Terça-feira, 27 de Julho, 2021
Media

Os "media" tradicionais também têm casos de sucesso...

Apesar da crise vivenciada no jornalismo, alguns dos media tradicionais conseguiram ter sucesso. O processo de transição foi longo, houve necessidade de correr riscos, investir e alterar a forma como a informação era abordada. Apesar de tudo, a transição funcionou para publicações como o Guardian, o Economist, o Washington Post e o Telegraaf.

Guardian mantém a imposição que a própria notícia deve permanecer livre, por isso não implementaram paywalls na sua edição geral digital.

O semanário Economist duplicou a margem bruta nos últimos cinco anos, através de uma sofisticada estratégia focada no leitor. 

Washington Post desenvolveu um software de publicação, que se tornou o seu activo mais valioso. 

O Telegraaf é o jornal mais popular da Holanda e, mesmo tendo perdido metade da circulação impressa em 10 anos, conseguiu reverter a queda de receita de assinaturas, num período inferior a seis meses.

Miguel Ormaetxea, editor do Media-Tics, analisa os modelos e os casos de sucesso na imprensa tradicional, num artigo publicado no site.

O Guardian pertence ao Guardian Media Group, propriedade do Scott Trust, criado em 1936 com o objectivo de “assegurar a independência financeira e editorial do The Guardian em perpetuidade e para salvaguardar a liberdade jornalística e os valores liberais da publicação,sem interferência comercial ou política.”

 

Assim, os lucros são reinvestidos no jornalismo. A circulação impressa do jornal é de cerca de 280 mil exemplares, mas a sua edição online é a quinta mais lida do mundo. O Guardiantem uma edição digital no Reino Unido e, ainda, dois sites internacionais, o Guardian Australia e o Guardian US.

 

Apesar de ter enfrentado uma crise durante alguns anos, em Maio o jornal voltou a anunciar que se tinha tornado rentável, sendo que maior parte do seu rendimento tem origem no formato digital. Actualmente, o Guardian gera mais receitas através dos leitores do que da publicidade.

 

Apesar da queda nas receitas do jornal impresso, o crescimento proveniente digital tem permitido gerar lucro.

Depois de no ano passado ter lançado uma versão de assinatura digital “premium” – livre de anúncios, com palavras cruzadas e leitura offline –, o Guardian lançou, recentemente, uma nova aplicação: o Guardian Daily, que oferece uma colecção única e finita de histórias por dia, quase como um “jornal diário”.

 

O Economist é considerada a revista mais influente do mundo e a sua edição em papel tem uma circulação de 1,2 milhões de exemplares. A publicação tem uma paywall rígida e apresenta lucros crescentes, principalmente desde que adoptou a estratégia de colocar o “leitor primeiro”, que tem por base a análise sistemática dos leitores, de forma a identificar as suas preferências.

 

Actualmente, existem várias opções disponíveis para aceder ao conteúdo da publicação, desde o formato impresso, digital, newsletters, podcasts, etc. Com a alteração da sua estratégia, The Economist duplicou a margem bruta e aumentou as receitas dos leitores em mais de 50%.

 

O Economist tem 45 milhões de seguidores nas redes sociais, tem a quinta maior comunidade do mundo no Linkedin e as newsletters diárias são recebidas por mais de um milhão de assinantes. Nos podcasts continua a crescer, mas a sua mais recente oferta nesta área, chamada The Intelligence, já teve 17 milhões de downloads, desde que foi lançada em janeiro passado.

 

Washington Post, de Jeff Bezos, foi comprado, em 2013, por 250 milhões de dólares e desenvolveu um software de publicação, cujas licenças se tornaram os seus activos mais valiosos. 

 

Depois de vender a sua plataforma de gestão de conteúdos, Arc, à empresa petrolífera BP, o jornal espera que esta gere uma receita anual de 100 milhões de dólares nos próximos três anos. Este será o terceiro maior fluxo de receita do jornal, depois da publicidade e das assinaturas.

 

De Telegraaf é o jornal mais popular da Holanda, em 2000 a sua circulação ultrapassou os 800 mil exemplares. Contudo, no ano passado, a circulação rondou apenas cerca de 300 mil. 

 

John De Mol, um magnata holandês, adquiriu uma participação minoritária da empresa e realizou várias mudanças, e, em menos de seis meses, inverteu o declínio das receitas. Os membros da organização fizeram várias visitas aos leitores, de forma a ouvir as suas opiniões.

 

O crescimento anual das assinaturas da publicação é de cerca de 66%, mesmo com um orçamento de marketing consideravelmente inferior. 

 

A conclusão a que se pode chegar é que, talvez, o caminho para o sucesso seja o mais básico e se resuma a um maior foco nos interesses dos leitores.

 

Mais informação em Media-tics.

Connosco
Conversas com jornalistas para promover a literacia mediática Ver galeria

O trabalho editorial é, por vezes, um mistério para as audiências que não entendem o processo adjacente, e que tendem a desumanizar a figura do jornalista, tomando-o como alguém quase “robotizado”, que prima pela neutralidade e objectividade, sem nunca se envolver com as histórias que publica.

Este tipo de percepção cria, assim, um distanciamento entre os profissionais dos “media” e os restantes cidadãos, que encaram as reportagens com cepticismo e desconfiança, criticando o papel do jornalista na sociedade.

Perante este cenário, os repórteres McArdle Hankin e Lauren Peace decidiram lançar o projecto “Local Live(s) Project”, que convida os jornalistas locais a falarem do seu percurso profissional, com o objectivo de fomentar uma relação de confiança com o público e promover a literacia mediática informal.

Em entrevista para a “Columbia Journalism Review”, os criadores da iniciativa explicaram que tudo começou com conversas informais, em que os jornalistas subiam a palco para contar as peripécias do trabalho jornalístico, respondendo às questões colocadas.

Mais tarde, com a pandemia, os eventos passaram a ser promovidos “online”, através de videoconferências.

Rússia intensifica restrições ao jornalismo independente Ver galeria

As autoridades russas classificaram o “site” de jornalismo independente “Proekt” como “indesejável”, banindo a actividade da plataforma a nível nacional, e atribuindo aos seus colaboradores o estatuto de “agentes estrangeiros”, denunciou o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ).

Desta forma, quaisquer relações comerciais ou pessoais com o “site” passaram a ser consideradas ilegais.

“Ao banirem o ‘Proekt” e ao adicionarem novos nomes à lista de ‘agentes estrangeiros’, as autoridades russas parecem querer silenciar as últimas vozes independentes do país”, afirmou Gulzona Said, coordenadora do CPJ, acrescentando que “as intenções do governo deveriam ser revistas, de forma a proteger a liberdade de imprensa”.

Recentemente, foram introduzidas emendas ao código criminal russo, que prevêm penas de prisão, até quatro anos, para os jornalistas que colaborem com “media” indesejados, ou de até seis anos, para os profissionais que forem considerados culpados de “organizar essas actividades”.

Da mesma forma, os jornalistas ou “media” classificados como “agentes estrangeiros” podem enfrentar diversas restrições a nível financeiro.

De acordo com Mikhail Rubin, antigo editor-executivo da publicação, estas medidas são, provavelmente, uma resposta às investigações realizadas pelo título sobre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o seu círculo mais próximo.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


ver mais >
Opinião
Há sinais que não enganam, ou que só enganam quem queira deixar-se enganar.Enquanto o Parlamento “chumbou” a tentativa de revogar o polémico artigo 6º da Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital, apontado como tendencialmente censório, anuncia-se, de mansinho, uma possível revisão da Lei de Imprensa, com o pretexto de estar a celebrar-se o bicentenário do primeiro documento publicado com esse objectivo. Para...
O acordo de Macau rasgado pela China
Francisco Sarsfield Cabral
Sem alterar qualquer nova lei, em Macau, como em Hong-Kong, a China não respeita os acordos que assinou. O Governo português nem sequer protesta. Razão tem o presidente J. Biden para endurecer o relacionamento com a China e o seu regime de ditadura absoluta do partido comunista chinês.  Na passada terça-feira o jornal “Público” dedicou quatro páginas à atual situação em Macau. Dois jornalistas (Hugo Pinto e...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Agenda
23
Ago
28
Set
World News Media Congress
09:00 @ Taipei, Taiwan
13
Out
01
Nov
The African Investigative Journalism Conference
10:00 @ Joanesburgo, África do Sul