Sexta-feira, 30 de Julho, 2021
Media

Associações de imprensa europeias unem-se em defesa da liberdade de informação

Numa altura em que a crise espoletada pelo novo coronavírus começa a afectar, gravemente,  todos os sectores da economia europeia, várias  organizações internacionais de imprensa uniram-se para apelar às autoridades europeias no sentido de declararem o jornalismo como um  serviço essencial.


Numa carta dirigida à Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, e aos Presidentes do Parlamento e Conselho europeus, as associações apelaram à garantia da livre circulação de informação, bem como à liberdade de imprensa, que consideram ser medidas essenciais para o combate do Covid-19. 


Poderá ler, a seguir, a tradução parcial e adaptada da carta:


"Nós, organizações que defendem a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão, escrevemos-lhe para expressar a nossa profunda preocupação com a possibilidade de os governos tirarem partido da pandemia da COVID-19 para punirem os “media” e para introduzirem restrições no acesso da imprensa às decisões e acções governamentais.

Nesse sentido, apoiamos a declaração conjunta dos três enviados especiais pela Liberdade de Expressão, David Kaye (ONU), Harlem Désir (OSCE) e Edison Lanza (OEA), reiterando que [...] o "direito à liberdade de expressão, aplica-se a todos, em todos os lugares, e só pode ser sujeito a restrições estritas".


Embora compreendamos que certas medidas de emergência são necessárias para combater a pandemia, todas essas medidas devem ser proporcionadas, temporárias, estritamente limitadas no tempo e sujeitas a escrutínio regular, para resolver a crise sanitária imediata. Infelizmente, muitos governos em todo o mundo estão a usar a pandemia como pretexto para reivindicar poderes excessivos, que podem minar as instituições democráticas. Estes desenvolvimentos perigosos podem, facilmente,  acentuar a actual crise sanitária, a actual crise de saúde, a menos que actuemos rapidamente.


(...)


Em segundo lugar, as nossas organizações estão, também, preocupadas com a proliferação de medidas de vigilância, introduzidas para controlar a propagação do vírus. Embora compreendamos os seus potenciais benefícios, o uso da vigilância deve ser adequadamente monitorizado e claramente limitado ao combate da pandemia. A vigilância descontrolada põe em risco a privacidade e os direitos à privacidade e prejudica a protecção de fontes jornalísticas. 


(...)


Estamos a atravessar as fases iniciais da pandemia. A maioria dos governos está a colaborar com os “media” no combate a uma ameaça, sem precedentes para a saúde pública. 


(...)


No entanto, estamos conscientes de que, com o desenrolar da crise, o número de mortes aumentará, e à medida que as perdas de empregos e a  recessão global se generalizem, as acções e decisões dos Governos serão sujeitas a um escrutínio intenso. 


Numa altura em que os direitos fundamentais dos nossos cidadãos estão suspensos na Europa, a necessidade de controlo mediático para garantir que estes novos poderes não sejam abusados é mais forte do que nunca.


Por isso, pedimos-lhes que usem os seus poderes para a garantia dos direitos humanos fundamentais e da liberdade de imprensa.”


Subscreveram o documento as seguintes organizações:

  • Associação de Jornalistas Europeus 

  • Centro Europeu de Imprensa e Liberdade de Imprensa

  • Federação Europeia de Jornalista

  • Free Press Unlimited

  • Index on Censorship

  • Federação Internacional de Jornalistas

  • Instituto Internacional de Imprensa

  • Repórteres sem Fronteiras 


O Clube Português de Imprensa associa-se, também, a este movimento, reconhecendo-se nos pressupostos e nas preocupações contidas neste documento. 

Leia o documento original em APM

Connosco
Relatório do Obercom analisa tendências futuras dos “media” Ver galeria

Com a pandemia, a maioria dos jornalistas passou a ter que trabalhar em regime remoto, abandonando o espaço de redacção e o contacto directo com colegas de profissão.

Isto fez com que os colaboradores dos “media” passassem a depender dos seus dispositivos electrónicos para assegurar a comunicação com os editores, além de conjugarem a vida pessoal e profissional num único local.

Se, por um lado, alguns dos jornalistas apreciaram a flexibilidade deste novo regime, por outro lado, um número considerável de profissionais disse estar descontente com o “continuum” família/trabalho.

O caso da imprensa portuguesa foi, agora, analisado por um relatório do “Obercom”, cujos investigadores quiseram perceber qual a opinião dos jornalistas nacionais, quanto à possibilidade de o teletrabalho se transformar no “novo normal”.

O relatório analisou, ainda, outras questões relacionadas com o futuro do jornalismo português, como a diversidade nas redacções e “atracção e retenção de talentos em tempos de incerteza”.

Para este relatório foram consideradas as respostas de 98 inquiridos.

De acordo com o estudo, em Portugal, o teletrabalho é percepcionado como algo que teve consequências negativas para o jornalismo, em particular no que diz respeito ao trabalho colaborativo (75% dos inquiridos discordam que o trabalho remoto tenha facilitado a construção e manutenção de relações em equipa). Neste sentido, os inquiridos dizem, ainda, ter sentido quebras na sua eficiência e criatividade.

A percepção sobre os efeitos negativos do teletrabalho está, também, em concordância com a vontade expressa pelos jornalistas de regressar às redacções.

Dicas (possíveis) para a protecção “online” dos jornalistas Ver galeria

Após a revelação do “Projecto Pegasus”, e de que cerca de 180 jornalistas poderiam ter sido vigiados por um “software” móvel, a associação Repórteres sem Fronteiras (RSF) publicou uma lista de recomendações para profissionais dos “media”, com o objectivo de garantir um maior nível de segurança para todos os potenciais visados.

Neste sentido, os RSF recomendaram que os profissionais incluídos na lista de jornalistas vigiados trocassem, de imediato, os seus dispositivos móveis, para continuarem a comunicar sem que as suas informações pessoais fossem partilhadas com terceiros.

Da mesma forma, a associação recordou a importância de desconectar todas as contas das redes sociais, bem como da alteração de palavras-passe.

Caso não seja possível trocar de “smartphone”, os RSF aconselham os jornalistas a reiniciarem os dispositivos, já que isto pode travar o funcionamento dos “softwares”.

Após estes primeiros passos, recomenda-se que os jornalistas reforcem o nível de segurança dos dispositivos tecnológicos, activando uma palavra-passe com quatro dígitos distintos, que não tenha qualquer relação com dados pessoais, tais como a data de nascimento.

Um maior nível de segurança passa, também, pela actualização frequente dos sistemas operativos, e pela instalação de um serviço antivírus.

Quanto às redes sociais, os RSF aconselham que os jornalistas activem o acesso em dois passos: palavra-passe e identificação facial, por exemplo.

A associação recomenda, ainda, que os profissionais dos “media” não utilizem redes wi-fi suspeitas, e que nunca carreguem em “links” de fontes desconhecidas.

Para os jornalistas que trabalham na área da investigação, a melhor solução é optar por um telemóvel antigo, que não tenha acesso à internet, acrescentam os RSF.

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