Terça-feira, 27 de Julho, 2021
Media

Como os "media" ficaram dependentes dos “gigantes digitais”

O aparecimento e desenvolvimento da internet afectou a economia geral dos media e levou a grandes alterações no sector. “Gigantes digitais” como a Google, Amazon, Facebook, Apple, Microsoft, alteraram completamente a dinâmica da distribuição de conteúdos online.

Os investigadores Nikos Smyrnajos e Franck Rebillard estudaram a influência desses “gigantes” na produção de notícias online, e identificaram que o seu lugar central, no ambiente digital, se deve ao papel como “intermediários da informação”.

Os intermediários seleccionam, hierarquizam e disponibilizam a informação online de forma personalizada para os utilizadores, tornando os media dependentes dos resultados dos “motores de buscas” e dos seus algoritmos, que estão em constante alteração.

Os maiores geradores de tráfego para sites de notícias são o Google e o Facebook.

Se por um lado a mudança digital permitiu reduzir os custos de transmissão e alargar as audiências à escala global, por outro gerou disputas entre os media e os intermediários sobre as receitas de publicidade.

O impacto destes “gigantes digitais” nos media foi analisado no artigo da revista Médiacritiques, publicado no site ACRIMED.

Outro grande impacto no sector da informação, foi a criação do Google News. O serviço permite que os algoritmos da Google organizem informação para uma consulta individual, a partir de inúmeras fontes. O sucesso da plataforma fez com que a empresa se tornasse o maior intermediário entre o conteúdo dos sites de notícias e os utilizadores da internet.

 

Todas estas iniciativas parecem revelar uma relação de interdependência: os media fornecem conteúdos e os intermediários ajudam a aumentar o seu alcance e audiência. Contudo, em vez de uma relação de “cooperação”, acaba por ser uma disputa pelo mercado da publicidade online.

 

Em 2017, em França, para além das receitas publicitárias associadas às actividades dos motores de busca – dois mil milhões de euros captados, dos quais 90% pelo Google –, a publicidade contextual representou 1,45 mil milhões de euros, distribuídos entre redes sociais (669 milhões de euros), imprensa escrita (234 milhões de euros) e televisão.

 

Os intermediários apresentam um lucro consideravelmente mais elevado do que os sites das empresas, pois as referências dos conteúdos online permitem um acesso a um público mais vasto, o que, consequentemente, gera mais lucro a partir dos anúncios publicitários.

 

Os editores de jornais, desde a década de 2000, tiveram de se adaptar aos requisitos da Optimização de Motores de Busca (SEO), ou seja, tiveram de adaptar os conteúdos dos seus artigos de forma a aumentar a sua visibilidade nos motores de busca. Estas limitações passaram a ter de ser consideradas pelos jornalistas e influenciam a escolha dos temas e a produção dos conteúdos (artigos, vídeos, etc.).

 

Em 2013, o Google criou um fundo (Fonds pour l'innovation numérique dans la presse), gerido em parceria com uma associação composta por representantes das principais revistas francesas e diários nacionais (Association de la presse d'information politique et générale), que substituiu parte da ajuda pública à imprensa.

 

A 5 de setembro de 2019, o Facebook anunciou novas parcerias com Le Monde, Brut e BFM-TV, com o objectivo de produzir conteúdo exclusivo para o Facebook Watch, uma plataforma de vídeo da rede social. No caso do Le Monde, além dos fundos concedidos pelo Facebook combater as “fake news", o jornal produziu uma série de 44 episódios semanais dedicados ao meio ambiente.

 

A mudança digital também contribuiu para reduzir custos de emissão, disponibilizar informações a uma audiência global e ainda o desenvolvimento e crescimento de medias independentes.

 

Mais informação em ACRIMED.

Connosco
Conversas com jornalistas para promover a literacia mediática Ver galeria

O trabalho editorial é, por vezes, um mistério para as audiências que não entendem o processo adjacente, e que tendem a desumanizar a figura do jornalista, tomando-o como alguém quase “robotizado”, que prima pela neutralidade e objectividade, sem nunca se envolver com as histórias que publica.

Este tipo de percepção cria, assim, um distanciamento entre os profissionais dos “media” e os restantes cidadãos, que encaram as reportagens com cepticismo e desconfiança, criticando o papel do jornalista na sociedade.

Perante este cenário, os repórteres McArdle Hankin e Lauren Peace decidiram lançar o projecto “Local Live(s) Project”, que convida os jornalistas locais a falarem do seu percurso profissional, com o objectivo de fomentar uma relação de confiança com o público e promover a literacia mediática informal.

Em entrevista para a “Columbia Journalism Review”, os criadores da iniciativa explicaram que tudo começou com conversas informais, em que os jornalistas subiam a palco para contar as peripécias do trabalho jornalístico, respondendo às questões colocadas.

Mais tarde, com a pandemia, os eventos passaram a ser promovidos “online”, através de videoconferências.

Rússia intensifica restrições ao jornalismo independente Ver galeria

As autoridades russas classificaram o “site” de jornalismo independente “Proekt” como “indesejável”, banindo a actividade da plataforma a nível nacional, e atribuindo aos seus colaboradores o estatuto de “agentes estrangeiros”, denunciou o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ).

Desta forma, quaisquer relações comerciais ou pessoais com o “site” passaram a ser consideradas ilegais.

“Ao banirem o ‘Proekt” e ao adicionarem novos nomes à lista de ‘agentes estrangeiros’, as autoridades russas parecem querer silenciar as últimas vozes independentes do país”, afirmou Gulzona Said, coordenadora do CPJ, acrescentando que “as intenções do governo deveriam ser revistas, de forma a proteger a liberdade de imprensa”.

Recentemente, foram introduzidas emendas ao código criminal russo, que prevêm penas de prisão, até quatro anos, para os jornalistas que colaborem com “media” indesejados, ou de até seis anos, para os profissionais que forem considerados culpados de “organizar essas actividades”.

Da mesma forma, os jornalistas ou “media” classificados como “agentes estrangeiros” podem enfrentar diversas restrições a nível financeiro.

De acordo com Mikhail Rubin, antigo editor-executivo da publicação, estas medidas são, provavelmente, uma resposta às investigações realizadas pelo título sobre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o seu círculo mais próximo.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
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O acordo de Macau rasgado pela China
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Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
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