Sábado, 8 de Maio, 2021
Media

Os "media" tradicionais também têm casos de sucesso...

Apesar da crise vivenciada no jornalismo, alguns dos media tradicionais conseguiram ter sucesso. O processo de transição foi longo, houve necessidade de correr riscos, investir e alterar a forma como a informação era abordada. Apesar de tudo, a transição funcionou para publicações como o Guardian, o Economist, o Washington Post e o Telegraaf.

Guardian mantém a imposição que a própria notícia deve permanecer livre, por isso não implementaram paywalls na sua edição geral digital.

O semanário Economist duplicou a margem bruta nos últimos cinco anos, através de uma sofisticada estratégia focada no leitor. 

Washington Post desenvolveu um software de publicação, que se tornou o seu activo mais valioso. 

O Telegraaf é o jornal mais popular da Holanda e, mesmo tendo perdido metade da circulação impressa em 10 anos, conseguiu reverter a queda de receita de assinaturas, num período inferior a seis meses.

Miguel Ormaetxea, editor do Media-Tics, analisa os modelos e os casos de sucesso na imprensa tradicional, num artigo publicado no site.

O Guardian pertence ao Guardian Media Group, propriedade do Scott Trust, criado em 1936 com o objectivo de “assegurar a independência financeira e editorial do The Guardian em perpetuidade e para salvaguardar a liberdade jornalística e os valores liberais da publicação,sem interferência comercial ou política.”

 

Assim, os lucros são reinvestidos no jornalismo. A circulação impressa do jornal é de cerca de 280 mil exemplares, mas a sua edição online é a quinta mais lida do mundo. O Guardiantem uma edição digital no Reino Unido e, ainda, dois sites internacionais, o Guardian Australia e o Guardian US.

 

Apesar de ter enfrentado uma crise durante alguns anos, em Maio o jornal voltou a anunciar que se tinha tornado rentável, sendo que maior parte do seu rendimento tem origem no formato digital. Actualmente, o Guardian gera mais receitas através dos leitores do que da publicidade.

 

Apesar da queda nas receitas do jornal impresso, o crescimento proveniente digital tem permitido gerar lucro.

Depois de no ano passado ter lançado uma versão de assinatura digital “premium” – livre de anúncios, com palavras cruzadas e leitura offline –, o Guardian lançou, recentemente, uma nova aplicação: o Guardian Daily, que oferece uma colecção única e finita de histórias por dia, quase como um “jornal diário”.

 

O Economist é considerada a revista mais influente do mundo e a sua edição em papel tem uma circulação de 1,2 milhões de exemplares. A publicação tem uma paywall rígida e apresenta lucros crescentes, principalmente desde que adoptou a estratégia de colocar o “leitor primeiro”, que tem por base a análise sistemática dos leitores, de forma a identificar as suas preferências.

 

Actualmente, existem várias opções disponíveis para aceder ao conteúdo da publicação, desde o formato impresso, digital, newsletters, podcasts, etc. Com a alteração da sua estratégia, The Economist duplicou a margem bruta e aumentou as receitas dos leitores em mais de 50%.

 

O Economist tem 45 milhões de seguidores nas redes sociais, tem a quinta maior comunidade do mundo no Linkedin e as newsletters diárias são recebidas por mais de um milhão de assinantes. Nos podcasts continua a crescer, mas a sua mais recente oferta nesta área, chamada The Intelligence, já teve 17 milhões de downloads, desde que foi lançada em janeiro passado.

 

Washington Post, de Jeff Bezos, foi comprado, em 2013, por 250 milhões de dólares e desenvolveu um software de publicação, cujas licenças se tornaram os seus activos mais valiosos. 

 

Depois de vender a sua plataforma de gestão de conteúdos, Arc, à empresa petrolífera BP, o jornal espera que esta gere uma receita anual de 100 milhões de dólares nos próximos três anos. Este será o terceiro maior fluxo de receita do jornal, depois da publicidade e das assinaturas.

 

De Telegraaf é o jornal mais popular da Holanda, em 2000 a sua circulação ultrapassou os 800 mil exemplares. Contudo, no ano passado, a circulação rondou apenas cerca de 300 mil. 

 

John De Mol, um magnata holandês, adquiriu uma participação minoritária da empresa e realizou várias mudanças, e, em menos de seis meses, inverteu o declínio das receitas. Os membros da organização fizeram várias visitas aos leitores, de forma a ouvir as suas opiniões.

 

O crescimento anual das assinaturas da publicação é de cerca de 66%, mesmo com um orçamento de marketing consideravelmente inferior. 

 

A conclusão a que se pode chegar é que, talvez, o caminho para o sucesso seja o mais básico e se resuma a um maior foco nos interesses dos leitores.

 

Mais informação em Media-tics.

Connosco
"The Guardian" festeja 200 anos com jornalismo na primeira linha Ver galeria

O jornal britânico “ The Guardian” celebrou, recentemente, o seu 200º aniversário.

E, como forma de assinalar a efeméride, vários editores de publicações internacionais enviaram uma mensagem de tributo à publicação.

O então “Manchester Guardian” lançou a sua primeira edição em 5 de Maio de 1821, em resposta ao massacre de Peterloo. Desde esse dia, o título publicou mais de 54 mil edições e milhões de artigos jornalísticos, conquistando alguns prémios pelo caminho, incluindo um Pulitzer.

Para Christian Broughton, director do “Independent”, o “Guardian” soube “aproveitar um massacre para iniciar um movimento”.

“O massacre de Peterloo foi um incidente único”, disse Broughton. “Enquanto houver realidades difíceis sobre as quais reportar, continuaremos a precisar de jornalistas a exercerem as suas funções, e leitores que reconheçam o seu valor”.

Por sua vez, Marty Baron, do “Independent”, elogiou o “Guardian” por ser uma “fonte de inspiração para muitos”.

“Quando se completam 200 anos enquanto instituição mediática, isso significa que se está a fornecer um serviço público de qualidade”, afirmou.

Já Fran Unsworth, directora da BBC News, considerou o marco de 200 anos como uma “conquista extraordinária”.

“A história do ‘Guardian’ é uma tapeçaria rica em jornalismo de investigação, com responsabilização do poder político e em atenção aos interesses dos seus leitores”, rematou Unsworth.

Da mesma forma, o editor-executivo do “El País”, Javier Moreno, expressou a sua admiração pelo “jornal lançado no século XIX, em Manchester”, que se “tornou numa referência mundial”.

Outros jornalistas destacaram, por outro lado, os esforços da publicação para construir um modelo de negócio sustentável.

Hillary contra países autoritários que utilizam "media" para propaganda Ver galeria

Por ocasião do 200º aniversário do “Guardian”, a antiga candidata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, concedeu uma entrevista ao jornal britânico, para debater a importância do combate à desinformação.

Conforme recordou o “Guardian”, Hillary Clinton foi candidata presidencial numa altura em que as campanhas “fake news” começaram a ganhar força.

Aliás, de acordo com várias fontes jornalísticas, a campanha de Clinton foi prejudicada por um movimento de Moscovo, que começou a disseminar notícias falsas sobre o passado da candidata nas redes sociais.

Cinco anos depois -- e apesar da mudança de presidência dos EUA-- as campanhas de desinformação e as “teorias da conspiração” ganharam ainda mais força, ameaçando a segurança e o bem-estar dos cidadãos.

Posto isto, Hillary Clinton defende que os “media” têm que alterar a sua estratégia e deixar de “defender que a verdade se encontra algures no meio”, enquanto se preparam para enfrentar o poder das redes sociais.

“As empresas tecnológicas são, agora, muito mais poderosas do que qualquer meio de comunicação tradicional”, reiterou a antiga primeira-dama dos EUA. “Acho que tem de haver um reconhecimento internacional dos perigos da desinformação, bem como da questão do monopólio”, continuou, referindo-se, em concreto, ao caso do Facebook.

Assim, Clinton espera que o actual governo dos EUA imponha novas directrizes a estas empresas.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Se olharmos para o ranking da liberdade de imprensa, elaborado pela organização internacional Repórteres sem Fronteiras (RSF), verificamos que Portugal fecha o top ten em 2020, entre 180 países avaliados, tendo melhorado duas posições desde o ano anterior. É uma classificação confortável, numa lista liderada pela Noruega, onde a vizinha Espanha aparece em 29.º lugar e a Coreia do Norte em último, um exemplo...
Limites da liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
Na internet não deve continuar a prevalecer a lei da selva. O que não é um apelo à censura, muito menos se ela for praticada pelos gestores das empresas tecnológicas. Cabe à política, e não às empresas, assegurar o bem comum. Quem escreve na internet deverá sujeitar-se às condições jurídicas que não permitam atos que são considerados crimes nos media tradicionais.Não há...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Agenda
11
Mai
A Inteligência Artificial e o Futuro do Jornalismo
14:00 @ Palácio Nacional da Ajuda
18
Mai
Congreso Internacional de Ética de la Comunicación
10:00 @ Universidade Complutense de Madrid
18
Mai
19
Mai
2021 Collaborative Journalism Summit
09:00 @ Conferência "online" do Journalism Fund