Sexta-feira, 30 de Julho, 2021
Media

Editores de jornais manisfestam-se sobre desafios de 2021

Apesar do Novo Ano, a maioria das preocupações sobre o futuro dos “media” continua a manter-se inalterada, segundo a redacção da “Press Gazette”.

Perante este cenário, a equipa decidiu entrevistar alguns editores de jornais proeminentes, de forma a apurar os factos que mais os inquietam.

No caso do editor-executivo do “Washington Post”, Martin Baron, o maior obstáculo para o jornalismo em 2021 será o combate à desinformação.

“As sociedades já não têm uma verdade comum. Já nem sequer conseguimos concordar sobre o que é um facto. Isto é um obstáculo para o jornalismo que, por norma, é o árbitro da factualidade”, disse Baron.

“A especialização, a experiência, a educação e as provas são, agora, reprovadas e negadas. Isto constitui, igualmente, um desafio para as democracias”, prosseguiu. “É difícil saber como actuar perante este cenário(...) Podemos ser mais transparentes, revelando mais sobre a nossa forma de trabalhar”.

“Mas será que isto funciona?”, interrogou-se. “Não posso dar certezas, mas posso permanecer optimista”.

A editora do “Financial Times”, por sua vez, considera que o maior desafio será assegurar o funcionamento da redacção em regime de teletrabalho.


 “A equipa do ‘FT’ conta com solidariedade e o espírito de entreajuda, mas, igualmente, com inovação constante”, disse Roula Khalaf. “Estou confiante de que a nossa resiliência e flexibilidade irá permitir-nos progredir nas nossas prioridades estratégicas”.


Por outro lado, Greg William, responsável pelo “Wired UK”, afirma que a sua maior preocupação passa pela captação de audiências “online”.


“No meu ponto de vista, apesar de ser importante interagir com grandes audiências, é crucial que consigamos manter uma base de leitores leais, que estão investidos na nossa marca”.

 

Já Nicholas Carlson, responsável pelo “site” “Insider”, acredita que o maior obstáculo à prática do jornalismo será o poder político.


Esta mesma preocupação é partilhada por Richard Tofel, presidente da “ProPublica”, que deseja voltar a cobrir, nos EUA, “um governo normal, com políticas normais”.


Por fim, Mark Allen, presidente do Grupo Mark Allen, reitera que o presente ano será muito desafiante para a imprensa.


Allen destaca, contudo, duas notas positivas: o triunfo do jornalismo de qualidade e o interesse crescente dos jovens em informação fidedigna.


Connosco
Relatório do Obercom analisa tendências futuras dos “media” Ver galeria

Com a pandemia, a maioria dos jornalistas passou a ter que trabalhar em regime remoto, abandonando o espaço de redacção e o contacto directo com colegas de profissão.

Isto fez com que os colaboradores dos “media” passassem a depender dos seus dispositivos electrónicos para assegurar a comunicação com os editores, além de conjugarem a vida pessoal e profissional num único local.

Se, por um lado, alguns dos jornalistas apreciaram a flexibilidade deste novo regime, por outro lado, um número considerável de profissionais disse estar descontente com o “continuum” família/trabalho.

O caso da imprensa portuguesa foi, agora, analisado por um relatório do “Obercom”, cujos investigadores quiseram perceber qual a opinião dos jornalistas nacionais, quanto à possibilidade de o teletrabalho se transformar no “novo normal”.

O relatório analisou, ainda, outras questões relacionadas com o futuro do jornalismo português, como a diversidade nas redacções e “atracção e retenção de talentos em tempos de incerteza”.

Para este relatório foram consideradas as respostas de 98 inquiridos.

De acordo com o estudo, em Portugal, o teletrabalho é percepcionado como algo que teve consequências negativas para o jornalismo, em particular no que diz respeito ao trabalho colaborativo (75% dos inquiridos discordam que o trabalho remoto tenha facilitado a construção e manutenção de relações em equipa). Neste sentido, os inquiridos dizem, ainda, ter sentido quebras na sua eficiência e criatividade.

A percepção sobre os efeitos negativos do teletrabalho está, também, em concordância com a vontade expressa pelos jornalistas de regressar às redacções.

Dicas (possíveis) para a protecção “online” dos jornalistas Ver galeria

Após a revelação do “Projecto Pegasus”, e de que cerca de 180 jornalistas poderiam ter sido vigiados por um “software” móvel, a associação Repórteres sem Fronteiras (RSF) publicou uma lista de recomendações para profissionais dos “media”, com o objectivo de garantir um maior nível de segurança para todos os potenciais visados.

Neste sentido, os RSF recomendaram que os profissionais incluídos na lista de jornalistas vigiados trocassem, de imediato, os seus dispositivos móveis, para continuarem a comunicar sem que as suas informações pessoais fossem partilhadas com terceiros.

Da mesma forma, a associação recordou a importância de desconectar todas as contas das redes sociais, bem como da alteração de palavras-passe.

Caso não seja possível trocar de “smartphone”, os RSF aconselham os jornalistas a reiniciarem os dispositivos, já que isto pode travar o funcionamento dos “softwares”.

Após estes primeiros passos, recomenda-se que os jornalistas reforcem o nível de segurança dos dispositivos tecnológicos, activando uma palavra-passe com quatro dígitos distintos, que não tenha qualquer relação com dados pessoais, tais como a data de nascimento.

Um maior nível de segurança passa, também, pela actualização frequente dos sistemas operativos, e pela instalação de um serviço antivírus.

Quanto às redes sociais, os RSF aconselham que os jornalistas activem o acesso em dois passos: palavra-passe e identificação facial, por exemplo.

A associação recomenda, ainda, que os profissionais dos “media” não utilizem redes wi-fi suspeitas, e que nunca carreguem em “links” de fontes desconhecidas.

Para os jornalistas que trabalham na área da investigação, a melhor solução é optar por um telemóvel antigo, que não tenha acesso à internet, acrescentam os RSF.

O Clube
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Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
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