Sexta-feira, 30 de Julho, 2021
Media

Imprensa espanhola em queda livre ... e a portuguesa não menos

O panorama é preocupante: os diários espanhóis de grande circulação perderam nos últimos oito anos metade da sua difusão, ou seja, cerca, 2,3 milhões de exemplares, arrecadando menos 60% de receitas de publicidade, de acordo com o site electrónico media-tics.

Porém, a reacção da imprensa do país vizinho perante esta descida vertiginosa de vendas, limitou-se a uma única estratégia: despedir jornalistas. Um caso assaz insólito de imobilismo suicida, como é referido no texto que citamos.

A estrutura das suas edições em papel segue o mesmo modelo anterior à crise, com a diferença dos títulos de primeira página aparecerem cada vez mais carregados de ideologia e de politica, quebrando um principio há muito consagrado no jornalismo de referência: não misturar informação com opinião.

Esta situação segue de perto o que se passa, aliás, com a imprensa portuguesa, também ela vítima de uma degradação constante da sua tiragem e das receitas publicitárias, replicando o que se passa com os jornais espanhóis, em termos de carga ideológica e partidária.

De acordo com a associação de controlo de vendas em Espanha, a OJD, o diário líder El País perdeu cerca de 14% de vendas, fechando, em Dezembro passado, com uma média de 103 mil exemplares.

El Mundo, caiu ainda mais, com um retrocesso de 18,5%, ficando nos 66 mil exemplares.

O ABC, não está longe com 65 mil exemplares e uma queda de 13,8%. La Vanguardia vendeu uma média de 30 mil exemplares (menos 12,9%). El Periódico, vendeu por cada edição 43 mil exemplares (menos 11,9%). E, pela primeira vez, os diários regionais caíram cerca de 6%.

Perante este desastre generalizado, como enfatiza o media-tics, e a erupção da informação digital -  alargando a sua influencia e tendências informativas -  os diários tradicionais persistem num certo imobilismo, com capas sujeitas à mesma hierarquia das noticias do dia.

 

Se olharmos para a imprensa generalista portuguesa, o quadro não é mais animador. De acordo com a APCT – Associação Portuguesa de Controlo de Tiragens, a circulação média do Publico, em finais de 2016, situava-se nos 30 mil exemplares. A do Diário de Notícias, nos 16 mil e só o Correio da Manhã se aproximou da fasquia dos 100 mil.

As conclusões são óbvias.

 

Ler na íntegra o trabalho do media-tics, onde recolhemos também a imagem junta

 

 

Connosco
Relatório do Obercom analisa tendências futuras dos “media” Ver galeria

Com a pandemia, a maioria dos jornalistas passou a ter que trabalhar em regime remoto, abandonando o espaço de redacção e o contacto directo com colegas de profissão.

Isto fez com que os colaboradores dos “media” passassem a depender dos seus dispositivos electrónicos para assegurar a comunicação com os editores, além de conjugarem a vida pessoal e profissional num único local.

Se, por um lado, alguns dos jornalistas apreciaram a flexibilidade deste novo regime, por outro lado, um número considerável de profissionais disse estar descontente com o “continuum” família/trabalho.

O caso da imprensa portuguesa foi, agora, analisado por um relatório do “Obercom”, cujos investigadores quiseram perceber qual a opinião dos jornalistas nacionais, quanto à possibilidade de o teletrabalho se transformar no “novo normal”.

O relatório analisou, ainda, outras questões relacionadas com o futuro do jornalismo português, como a diversidade nas redacções e “atracção e retenção de talentos em tempos de incerteza”.

Para este relatório foram consideradas as respostas de 98 inquiridos.

De acordo com o estudo, em Portugal, o teletrabalho é percepcionado como algo que teve consequências negativas para o jornalismo, em particular no que diz respeito ao trabalho colaborativo (75% dos inquiridos discordam que o trabalho remoto tenha facilitado a construção e manutenção de relações em equipa). Neste sentido, os inquiridos dizem, ainda, ter sentido quebras na sua eficiência e criatividade.

A percepção sobre os efeitos negativos do teletrabalho está, também, em concordância com a vontade expressa pelos jornalistas de regressar às redacções.

Dicas (possíveis) para a protecção “online” dos jornalistas Ver galeria

Após a revelação do “Projecto Pegasus”, e de que cerca de 180 jornalistas poderiam ter sido vigiados por um “software” móvel, a associação Repórteres sem Fronteiras (RSF) publicou uma lista de recomendações para profissionais dos “media”, com o objectivo de garantir um maior nível de segurança para todos os potenciais visados.

Neste sentido, os RSF recomendaram que os profissionais incluídos na lista de jornalistas vigiados trocassem, de imediato, os seus dispositivos móveis, para continuarem a comunicar sem que as suas informações pessoais fossem partilhadas com terceiros.

Da mesma forma, a associação recordou a importância de desconectar todas as contas das redes sociais, bem como da alteração de palavras-passe.

Caso não seja possível trocar de “smartphone”, os RSF aconselham os jornalistas a reiniciarem os dispositivos, já que isto pode travar o funcionamento dos “softwares”.

Após estes primeiros passos, recomenda-se que os jornalistas reforcem o nível de segurança dos dispositivos tecnológicos, activando uma palavra-passe com quatro dígitos distintos, que não tenha qualquer relação com dados pessoais, tais como a data de nascimento.

Um maior nível de segurança passa, também, pela actualização frequente dos sistemas operativos, e pela instalação de um serviço antivírus.

Quanto às redes sociais, os RSF aconselham que os jornalistas activem o acesso em dois passos: palavra-passe e identificação facial, por exemplo.

A associação recomenda, ainda, que os profissionais dos “media” não utilizem redes wi-fi suspeitas, e que nunca carreguem em “links” de fontes desconhecidas.

Para os jornalistas que trabalham na área da investigação, a melhor solução é optar por um telemóvel antigo, que não tenha acesso à internet, acrescentam os RSF.

O Clube
Como tem sido habitual, desde o lançamento deste site do Clube Português de Imprensa, interrompemos a sua actualização diária em Agosto, atendendo ao período de férias que atravessamos. Registamos, entretanto, com apreço o crescimento constante da audiência deste projecto da nossa associação (acima dos 20%, no último ano civil , medidos pela Google Analytics ), sinal  de que quem nos visita e acompanha com...

ver mais >
Opinião
Há sinais que não enganam, ou que só enganam quem queira deixar-se enganar.Enquanto o Parlamento “chumbou” a tentativa de revogar o polémico artigo 6º da Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital, apontado como tendencialmente censório, anuncia-se, de mansinho, uma possível revisão da Lei de Imprensa, com o pretexto de estar a celebrar-se o bicentenário do primeiro documento publicado com esse objectivo. Para...
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Agenda
23
Ago
28
Set
World News Media Congress
09:00 @ Taipei, Taiwan
13
Out
01
Nov
The African Investigative Journalism Conference
10:00 @ Joanesburgo, África do Sul