Sexta-feira, 30 de Julho, 2021
Estudo

Relatório do Obercom sobre tendências nos "media" portugueses confirma declínio da imprensa

Com a entrada na era digital, os “media” portugueses sofreram algumas alterações profundas, que se reflectiram, igualmente, no comportamento das audiências e, mais tarde, no modelo de negócio.

Como tal, durante a última década, o Obercom tem vindo a recolher dados sobre as tendências dos meios de comunicação social, de forma a projectar o futuro do sector em Portugal.

No seu mais recente relatório, intitulado “Análise do Comportamento dos Media”, o Obercom comparou os resultados dos principais meios portugueses, tanto na imprensa escrita, como na rádio e na televisão, entre 2008 e 2019.

No que toca à imprensa, o Obercom concluiu que, em 2019, foram aprofundadas algumas tendências.  As treze publicações analisadas permitiram constatar que, quer no volume de circulação paga, quer no volume de tiragens, registaram-se quebras acentuadas.

Com efeito, em 2019, o valor global  da circulação paga era já menos de metade daquele verificado em 2008. 

No período 2008-2019, o “Diário de Notícias” lidera nas perdas em circulação impressa paga. Contudo, praticamente todas as publicações analisadas diminuiram o volume de vendas em banca, com excepção da revista “Sábado” (+ 1,3%) e do “Jornal Económico” (+56%)

Em relação ao índice de Eficiência das publicações, que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa, continua a verificar-se a liderança do “Expresso” e da revista “Visão”

De salientar que o jornal “Correio da Manhã” é ainda o título com maior distribuição e mais vendas registadas, com o semanário “Expresso” a surgir no segundo lugar.


A intensificação da produção, disseminação e consumo de notícias, no formato “online”, tem contribuído para este declínio do formato físico.


Contudo, apesar de o volume de assinaturas digitais ter estado a subir ao longo dos últimos anos, este crescimento  é, em muitos casos, praticamente residual.


No sector na rádio, o Grupo Media Capital  lidera em nível de “share de audiências”, seguido do Grupo Renascença, Grupo RDP e, em quarto lugar, pelo Grupo TSF. 


Relativamente à análise isolada das rádios, verifica-se que a RFM (Grupo Renascença) se tem mantido como líder em termos de “share” global, mas com uma diferença cada vez menor para a Rádio Comercial ( Media Capital).


A M80 (Media Capital) é a terceira rádio mais ouvida em Portugal, seguida da Rádio Renascença (4º lugar) e da Antena 1 (RDP).


A Rádio Comercial é líder das 6h às 10h e das 17h às 20h, perdendo, no entanto,  para a RFM, no período das 22h-00h. 



No que toca à televisão, verifica-se que o mercado português é, extremamente, competitivo nas dinâmicas de abertura e fecho de canais, com as diversas marcas nacionais a optar por diferentes estratégias de expansão e diversificação de conteúdos.


As marcas históricas (RTP, SIC e TVI) expandiram-se muito para lá das suas lógicas generalistas, em estratégias de valorização de património arquivado, no caso da RTP, e de aposta no entretenimento, no caso da SIC e TVI. Existe, contudo, um traço comum: o género informação.


No caso dos canais informativos, assistimos a diversos “rebrandings”, particularmente na RTP: o que inicialmente era a NTV, passa a ser a RTP Informação para depois ser a RTP 3, numa lógica mais simples, que coloca o projecto informativo a par dos seus canais generalistas, em termos de importância simbólica. 


O género desporto, apesar de ser rentável em termos de atracção de audiências em todos os canais, foi explorado no nicho “premium” pela Sport TV, desde os primórdios da TV por cabo em Portugal. Essa estratégia permitiu que a marca crescesse de forma contínua até 2010 / 2011, altura em que estabilizou o número de canais disponíveis na “grelha”.


O sub-universo das outras marcas é uma paisagem extremamente diversa que inclui desde projectos clubísticos (Benfica TV e Sporting TV) e não clubísticos (A Bola TV), outras apostas informativas de índole regional, como o Porto Canal e a Localvisão TV e marcas como o Canal Q, em funcionamento desde 2010. 


Considerando as marcas estrangeiras, observa-se um crescimento lento desde o período inicial da análise até 2009, e um crescimento abrupto entre 2009 e 2011. 


Note-se que este último sub-universo inclui algumas das marcas mais expressivas do Cabo em Portugal em termos de audiências, como o Canal Hollywood, Canal Panda, Discovery Channel, etc. 


No entanto, o facto de as marcas nacionais terem mais expressão, faz com que todos os canais compitam, ao mesmo nível, com os novos serviços de visualização, como o Netflix e o Youtube.

Leia o artigo original em "Obercom"


Connosco
Relatório do Obercom analisa tendências futuras dos “media” Ver galeria

Com a pandemia, a maioria dos jornalistas passou a ter que trabalhar em regime remoto, abandonando o espaço de redacção e o contacto directo com colegas de profissão.

Isto fez com que os colaboradores dos “media” passassem a depender dos seus dispositivos electrónicos para assegurar a comunicação com os editores, além de conjugarem a vida pessoal e profissional num único local.

Se, por um lado, alguns dos jornalistas apreciaram a flexibilidade deste novo regime, por outro lado, um número considerável de profissionais disse estar descontente com o “continuum” família/trabalho.

O caso da imprensa portuguesa foi, agora, analisado por um relatório do “Obercom”, cujos investigadores quiseram perceber qual a opinião dos jornalistas nacionais, quanto à possibilidade de o teletrabalho se transformar no “novo normal”.

O relatório analisou, ainda, outras questões relacionadas com o futuro do jornalismo português, como a diversidade nas redacções e “atracção e retenção de talentos em tempos de incerteza”.

Para este relatório foram consideradas as respostas de 98 inquiridos.

De acordo com o estudo, em Portugal, o teletrabalho é percepcionado como algo que teve consequências negativas para o jornalismo, em particular no que diz respeito ao trabalho colaborativo (75% dos inquiridos discordam que o trabalho remoto tenha facilitado a construção e manutenção de relações em equipa). Neste sentido, os inquiridos dizem, ainda, ter sentido quebras na sua eficiência e criatividade.

A percepção sobre os efeitos negativos do teletrabalho está, também, em concordância com a vontade expressa pelos jornalistas de regressar às redacções.

Dicas (possíveis) para a protecção “online” dos jornalistas Ver galeria

Após a revelação do “Projecto Pegasus”, e de que cerca de 180 jornalistas poderiam ter sido vigiados por um “software” móvel, a associação Repórteres sem Fronteiras (RSF) publicou uma lista de recomendações para profissionais dos “media”, com o objectivo de garantir um maior nível de segurança para todos os potenciais visados.

Neste sentido, os RSF recomendaram que os profissionais incluídos na lista de jornalistas vigiados trocassem, de imediato, os seus dispositivos móveis, para continuarem a comunicar sem que as suas informações pessoais fossem partilhadas com terceiros.

Da mesma forma, a associação recordou a importância de desconectar todas as contas das redes sociais, bem como da alteração de palavras-passe.

Caso não seja possível trocar de “smartphone”, os RSF aconselham os jornalistas a reiniciarem os dispositivos, já que isto pode travar o funcionamento dos “softwares”.

Após estes primeiros passos, recomenda-se que os jornalistas reforcem o nível de segurança dos dispositivos tecnológicos, activando uma palavra-passe com quatro dígitos distintos, que não tenha qualquer relação com dados pessoais, tais como a data de nascimento.

Um maior nível de segurança passa, também, pela actualização frequente dos sistemas operativos, e pela instalação de um serviço antivírus.

Quanto às redes sociais, os RSF aconselham que os jornalistas activem o acesso em dois passos: palavra-passe e identificação facial, por exemplo.

A associação recomenda, ainda, que os profissionais dos “media” não utilizem redes wi-fi suspeitas, e que nunca carreguem em “links” de fontes desconhecidas.

Para os jornalistas que trabalham na área da investigação, a melhor solução é optar por um telemóvel antigo, que não tenha acesso à internet, acrescentam os RSF.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
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Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
O acordo de Macau rasgado pela China
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Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
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