Sábado, 8 de Maio, 2021
Estudo

Relatório do Obercom sobre tendências nos "media" portugueses confirma declínio da imprensa

Com a entrada na era digital, os “media” portugueses sofreram algumas alterações profundas, que se reflectiram, igualmente, no comportamento das audiências e, mais tarde, no modelo de negócio.

Como tal, durante a última década, o Obercom tem vindo a recolher dados sobre as tendências dos meios de comunicação social, de forma a projectar o futuro do sector em Portugal.

No seu mais recente relatório, intitulado “Análise do Comportamento dos Media”, o Obercom comparou os resultados dos principais meios portugueses, tanto na imprensa escrita, como na rádio e na televisão, entre 2008 e 2019.

No que toca à imprensa, o Obercom concluiu que, em 2019, foram aprofundadas algumas tendências.  As treze publicações analisadas permitiram constatar que, quer no volume de circulação paga, quer no volume de tiragens, registaram-se quebras acentuadas.

Com efeito, em 2019, o valor global  da circulação paga era já menos de metade daquele verificado em 2008. 

No período 2008-2019, o “Diário de Notícias” lidera nas perdas em circulação impressa paga. Contudo, praticamente todas as publicações analisadas diminuiram o volume de vendas em banca, com excepção da revista “Sábado” (+ 1,3%) e do “Jornal Económico” (+56%)

Em relação ao índice de Eficiência das publicações, que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa, continua a verificar-se a liderança do “Expresso” e da revista “Visão”

De salientar que o jornal “Correio da Manhã” é ainda o título com maior distribuição e mais vendas registadas, com o semanário “Expresso” a surgir no segundo lugar.


A intensificação da produção, disseminação e consumo de notícias, no formato “online”, tem contribuído para este declínio do formato físico.


Contudo, apesar de o volume de assinaturas digitais ter estado a subir ao longo dos últimos anos, este crescimento  é, em muitos casos, praticamente residual.


No sector na rádio, o Grupo Media Capital  lidera em nível de “share de audiências”, seguido do Grupo Renascença, Grupo RDP e, em quarto lugar, pelo Grupo TSF. 


Relativamente à análise isolada das rádios, verifica-se que a RFM (Grupo Renascença) se tem mantido como líder em termos de “share” global, mas com uma diferença cada vez menor para a Rádio Comercial ( Media Capital).


A M80 (Media Capital) é a terceira rádio mais ouvida em Portugal, seguida da Rádio Renascença (4º lugar) e da Antena 1 (RDP).


A Rádio Comercial é líder das 6h às 10h e das 17h às 20h, perdendo, no entanto,  para a RFM, no período das 22h-00h. 



No que toca à televisão, verifica-se que o mercado português é, extremamente, competitivo nas dinâmicas de abertura e fecho de canais, com as diversas marcas nacionais a optar por diferentes estratégias de expansão e diversificação de conteúdos.


As marcas históricas (RTP, SIC e TVI) expandiram-se muito para lá das suas lógicas generalistas, em estratégias de valorização de património arquivado, no caso da RTP, e de aposta no entretenimento, no caso da SIC e TVI. Existe, contudo, um traço comum: o género informação.


No caso dos canais informativos, assistimos a diversos “rebrandings”, particularmente na RTP: o que inicialmente era a NTV, passa a ser a RTP Informação para depois ser a RTP 3, numa lógica mais simples, que coloca o projecto informativo a par dos seus canais generalistas, em termos de importância simbólica. 


O género desporto, apesar de ser rentável em termos de atracção de audiências em todos os canais, foi explorado no nicho “premium” pela Sport TV, desde os primórdios da TV por cabo em Portugal. Essa estratégia permitiu que a marca crescesse de forma contínua até 2010 / 2011, altura em que estabilizou o número de canais disponíveis na “grelha”.


O sub-universo das outras marcas é uma paisagem extremamente diversa que inclui desde projectos clubísticos (Benfica TV e Sporting TV) e não clubísticos (A Bola TV), outras apostas informativas de índole regional, como o Porto Canal e a Localvisão TV e marcas como o Canal Q, em funcionamento desde 2010. 


Considerando as marcas estrangeiras, observa-se um crescimento lento desde o período inicial da análise até 2009, e um crescimento abrupto entre 2009 e 2011. 


Note-se que este último sub-universo inclui algumas das marcas mais expressivas do Cabo em Portugal em termos de audiências, como o Canal Hollywood, Canal Panda, Discovery Channel, etc. 


No entanto, o facto de as marcas nacionais terem mais expressão, faz com que todos os canais compitam, ao mesmo nível, com os novos serviços de visualização, como o Netflix e o Youtube.

Leia o artigo original em "Obercom"


Connosco
"The Guardian" festeja 200 anos com jornalismo na primeira linha Ver galeria

O jornal britânico “ The Guardian” celebrou, recentemente, o seu 200º aniversário.

E, como forma de assinalar a efeméride, vários editores de publicações internacionais enviaram uma mensagem de tributo à publicação.

O então “Manchester Guardian” lançou a sua primeira edição em 5 de Maio de 1821, em resposta ao massacre de Peterloo. Desde esse dia, o título publicou mais de 54 mil edições e milhões de artigos jornalísticos, conquistando alguns prémios pelo caminho, incluindo um Pulitzer.

Para Christian Broughton, director do “Independent”, o “Guardian” soube “aproveitar um massacre para iniciar um movimento”.

“O massacre de Peterloo foi um incidente único”, disse Broughton. “Enquanto houver realidades difíceis sobre as quais reportar, continuaremos a precisar de jornalistas a exercerem as suas funções, e leitores que reconheçam o seu valor”.

Por sua vez, Marty Baron, do “Independent”, elogiou o “Guardian” por ser uma “fonte de inspiração para muitos”.

“Quando se completam 200 anos enquanto instituição mediática, isso significa que se está a fornecer um serviço público de qualidade”, afirmou.

Já Fran Unsworth, directora da BBC News, considerou o marco de 200 anos como uma “conquista extraordinária”.

“A história do ‘Guardian’ é uma tapeçaria rica em jornalismo de investigação, com responsabilização do poder político e em atenção aos interesses dos seus leitores”, rematou Unsworth.

Da mesma forma, o editor-executivo do “El País”, Javier Moreno, expressou a sua admiração pelo “jornal lançado no século XIX, em Manchester”, que se “tornou numa referência mundial”.

Outros jornalistas destacaram, por outro lado, os esforços da publicação para construir um modelo de negócio sustentável.

Hillary contra países autoritários que utilizam "media" para propaganda Ver galeria

Por ocasião do 200º aniversário do “Guardian”, a antiga candidata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, concedeu uma entrevista ao jornal britânico, para debater a importância do combate à desinformação.

Conforme recordou o “Guardian”, Hillary Clinton foi candidata presidencial numa altura em que as campanhas “fake news” começaram a ganhar força.

Aliás, de acordo com várias fontes jornalísticas, a campanha de Clinton foi prejudicada por um movimento de Moscovo, que começou a disseminar notícias falsas sobre o passado da candidata nas redes sociais.

Cinco anos depois -- e apesar da mudança de presidência dos EUA-- as campanhas de desinformação e as “teorias da conspiração” ganharam ainda mais força, ameaçando a segurança e o bem-estar dos cidadãos.

Posto isto, Hillary Clinton defende que os “media” têm que alterar a sua estratégia e deixar de “defender que a verdade se encontra algures no meio”, enquanto se preparam para enfrentar o poder das redes sociais.

“As empresas tecnológicas são, agora, muito mais poderosas do que qualquer meio de comunicação tradicional”, reiterou a antiga primeira-dama dos EUA. “Acho que tem de haver um reconhecimento internacional dos perigos da desinformação, bem como da questão do monopólio”, continuou, referindo-se, em concreto, ao caso do Facebook.

Assim, Clinton espera que o actual governo dos EUA imponha novas directrizes a estas empresas.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Se olharmos para o ranking da liberdade de imprensa, elaborado pela organização internacional Repórteres sem Fronteiras (RSF), verificamos que Portugal fecha o top ten em 2020, entre 180 países avaliados, tendo melhorado duas posições desde o ano anterior. É uma classificação confortável, numa lista liderada pela Noruega, onde a vizinha Espanha aparece em 29.º lugar e a Coreia do Norte em último, um exemplo...
Limites da liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
Na internet não deve continuar a prevalecer a lei da selva. O que não é um apelo à censura, muito menos se ela for praticada pelos gestores das empresas tecnológicas. Cabe à política, e não às empresas, assegurar o bem comum. Quem escreve na internet deverá sujeitar-se às condições jurídicas que não permitam atos que são considerados crimes nos media tradicionais.Não há...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Agenda
11
Mai
A Inteligência Artificial e o Futuro do Jornalismo
14:00 @ Palácio Nacional da Ajuda
18
Mai
Congreso Internacional de Ética de la Comunicación
10:00 @ Universidade Complutense de Madrid
18
Mai
19
Mai
2021 Collaborative Journalism Summit
09:00 @ Conferência "online" do Journalism Fund