Terça-feira, 27 de Julho, 2021
Jantares-debate

Nuno Crato defendeu em palestra a exigência como grande lição do Ensino

No mais recente jantar-debate do ciclo sobre o tema “Que Portugal na Europa, que futuro para a União?”  - realizado numa parceria do CPI – Clube Português de Imprensa com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário -  Nuno Crato afirmou que, “das poucas coisas que se sabem sobre Educação e desenvolvimento da Economia, há um factor decisivo para o progresso das nações, e esse factor é a Educação dos jovens, é a formação da força de trabalho”. O seu apelo final é que se mantenha o nível de exigência de metas e programas, de avaliação dos resultados obtidos e de autonomia das escolas para se organizarem neste sentido.

Nuno Crato começou pelo reconhecimento de que Portugal “melhorou significativamente nas últimas décadas”, e que isso foi reconhecido pelos instrumentos internacionais de medida:

 

“Tenho imenso gosto em poder dizer-vos que em 2015, na altura em que saíram os resultados do inquérito PISA, que se dirige a todos os alunos de 15 anos e, ainda em 2015, os resultados do inquérito TIMSS, que se dirige, na parte que subscrevemos, aos alunos do 4º ano de escolaridade, nós obtivémos, em ambos os casos, os nossos melhores resultados de sempre.”

 

“Devemos estar orgulhosos disso. Todos aqueles que contribuíram para a Educação, seja como pais, como alunos, como professores, sobretudo os professores, ou como ministros da Educação, todos nós portugueses devemos estar orgulhosos de termos chegado a estes lugares.”

 

Sublinhou especialmente que, no TIMSS, “os nossos alunos ultrapassaram os finlandeses, que é algo que quem está ligado à Educação não acreditaria, alguma vez, que fosse possível…”

 

Também na avaliação do PISA, “o que se passou foi que nós, pela primeira vez desde sempre, ultrapassámos a média da OCDE”.

 

Nuno Crato citou ainda outros dados sobre o progresso do Ensino em Portugal, nos últimos anos, nas áreas do abandono escolar precoce, das taxas de retenção e outras. E acrescentou:

 

“Outra coisa que se torna muito clara dos estudos da economia da Educação é o seguinte: Não basta pôr as crianças na escola. O que de facto conta é o que aprenderam enquanto estiveram na escola. (...)  Quando falamos da escolaridade versus desenvolvimento económico, não vemos relação nenhuma. Mas quando falamos dos resultados em conhecimento, medidos por todos esses estudos internacionais, nós vemos uma relação muito directa entre o que os jovens sabem e como a população se desenvolve, como o país se desenvolve.”

 

O orador defendeu como factores de progresso, entre outros, o facto de se ter passado a fazer a divulgação dos resultados das escolas, permitindo a comparação entre elas, os exames e aferições em matérias em que não eram realizados e o estabelecimento dos sete anos de Inglês obrigatórios.

 

Como síntese dos elementos fundamentais para conseguir que o sistema funcione, na Educação, defendeu que haja “programas e metas exigentes”, e que nesses programas estejam estabelecidas prioridades.

 

“Se há coisas que nós sabemos fazer, que é ter bons programas de Matemática e de Português, bons programas de História, Geografia e Ciências, bons programas de Inglês, ensinar os nossos jovens a saber isso, avaliar, estimulá-los, se nós sabemos fazer isso, o resto vem por acréscimo.”

 

A concluir, afirmou:

 

“Eu diria que a grande lição destes anos, e não são os últimos quatro ou cinco, são os últimos vinte anos, é: Caminho de maior exigência, caminho de maior avaliação, sempre focar nos resultados, para saber onde se chega, e o resto soma-se.”

 

Connosco
Conversas com jornalistas para promover a literacia mediática Ver galeria

O trabalho editorial é, por vezes, um mistério para as audiências que não entendem o processo adjacente, e que tendem a desumanizar a figura do jornalista, tomando-o como alguém quase “robotizado”, que prima pela neutralidade e objectividade, sem nunca se envolver com as histórias que publica.

Este tipo de percepção cria, assim, um distanciamento entre os profissionais dos “media” e os restantes cidadãos, que encaram as reportagens com cepticismo e desconfiança, criticando o papel do jornalista na sociedade.

Perante este cenário, os repórteres McArdle Hankin e Lauren Peace decidiram lançar o projecto “Local Live(s) Project”, que convida os jornalistas locais a falarem do seu percurso profissional, com o objectivo de fomentar uma relação de confiança com o público e promover a literacia mediática informal.

Em entrevista para a “Columbia Journalism Review”, os criadores da iniciativa explicaram que tudo começou com conversas informais, em que os jornalistas subiam a palco para contar as peripécias do trabalho jornalístico, respondendo às questões colocadas.

Mais tarde, com a pandemia, os eventos passaram a ser promovidos “online”, através de videoconferências.

Rússia intensifica restrições ao jornalismo independente Ver galeria

As autoridades russas classificaram o “site” de jornalismo independente “Proekt” como “indesejável”, banindo a actividade da plataforma a nível nacional, e atribuindo aos seus colaboradores o estatuto de “agentes estrangeiros”, denunciou o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ).

Desta forma, quaisquer relações comerciais ou pessoais com o “site” passaram a ser consideradas ilegais.

“Ao banirem o ‘Proekt” e ao adicionarem novos nomes à lista de ‘agentes estrangeiros’, as autoridades russas parecem querer silenciar as últimas vozes independentes do país”, afirmou Gulzona Said, coordenadora do CPJ, acrescentando que “as intenções do governo deveriam ser revistas, de forma a proteger a liberdade de imprensa”.

Recentemente, foram introduzidas emendas ao código criminal russo, que prevêm penas de prisão, até quatro anos, para os jornalistas que colaborem com “media” indesejados, ou de até seis anos, para os profissionais que forem considerados culpados de “organizar essas actividades”.

Da mesma forma, os jornalistas ou “media” classificados como “agentes estrangeiros” podem enfrentar diversas restrições a nível financeiro.

De acordo com Mikhail Rubin, antigo editor-executivo da publicação, estas medidas são, provavelmente, uma resposta às investigações realizadas pelo título sobre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o seu círculo mais próximo.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
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