Sexta-feira, 30 de Julho, 2021
Estudo

Relatório do Obercom aborda questões de literacia mediática

A desinformação tem sido, nos últimos anos, uma das principais preocupações dos “media” e das democracias, já que as redes sociais têm contribuído para a proliferação de notícias falsas, enquanto boa parte da população tem dificuldade em identificar informação fidedigna.

Como tal, diversas entidades têm apostado em iniciativas de literacia mediática, que pode ser definida como a capacidade de identificar diferentes tipos de “media” e compreender as mensagens que estão a ser enviadas. 

Para perceber a importância destes “workshops”, o Obercom realizou um estudo de profundidade, através do qual apurou quais as suas linhas gerais de actuação.

Em Portugal há, de momento, dez projectos activos :  Referencial de Educação para os Media ; Observatório sobre Media ; Informação e Literacia (Milobs) ; Media Smart, Literacia para os Media e Jornalismo ;  Media Veritas ; Media Coach Portugal ; Público na Escola ; RTP Ensina e Página 23.

Da mesma forma, existem diversas iniciativas desta índole a nível internacional, promovidas tanto por Governos, organizações sem fins lucrativos ou por empresas tecnológicas como a Google e o Facebook

De acordo com o relatório, em Portugal os “workshops” de literacia mediática passam, sobretudo, por capacitar crianças em idade escolar com noções básicas sobre o que é uma notícia, o jornalismo e, sobretudo, o que é a desinformação e como detectá-la.

Há, também, projectos de formação para professores.

Registou-se, igualmente, uma aposta crescente na educação informal, através de ferramentas “online”, ou de acções de sensibilização em bibliotecas e museus.


A nível internacional destaca-se o Media and Information Literacy (MIL) – desenvolvido e apoiado pela UNESCO –, que se prende com as próprias habilidades de interpretação, compreensão crítica e expressão da criatividade por meio dos “media” digitais, procurando potenciar, em alunos, uma constante abordagem crítica que leve a uma participação significativa nas comunidades em que os indivíduos se inserem. 


O MIL reúne três dimensões distintas – literacia da informação, literacia de media e TIC, e literacia digital –, sendo que, procurando actuar como um conceito abrangente, capacita pessoas, comunidades e nações a participar e contribuir com as sociedades globais do conhecimento. 


À semelhança do que acontece em Portugal, um dos aspectos mais importantes do projecto é o desenvolvimento do sistema de educação. 

Para tal, é apresentado um referencial para professores e, consequentemente, para auxiliar na aprendizagem dos jovens.


Entre os elementos-chave destas aulas estão a definição e articulação de necessidades informacionais, localização e acesso à informação, uso ético da informação, assim como a compreensão do papel e das funções dos “media” em sociedades democráticas.


Até agora, a Suécia foi o país europeu que mais apostou na implementação do MIL nas escolas.


Quanto a empresas de tecnologia, o Facebook desenvolveu um “site” que disponibiliza lições, para ajudar os mais jovens – dos 11 aos 18 anos – a desenvolver competências para “navegar” no mundo digital, a analisar de forma crítica a informação consumida, e a responsabilizarem-se pela criação e partilha de conteúdo. Desenhadas para serem interativas e envolventes, estas lições envolvem discussões em grupo, questionários e jogos.


O Google, por sua vez, disponibilizou 109 lições, que poderão ser filtradas mediante os anos escolares.  Existem, por exemplo, aulas sobre questões  e competências mais práticas, como saber fazer arte com o Google Sheets.


De notar que todos estes projectos são realizados com recurso a ferramentas digitais.


Ora, de acordo com o relatório, a profusão de projectos e organizações dedicadas a literacia dos “media”, ajudam a provar, por um lado, a importância que o tema tem na sociedade e nos indivíduos, e, por outro, a consciência de muitos dos países e organismos em fazer deste tema relevante e necessário nas sociedades. 


Ao longo dos anos, as organizações consideraram importante disponibilizar aos cidadãos – nomeadamente a professores e educadores – ferramentas e orientações que ajudassem a esclarecer, individual e colectivamente, este tema.


Ao mesmo tempo, e tendo em conta as iniciativas analisadas, destaca-se a importância da formação contínua de professores,  visando melhorar a sua capacidade pedagógica e a adaptação a gerações vindouras.


Leia o artigo original em Obercom

Connosco
Relatório do Obercom analisa tendências futuras dos “media” Ver galeria

Com a pandemia, a maioria dos jornalistas passou a ter que trabalhar em regime remoto, abandonando o espaço de redacção e o contacto directo com colegas de profissão.

Isto fez com que os colaboradores dos “media” passassem a depender dos seus dispositivos electrónicos para assegurar a comunicação com os editores, além de conjugarem a vida pessoal e profissional num único local.

Se, por um lado, alguns dos jornalistas apreciaram a flexibilidade deste novo regime, por outro lado, um número considerável de profissionais disse estar descontente com o “continuum” família/trabalho.

O caso da imprensa portuguesa foi, agora, analisado por um relatório do “Obercom”, cujos investigadores quiseram perceber qual a opinião dos jornalistas nacionais, quanto à possibilidade de o teletrabalho se transformar no “novo normal”.

O relatório analisou, ainda, outras questões relacionadas com o futuro do jornalismo português, como a diversidade nas redacções e “atracção e retenção de talentos em tempos de incerteza”.

Para este relatório foram consideradas as respostas de 98 inquiridos.

De acordo com o estudo, em Portugal, o teletrabalho é percepcionado como algo que teve consequências negativas para o jornalismo, em particular no que diz respeito ao trabalho colaborativo (75% dos inquiridos discordam que o trabalho remoto tenha facilitado a construção e manutenção de relações em equipa). Neste sentido, os inquiridos dizem, ainda, ter sentido quebras na sua eficiência e criatividade.

A percepção sobre os efeitos negativos do teletrabalho está, também, em concordância com a vontade expressa pelos jornalistas de regressar às redacções.

Dicas (possíveis) para a protecção “online” dos jornalistas Ver galeria

Após a revelação do “Projecto Pegasus”, e de que cerca de 180 jornalistas poderiam ter sido vigiados por um “software” móvel, a associação Repórteres sem Fronteiras (RSF) publicou uma lista de recomendações para profissionais dos “media”, com o objectivo de garantir um maior nível de segurança para todos os potenciais visados.

Neste sentido, os RSF recomendaram que os profissionais incluídos na lista de jornalistas vigiados trocassem, de imediato, os seus dispositivos móveis, para continuarem a comunicar sem que as suas informações pessoais fossem partilhadas com terceiros.

Da mesma forma, a associação recordou a importância de desconectar todas as contas das redes sociais, bem como da alteração de palavras-passe.

Caso não seja possível trocar de “smartphone”, os RSF aconselham os jornalistas a reiniciarem os dispositivos, já que isto pode travar o funcionamento dos “softwares”.

Após estes primeiros passos, recomenda-se que os jornalistas reforcem o nível de segurança dos dispositivos tecnológicos, activando uma palavra-passe com quatro dígitos distintos, que não tenha qualquer relação com dados pessoais, tais como a data de nascimento.

Um maior nível de segurança passa, também, pela actualização frequente dos sistemas operativos, e pela instalação de um serviço antivírus.

Quanto às redes sociais, os RSF aconselham que os jornalistas activem o acesso em dois passos: palavra-passe e identificação facial, por exemplo.

A associação recomenda, ainda, que os profissionais dos “media” não utilizem redes wi-fi suspeitas, e que nunca carreguem em “links” de fontes desconhecidas.

Para os jornalistas que trabalham na área da investigação, a melhor solução é optar por um telemóvel antigo, que não tenha acesso à internet, acrescentam os RSF.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
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O acordo de Macau rasgado pela China
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A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
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