Terça-feira, 27 de Julho, 2021
Prémio

Para o Cardeal José Tolentino Mendonça, prémio Europeu Helena Vaz da Silva, "os livros fizeram a Europa"

A Fundação Calouste Gulbenkian voltou a acolher a cerimónia de entrega doPrémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído, este ano, ao Cardeal José Tolentino Mendonça. 

A cerimónia foi, pela primeira vez, transmitida em “lifestream”.

Este prémio europeu, instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI)  recorda a jornalista, escritora, activista cultural e política portuguesa, Helena Vaz da Silva, bem como a sua contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

É atribuído, anualmente, a um cidadão europeu, cuja acção se destaca pela salvaguarda do património cultural, entendido no seu sentido mais amplo.

Tolentino de Mendonça é escritor, poeta, dramaturgo e professor tendo, ainda, a seu cargo,  a Biblioteca e Arquivo Apostólicos da Santa Sé.

Reconhecido pela sua “capacidade de divulgar a Beleza e a Poesia como parte do património cultural intangível da Europa e do Mundo”, José Tolentino Mendonça agradeceu o prémio, afirmando ser “uma obra dos outros”. 

Na sua intervenção, Tolentino Mendonça referiu que “os livros fizeram a Europa, construíram e constroem a humanidade”, e que “quer como artefactos, quer como transmissores de uma conceptualidade moral da vida, (...) deixaram de representar (...) o principal foco de energia na nossa civilização”.

“Protejamos o património cultural que os livros representam. Eles são mapas para decifrar de onde viemos, mas são também telescópios e sondas apontadas ao futuro”, referiu.

O cardeal ressalvou, também, que “o facto de este prémio ter o nome de Helena Vaz da Silva, constitui”, para si, “um motivo de alegria e, certamente, uma responsabilidade acrescida”.


Reveja aqui a cerimónia

Na atribuição do prémio, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que participou através de uma mensagem de vídeo, reiterou que “o que mais impressiona em Tolentino Mendonça é a conjugação das facetas no homem de fé, do homem de cultura, e do homem de moralidade humana”. 


“É alguém que faz com que a cultura transponha fronteiras e universos e inspire quem o ouve e lê, independentemente do grau de instrução que possui ou das convicções que defende”.


Isabel Mota, anfitriã da cerimónia, na qualidade de presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, descreveu, por sua vez, José Tolentino Mendonça como um “poeta consagrado, um homem de cultura, que tem sabido conjugar o percurso académico e intelectual de excelência, com um lado mais comunitário, mais virado para a cidadania”. 


“ A sua nomeação para a direcção para a Biblioteca e Arquivo do Vaticano -- continuou -- constitui um reconhecimento das suas faculdades que, em boa hora, foram colocadas ao serviço de um dos mais importantes acervos patrimoniais do Mundo”.


Já Maria Calado, presidente do Centro Nacional de Cultura, e presidente do Júri do Prémio, referiu  o laureado como um “cidadão com um perfil muito especial, autor de uma obra cultural e cívica ímpar, que congregou a unanimidade de decisão do júri”.


Na sua intervenção, o presidente do Clube Português de Imprensa, Dinis de Abreu, salientou o trabalho de D. José Tolentino, “no jornal onde publica crónicas de uma repassada interioridade, ou em formato de livro, quando liberta o poeta e ensaísta que nele coabitam com a fé”, como um “singular despojamento que nos toca pela sua humanidade, um roteiro de palavras semeando o futuro”.  (ler texto noutro local)


A ministra da Cultura, Graça Fonseca, esteve, também, presente, citando o cardeal como um “herdeiro consciente e assumido das tradições culturais e das disciplinas artísticas que configuram a cultura europeia”, que exerce um “ofício cantante”.


A secretária-geral da Europa Nostra, Sneška Quaedvlieg-Mihailovi? participou na cerimónia via “zoom”, para “celebrar um grande homem de cultura e espírito humano e um grande europeu de Portugal”. 


“O trabalho de José Tolentino Mendonça relembra-nos que, para sermos mais pacíficos, humanos, inclusivos e justos, a nossa sociedade tem que dar mais importância à poesia, aos valores, à palavra escrita”.


O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ausente da cerimónia, por incompatibilidade de agenda, enviou uma mensagem de vídeo, na qual apontou José Tolentino Mendonça como “património cultural imaterial português”.


O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva conta, também, com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.


Connosco
Conversas com jornalistas para promover a literacia mediática Ver galeria

O trabalho editorial é, por vezes, um mistério para as audiências que não entendem o processo adjacente, e que tendem a desumanizar a figura do jornalista, tomando-o como alguém quase “robotizado”, que prima pela neutralidade e objectividade, sem nunca se envolver com as histórias que publica.

Este tipo de percepção cria, assim, um distanciamento entre os profissionais dos “media” e os restantes cidadãos, que encaram as reportagens com cepticismo e desconfiança, criticando o papel do jornalista na sociedade.

Perante este cenário, os repórteres McArdle Hankin e Lauren Peace decidiram lançar o projecto “Local Live(s) Project”, que convida os jornalistas locais a falarem do seu percurso profissional, com o objectivo de fomentar uma relação de confiança com o público e promover a literacia mediática informal.

Em entrevista para a “Columbia Journalism Review”, os criadores da iniciativa explicaram que tudo começou com conversas informais, em que os jornalistas subiam a palco para contar as peripécias do trabalho jornalístico, respondendo às questões colocadas.

Mais tarde, com a pandemia, os eventos passaram a ser promovidos “online”, através de videoconferências.

Rússia intensifica restrições ao jornalismo independente Ver galeria

As autoridades russas classificaram o “site” de jornalismo independente “Proekt” como “indesejável”, banindo a actividade da plataforma a nível nacional, e atribuindo aos seus colaboradores o estatuto de “agentes estrangeiros”, denunciou o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ).

Desta forma, quaisquer relações comerciais ou pessoais com o “site” passaram a ser consideradas ilegais.

“Ao banirem o ‘Proekt” e ao adicionarem novos nomes à lista de ‘agentes estrangeiros’, as autoridades russas parecem querer silenciar as últimas vozes independentes do país”, afirmou Gulzona Said, coordenadora do CPJ, acrescentando que “as intenções do governo deveriam ser revistas, de forma a proteger a liberdade de imprensa”.

Recentemente, foram introduzidas emendas ao código criminal russo, que prevêm penas de prisão, até quatro anos, para os jornalistas que colaborem com “media” indesejados, ou de até seis anos, para os profissionais que forem considerados culpados de “organizar essas actividades”.

Da mesma forma, os jornalistas ou “media” classificados como “agentes estrangeiros” podem enfrentar diversas restrições a nível financeiro.

De acordo com Mikhail Rubin, antigo editor-executivo da publicação, estas medidas são, provavelmente, uma resposta às investigações realizadas pelo título sobre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o seu círculo mais próximo.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
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Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
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