Sexta-feira, 30 de Julho, 2021
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Relatório do Obercom sobre agências de notícias

Ao contrário da crença popular, as “fake news” não são um fenómeno recente. Aliás, os primeiros registos da desinformação nos “media” remontam à primeira guerra mundial.

Contudo, é inegável que o processo de disseminação de conteúdos falsos foi acelerado pela era digital. As redes sociais, por exemplo, têm tido um papel preponderante no surgimento de novas formas de desinformação e na viralização exponencial de conteúdos falsos.

Perante este quadro, os “media” começaram um processo de combate à desinformação, que tem sido liderado pelas agências noticiosas, notou o Obercom no seu mais recente relatório, “Agências de notícias e fact-checking”.

De acordo com o estudo do Obercom, estas instituições “têm investido recursos significativos no desenvolvimento de métodos de trabalho, ferramentas e parcerias que lhes permitam adicionar valor aos seus produtos, tendo-se tornado, simultaneamente, ainda mais relevantes no quotidiano actual”.

Este foco verifica-se um pouco por todo o Mundo, em empresas como a AFP (França), EFE (Espanha), ANSA (Itália), AP (EUA) e, ainda, na Lusa (Portugal).

Em consequência do actual panorama, os artigos de política e de saúde são alvo de maior escrutínio. E neste contexto, as agências têm privilegiado parcerias com projectos independentes e especializados.

Em alguns casos, como na Reuters -- e apesar de haver uma estrutura especializada para esse fim --  todos os jornalistas da agência  fazem verificação de factos.

Aliás, segundo indicou o Obercom, as vantagens do “fact-checking” no contexto do jornalismo de agência são mais evidentes quando este é implementado de forma orgânica.


No caso português, a agência Lusa tem um “site” dedicado, única e exclusivamente, a “fact-checking” e a notícias sobre desinformação, que funciona enquanto projecto independente.


Os responsáveis contam conseguir desenvolver, em breve, novas ferramentas de Inteligência Artificial.


Aliás, as maiores fragilidades registadas pelo relatório, em todas as agências, são de âmbito tecnológico. Recursos como o “blockchain” podem vir a tornar-se essenciais no futuro para garantir a qualidade e a legitimidade dos conteúdos noticiosos. 


Este é, no entanto, um campo com uma elevada curva de habituação, na medida em que será preciso estabelecer novas parcerias ao nível tecnológico, investir na contratação de recursos humanos altamente especializados (não apenas jornalistas) e formar os

recursos humanos existentes para a utilização e convivências com novas tecnologias.


O Obercom conclui, assim, que, de forma a manterem o seu estatuto de autoridade e credibilidade, as agências de notícias têm que acelerar o processo de inovação.



Leia o relatório original em "Obercom"

 

Connosco
Relatório do Obercom analisa tendências futuras dos “media” Ver galeria

Com a pandemia, a maioria dos jornalistas passou a ter que trabalhar em regime remoto, abandonando o espaço de redacção e o contacto directo com colegas de profissão.

Isto fez com que os colaboradores dos “media” passassem a depender dos seus dispositivos electrónicos para assegurar a comunicação com os editores, além de conjugarem a vida pessoal e profissional num único local.

Se, por um lado, alguns dos jornalistas apreciaram a flexibilidade deste novo regime, por outro lado, um número considerável de profissionais disse estar descontente com o “continuum” família/trabalho.

O caso da imprensa portuguesa foi, agora, analisado por um relatório do “Obercom”, cujos investigadores quiseram perceber qual a opinião dos jornalistas nacionais, quanto à possibilidade de o teletrabalho se transformar no “novo normal”.

O relatório analisou, ainda, outras questões relacionadas com o futuro do jornalismo português, como a diversidade nas redacções e “atracção e retenção de talentos em tempos de incerteza”.

Para este relatório foram consideradas as respostas de 98 inquiridos.

De acordo com o estudo, em Portugal, o teletrabalho é percepcionado como algo que teve consequências negativas para o jornalismo, em particular no que diz respeito ao trabalho colaborativo (75% dos inquiridos discordam que o trabalho remoto tenha facilitado a construção e manutenção de relações em equipa). Neste sentido, os inquiridos dizem, ainda, ter sentido quebras na sua eficiência e criatividade.

A percepção sobre os efeitos negativos do teletrabalho está, também, em concordância com a vontade expressa pelos jornalistas de regressar às redacções.

Dicas (possíveis) para a protecção “online” dos jornalistas Ver galeria

Após a revelação do “Projecto Pegasus”, e de que cerca de 180 jornalistas poderiam ter sido vigiados por um “software” móvel, a associação Repórteres sem Fronteiras (RSF) publicou uma lista de recomendações para profissionais dos “media”, com o objectivo de garantir um maior nível de segurança para todos os potenciais visados.

Neste sentido, os RSF recomendaram que os profissionais incluídos na lista de jornalistas vigiados trocassem, de imediato, os seus dispositivos móveis, para continuarem a comunicar sem que as suas informações pessoais fossem partilhadas com terceiros.

Da mesma forma, a associação recordou a importância de desconectar todas as contas das redes sociais, bem como da alteração de palavras-passe.

Caso não seja possível trocar de “smartphone”, os RSF aconselham os jornalistas a reiniciarem os dispositivos, já que isto pode travar o funcionamento dos “softwares”.

Após estes primeiros passos, recomenda-se que os jornalistas reforcem o nível de segurança dos dispositivos tecnológicos, activando uma palavra-passe com quatro dígitos distintos, que não tenha qualquer relação com dados pessoais, tais como a data de nascimento.

Um maior nível de segurança passa, também, pela actualização frequente dos sistemas operativos, e pela instalação de um serviço antivírus.

Quanto às redes sociais, os RSF aconselham que os jornalistas activem o acesso em dois passos: palavra-passe e identificação facial, por exemplo.

A associação recomenda, ainda, que os profissionais dos “media” não utilizem redes wi-fi suspeitas, e que nunca carreguem em “links” de fontes desconhecidas.

Para os jornalistas que trabalham na área da investigação, a melhor solução é optar por um telemóvel antigo, que não tenha acesso à internet, acrescentam os RSF.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
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A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
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