A digitalização dos “media” fez com que muitas publicações deixassem de publicar os seus conteúdos em formato impresso para se dedicarem às operações digitais. Esta transformação de “paisagem mediática” resultou, igualmente, no aparecimento de novas plataformas de conteúdo informativo.
Numa primeira fase, estes projectos conseguiam obter lucro através de “clicks” e de receitas publicitárias, mas, com a pandemia, este modelo de negócio deixou de ser considerado viável.
Com isto, algumas das iniciativas mais populares, como o “Buzzfeed” e a “Vice” foram obrigados a dispensar parte da sua equipa editorial, conforme concluiu a “Press Gazette”.
Aliás, o relatório sugere que, a nível internacional, apenas três destes projectos registaram crescimento, entre 2017 e 2020: o “Independent”, o “site” de tecnologia “TechNet” e o “Vox”.Perante este quadro, os “sites” estão a considerar adoptar novas formas para a obtenção de receitas, à semelhança do que tem vindo a acontecer em publicações jornalísticas conceituadas, como o “New York Times”, o “Washington Post”, entre outras.
Nos últimos meses, os “media” -- particularmente os locais -- têm sido monopolizados pela pandemia, deixando de focar-se noutros temas importantes para a sociedade. Contudo, isto não é, necessariamente, uma mudança negativa.
Quem o diz é a jornalista alemã Ulrike Schleicher que, em entrevista ao “Observatório da Imprensa” -- associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- reflectiu sobre as principais mudanças registadas no mundo jornalístico.
O trabalho de Schleicher inclui uma experiência internacional de quatro anos em Israel, onde viveu e contribuiu para os “media” alemães com informações sobre a vida local e as questões que envolvem a Faixa de Gaza.
Segundo recordou a jornalista, a liberdade da imprensa alemã registou o seu primeiro impulso com a queda do Muro de Berlim, que abriu um debate plural sobre questões políticas. A Alemanha passou a ser considerado um dos países mais liberais do Mundo e isso é espelhado na cobertura das crises étnicas e de refugiados.
“Em geral, ainda existe uma grande vontade de defender os direitos humanos. Cheguei a cobrir a vida difícil dos indígenas no Peru e muito mais. Tenho, contudo, a sensação de que a cobertura dos direitos humanos perdeu importância devido às mudanças climáticas. E, claro, em tempos de Coronavírus, tudo o resto ficou em segundo plano”, considerou.
Nos últimos anos, a falta de transparência do modelo de negócio dos “media” tem diminuído a confiança dos cidadãos no trabalho realizado pelos jornalistas.
Para solucionar esta questão, a presidente da Sociedade de Leitores do jornal “Monde”, Julia Cagé, sugeriu a criação de um fundo participativo, para promover a “reconquista democrática dos meios de comunicação social" .
Ou seja, Cagé defende que os jornalistas e os leitores devem participar no capital e na administração das empresas jornalísticas.
Com esta ideia em mente, aquela responsável criou uma nova associação, a Un Bout du Monde, que está, de momento, a angariar fundos, de forma a "contribuir para a defesa da independência do Grupo Le Monde".
A associação tem, assim, dois principais objectivos: desempenhar um papel na futura governação do Grupo; e apoiar jornalistas e outros colaboradores que gostariam de participar no capital dos seus meios de comunicação social. Além disso, a Un Bout du Monde quer conquistar um público mais jovem.
A associação Un Bout du Monde é integrada pela a Sociedade de Leitores e pelo Centro de Independência, que detém 25% do capital da empresa.
A Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) é a coordenadora nacional do projecto EDUMEDIATEST, que está a desenvolver uma ferramenta interactiva, para avaliar e melhorar a educação para os “media” em contexto europeu.
O projecto, que se enquadra no programa europeu ‘Literacia para os Media para Todos’, é co-financiado pela Comissão Europeia e decorre até Setembro de 2021 com o objectivo de “avaliar os graus de literacia mediática dos alunos, entre os 14 e os 18 anos, em sete países europeus, através dos respectivos reguladores do audiovisual e de organismos públicos da área da educação”.
“Numa segunda fase, serão criados materiais de ensino e apresentadas actividades de literacia para os ‘media’, que os professores poderão aplicar, a partir dos resultados das avaliações das suas turmas e das falhas a corrigir em cada grupo de alunos”.O Tribunal Superior Eleitoral brasileiro está a colaborar com nove agências de “fact-checking” para combater a desinformação sobre o sufrágio municipal, a decorrer, em duas fases, no mês de Novembro.
De acordo com o Instituto Poynter -- que coordena quatro destes projectos --, em apenas 48 horas, as empresas de verificação de factos detectaram 16 correntes de “fake news” sobre as eleições.
Ao todo, foram publicados 50 relatórios de desmistificação. A maioria dizia respeito aos sistema eletrónico de contagem de votos e a ataques pessoais a candidatos.
Ainda assim, estes dados representam um decréscimo no nível de desinformação, quando comparados com os resultados das eleições presidenciais de 2018.
O governo das Ilhas Salomão proibiu, por tempo indefinido, o uso da rede social Facebook, divulgou o jornal “Solomon Times”.
O ministro das Comunicações, Peter Agovaka, que apresentou a proposta, declarou, em entrevista àquele jornal, que a medida responde a “linguagem abusiva contra ministros e o primeiro-ministro”, bem como ameaças e possíveis problemas de difamação.
Apesar do bloqueio do Facebook, que tem cerca de 120 mil utilizadores nas Ilhas Salomão, o ministro garantiu aos “media” que respeitará a liberdade de imprensa.
A Amnistia Internacional criticou, publicamente, esta decisão, considerando que “banir uma rede social, simplesmente, porque os cidadãos estão a publicar comentários sobre as autoridades é um ataque aos direitos humanos. Proteger a sensibilidade dos membros do governo não é uma justificação plausível para limitar a liberdade de expressão, que é um direito previsto na Constituição do país”.
As Ilhas Salomão, que não possuem legislação para regular as redes sociais ou crimes cibernéticos, são um dos países que determinou a censura parcial ou total do Facebook, tal como a China, a Coreia do Norte, a Síria e o Irão.
As “teorias da conspiração” integram o “universo da desinformação”, que tem vindo a prosperar na era digital.
Estas histórias são, por norma, partilhadas nas redes sociais, e geram dúvidas sobre determinados temas, impulsionando a polarização da sociedade, bem como comportamentos potencialmente perigosos.
Perante este cenário, um grupo de especialistas da Universidade da Califórnia desenvolveu uma ferramenta que permite distinguir “teorias da conspiração” de conspirações verdadeiras, noticiou o “Nieman Lab”.
Para tal, os responsáveis começaram por traçar a origem deste tipo de desinformação, concluindo que é desenvolvida de forma colaborativa, em fóruns de discussão.
Com isto em mente, os especialistas criaram um mecanismo de Inteligência Artificial, que consegue separar algumas das “camadas” das “teorias da conspiração”: local de origem, os seus principais precursores, o tempo que demorou a formar-se, bem como algumas expressões recorrentes.
Através da recolha destes dados, a aplicação desenha, posteriormente, um gráfico -- composto por linhas e pontos -- que traça as ligações entre todas as vertentes e permite adivinhar as suas possíveis repercussões.
A cobertura mediática das eleições norte-americanas tem causado controvérsia um pouco por todo o mundo.
A título de exemplo, quase metade dos leitores do “site” noticioso “Press Gazette” consideraram o desempenho dos jornalistas foi “muito mau”.
A opinião negativa é partilhada pelo editor do “Columbia Journalism Review”, Kyle Pope, que criticou a “análise excessiva de sondagens” em detrimento de “reportagens no terreno”.
“Os jornalistas passaram demasiado tempo a comunicar entre si no Twitter”, acrescentou.
O professor de comunicação, W. Joseph Campbell, sustenta esta opinião, ao afirmar que, “a principal narrativa destas eleições baseou-se nas sondagens, que previram acontecimentos que não se verificaram”.
Por outro lado, a fundadora do Tow Center for Journalism, Emily Bell, considerou que a maioria das críticas tecidas aos “media” são “injustas”, já que os jornalistas fizeram um bom trabalho na contextualização dos dados. “Nenhum dos repórteres disse para os cidadãos confiarem nas previsões”, disse.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.