Terça-feira, 27 de Julho, 2021
Media

Jornalismo "reinventa-se" nos EUA e aposta nos temas locais

Os meios de comunicação, nos EUA, estão a fazer um esforço de “reinvenção” na nova era aberta pelo resultado das eleições presidenciais. Editores e jornalistas de vários dos mais conhecidos jornais de referência estiveram reunidos, na Universidade de Harvard, para partilhar experiências e o propósito de retomarem o seu papel de “garantes dos valores democráticos”. A divulgação de trabalhos de esclarecimento público sobre temas controversos, um esforço de envolvimento maior dos leitores, e uma aposta mais clara no jornalismo local, contam-se entre os caminhos propostos.

O primeiro caso apresentado no texto que citamos, em Media-Tics, é o do diário The Boston Globe, que decidiu, após o tiroteio de Junho de 2016, numa discoteca de Orlando, esclarecer o que está realmente em causa na venda desregulada de armas de tipo militar, como decorrente do respeito pela Segunda Emenda. Katie Kingsbury, a responsável pela edição digital, apresentou a primeira página dessa edição, que mostra uma imagem da M-15, a versão civil da espingarda de assalto M-16, usada na guerra do Vietname. 

O editorial lembra que a arma mais vulgar na América Colonial era o mosquete Brown Bess, que podia disparar um tiro a cada 20 segundos e abater tanto um homem como um alce, sendo usado por soldados ou civis e considerado a espingarda de assalto do seu tempo. A M-15 pode disparar 45 balas por minuto. 

Como sublinha o editorial, “neste país, o governo federal limita os caçadores de patos a usarem armas que só levam três cartuchos, para proteger a população dos patos; mas qualquer pessoa pode comprar uma arma de assalto em sete minutos e um número ilimitado de munições para a abastecer”. Isto coloca em perspectiva as interpretações permissivas que se fazem hoje da Segunda Emenda, à luz da realidade actual e da que era vivida pelos Founding Fathers da América.

Representantes de jornais como The Wall Street Journal, The New York Times e The Huffington Post, falaram do esforço feito na direcção do aumento de assinaturas, ou de pagamento de conteúdos escolhidos, e um jornalista da CNN contou que se sente, depois da “declaração de guerra” de Donald Trump, “um público cheio de fome de jornalismo, nestes momentos”.

Ainda segundo o texto de Media-Tics, “o jornalismo local tem muito a dizer nesta nova era mediática”. Os jornais com menos de 50 mil exemplares de circulação, nos EUA, são 6.851 (de um total de 7.071). O NiemanJournalismLab fez sobre eles um estudo que “convida ao optimismo”.

 

 
O artigo original, em Media-Tics; a imagem é da conferência de Katie Kingsbury, do Boston Globe, em Harvard

 

Connosco
Conversas com jornalistas para promover a literacia mediática Ver galeria

O trabalho editorial é, por vezes, um mistério para as audiências que não entendem o processo adjacente, e que tendem a desumanizar a figura do jornalista, tomando-o como alguém quase “robotizado”, que prima pela neutralidade e objectividade, sem nunca se envolver com as histórias que publica.

Este tipo de percepção cria, assim, um distanciamento entre os profissionais dos “media” e os restantes cidadãos, que encaram as reportagens com cepticismo e desconfiança, criticando o papel do jornalista na sociedade.

Perante este cenário, os repórteres McArdle Hankin e Lauren Peace decidiram lançar o projecto “Local Live(s) Project”, que convida os jornalistas locais a falarem do seu percurso profissional, com o objectivo de fomentar uma relação de confiança com o público e promover a literacia mediática informal.

Em entrevista para a “Columbia Journalism Review”, os criadores da iniciativa explicaram que tudo começou com conversas informais, em que os jornalistas subiam a palco para contar as peripécias do trabalho jornalístico, respondendo às questões colocadas.

Mais tarde, com a pandemia, os eventos passaram a ser promovidos “online”, através de videoconferências.

Rússia intensifica restrições ao jornalismo independente Ver galeria

As autoridades russas classificaram o “site” de jornalismo independente “Proekt” como “indesejável”, banindo a actividade da plataforma a nível nacional, e atribuindo aos seus colaboradores o estatuto de “agentes estrangeiros”, denunciou o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ).

Desta forma, quaisquer relações comerciais ou pessoais com o “site” passaram a ser consideradas ilegais.

“Ao banirem o ‘Proekt” e ao adicionarem novos nomes à lista de ‘agentes estrangeiros’, as autoridades russas parecem querer silenciar as últimas vozes independentes do país”, afirmou Gulzona Said, coordenadora do CPJ, acrescentando que “as intenções do governo deveriam ser revistas, de forma a proteger a liberdade de imprensa”.

Recentemente, foram introduzidas emendas ao código criminal russo, que prevêm penas de prisão, até quatro anos, para os jornalistas que colaborem com “media” indesejados, ou de até seis anos, para os profissionais que forem considerados culpados de “organizar essas actividades”.

Da mesma forma, os jornalistas ou “media” classificados como “agentes estrangeiros” podem enfrentar diversas restrições a nível financeiro.

De acordo com Mikhail Rubin, antigo editor-executivo da publicação, estas medidas são, provavelmente, uma resposta às investigações realizadas pelo título sobre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o seu círculo mais próximo.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
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