Sexta-feira, 30 de Julho, 2021
Prémio

Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia entregues em Macau

O Prémio de Jornalismo da Lusofonia de 2018 foi entregue em Macau, em cerimónia realizada no Clube Militar, à jornalista Catarina Brites Soares, distinguida pelo seu trabalho “Ler sem Limites”, publicado no semanário Plataforma. O Prémio de Ensaio, atribuído ao historiador António Aresta pelo trabalho “Miguel Torga: um poeta português em Macau”, foi  - na ausência do galardoado, que se encontra em Portugal -  simbolicamente entregue ao director do Jornal Tribuna de Macau, Sérgio Terra.

Nesta segunda edição dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, foram submetidas mais de quatro dezenas de trabalhos de autores de Macau, Portugal, Brasil e outros países de Língua Portuguesa.
O júri, presidido por Dinis de Abreu, do Clube Português de Imprensa, foi ainda integrado por José Rocha Diniz, pela Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, pelo JL, José António Silva Pires, pelo CPI, e Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares.

A entrega dos Prémios foi um momento alto da cerimónia de comemoração dos 36 anos do Jornal Tribunal de Macau, durante a qual usaram da palavra o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura da RAEM, Alexis Tam, o administrador do jornal, José Rocha Diniz, e o General Garcia Leandro, antigo governador de Macau e actual presidente da Fundação Jorge Álvares. Estavam também presentes os Cônsules de Portugal, Moçambique e Angola, respectivamente Paulo Cunha Alves, Rafael Marques e Sofia Pegado da Silva.

Na sua intervenção, que proferiu em Português, Alexis Tam desejou “votos de sucesso” e garantiu envidar mais esforços para apoiar a Língua Portuguesa no território. “Vou fazer o melhor possível para conseguir mais leitores, principalmente os nossos alunos que estão a estudar a Língua Portuguesa”, disse. 

Segundo o Jornal Tribuna de Macau, que aqui citamos, o governante, reiterando a importância da Língua de Camões, em geral, e da Imprensa em Português, em particular, salientou o contributo deste segmento dos media por “conseguir divulgar informações importantes em todas as áreas – cultural, educativa, económica”. 

Por sua vez, José Rocha Diniz reafirmou a promessa da continuição do Tribuna de Macau como “um jornal sobre a vida sócio-económica e política de Macau, factual nas notícias, livre nas opiniões, e tudo isto em Língua Portuguesa e de acordo com o Código Deontológico dos Jornalistas Portugueses”. 

José Rocha Diniz salientou, também, que foi com a missão de “defesa, apoio ao ensino e à vulgarização da Língua Portuguesa” que se concretizou esta segunda edição dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos em 2017 em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e, este ano, com o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias

No mesmo contexto, o General Garcia Leandro, na qualidade de presidente da Fundação Jorge Álvares, destacou a relevância destes Prémios, que “não poderia deixar de apoiar por razões que estão relacionadas com a importância da Língua Portuguesa”. 

Para a jornalista premiada, Catarina Brites Soares, esta distinção é importante, sobretudo, por permitir transmitir a mensagem de que “em Macau existe, de facto, liberdade de expressão e acesso à informação”. 

Reconhecendo que, na fase inicial de elaboração da história, sentiu alguns receios das reacções que poderia causar, a jornalista defende a pertinência do tema, até porque “a mensagem que transmite era muito mais importante do que as repercussões eventualmente negativas que pudesse ter”. 

Quanto ao Prémio propriamente dito, Catarina Brites Soares afirmou que “vem dar visibilidade a uma área do mundo que muito tempo esteve ostracizada e que agora, de alguma forma, ganha protagonismo, também muito por responsabilidade desta terra, Macau, e da China Continental”.

 

Mais informação no Jornal Tribuna de Macau

Connosco
Relatório do Obercom analisa tendências futuras dos “media” Ver galeria

Com a pandemia, a maioria dos jornalistas passou a ter que trabalhar em regime remoto, abandonando o espaço de redacção e o contacto directo com colegas de profissão.

Isto fez com que os colaboradores dos “media” passassem a depender dos seus dispositivos electrónicos para assegurar a comunicação com os editores, além de conjugarem a vida pessoal e profissional num único local.

Se, por um lado, alguns dos jornalistas apreciaram a flexibilidade deste novo regime, por outro lado, um número considerável de profissionais disse estar descontente com o “continuum” família/trabalho.

O caso da imprensa portuguesa foi, agora, analisado por um relatório do “Obercom”, cujos investigadores quiseram perceber qual a opinião dos jornalistas nacionais, quanto à possibilidade de o teletrabalho se transformar no “novo normal”.

O relatório analisou, ainda, outras questões relacionadas com o futuro do jornalismo português, como a diversidade nas redacções e “atracção e retenção de talentos em tempos de incerteza”.

Para este relatório foram consideradas as respostas de 98 inquiridos.

De acordo com o estudo, em Portugal, o teletrabalho é percepcionado como algo que teve consequências negativas para o jornalismo, em particular no que diz respeito ao trabalho colaborativo (75% dos inquiridos discordam que o trabalho remoto tenha facilitado a construção e manutenção de relações em equipa). Neste sentido, os inquiridos dizem, ainda, ter sentido quebras na sua eficiência e criatividade.

A percepção sobre os efeitos negativos do teletrabalho está, também, em concordância com a vontade expressa pelos jornalistas de regressar às redacções.

Dicas (possíveis) para a protecção “online” dos jornalistas Ver galeria

Após a revelação do “Projecto Pegasus”, e de que cerca de 180 jornalistas poderiam ter sido vigiados por um “software” móvel, a associação Repórteres sem Fronteiras (RSF) publicou uma lista de recomendações para profissionais dos “media”, com o objectivo de garantir um maior nível de segurança para todos os potenciais visados.

Neste sentido, os RSF recomendaram que os profissionais incluídos na lista de jornalistas vigiados trocassem, de imediato, os seus dispositivos móveis, para continuarem a comunicar sem que as suas informações pessoais fossem partilhadas com terceiros.

Da mesma forma, a associação recordou a importância de desconectar todas as contas das redes sociais, bem como da alteração de palavras-passe.

Caso não seja possível trocar de “smartphone”, os RSF aconselham os jornalistas a reiniciarem os dispositivos, já que isto pode travar o funcionamento dos “softwares”.

Após estes primeiros passos, recomenda-se que os jornalistas reforcem o nível de segurança dos dispositivos tecnológicos, activando uma palavra-passe com quatro dígitos distintos, que não tenha qualquer relação com dados pessoais, tais como a data de nascimento.

Um maior nível de segurança passa, também, pela actualização frequente dos sistemas operativos, e pela instalação de um serviço antivírus.

Quanto às redes sociais, os RSF aconselham que os jornalistas activem o acesso em dois passos: palavra-passe e identificação facial, por exemplo.

A associação recomenda, ainda, que os profissionais dos “media” não utilizem redes wi-fi suspeitas, e que nunca carreguem em “links” de fontes desconhecidas.

Para os jornalistas que trabalham na área da investigação, a melhor solução é optar por um telemóvel antigo, que não tenha acesso à internet, acrescentam os RSF.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Há sinais que não enganam, ou que só enganam quem queira deixar-se enganar.Enquanto o Parlamento “chumbou” a tentativa de revogar o polémico artigo 6º da Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital, apontado como tendencialmente censório, anuncia-se, de mansinho, uma possível revisão da Lei de Imprensa, com o pretexto de estar a celebrar-se o bicentenário do primeiro documento publicado com esse objectivo. Para...
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
O acordo de Macau rasgado pela China
Francisco Sarsfield Cabral
Sem alterar qualquer nova lei, em Macau, como em Hong-Kong, a China não respeita os acordos que assinou. O Governo português nem sequer protesta. Razão tem o presidente J. Biden para endurecer o relacionamento com a China e o seu regime de ditadura absoluta do partido comunista chinês.  Na passada terça-feira o jornal “Público” dedicou quatro páginas à atual situação em Macau. Dois jornalistas (Hugo Pinto e...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
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