Sexta-feira, 30 de Julho, 2021
Media

Os desafios do jornalismo “freelance” em contexto pandémico

Os efeitos e consequências da pandemia têm sido, particularmente, desafiantes para os jornalistas “freelancer” de países em desenvolvimento, de acordo com um estudo realizado por Damian Radcliffe e analisado por Laura Oliver no “site” do “Reuters Institute for Journalism”.

Radcliffe baseou o relatório em entrevistas com 55 jornalistas , de 26 países, e concluiu que os profissionais independentes, de países como o Brasil, a Índia e o Vietname, têm tido dificuldades acrescidas na adaptação ao contexto pandémico.

Segundo indicou Oliver na sua análise, isto acontece porque, nestes países, existem, por norma, menos oportunidades para jornalistas independentes.

Além disso, nestas zonas, o acesso à internet e a “workshops” de formação é muito limitado, em comparação com os níveis registados em países desenvolvidos.

Outra das razões apontadas passa pelas questões de segurança e protecção contra o vírus. Ou seja, muitas vezes, os jornalistas “freelancer” destas zonas, deixam de realizar determinadas reportagens, devido ao risco de infecção.

O jornalista brasileiro Diogo Rodriguez afirmou, neste âmbito, que “as poupanças pessoais foram cruciais para sobreviver”, nos primeiros meses de pandemia.

“Quando a pandemia começou, as publicações deixaram de requisitar o meu trabalho”, disse.

Da mesma forma, a jornalista indiana  Jaishree Kumar recordou que, com o aparecimento do coronavírus, deixou de haver tantos programas de apoio a jovens profissionais.


Por outro lado, o profissional nigeriano Kehinde Ogunyale considerou que o regime “freelancer” é uma boa solução para jornalistas que tenham ficado desempregados.


Neste sentido, Ogunyale afirmou que a situação pandémica lhe trouxe novas oportunidades, apesar das dificuldades, inicialmente, enfrentadas.


Isto porque, ao passar mais tempo em casa, Ogunyale conseguiu desenvolver novas capacidades ao nível da verificação de factos.


Esta visão é partilhada pela jornalista vietnamita Sen Nguyen que viu na pandemia uma “oportunidade para crescer”.


Além disso, estes profissionais dizem ter sido obrigados a tornar-se mais criativos, procurando entrevistar novas fontes e aprendendo a trabalhar de forma remota.


Posto isto, Laura Oliver conclui que, embora a pandemia tenha criado algumas novas oportunidades, exacerbou, igualmente, as desigualdades nos países em desenvolvimento. 


Assim, a autora considera essencial assegurar o reforço de programas de apoio aos “media”, bem como a criação de iniciativas que lutem 

pela manutenção da liberdade de imprensa.


Connosco
Relatório do Obercom analisa tendências futuras dos “media” Ver galeria

Com a pandemia, a maioria dos jornalistas passou a ter que trabalhar em regime remoto, abandonando o espaço de redacção e o contacto directo com colegas de profissão.

Isto fez com que os colaboradores dos “media” passassem a depender dos seus dispositivos electrónicos para assegurar a comunicação com os editores, além de conjugarem a vida pessoal e profissional num único local.

Se, por um lado, alguns dos jornalistas apreciaram a flexibilidade deste novo regime, por outro lado, um número considerável de profissionais disse estar descontente com o “continuum” família/trabalho.

O caso da imprensa portuguesa foi, agora, analisado por um relatório do “Obercom”, cujos investigadores quiseram perceber qual a opinião dos jornalistas nacionais, quanto à possibilidade de o teletrabalho se transformar no “novo normal”.

O relatório analisou, ainda, outras questões relacionadas com o futuro do jornalismo português, como a diversidade nas redacções e “atracção e retenção de talentos em tempos de incerteza”.

Para este relatório foram consideradas as respostas de 98 inquiridos.

De acordo com o estudo, em Portugal, o teletrabalho é percepcionado como algo que teve consequências negativas para o jornalismo, em particular no que diz respeito ao trabalho colaborativo (75% dos inquiridos discordam que o trabalho remoto tenha facilitado a construção e manutenção de relações em equipa). Neste sentido, os inquiridos dizem, ainda, ter sentido quebras na sua eficiência e criatividade.

A percepção sobre os efeitos negativos do teletrabalho está, também, em concordância com a vontade expressa pelos jornalistas de regressar às redacções.

Dicas (possíveis) para a protecção “online” dos jornalistas Ver galeria

Após a revelação do “Projecto Pegasus”, e de que cerca de 180 jornalistas poderiam ter sido vigiados por um “software” móvel, a associação Repórteres sem Fronteiras (RSF) publicou uma lista de recomendações para profissionais dos “media”, com o objectivo de garantir um maior nível de segurança para todos os potenciais visados.

Neste sentido, os RSF recomendaram que os profissionais incluídos na lista de jornalistas vigiados trocassem, de imediato, os seus dispositivos móveis, para continuarem a comunicar sem que as suas informações pessoais fossem partilhadas com terceiros.

Da mesma forma, a associação recordou a importância de desconectar todas as contas das redes sociais, bem como da alteração de palavras-passe.

Caso não seja possível trocar de “smartphone”, os RSF aconselham os jornalistas a reiniciarem os dispositivos, já que isto pode travar o funcionamento dos “softwares”.

Após estes primeiros passos, recomenda-se que os jornalistas reforcem o nível de segurança dos dispositivos tecnológicos, activando uma palavra-passe com quatro dígitos distintos, que não tenha qualquer relação com dados pessoais, tais como a data de nascimento.

Um maior nível de segurança passa, também, pela actualização frequente dos sistemas operativos, e pela instalação de um serviço antivírus.

Quanto às redes sociais, os RSF aconselham que os jornalistas activem o acesso em dois passos: palavra-passe e identificação facial, por exemplo.

A associação recomenda, ainda, que os profissionais dos “media” não utilizem redes wi-fi suspeitas, e que nunca carreguem em “links” de fontes desconhecidas.

Para os jornalistas que trabalham na área da investigação, a melhor solução é optar por um telemóvel antigo, que não tenha acesso à internet, acrescentam os RSF.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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