Sexta-feira, 30 de Julho, 2021
Mundo

Clima de intimidação contra jornalistas no México denunciado por rede internacional

A rede internacional Cartel Project -- constituída por 60 jornalistas, de 25 publicações internacionais -- está a dar continuidade ao trabalho desenvolvido por jornalistas mexicanos assassinados.

Este trabalho inclui a investigação da jornalista Regina Martinez -- assassinada em 2012 -- que estava a desenvolver reportagens sobre a ligação entre os desaparecimentos de cidadãos de Veracruz e o governo local.

Martinez não foi a primeira repórter a ser morta no México, mas o seu homicídio fez com que o país passasse a ser considerado um dos mais perigosos para o exercício da profissão.

De acordo com o Comité para a Protecção de Jornalistas (CPJ), desde 2000, foram assassinados 119 jornalistas no México. Além disso, 90% dos casos ficaram por resolver. Veracruz é um dos Estados com maior incidência.

“O caso Regina é importante porque constitui um antes e um depois para a imprensa", disse Jorge Carrasco, editor-chefe da revista noticiosa “Proceso”, para a qual Martinez colaborava. "Quando matam um jornalista, é como se estivessem a colocar uma bomba numa redacção para causar terror, para intimidar, para dizer: não se metam connosco".

De acordo com relatórios internacionais, os jornalistas de investigação são, principalmente, visados pelos “atacantes”. O Cartel Project apurou, por exemplo, que as actividades desenvolvidas por Martinez eram controladas por uma rede de espionagem altamente sofisticada, que reúne informações pessoais sobre estes profissionais.

Nos últimos meses da sua vida, Martinez viveu, assim, num “clima de terror”, sem conseguir dormir, ou sair de casa.

De acordo com os relatórios do Cartel Project, a vigilância a jornalistas começou na década de 1990. Contudo os profissionais consideram que a sua actividade foi intensificada entre os anos de 2010 e 2016, época em que Javier Duarte era governador do Estado de Veracruz.

Duarte ficou conhecido por se opor ao escrutínio das associações de direitos humanos e do próprio governo federal.

“Como jornalista da ‘Proceso’, Regina Martínez foi, automaticamente, considerada uma inimiga”, afirmou Jorge Rebolledo, um consultor de segurança radicado na Cidade do México. "As redes de poder em Veracruz são muito complicadas, a relação entre o crime organizado e o governo é cinzenta. Não é fácil perceber quem é mau ou bom, o que vulnerabiliza os jornalistas de investigação".

Em 2018, Andrés Manuel López Obrador, conhecido como Amlo, venceu as eleições presidenciais, sob o compromisso de transformar a política e erradicar a corrupção.

No entanto, a violência -- incluindo o assassinato de jornalistas -- continuou a aumentar, e Amlo tem sido acusado de incitar à hostilidade contra os “media”.

Em Novembro, Amlo afirmou que iria pedir a reavaliação do caso de Martinez. Por enquanto, contudo, o seu assassinato continua por resolver.

(Esta trabalho sobre a situação perigosa para os jornalistas no México foi realizado por Nina Lakhani (“the Guardian”), Dana Priest (“Washington Post”), e Paloma Dupont de Dinechin (“Forbidden Stories”)

Leia o artigo original em “Guardian”

Connosco
Relatório do Obercom analisa tendências futuras dos “media” Ver galeria

Com a pandemia, a maioria dos jornalistas passou a ter que trabalhar em regime remoto, abandonando o espaço de redacção e o contacto directo com colegas de profissão.

Isto fez com que os colaboradores dos “media” passassem a depender dos seus dispositivos electrónicos para assegurar a comunicação com os editores, além de conjugarem a vida pessoal e profissional num único local.

Se, por um lado, alguns dos jornalistas apreciaram a flexibilidade deste novo regime, por outro lado, um número considerável de profissionais disse estar descontente com o “continuum” família/trabalho.

O caso da imprensa portuguesa foi, agora, analisado por um relatório do “Obercom”, cujos investigadores quiseram perceber qual a opinião dos jornalistas nacionais, quanto à possibilidade de o teletrabalho se transformar no “novo normal”.

O relatório analisou, ainda, outras questões relacionadas com o futuro do jornalismo português, como a diversidade nas redacções e “atracção e retenção de talentos em tempos de incerteza”.

Para este relatório foram consideradas as respostas de 98 inquiridos.

De acordo com o estudo, em Portugal, o teletrabalho é percepcionado como algo que teve consequências negativas para o jornalismo, em particular no que diz respeito ao trabalho colaborativo (75% dos inquiridos discordam que o trabalho remoto tenha facilitado a construção e manutenção de relações em equipa). Neste sentido, os inquiridos dizem, ainda, ter sentido quebras na sua eficiência e criatividade.

A percepção sobre os efeitos negativos do teletrabalho está, também, em concordância com a vontade expressa pelos jornalistas de regressar às redacções.

Dicas (possíveis) para a protecção “online” dos jornalistas Ver galeria

Após a revelação do “Projecto Pegasus”, e de que cerca de 180 jornalistas poderiam ter sido vigiados por um “software” móvel, a associação Repórteres sem Fronteiras (RSF) publicou uma lista de recomendações para profissionais dos “media”, com o objectivo de garantir um maior nível de segurança para todos os potenciais visados.

Neste sentido, os RSF recomendaram que os profissionais incluídos na lista de jornalistas vigiados trocassem, de imediato, os seus dispositivos móveis, para continuarem a comunicar sem que as suas informações pessoais fossem partilhadas com terceiros.

Da mesma forma, a associação recordou a importância de desconectar todas as contas das redes sociais, bem como da alteração de palavras-passe.

Caso não seja possível trocar de “smartphone”, os RSF aconselham os jornalistas a reiniciarem os dispositivos, já que isto pode travar o funcionamento dos “softwares”.

Após estes primeiros passos, recomenda-se que os jornalistas reforcem o nível de segurança dos dispositivos tecnológicos, activando uma palavra-passe com quatro dígitos distintos, que não tenha qualquer relação com dados pessoais, tais como a data de nascimento.

Um maior nível de segurança passa, também, pela actualização frequente dos sistemas operativos, e pela instalação de um serviço antivírus.

Quanto às redes sociais, os RSF aconselham que os jornalistas activem o acesso em dois passos: palavra-passe e identificação facial, por exemplo.

A associação recomenda, ainda, que os profissionais dos “media” não utilizem redes wi-fi suspeitas, e que nunca carreguem em “links” de fontes desconhecidas.

Para os jornalistas que trabalham na área da investigação, a melhor solução é optar por um telemóvel antigo, que não tenha acesso à internet, acrescentam os RSF.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
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