Sábado, 8 de Maio, 2021
Jantares-debate

Embaixador Martins da Cruz adverte para a "implosão dos centros à esquerda e à direita"

Nas próximas eleições europeias e legislativas, tudo leva a crer que o Partido Socialista continuará a ser o mais votado, “por razões políticas e económicas, e porque beneficia da dessintonia de aternativas por parte do PSD”. Mas haverá eleitores que vão perguntar, em Outubro, se “continuará a genuflexão do PS perante a extrema-esquerda, perante comunistas e pós-trotskistas”.

E estamos a assistir, na Europa, a uma “atomização” que já se reflecte no próprio Parlamento Europeu, com o fim da polarização partidária a trazer uma “fragmentação” e a “implosão dos centros à esquerda e à direita”:

“A direita dirá que se trata de uma regeneração democrática, e a esquerda de um avanço do populismo.”

Foi esta a reflexão inicial do Embaixador Martins da Cruz, no jantar-debate do presente ciclo promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: que País vai a votos?”.

Sobre a conjuntura internacional, o orador chamou a atenção para as vulnerabilidades de Portugal, como País “que reage mais do que age”. Se o Brexit se concretizar, a Espanha subirá a quarta economia do euro “e isso pode acentuar a nossa dupla periferia, peninsular e europeia”  - advertiu.

António Martins da Cruz afirmou o propósito de, nesta palestra, “procurar ângulos de visão tão neutros quanto possível sobre a realidade portuguesa”, aliás em consonância com a sua formação de diplomata  - mas reconhecendo que essa neutralidade “é sempre limitada”. 

Sobre a nossa situação interna  - a que mais importa para as eleições legislativas -  disse que “o Governo já está em campanha eleitoral e soube fazer a gestão política das expectativas e das percepções dos portugueses após os anos difíceis da troika”; teve também “o mérito de saber aproveitar uma certa bonança económica europeia e internacional e aumentar assim o rendimento disponível para as classes menos favorecidas”. (...) 

Com a eleição do ministro Mário Centeno para chefiar o Eurogrupo, o Primeiro-Ministro “criou um cordão sanitário, ou firewall em Bruxelas, para se proteger, em primeiro lugar, dos critérios de Maastricht e, em segundo, dos outros líderes europeus; e para evitar suspeitas de que Portugal não seguia o catecismo da União Monetária e Económica”. 

“Este escudo protegeu o Governo, mesmo que tudo isto tenha conduzido a uma tendência de proletarização da sociedade portuguesa e a uma amplitude das assimetrias de rendimento.” (...) 

Quanto aos dois lados das opções possíveis, António Martins da Cruz caracterizou o Partido Comunista Português como sendo “o único e o último partido comunista com existência política nos países do Sul da Europa, onde os comunistas desapareceram de todo”, mantendo “a costumada veia estalinista, como se viu há dias na carta que o PC dirigiu ao venezuelano Maduro pela sua pseudo-eleição recente”. 

“O Bloco anda por sua vez a sacudir cada vez mais o trotskismo e até a escovar os extremismos, para se criar uma aura de respeitabilidade que lhe abra as portas de algum Ministério  - ou até já se contentava com uma pequena Secretaria de Estado; seria interessante ver quanto tempo duraria  - se o Bloco entrasse para o Governo um dia -  um unguided missile na sala do Conselho de Ministros.” (...) 

“O CDS, superada a herança anterior, tem um discurso consistente e esperado, e o seu núcleo eleitoral estabilizado, e vai procurar rentabilizar a recordação dos votos municipais em Lisboa.” 

“O PSD anda, como andou muitas vezes, em zigue-zague interno, com uma narrativa pulverizada, sem mel nem fel e com as habituais contradições internas que o percorrem desde a sua fundação, o que aliás já originou diversas cisões e rupturas ao longo dos anos. O actual presidente do PSD regionalizou o processo de decisão do partido, ignorando o pragmatismo, por vezes até difuso, de muitas anteriores presidências. As consequências foram, entre outras, a percepção de uma aproximação à força política que governa o País.” (...) 

Passando a falar do Presidente da República, disse o orador que a sua intervenção está a ser feita “com margens de acção sem precedentes no constitucionalismo português”. 

“Há uma teoria benigna que alguns comentadores de esquerda têm vindo a assumir: que o populismo do Presidente, entre selfies, telefonemas e camiões, estaria a cortar a via ou a atrasar as hipóteses de surgirem outros populismos.” 

“Para esses ícones de esquerda, o populismo só pode ser de direita. Como bem escreveu, recentemente, Vasco Pulido Valente  - ‘Definição de populista: político, partido ou movimento de quem a esquerda não gosta porque ganhou eleições’.” 

“O nosso Presidente tem a plena noção do que a Constituição lhe permite  - não fora ele professor de Direito Constitucional. E por isso nos fica a dúvida quanto ao alcance dos entendimentos a que teria chegado com o Governo em matéria de política interna e externa, ou a margem de movimentos que acordou  - ou que ganhou -  ao Primeiro-Ministro.” 

“Porque, como dizia alguém, ‘em política o que parece é’. E por isso o Presidente nem sempre projecta a ideia de ser um contra-poder ou, se se preferir, de viabilizar os checks and balances que se esperam de um Presidente em relação aos outros poderes.” (...) 

Por tudo isso, é legítimo ponderar a sua influência no futuro ciclo eleitoral. (...) E realçar a veia cristã com que o Presidente se destaca em várias das suas intervenções sociais. Talvez por isso haja quem diga, e escreva, que há populismos bons.” (...) 

Passando a falar dos factores externos de influência, disse o orador que “o Governo soube tirar partido da conjuntura favorável, europeia e internacional, que se reflectiu no ritmo das exportações, no tsunami do turismo, nos investimentos que aos poucos se vão anunciando e no aumento moderado do consumo interno; soube adaptar a estrutura governativa e impulsionar a diplomacia económica”. Mas advertiu: 

“Quando a soma das exportações e importações de bens e serviços atinge 90% do PIB, facto quase único na União Europeia, importa saber acompanhar e antecipar as tendências e previsões dos mercados. E aqui começa um alerta vermelho no calendário eleitoral, mesmo que as expectativas dos portugueses sejam baixas.” 

“O discurso governamental tem sido exuberante no louvar das benesses económicas. Em política, as palavras contam. Mas, tal como sucedeu a Sócrates em 2008-2009, o tempo económico pode agora ser desfavorável. Tudo irá depender do intervalo entre o abrandamento económico que se anuncia e as repercussões que terá na vida de todos os portugueses.” 

“Mas os economistas do Governo sabem certamente que o custo de oportunidade é o valor que se deixa de realizar quando se escolhe outra opção e não aquela que tomámos. Esta regra aplica-se também às escolhas políticas. E talvez por isso venha agora à superfície a falta de reformas do Governo.” (...) 

Mesmo não havendo uma recessão à vista, como dizem Christine Lagarde e Mario Draghi, há “um sério abrandamento da economia”: 

“Ora essa deterioração do comércio mundial atinge quase 75% dos nossos mercados de exportação: Espanha, Alemanha, França, Reino Unido, EUA, Benelux e Itália. É o fim de um ciclo de crescimento e da sincronização das economias.” 

“Não haverá um shutdown das exportações, mas provavelmente uma redução que irá afectar sobretudo as PME’s, base do nosso tecido industrial e económico.” (...)  

Segundo o Embaixador Martins da Cruz, “no plano social, ou melhor, na perspectiva da volatilidade da situação social, irão ter peso na decisão dos eleitores as repetidas greves no largo sector público, a falta de respostas no sistema de saúde, as rupturas nas plataformas de transportes, as continuadas imprecisões das propostas de ensino; e os outros obstáculos à vida quotidiana da maioria dos portugueses, que os telejornais nos trazem todos os dias em tom alarmista.” 

“Porque os portugueses  - e aqui temos de reconhecê-lo -  não gostam de ser confrontados com uma escolha fundamental perante a qual agora estão os gilets jaunes em França: ou há melhores serviços públicos ou há menos impostos. [Para ter] as duas coisas ao mesmo tempo, ninguém descobriu a receita. A solução passa por escolhas ideológicas que são sempre difíceis de concretizar.” (...) 

O orador enumerou, em síntese, as várias crises geo-políticas, turbulências económicas e ameaças internacionais anunciadas:

“A crise existencial da União Europeia;  a política externa errática do Sr. Trump;  as guerras comerciais de Washington com Bruxelas e com a China;  o crescimento do poder chinês;  os novos propósitos dos velhos actores no Médio-Oriente;  o expansionismo imperial do Sr. Putin;  o drama da Venezuela e o inesperado evangelismo brasileiro;  as ciber-ameaças;  e as divergências, cada vez mais fortes na Europa, sobre as migrações.” 

“Somos um dos poucos países de dimensão europeia média com uma política externa universal e, por isso, todas as crises afectam indirectamente Portugal. Mas Portugal, na cena internacional, desde há muitos anos reage mais do que age.” 

“Em matéria substancial de política externa, a última grande acção que Portugal teve foi a independência de Timor. Normalmente nós reagimos aos acontecimentos, porque nem sempre temos a capacidade de agir, ou de despoletar iniciativas.”

“Por isso, as repercussões das crises internacionais, para nós, são sempre mais estratégicas do que operacionais, mais económicas do que geo-políticas, mais europeias do que mundiais. Com as habituais excepções, entre as quais o prestígio conseguido com a eleição do Secretário-Geral da ONU.” (...) 

A concluir, o Embaixador Martins da Cruz sublinhou, entre as diversas ameaças externas descritas, as que mais de perto, ou de modo mais grave nos dizem respeito: 

“Não sabemos hoje se haverá Brexit - embora, com o que sabemos, seja mais provável que haja. Se for assim, a saída inglesa desequilibra a Europa e, mais do que isso, desequilibra a geo-política atlântica e vai dar um novo dinamismo à diplomacia inglesa, uma das melhores do mundo, em áreas onde nós também temos os nossos interesses, como, por exemplo, em África.”

“Eu acho que importaria começar a reflectir sobre este assunto. Os ingleses não vão, com certeza, voltar ao Império mas, se saírem da Europa, vão avançar para o mundo, e vão chocar com outras diplomacias e outros interesses.” 

“Ora Portugal não tem alternativas, em matéria de política externa, nem à União Europeia nem à Aliança Atlântica. Com a Europa temos estabilidade política, mercados e investimentos. Com a NATO temos segurança e defesa. Por isso temos que distinguir, na NATO, os humores do ‘arrendatário’ da Oval Room da Aliança e da partilha de interesses e valores com os Estados Unidos.” (...) 

“Se o Brexit se concretizar, a Espanha subirá a quarta economia do euro e passará a integrar um grupo que não existe nos Tratados, mas por onde passam todas as decisões importantes antes de chegarem a Bruxelas  -  o famoso Directório Europeu.”

“Isto pode acentuar a nossa dupla periferia, peninsular e europeia. E na Europa a duas velocidades que o Tratado de Lisboa permitiu, se não conseguirmos estar nos núcleos duros onde a Espanha estiver, Madrid passa a falar por nós em Bruxelas. (...) 
Estes são alguns dos desafios com que o Governo e as outras forças políticas irão conviver até às eleições.” (...)

“A nossa política na Europa tem vindo a alterar-se em prioridades e em alianças. Em prioridades, porque a coesão económica e social, que queríamos transversal a todas as políticas europeias, vai perdendo fulgor em detrimento de outros objectivos, nossos e europeus. Em alianças, sobretudo desde a crise de 2008. Até então, o grande apoio português na Europa era a Comissão Europeia, fazendo acordos pontuais com outros países em geometria variável, conforme os nossos interesses.” 

“O Governo Sócrates, por razões mais partidárias do que de Estado, proclamou como leit-motiv da nossa salvação o grito ‘Espanha, Espanha, Espanha’. Tendo-se dado conta das realidades geo-políticas e sobretudo financeiras, depressa foi chorar para o regaço da Srª Merkel. A salvação estaria em Berlim.” 

“O Governo Passos Coelho seguiu-lhe o exemplo, refinando-o até. E mesmo o actual Governo, no início, também entrou no circuito das procissões a Berlim. Ainda trouxe Merkel a Lisboa, num exercício teatral de ‘toda a companhia em cena aberta’. Depois caíu no fascínio de Macron e na prioridade da eleição de Centeno. Lá se foram outra vez as nossas prioridades.” 

“Também a concepção da Europa tem evoluído  -  ela é federalista com a esquerda no Governo, [mas] cultivando o peso dos Estados membros e as soluções inter-governamentais quando está a direita a dirigir.” (...) 

“O deslizar externo tem sido visível também na nossa prioridade atlântica. Continuamos a confiar na NATO, mas o Governo teve de ser travado no seu entusiasmo inicial por essa fantasia da defesa europeia, que é uma iniciativa de quatro países, mais para vender armamentos do que para dissuadir e proteger.” 

Finalmente, nas relações com os Estados Unidos, como lembrou o orador, “o afastamento é anterior à administração Trump”, tendo os equívocos começado em torno da utilização das Lages: 

“O último Chefe do Governo português que visitou a Casa Branca foi Durão Barroso em 2003. Nunca mais nenhum Primeiro-Ministro português se sentou na Oval Room. Sócrates esteve lá como Presidente do Conselho Europeu, antes do Tratado de Lisboa, mas não abriu a boca para falar de questões bilaterais.” 

Neste contexto, Martins da Cruz chamou a atenção para o facto de que o afastamento dos EUA dos Açores é correspondente ao seu maior envolvimento em Jerez de la Frontera, onde têm uma importante base militar. 

“Além disso, nos últimos anos afastámo-nos de África, pilar importante da nossa vocação exterior. Há agora aproximações, mas entretanto outros países foram criando raízes, influência e mercados. (...) Não é por acaso  - lembrou -  que Angola quer entrar na Commonwealth...” 

A concluir, afirmou:

“A política externa não é estática e adapta-se às circunstâncias. Mas as mudanças têm consequências e não passam desapercebidas aos outros Estados”. (...)

Connosco
"The Guardian" festeja 200 anos com jornalismo na primeira linha Ver galeria

O jornal britânico “ The Guardian” celebrou, recentemente, o seu 200º aniversário.

E, como forma de assinalar a efeméride, vários editores de publicações internacionais enviaram uma mensagem de tributo à publicação.

O então “Manchester Guardian” lançou a sua primeira edição em 5 de Maio de 1821, em resposta ao massacre de Peterloo. Desde esse dia, o título publicou mais de 54 mil edições e milhões de artigos jornalísticos, conquistando alguns prémios pelo caminho, incluindo um Pulitzer.

Para Christian Broughton, director do “Independent”, o “Guardian” soube “aproveitar um massacre para iniciar um movimento”.

“O massacre de Peterloo foi um incidente único”, disse Broughton. “Enquanto houver realidades difíceis sobre as quais reportar, continuaremos a precisar de jornalistas a exercerem as suas funções, e leitores que reconheçam o seu valor”.

Por sua vez, Marty Baron, do “Independent”, elogiou o “Guardian” por ser uma “fonte de inspiração para muitos”.

“Quando se completam 200 anos enquanto instituição mediática, isso significa que se está a fornecer um serviço público de qualidade”, afirmou.

Já Fran Unsworth, directora da BBC News, considerou o marco de 200 anos como uma “conquista extraordinária”.

“A história do ‘Guardian’ é uma tapeçaria rica em jornalismo de investigação, com responsabilização do poder político e em atenção aos interesses dos seus leitores”, rematou Unsworth.

Da mesma forma, o editor-executivo do “El País”, Javier Moreno, expressou a sua admiração pelo “jornal lançado no século XIX, em Manchester”, que se “tornou numa referência mundial”.

Outros jornalistas destacaram, por outro lado, os esforços da publicação para construir um modelo de negócio sustentável.

Hillary contra países autoritários que utilizam "media" para propaganda Ver galeria

Por ocasião do 200º aniversário do “Guardian”, a antiga candidata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, concedeu uma entrevista ao jornal britânico, para debater a importância do combate à desinformação.

Conforme recordou o “Guardian”, Hillary Clinton foi candidata presidencial numa altura em que as campanhas “fake news” começaram a ganhar força.

Aliás, de acordo com várias fontes jornalísticas, a campanha de Clinton foi prejudicada por um movimento de Moscovo, que começou a disseminar notícias falsas sobre o passado da candidata nas redes sociais.

Cinco anos depois -- e apesar da mudança de presidência dos EUA-- as campanhas de desinformação e as “teorias da conspiração” ganharam ainda mais força, ameaçando a segurança e o bem-estar dos cidadãos.

Posto isto, Hillary Clinton defende que os “media” têm que alterar a sua estratégia e deixar de “defender que a verdade se encontra algures no meio”, enquanto se preparam para enfrentar o poder das redes sociais.

“As empresas tecnológicas são, agora, muito mais poderosas do que qualquer meio de comunicação tradicional”, reiterou a antiga primeira-dama dos EUA. “Acho que tem de haver um reconhecimento internacional dos perigos da desinformação, bem como da questão do monopólio”, continuou, referindo-se, em concreto, ao caso do Facebook.

Assim, Clinton espera que o actual governo dos EUA imponha novas directrizes a estas empresas.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Se olharmos para o ranking da liberdade de imprensa, elaborado pela organização internacional Repórteres sem Fronteiras (RSF), verificamos que Portugal fecha o top ten em 2020, entre 180 países avaliados, tendo melhorado duas posições desde o ano anterior. É uma classificação confortável, numa lista liderada pela Noruega, onde a vizinha Espanha aparece em 29.º lugar e a Coreia do Norte em último, um exemplo...
Limites da liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
Na internet não deve continuar a prevalecer a lei da selva. O que não é um apelo à censura, muito menos se ela for praticada pelos gestores das empresas tecnológicas. Cabe à política, e não às empresas, assegurar o bem comum. Quem escreve na internet deverá sujeitar-se às condições jurídicas que não permitam atos que são considerados crimes nos media tradicionais.Não há...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
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11
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A Inteligência Artificial e o Futuro do Jornalismo
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Congreso Internacional de Ética de la Comunicación
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18
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Mai
2021 Collaborative Journalism Summit
09:00 @ Conferência "online" do Journalism Fund