Sexta-feira, 30 de Julho, 2021
Media

Manual para uma transição digital bem sucedida na imprensa

Nos últimos anos, temos assistido à alteração dos modelos de negócio dos “media”, já que os consumidores de notícias têm demonstrado um crescente interesse pela leitura de jornais digitais, em detrimento do formato em papel.

Com isto, um pouco por todo o mundo, os editores de jornais começaram a reformular a sua estratégia financeira, focando-se na criação de modelos de subscrição. Desta forma, algumas publicações têm conseguido registar um crescimento nas suas receitas, mesmo com a diminuição do investimento publicitário.

Contudo, nem todos os jornais são bem sucedidos nesta transição digital, já que a maioria dos cidadãos ainda se mostra relutante em pagar pelo acesso à informação.

Perante este cenário, o jornalista Eduardo Suárez listou algumas ferramentas essenciais para que um negócio de “media” seja bem-sucedido na era digital, e compilou as dicas num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Neste sentido, Suárez começa por explicar os factores que impulsionaram a crescente adesão a este tipo de modelo de negócio.

Em primeiro lugar -- recordou o autor -- o acesso à internet é cada vez mais amplo.

Em segundo lugar, as novas gerações valorizam o acesso a plataformas de serviços, deixando de lado os formatos físicos. Ou seja, os jovens preferem, por exemplo, ter uma conta na Netflix a uma colecção de DVDs.

Em terceiro lugar, as “paywalls” permitem avaliar o comportamento de consumo dos leitores, o que ajuda os jornais a adaptarem-se às necessidades e interesses do público em geral.
Posto isto, Suárez argumenta que, de forma a adaptarem-se a este modelo, os jornais devem começar por redefinir a sua estratégia e processos internos. 

Isto passa por traçar critérios exigentes de jornalismo, testar hipóteses, bem como desenvolver experiências e conteúdos exclusivos para a sua base de subscritores.


O autor recorda, contudo, que, durante os primeiros meses, esta reorganização exigirá investimento em recursos humanos e em  novas tecnologias. Por isso, o crescimento das receitas poderá ser demorado.


De acordo com Suárez, as sinergias internas serão essenciais nestes processos. Ou seja, os jornalistas devem estar dispostos a colaborar com as equipas comerciais e de informática. 


Isto porque, segundo reforçou o autor, os profissionais dos “media” devem ter conhecimentos básicos de “marketing”, de forma a tornarem os artigos mais apelativos.


Neste âmbito, as publicações deverão, ainda, certificar-se de que o produto digital oferece uma experiência de qualidade aos seus consumidores, com versões “online” intuitivas e bem concebidas.


Suárez recomenda, igualmente, que os títulos invistam em conteúdos inovadores, como as “newsletters”, os “podcasts” e os boletins informativos, já que as gerações mais jovens preferem consumir os chamados “produtos finitos”.


Isto é: produtos com curadoria, que reúnam os principais acontecimentos de um determinado dia, ou que sigam uma determinada temática.


Desta forma, os jornais conseguirão incentivar hábitos de consumo regulares, o que é essencial para fidelizar os subscritores.


Por fim, Suárez sugere que as publicações clarifiquem a intenção por detrás da criação de uma “paywall”, recordando os leitores da importância de informação de qualidade.



Leia o artigo original em “Cuadernos de Periodistas”

 


Connosco
Relatório do Obercom analisa tendências futuras dos “media” Ver galeria

Com a pandemia, a maioria dos jornalistas passou a ter que trabalhar em regime remoto, abandonando o espaço de redacção e o contacto directo com colegas de profissão.

Isto fez com que os colaboradores dos “media” passassem a depender dos seus dispositivos electrónicos para assegurar a comunicação com os editores, além de conjugarem a vida pessoal e profissional num único local.

Se, por um lado, alguns dos jornalistas apreciaram a flexibilidade deste novo regime, por outro lado, um número considerável de profissionais disse estar descontente com o “continuum” família/trabalho.

O caso da imprensa portuguesa foi, agora, analisado por um relatório do “Obercom”, cujos investigadores quiseram perceber qual a opinião dos jornalistas nacionais, quanto à possibilidade de o teletrabalho se transformar no “novo normal”.

O relatório analisou, ainda, outras questões relacionadas com o futuro do jornalismo português, como a diversidade nas redacções e “atracção e retenção de talentos em tempos de incerteza”.

Para este relatório foram consideradas as respostas de 98 inquiridos.

De acordo com o estudo, em Portugal, o teletrabalho é percepcionado como algo que teve consequências negativas para o jornalismo, em particular no que diz respeito ao trabalho colaborativo (75% dos inquiridos discordam que o trabalho remoto tenha facilitado a construção e manutenção de relações em equipa). Neste sentido, os inquiridos dizem, ainda, ter sentido quebras na sua eficiência e criatividade.

A percepção sobre os efeitos negativos do teletrabalho está, também, em concordância com a vontade expressa pelos jornalistas de regressar às redacções.

Dicas (possíveis) para a protecção “online” dos jornalistas Ver galeria

Após a revelação do “Projecto Pegasus”, e de que cerca de 180 jornalistas poderiam ter sido vigiados por um “software” móvel, a associação Repórteres sem Fronteiras (RSF) publicou uma lista de recomendações para profissionais dos “media”, com o objectivo de garantir um maior nível de segurança para todos os potenciais visados.

Neste sentido, os RSF recomendaram que os profissionais incluídos na lista de jornalistas vigiados trocassem, de imediato, os seus dispositivos móveis, para continuarem a comunicar sem que as suas informações pessoais fossem partilhadas com terceiros.

Da mesma forma, a associação recordou a importância de desconectar todas as contas das redes sociais, bem como da alteração de palavras-passe.

Caso não seja possível trocar de “smartphone”, os RSF aconselham os jornalistas a reiniciarem os dispositivos, já que isto pode travar o funcionamento dos “softwares”.

Após estes primeiros passos, recomenda-se que os jornalistas reforcem o nível de segurança dos dispositivos tecnológicos, activando uma palavra-passe com quatro dígitos distintos, que não tenha qualquer relação com dados pessoais, tais como a data de nascimento.

Um maior nível de segurança passa, também, pela actualização frequente dos sistemas operativos, e pela instalação de um serviço antivírus.

Quanto às redes sociais, os RSF aconselham que os jornalistas activem o acesso em dois passos: palavra-passe e identificação facial, por exemplo.

A associação recomenda, ainda, que os profissionais dos “media” não utilizem redes wi-fi suspeitas, e que nunca carreguem em “links” de fontes desconhecidas.

Para os jornalistas que trabalham na área da investigação, a melhor solução é optar por um telemóvel antigo, que não tenha acesso à internet, acrescentam os RSF.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
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Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
O acordo de Macau rasgado pela China
Francisco Sarsfield Cabral
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Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
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