Sexta-feira, 30 de Julho, 2021
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Carta aberta de fundador da Web contra a degradação e controlo da Rede

O cientista britânico que criou a World Wide Web, Sir Timothy Berners-Lee, aproveitou o 29º aniversário da sua fundação para divulgar uma carta aberta em que manifesta preocupação pelo facto de “um punhado de empresas controlar o modo como as ideias e opiniões são partilhadas” e reafirma os valores a que permanece fiel  - de garantir que a Web seja “um espaço livre, aberto e criativo para todas as pessoas”. Para conseguir este objectivo fundador, e contrariar a tendência para ser usada como arma, admite que seja necessária uma entidade reguladora.

O seu texto começa por sublinhar outra efeméride associada à primeira: 2018 é o ano em que, pela primeira vez, mais de metade do mundo já tem ligação online. Mas deixa duas perguntas:

  1. – Como vamos tornar conectada a outra metade do mundo?
  2. – E temos a certeza de que o resto do mundo se quer conectar à Web que temos hoje?

A questão, como explica a seguir, é que as pessoas têm maior probabilidade de ficar offline “se forem mulheres, ou pobres, ou viverem numa área rural ou num país de baixo nível de vida, ou em qualquer combinação das condicionantes citadas”. E recorda que as Nações Unidas declararam, em 2016, “o acesso à Internet como um direito humano, ao nível do acesso à água potável, à electricidade, à habitação e ao alimento”. 

“Estar hoje offline significa ser excluído de oportunidades de aprender e ganhar [dinheiro], de ter acesso a serviços valiosos e de participar no debate democrático. Se não investirmos seriamente na extinção desta fronteira, os últimos mil milhões não estarão conectados antes de 2042. É toda uma geração deixada para trás.” (...) 

Tim Berners-Lee menciona também “dois mitos que limitam a nossa imaginação colectiva: o mito de que a publicidade é o único modelo de negócios possível para as empresas online e o mito de que é tarde demais para mudar o modo como funcionam as plataformas [digitais]. Em ambos os pontos  - afirma -  precisamos de ser um pouco mais criativos.” 

Sobre a concentração de poder nessas plataformas dominantes, adverte que elas têm a capacidade de se fecharem na sua posição criando barreiras aos concorrentes. “Elas adquirem as start-ups que as defrontam, compram as inovações e empregam os talentos de topo da indústria. Acrescente-se a isto a vantagem competitiva que lhes conferem os dados dos seus utentes e podemos esperar que os próximos vinte anos vão ser muito menos inovadores do que os últimos.” (...) 

A concluir, afirma: 

“Hoje quero desafiar-nos a todos para que tenhamos maiores ambições para a Web. Quero que a Web seja um reflexo das nossas esperanças e possa cumprir os nossos sonhos, em vez de aumentar os nossos medos e cavar as nossas divisões.” (...)

“Vamos reunir as mentes mais brilhantes das empresas, da tecnologia, do governo, da sociedade civil, das artes e das universidades, para lidarem com as ameaças ao futuro da Web. Na Web Foundation, estamos prontos para cumprir a nossa parte nesta missão e construir a Web que todos desejamos. Trabalhemos juntos para a tornar possível.”

 

Mais informação em The Guardian, que inclui o texto da carta aberta

Connosco
Relatório do Obercom analisa tendências futuras dos “media” Ver galeria

Com a pandemia, a maioria dos jornalistas passou a ter que trabalhar em regime remoto, abandonando o espaço de redacção e o contacto directo com colegas de profissão.

Isto fez com que os colaboradores dos “media” passassem a depender dos seus dispositivos electrónicos para assegurar a comunicação com os editores, além de conjugarem a vida pessoal e profissional num único local.

Se, por um lado, alguns dos jornalistas apreciaram a flexibilidade deste novo regime, por outro lado, um número considerável de profissionais disse estar descontente com o “continuum” família/trabalho.

O caso da imprensa portuguesa foi, agora, analisado por um relatório do “Obercom”, cujos investigadores quiseram perceber qual a opinião dos jornalistas nacionais, quanto à possibilidade de o teletrabalho se transformar no “novo normal”.

O relatório analisou, ainda, outras questões relacionadas com o futuro do jornalismo português, como a diversidade nas redacções e “atracção e retenção de talentos em tempos de incerteza”.

Para este relatório foram consideradas as respostas de 98 inquiridos.

De acordo com o estudo, em Portugal, o teletrabalho é percepcionado como algo que teve consequências negativas para o jornalismo, em particular no que diz respeito ao trabalho colaborativo (75% dos inquiridos discordam que o trabalho remoto tenha facilitado a construção e manutenção de relações em equipa). Neste sentido, os inquiridos dizem, ainda, ter sentido quebras na sua eficiência e criatividade.

A percepção sobre os efeitos negativos do teletrabalho está, também, em concordância com a vontade expressa pelos jornalistas de regressar às redacções.

Dicas (possíveis) para a protecção “online” dos jornalistas Ver galeria

Após a revelação do “Projecto Pegasus”, e de que cerca de 180 jornalistas poderiam ter sido vigiados por um “software” móvel, a associação Repórteres sem Fronteiras (RSF) publicou uma lista de recomendações para profissionais dos “media”, com o objectivo de garantir um maior nível de segurança para todos os potenciais visados.

Neste sentido, os RSF recomendaram que os profissionais incluídos na lista de jornalistas vigiados trocassem, de imediato, os seus dispositivos móveis, para continuarem a comunicar sem que as suas informações pessoais fossem partilhadas com terceiros.

Da mesma forma, a associação recordou a importância de desconectar todas as contas das redes sociais, bem como da alteração de palavras-passe.

Caso não seja possível trocar de “smartphone”, os RSF aconselham os jornalistas a reiniciarem os dispositivos, já que isto pode travar o funcionamento dos “softwares”.

Após estes primeiros passos, recomenda-se que os jornalistas reforcem o nível de segurança dos dispositivos tecnológicos, activando uma palavra-passe com quatro dígitos distintos, que não tenha qualquer relação com dados pessoais, tais como a data de nascimento.

Um maior nível de segurança passa, também, pela actualização frequente dos sistemas operativos, e pela instalação de um serviço antivírus.

Quanto às redes sociais, os RSF aconselham que os jornalistas activem o acesso em dois passos: palavra-passe e identificação facial, por exemplo.

A associação recomenda, ainda, que os profissionais dos “media” não utilizem redes wi-fi suspeitas, e que nunca carreguem em “links” de fontes desconhecidas.

Para os jornalistas que trabalham na área da investigação, a melhor solução é optar por um telemóvel antigo, que não tenha acesso à internet, acrescentam os RSF.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
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Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
O acordo de Macau rasgado pela China
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Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
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