jornalismo -- com base em trechos do seu livro “JB, um paradigma jornalístico”.

Vieira começa por recordar que, em 1965, o “Jornal do Brasil” encomendou um documentário ao jornalista e cineasta Nelson Pereira dos Santos, um dos seus redactores. O filme em causa, “Jornal do Brasil, um moço de 74 anos”, reúne imagens “preciosas da rotina na redacção”.

Neste documentário é possível ver repórteres em acção nas ruas, jornalistas a seleccionar títulos e paginadores a retocarem uma das edições do jornal.

No ano seguinte -- notou Vieira -- o JB foi tema de uma reportagem de sete páginas na revista “Realidade”. Em “A aventura da notícia: 24 horas na vida de um jornal”, o repórter Luiz Fernando Mercadante e o fotógrafo Nelson di Rago acompanharam um dia na redacção, mostrando os bastidores daquele “glamouroso” título.

O editor-chefe, Alberto Dines -- fundador do “Observatório da Imprensa” -- é apresentado como “o homem que faz o jornal”.

A equipa era integrada por 50 repórteres no Rio de Janeiro, sucursais em Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre e Niterói, correspondentes em quase todas as outras capitais de Estado, 12 redactores de Internacional, dez redactores no Departamento de Pesquisa, e 14 "copy desks”.

Da mesma forma, em Abril de 1971, ao completar 80 anos, foi publicado o “Jornal do JB”, um caderno especial de 16 páginas.

Neste texto, dava-se conta dos 1.561 colaboradores da empresa, entre os quais mais de 400 jornalistas, além de 13 correspondentes no Brasil e sete no estrangeiro (Bonnan, Londres, Nova York, dois em Paris, Roma e Tel Aviv).

Contudo, a realidade presente não podia estar mais distante desse passado glorioso.

Hoje em dia, notou Vieira, a edição do jornal está à responsabilidade do jornalista Marcio Affonso Gomes.


Gomes começou a carreira como estagiário e repórter do caderno JB Niterói, entre 1988 e 1990.


“Já não era a redacção com centenas de repórteres, dezenas de revisores e de correspondentes no país e no exterior e uma frota de carros de reportagem”. Mas, ainda assim, “toda a gente queria trabalhar no JB”, porque “só havia estrelas do jornalismo”.


O jornal, que em tempo foi considerado o “melhor jornal do Brasil”, saiu de circulação em 2019 e conta, apenas, com uma edição “online”.


Gomes assegura as operações em “home office”.


“É complicado, mas apaixonante. Trabalho ‘online’ há tempos, também sou programador e, por gostar bastante, não fico cansado”, afirmou. “A audiência não cai, por incrível que pareça”.


Até porque, “a ordem nesta casa é não parar”.


Leia o artigo original em “Observatório da Imprensa”

 


Connosco
Relatório do Obercom analisa tendências futuras dos “media” Ver galeria

Com a pandemia, a maioria dos jornalistas passou a ter que trabalhar em regime remoto, abandonando o espaço de redacção e o contacto directo com colegas de profissão.

Isto fez com que os colaboradores dos “media” passassem a depender dos seus dispositivos electrónicos para assegurar a comunicação com os editores, além de conjugarem a vida pessoal e profissional num único local.

Se, por um lado, alguns dos jornalistas apreciaram a flexibilidade deste novo regime, por outro lado, um número considerável de profissionais disse estar descontente com o “continuum” família/trabalho.

O caso da imprensa portuguesa foi, agora, analisado por um relatório do “Obercom”, cujos investigadores quiseram perceber qual a opinião dos jornalistas nacionais, quanto à possibilidade de o teletrabalho se transformar no “novo normal”.

O relatório analisou, ainda, outras questões relacionadas com o futuro do jornalismo português, como a diversidade nas redacções e “atracção e retenção de talentos em tempos de incerteza”.

Para este relatório foram consideradas as respostas de 98 inquiridos.

De acordo com o estudo, em Portugal, o teletrabalho é percepcionado como algo que teve consequências negativas para o jornalismo, em particular no que diz respeito ao trabalho colaborativo (75% dos inquiridos discordam que o trabalho remoto tenha facilitado a construção e manutenção de relações em equipa). Neste sentido, os inquiridos dizem, ainda, ter sentido quebras na sua eficiência e criatividade.

A percepção sobre os efeitos negativos do teletrabalho está, também, em concordância com a vontade expressa pelos jornalistas de regressar às redacções.

Dicas (possíveis) para a protecção “online” dos jornalistas Ver galeria

Após a revelação do “Projecto Pegasus”, e de que cerca de 180 jornalistas poderiam ter sido vigiados por um “software” móvel, a associação Repórteres sem Fronteiras (RSF) publicou uma lista de recomendações para profissionais dos “media”, com o objectivo de garantir um maior nível de segurança para todos os potenciais visados.

Neste sentido, os RSF recomendaram que os profissionais incluídos na lista de jornalistas vigiados trocassem, de imediato, os seus dispositivos móveis, para continuarem a comunicar sem que as suas informações pessoais fossem partilhadas com terceiros.

Da mesma forma, a associação recordou a importância de desconectar todas as contas das redes sociais, bem como da alteração de palavras-passe.

Caso não seja possível trocar de “smartphone”, os RSF aconselham os jornalistas a reiniciarem os dispositivos, já que isto pode travar o funcionamento dos “softwares”.

Após estes primeiros passos, recomenda-se que os jornalistas reforcem o nível de segurança dos dispositivos tecnológicos, activando uma palavra-passe com quatro dígitos distintos, que não tenha qualquer relação com dados pessoais, tais como a data de nascimento.

Um maior nível de segurança passa, também, pela actualização frequente dos sistemas operativos, e pela instalação de um serviço antivírus.

Quanto às redes sociais, os RSF aconselham que os jornalistas activem o acesso em dois passos: palavra-passe e identificação facial, por exemplo.

A associação recomenda, ainda, que os profissionais dos “media” não utilizem redes wi-fi suspeitas, e que nunca carreguem em “links” de fontes desconhecidas.

Para os jornalistas que trabalham na área da investigação, a melhor solução é optar por um telemóvel antigo, que não tenha acesso à internet, acrescentam os RSF.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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