Terça-feira, 11 de Maio, 2021
Media

Como os "media" ficaram dependentes dos “gigantes digitais”

O aparecimento e desenvolvimento da internet afectou a economia geral dos media e levou a grandes alterações no sector. “Gigantes digitais” como a Google, Amazon, Facebook, Apple, Microsoft, alteraram completamente a dinâmica da distribuição de conteúdos online.

Os investigadores Nikos Smyrnajos e Franck Rebillard estudaram a influência desses “gigantes” na produção de notícias online, e identificaram que o seu lugar central, no ambiente digital, se deve ao papel como “intermediários da informação”.

Os intermediários seleccionam, hierarquizam e disponibilizam a informação online de forma personalizada para os utilizadores, tornando os media dependentes dos resultados dos “motores de buscas” e dos seus algoritmos, que estão em constante alteração.

Os maiores geradores de tráfego para sites de notícias são o Google e o Facebook.

Se por um lado a mudança digital permitiu reduzir os custos de transmissão e alargar as audiências à escala global, por outro gerou disputas entre os media e os intermediários sobre as receitas de publicidade.

O impacto destes “gigantes digitais” nos media foi analisado no artigo da revista Médiacritiques, publicado no site ACRIMED.

Outro grande impacto no sector da informação, foi a criação do Google News. O serviço permite que os algoritmos da Google organizem informação para uma consulta individual, a partir de inúmeras fontes. O sucesso da plataforma fez com que a empresa se tornasse o maior intermediário entre o conteúdo dos sites de notícias e os utilizadores da internet.

 

Todas estas iniciativas parecem revelar uma relação de interdependência: os media fornecem conteúdos e os intermediários ajudam a aumentar o seu alcance e audiência. Contudo, em vez de uma relação de “cooperação”, acaba por ser uma disputa pelo mercado da publicidade online.

 

Em 2017, em França, para além das receitas publicitárias associadas às actividades dos motores de busca – dois mil milhões de euros captados, dos quais 90% pelo Google –, a publicidade contextual representou 1,45 mil milhões de euros, distribuídos entre redes sociais (669 milhões de euros), imprensa escrita (234 milhões de euros) e televisão.

 

Os intermediários apresentam um lucro consideravelmente mais elevado do que os sites das empresas, pois as referências dos conteúdos online permitem um acesso a um público mais vasto, o que, consequentemente, gera mais lucro a partir dos anúncios publicitários.

 

Os editores de jornais, desde a década de 2000, tiveram de se adaptar aos requisitos da Optimização de Motores de Busca (SEO), ou seja, tiveram de adaptar os conteúdos dos seus artigos de forma a aumentar a sua visibilidade nos motores de busca. Estas limitações passaram a ter de ser consideradas pelos jornalistas e influenciam a escolha dos temas e a produção dos conteúdos (artigos, vídeos, etc.).

 

Em 2013, o Google criou um fundo (Fonds pour l'innovation numérique dans la presse), gerido em parceria com uma associação composta por representantes das principais revistas francesas e diários nacionais (Association de la presse d'information politique et générale), que substituiu parte da ajuda pública à imprensa.

 

A 5 de setembro de 2019, o Facebook anunciou novas parcerias com Le Monde, Brut e BFM-TV, com o objectivo de produzir conteúdo exclusivo para o Facebook Watch, uma plataforma de vídeo da rede social. No caso do Le Monde, além dos fundos concedidos pelo Facebook combater as “fake news", o jornal produziu uma série de 44 episódios semanais dedicados ao meio ambiente.

 

A mudança digital também contribuiu para reduzir custos de emissão, disponibilizar informações a uma audiência global e ainda o desenvolvimento e crescimento de medias independentes.

 

Mais informação em ACRIMED.

Connosco
" The Guardian" evoca o bicentenário e retrata os seus erros e falhas editoriais Ver galeria

O “Guardian” celebrou, recentemente, o seu 200º aniversário. Como tal, o jornal britânico publicou uma edição especial, dando destaque a artigos sobre a importância da liberdade de imprensa, bem como a cartas enviadas por editores da imprensa internacional.

Contudo, por esta ocasião, o “Guardian” quis, ainda, reconhecer as suas falhas ao longo dos anos, assinalando-as como momentos de aprendizagem.

Neste sentido, o “Guardian” começou por recordar que dedicou apenas algumas linhas ao naufrágio do Titanic em 1912; publicou artigos com base em descobertas científicas mal fundamentadas; além de ter anunciado, na década de 1970, a chegada de uma “era do gelo”.

No entanto, conforme referiu o jornal, os seus maiores erros foram cometidos na coluna editorial, já que é nesta secção que as publicações assinalam o principal assunto do dia e “onde os erros ficam marcados para a posteridade”.

Neste âmbito, o “Guardian” recordou que, no final da década de 1860, defendeu a criação de uma Confederação no Sul dos Estados Unidos, criticando, por isso, a presidência de Abraham Lincoln.

Conforme assinalou o jornal, para o “Guardian” daquela época, “Lincoln era uma fraude que tratava a emancipação dos escravos como algo negociável, que isso era um obstáculo da união dos EUA”.

Além disso, num editorial publicado após o assassinato daquele Presidente norte-americano, o jornal referiu-se às suas políticas como “uma série de actos abomináveis contra toda a verdadeira noção de direito constitucional e de liberdade humana”.

"The Guardian" festeja 200 anos com jornalismo na primeira linha Ver galeria

O jornal britânico “ The Guardian” celebrou, recentemente, o seu 200º aniversário.

E, como forma de assinalar a efeméride, vários editores de publicações internacionais enviaram uma mensagem de tributo à publicação.

O então “Manchester Guardian” lançou a sua primeira edição em 5 de Maio de 1821, em resposta ao massacre de Peterloo. Desde esse dia, o título publicou mais de 54 mil edições e milhões de artigos jornalísticos, conquistando alguns prémios pelo caminho, incluindo um Pulitzer.

Para Christian Broughton, director do “Independent”, o “Guardian” soube “aproveitar um massacre para iniciar um movimento”.

“O massacre de Peterloo foi um incidente único”, disse Broughton. “Enquanto houver realidades difíceis sobre as quais reportar, continuaremos a precisar de jornalistas a exercerem as suas funções, e leitores que reconheçam o seu valor”.

Por sua vez, Marty Baron, do “Independent”, elogiou o “Guardian” por ser uma “fonte de inspiração para muitos”.

“Quando se completam 200 anos enquanto instituição mediática, isso significa que se está a fornecer um serviço público de qualidade”, afirmou.

Já Fran Unsworth, directora da BBC News, considerou o marco de 200 anos como uma “conquista extraordinária”.

“A história do ‘Guardian’ é uma tapeçaria rica em jornalismo de investigação, com responsabilização do poder político e em atenção aos interesses dos seus leitores”, rematou Unsworth.

Da mesma forma, o editor-executivo do “El País”, Javier Moreno, expressou a sua admiração pelo “jornal lançado no século XIX, em Manchester”, que se “tornou numa referência mundial”.

Outros jornalistas destacaram, por outro lado, os esforços da publicação para construir um modelo de negócio sustentável.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Se olharmos para o ranking da liberdade de imprensa, elaborado pela organização internacional Repórteres sem Fronteiras (RSF), verificamos que Portugal fecha o top ten em 2020, entre 180 países avaliados, tendo melhorado duas posições desde o ano anterior. É uma classificação confortável, numa lista liderada pela Noruega, onde a vizinha Espanha aparece em 29.º lugar e a Coreia do Norte em último, um exemplo...
Limites da liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
Na internet não deve continuar a prevalecer a lei da selva. O que não é um apelo à censura, muito menos se ela for praticada pelos gestores das empresas tecnológicas. Cabe à política, e não às empresas, assegurar o bem comum. Quem escreve na internet deverá sujeitar-se às condições jurídicas que não permitam atos que são considerados crimes nos media tradicionais.Não há...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Agenda
18
Mai
Congreso Internacional de Ética de la Comunicación
10:00 @ Universidade Complutense de Madrid
18
Mai
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Mai
2021 Collaborative Journalism Summit
09:00 @ Conferência "online" do Journalism Fund
17
Jun
4th International Conference Stereo & Immersive Media 2021
09:30 @ Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias