Quarta-feira, 22 de Setembro, 2021

  

Mulheres jornalistas deixam Afeganistão temendo represálias

Media Galeria

A primeira mulher jornalista a entrevistar os talibãs após a retirada das tropas norte-americanas de Cabul, Beheshta Arghand, foi forçada a abandonar o Afeganistão, temendo repressão profissional.

“Os talibãs não aceitam as mulheres”, disse Arghand em declarações à Reuters Qatar. “Quando um grupo de pessoas não nos aceita enquanto seres humanos, torna-se muito difícil”.

A entrevista de Arghand com um dos líderes dos talibãs foi, na verdade, um golpe propagandístico utilizado pelo grupo extremista .

“Quando vi que eles tinham entrado no meu estúdio de televisão fiquei em choque, perdi o controlo. Pensava que queriam questionar a minha presença ali”, revelou aquela jornalista, citada pelo “Guardian”.

O líder dos talibãs, por outro lado, exigiu ser entrevistado num programa ao vivo.

Apesar do desconforto, Arghand, que tinha pouca experiência a apresentar os noticiários da Tolo News, acabou por entrevistar o representante daquele grupo extremista, com o qual manteve uma interacção calma.

Contudo, continuou Arghand, atrás das câmaras, os talibãs exigiram que todas as mulheres jornalistas utilizassem “hijab” (lenço que cobre a cabeça), e que os jornalistas deixassem de informar os cidadãos sobre a sua tomada de poder.

Perante este cenário, aquela jornalista decidiu seguir o exemplo de algumas das suas colegas, e pediu ajuda à activista Malala Yousafzai para fugir até ao Qatar.

Proposta casa dos "cartoons" de imprensa em defesa do desenho satírico

Media Galeria

Um grupo de “cartoonistas” apelou ao Presidente francês, Emmanuel Macron, que apoiasse a criação da “casa dos ‘cartoons’ de imprensa”, com o objectivo de defender o papel do desenho satírico.

Numa coluna publicada no “Journal du dimanche”, os signatários relembraram que, em 2020, Macron manifestou o desejo de implementar esta medida, que foi idealizada, no início dos anos 2000, pelo “cartoonista” Georges Wolinski, que foi assassinado no ataque terrorista ao “Charlie Hebdo”.

“A criação de tal espaço ajudaria a defender o papel da imprensa satírica, que se desenvolveu, até aos dias de hoje, como um contrapoder”, sublinharam.

Os signatários informaram, da mesma forma, que o Ministério da Cultura já começou a estudar esta possibilidade.

De acordo com o jornal “Le Monde”, a região de Ile-de-France está "muito determinada a apoiar financeiramente" este projeto e a cidade de Paris está "pronta para recebê-lo" .

“Só falta o seu compromisso, o do Estado, que nada mais seria do que o respeito à palavra dada” , conclui o texto.

Protecção de crianças “online”

Breves

O Reino Unido introduziu uma nova regulamentação destinada a proteger crianças e jovens no espaço “online”, prevendo a aplicação de multas para as plataformas que não respeitem as directrizes.

Com isto, as redes sociais Tik Tok, Facebook e YouTube aplicaram novas ferramentas e restrições para todos os menores de 18 anos. A título de exemplo, as crianças que utilizam o YouTube deixaram de ter acesso à funcionalidade de “reprodução automática”.

Perante este cenário, a responsável pela introdução das directrizes britânicas, Beeban Kidron, concluiu que o Reino Unido exerce uma influência significativa no mundo da internet.

 

Nova plataforma do Facebook apoia jornalismo comunitário

Mundo Galeria

O Facebook lançou o “Bulletin”, uma plataforma de notícias locais, que reúne 25 projectos de jornalismo comunitário, incluindo “newsletters” e “podcasts”.

Segundo afirmou Sara Scire num artigo publicado no “Nieman Lab”, estes projectos funcionam de forma independente, e ajudam a combater os “desertos noticiosos” nos Estados Unidos, que tem vindo a aumentar perante quebra acentuada no número de jornais locais em circulação.

Além disso, a rede social está a financiar estas iniciativas através de “uma quota de licenciamento”, cujo valor não foi revelado. Os jornalistas podem, igualmente, partilhar os seus conteúdos noutras plataformas, se assim o desejarem.

Graças a esta iniciativa, o “Bulletin” tem vindo a ser elogiado pelos seus colaboradores, que procuram chegar a novas audiências e gerar algumas receitas através das suas iniciativas de jornalismo comunitário.

Em entrevista para o “Nieman Lab”, o jornalista texano Louis Amestoy , responsável pela “newsletter” “ Kerr County Lead”, disse apreciar, particularmente, a liberdade criativa associada a este formato.

“Quando analisamos instituições com história, percebemos que essas instituições não podem fugir ao seu próprio legado. Estão a lidar com problemas de circulação, com problemas de impressão, com problemas que os distraem do verdadeiro propósito de jornalismo”, disse Amestoy. “Essa é a maior liberdade de que eu usufruo: não me preocupar com os diversos processos administrativos associados à redacção de um jornal”.

“El Mundo” tem nova redactora-chefe

Media Galeria

O Grupo de “media” Unidad Editorial nomeou a jornalista Ana Núñez-Milara para o cargo de redactora-chefe do título espanhol “El Mundo”.

Agora, Núñez-Milara ficará incumbida de estabelecer uma maior relação de proximidade entre o jornal e os seus leitores, através de histórias sobre a importância do papel da mulher na sociedade contemporânea.

“ O ‘El Mundo” apresenta-se como um meio influente, que pode promover uma visão alternativa da realidade, de forma a inspirar os nossos leitores”, começou por explicar Ana Núñez-Milara, citada pela Associação de Imprensa de Madrid.

““Há muito trabalho pela frente para demolir estereótipos , conquistar espaços e promover debates com perspectiva de género”, continuou aquela profissional, acrescentado que é “um orgulho e um privilégio assumir esta nova responsabilidade”.

Licenciada em jornalismo pela Universidade Carlos III de Madrid, Ana Núñez-Milara trabalhou como correspondente da Mediaset em Bruxelas, onde cobriu todas os principais eventos da Comunidade Europeia, desde as consequências da crise económica até o êxodo de Refugiados sírios para a Europa, assim como o processo do Brexit.

Em 2020 decidiu regressar a Espanha, para desempenhar o cargo de responsável pela direcção da Área de Audiovisual do jornal digital “Vozpópuli” .

Jornalista norte-americano continua detido no Myanmar

Mundo Galeria

A família do jornalista norte-americano Danny Fenster, detido pelo regime militar de Myanmar em Maio, apelou à libertação daquele profissional.

Fenster, que desempenhava funções de editor-executivo da revista “Frontier Myanmar”, está sob investigação, ao abrigo de uma lei que criminaliza a dissidência.

O jornalista foi detido quando tentava sair de Myanmar — para ir visitar a família — no aeroporto de Rangun, a 24 de Maio.

A mãe do jornalista explicou que, durante os últimos meses, teve pouco contacto com aquele colaborador dos “media”, apesar dos esforços da embaixada dos EUA para assegurar a sua libertação.

Já o irmão comentou que Danny não era “um activista nem um repórter”, mas sim “uma pessoa que estava sentada atrás de uma secretária”.

Até agora, os pedidos da embaixada norte-americana para estabelecer contacto presencial com o jornalista foram recusados. Ainda assim, o pai de Fenster afirmou estar optimista com as possibilidades da libertação do filho.

Pelouro financeiro da RTP

Breves

Após duas décadas na Sonaecom, onde supervisionava a análise e avaliação de projectos de investimento, Luísa Maria Coelho Ribeiro foi indigitada responsável pelo pelouro financeiro na administração da RTP.

Agora, aquela profissional integrará a administração da estação pública para o mandato 2021-2023 em substituição de Ana Dias, que renunciou no início do passado mês de Julho apontando “razões pessoais”, e que, entretanto assumiu o cargo de administradora executiva da Cofina Media.

Licenciada em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, Luísa Maria Coelho Ribeiro conta, igualmente, com diversas pós-graduações e com um mestrado em Finanças.

Homenagem a Francisco Balsemão em S. Bento com os "media" e a democracia em causa

Media Galeria

O jornalista, empresário e político Francisco Pinto Balsemão foi homenageado no Palácio de São Bento, por ocasião dos 40 anos da tomada de posse do VII Governo Constitucional.

Nesta cerimónia -- por onde passou Marcelo Rebelo de Sousa, estiveram presentes conselheiros de Estado, líderes partidários, membros do Governo e, também, o Presidente da Assembleia da República -- Pinto Balsemão recordou a importância da imprensa livre para a saúde das democracias.

Durante a sua intervenção, Pinto Balsemão alertou para o facto de que a “democracia que temos no presente” dificilmente será transposta para o futuro. "O que se nota [...] é uma falta de crença na representatividade do sistema, incluindo os partidos e as próprias eleições. Mas, até agora, não surge alternativa”, disse.

Perante este cenário, o fundador do Grupo Impresa considerou que os valores da “liberdade, igualdade e solidariedade”, bem como a “dimensão ética” são cada vez mais importantes.

"A corrupção está cada vez mais presente na avaliação do sistema. Uma corrupção que, em muitos casos, o próprio sistema oculta e até protege”, acrescentou.

Assim, o militante número um do PSD considerou que o papel dos “media” deverá ser mais valorizado, e que a sociedade deve focar-se em encontrar “novos caminhos” para a democracia.

Ainda no âmbito dos “media”, o actual primeiro-ministro, António Costa, recordou o contributo de Pinto Balsemão para a liberdade de imprensa em Portugal, com a criação de um jornal de referência ainda antes do 25 de Abril como é o Expresso” e do “primeiro canal privado de televisão”.

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O Clube


Recomeçamos. A pausa de agosto foi um tempo de análise e de reflexão sobre as delicadas circunstâncias que rodeiam e condicionam os media portugueses e as associações representativas do sector.
Enquanto as redacções encolhem e os jornais lutam pela sobrevivência, as grandes plataformas digitais tornam-se omnipresentes e absorvem a melhor publicidade.
Um estudo da ERC revela que dois terços dos inquiridos utiliza a internet, mas que, depois das televisões, as redes sociais aparecem já como fonte noticiosa preferencial, suplantando os jornais impressos.


A dificuldade da imprensa, com tiragens minguadas, influenciou a principal distribuidora de jornais e revistas no sentido de lançar uma taxa diária a cobrar aos quiosques e outros postos de venda.
Por agora, a cobrança está suspensa, no seguimento de uma providência cautelar aceite pelo tribunal, mas nada garante que o desfecho não venha a penalizar mais ainda a circulação da Imprensa.
A fragilidade das empresas de media agravou a sua dependência, e tornou-as gradualmente mais permeáveis aos desígnios do poder político.
Seja no audiovisual, seja nas publicações impressas, observa-se uma crescente uniformidade noticiosa, a par de uma actuação comprometida com as prioridades da agenda do Executivo.
Neste contexto, as associações do sector não têm a vida facilitada, quer pelo enfraquecimento do mecenato, quer pela apatia já antiga que se nota nos jornalistas no tocante ao associativismo.
Com 40 anos feitos de actividade ininterrupta, o Clube Português de Imprensa tem neste site uma forma de ligação privilegiada com associados e outros profissionais do sector, bem como com os estudantes dos cursos de jornalismo, apoiado em parcerias que são preciosas fontes complementares de informação e de análise.
Por aqui continuamos, com a consciência do desafio e do risco envolventes, e com a noção de partilha e de serviço que nos anima desde o início.


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Opinião
O impacto da pandemia no universo mediático está longe de encontrar-se esgotado, apesar das promessas de “libertação” da sociedade, ensaiadas por vários governos, entre os quais o português, em doses apreciáveis.O jornalismo tornou-se mais fechado, confirmando uma tendência que não é nova de os jornalistas recorrerem à Internet e às redes sociais como fonte predominante de informação.Os...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...