Quarta-feira, 22 de Setembro, 2021

  

As “newsletters”, a partilha de conteúdos, e a (in)dependência de jornalistas “freelancer”

Media Galeria

Nos últimos anos, a maioria dos “media” passou a ter uma relação de co-dependência com as redes sociais, que partilham os conteúdos noticiosos nas suas plataformas e, em troca, impulsionam o crescimento do número de leitores de determinados títulos, notou Lívia de Souza Vieira num artigo partilhado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Segundo recordou a autora, este fenómeno não foi bem recebido por alguns profissionais, que, procurando a independência relativamente a marcas jornalísticas e a grandes empresas tecnológicas, aproveitaram o panorama mediático digital para lançarem projectos a solo.

Um dos formatos preferidos por estes jornalistas foram as “newsletters”, que lhes permitiram escrever artigos sobre assuntos específicos, indo ao encontro de um mercado de “nicho”, e estabelecendo uma relação de maior proximidade com o seu público.

No entanto, este tipo de aposta fez-se acompanhar de algumas desvantagens que os jornalistas e a comunidade mediática não conseguiram prever.

A maioria destas iniciativas, recorda a autora, foi criada através da plataforma “Substack”, que permite o acesso a diversos recursos de edição e de captação de audiências. Além disso, este “site” não está sujeito a algoritmos, tornando-se apelativo para muitos profissionais, que desejavam ser conhecidos, apenas, pela qualidade do seu trabalho.

Ademais, além de possibilitar contribuições financeiras dos assinantes, tornando a remuneração dos jornalistas uma realidade, o “Substack” tem, também, o seu próprio programa de apoio pecuniário a criadores.

Numa fase inicial, esta plataforma atraiu centenas de utilizadores, convencidos de que as “newsletters” seriam a melhor aposta para o seu percurso profissional. Porém, com o passar do tempo, alguns profissionais começaram a comparar a “Substack” às redes sociais, já que a empresa nunca revelou os critérios de selecção para o seu programa especial de remuneração.

Jornalistas em dificuldade para cobrir processo de vacinação no Brasil

Media Galeria

Os profissionais dos “media” têm manifestado dificuldade em realizar a cobertura noticiosa do processo de vacinação no Brasil, devido à falta de transparência nos dados divulgados por fontes oficiais, afirmou o colectivo RedeComCiência num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com aquele colectivo, um dos principais problemas denunciados pelos jornalistas brasileiros consiste na divulgação preliminar de informações sobre a eficácia de determinadas vacinas, sem incluir alguns dados importantes, como o intervalo de confiança.

Assim, perante a ausência de “dados brutos” a imprensa fica impossibilitada de apresentar informações sobre eficácia global da vacina.

Outro exemplo citado pelos profissionais dos “media”, assinalou a RedeComCiência, é a dificuldade em estabelecer contacto com a comunidade científica, que, por vezes, concede a exclusividade de acesso aos seus estudos a uma determinada publicação.

Desta forma, as restantes publicações ficam sujeitas à análise publicada pelo título seleccionado pelos cientistas, sem terem a possibilidade de escrutinar o documento original, ou de apresentar um ponto de vista diferente sobre a mesma informação.

Além disso, notou aquele colectivo, os laboratórios brasileiros têm-se demonstrado pouco transparentes quanto ao processo de distribuição das vacinas no país.

“Jornal Económico" em novas versões no papel e no digital

Media Galeria

O “Jornal Económico" prepara-se para introduzir alterações ao seu modelo de negócio, com o objectivo de “melhorar a experiência dos leitores e reforçar a oferta editorial e comercial”, revelou a “Meios e Publicidade”.

As primeiras mudanças deverão ser apresentadas já em Setembro, com o jornal a chegar às bancas com um novo grafismo, da autoria de Mário Malhão, director de arte, e novos conteúdos, apostando em temas como sustentabilidade, cultura e “lifestyle”.

“O caderno ‘Et Cetera’, que passou a ter como editora a jornalista Ana Cáceres Monteiro , sofreu uma remodelação profunda, passando a ter mais espaço para entrevistas de vida e novos conteúdos de cultura, lazer e ‘lifestyle’”, revelou o director do título Filipe Alves, em entrevista à “Meios e Publicidade”. “ “O caderno tem ainda novos colaboradores, como o jornalista Fernando Sobral, que assina um espaço cultural denominado ‘Sociedade Recreativa’”.

No digital as alterações serão, também, apresentadas no mesmo mês, com o lançamento de uma edição diária.

“Mantivemos o espírito do jornal e os valores que estão presentes desde a sua fundação, mas passamos a dar mais destaque a algumas áreas onde sentimos que podemos criar valor para os nossos leitores”, disse o mesmo responsável, que acredita que estas alterações atrairão novas audiências.

HBO Max em Portugal

Breves

Inicialmente apontada para o segundo semestre deste ano, a evolução das plataformas de streaming da HBO na Europa para HBO Max só chegará ao mercado português em 2022, revelou a “Meios e Publicidade”.

De acordo com a mesma fonte, as características da plataforma, nomeadamente a oferta de conteúdos e os custos de subscrição, serão conhecidos no próximo mês de Outubro, estando previsto um evento de lançamento virtual para assinalar a chegada da HBO Max aos mercados europeus.

Com a chegada da HBO Max à Europa, a plataforma passará a funcionar em todos os mercados europeus, deixando de operar sob as marcas HBO Portugal, HBO España, HBO Nordic e HBO Go, cujos subscritores transitarão, automaticamente, para o novo serviço.

No mercado português, a subscrição do serviço de “streaming” da HBO tem, actualmente, um custo de 4,99 euros mensais.

Novo serviço de “streaming”

Breves

O mercado “on demand” português vai passar a contar com a plataforma de “streaming” rlaxx TV, que propõe um catálogo de conteúdos “premium” de nicho, abrangendo “desde desportos radicais a longas-metragens internacionais”.

No caso do mercado português, a oferta inclui canais como Televisa Novelas, Garaje TV, Animakids ou Conexionsurfing, a par de canais temáticos próprios, como rlaxx Nature, rlaxx Documentaries ou rlaxx True Crime.

Os interessados podem aceder ao serviço através de uma “app”, com recurso a dispositivos de “streaming”, consolas ou Smart TV.

Novo membro do CGI da RTP ouvido no Parlamento

Media Galeria

De forma a assegurarem um serviço público de qualidade, os colaboradores da RTP devem ter “condições de vida estabilizadas”, defendeu Ana Martins de Carvalho, que foi indigitada para o Conselho Geral Independente (CGI) da RTP.

“Os trabalhadores da RTP devem ser valorizados, devem ser eliminadas as situações de precariedade, devem ter salários e carreiras actualizadas, não devem existir desigualdades salariais entre homens e mulheres e devem ter ao seu dispor meios dignos e funcionais“, adiantou aquela responsável, em audição no parlamento, na Comissão de Cultura e Comunicação.

“Ninguém deve exercer um serviço público em condições menos dignas e sem condições de vida estabilizadas”, defendeu, acrescentando que “não é possível exigir um serviço público de qualidade quando os trabalhadores não são tratados com a mesma qualidade”.

Na mesma audição, Ana Martins de Carvalho considerou que a RTP “deve servir como garantia” de confiança e exemplo “para elevar os níveis de exigência e ética”.

Aquela responsável apelou, ainda, para que seja feita uma clara distinção entre os comentários e as notícias, alertando, igualmente, para o novo paradigma mediático e novos hábitos de consumo, que dependem, sobretudo, das redes sociais.

"Stress" profissional dos jornalistas agravado pela pandemia

Media Galeria

Os jornalistas são dos profissionais com maior propensão a desenvolver problemas do foro psicológico, devido às condições de trabalho a que estão sujeitos, à falta de motivação para completar tarefas e à exposição a situações traumáticas, explicou María Miret García num artigo publicado nos “Cuardernos de Periodistas”, editados pela APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Para chegar a esta conclusão, García analisou diversos artigos sobre o esgotamento emocional de jornalistas, incluindo uma investigação sobre “conflitos de valor, falta de recompensas e sentido de comunidade” desenvolvida pelo Departamento de Psicologia e Sociologia da Universidade de Saragoça, que contou com testemunhos de três mil jornalistas.

Neste estudo, os investigadores dão conta de que, em 2019, cerca de 69,9% dos inquiridos disseram ter sofrido níveis de “stress” baixos ou moderados, enquanto 27,4% experienciaram “stress” elevado ou “muito elevado”. Além disso, 53,3% não sentiam que estavam a desempenhar eficazmente o seu trabalho; 44,4% sofriam de exaustão emocional; 19,1% de despersonalização; e quase 18% de esgotamento profissional.

Tudo isto, diz outro estudo, foi agravado pelo período pandémico. Neste âmbito , mais de 80% dos jornalistas entrevistados pelo Centro Internacional de Jornalistas dizem ter registado uma deterioração significativa da sua saúde mental.

Este fenómeno, explica García, pode ser explicado através de um simples elemento: falta de motivação.

Isto porque, afirma autora, enquanto podemos argumentar que os médicos e os enfermeiros registaram grandes níveis de “stress” no contexto pandémico, sabemos, também, que estas classes profissionais continuam a receber incentivos, tanto pecuniários como emocionais, já que estavam a contribuir para um “bem maior”.

Visapress denuncia pirataria de jornais e revistas

Media Galeria

Os “media” portugueses registaram, em Agosto, perdas potenciais superiores a 3,5 milhões de euros, devido à partilha ilegal de jornais e revistas em redes sociais, concluiu uma análise da Visapress.

Graças a este estudo, "foi também possível perceber que em média, por dia, são partilhadas [nas redes sociais] 88 publicações".

Além disso, acrescenta o relatório, o Estado foi lesado em mais de 200 mil euros em imposto de valor acrescentado (IVA) que não foi arrecadado, no mesmo mês, devido à partilha ilegal de conteúdos na internet.

Perante este cenário, a Visapress garantiu estar "comprometida" com o combate à partilha de jornais e revistas de forma ilegal, lembrando que se trata de um crime.

"A velocidade do digital e do modelo jurídico vigente tardam em estar adequados", afirmou o diretor executivo da Visapress, Carlos Eugénio, lembrando que "foi interposta uma Providência Cautelar contra o Telegram em Novembro de 2020, e que é imprescindível que o Projecto-Lei (...) para combate à pirataria, que está neste momento a ser discutido na especialidade na Assembleia da República, suba a plenário para votação final".

"A Visapress desafia o Governo a rapidamente assumir um compromisso pela liberdade de imprensa através da criação de leis que permitam o combate à pirataria e partilha de conteúdos editoriais, em particular nas redes sociais", sublinhou a mesma entidade.

« ... 3  4  5  6  7  8  9  10  11  ... »
  
PESQUISA AVANÇADA
PESQUISAR POR DATA
PESQUISAR POR CATEGORIA
PESQUISAR POR PALAVRA-CHAVE

O Clube


Recomeçamos. A pausa de agosto foi um tempo de análise e de reflexão sobre as delicadas circunstâncias que rodeiam e condicionam os media portugueses e as associações representativas do sector.
Enquanto as redacções encolhem e os jornais lutam pela sobrevivência, as grandes plataformas digitais tornam-se omnipresentes e absorvem a melhor publicidade.
Um estudo da ERC revela que dois terços dos inquiridos utiliza a internet, mas que, depois das televisões, as redes sociais aparecem já como fonte noticiosa preferencial, suplantando os jornais impressos.


A dificuldade da imprensa, com tiragens minguadas, influenciou a principal distribuidora de jornais e revistas no sentido de lançar uma taxa diária a cobrar aos quiosques e outros postos de venda.
Por agora, a cobrança está suspensa, no seguimento de uma providência cautelar aceite pelo tribunal, mas nada garante que o desfecho não venha a penalizar mais ainda a circulação da Imprensa.
A fragilidade das empresas de media agravou a sua dependência, e tornou-as gradualmente mais permeáveis aos desígnios do poder político.
Seja no audiovisual, seja nas publicações impressas, observa-se uma crescente uniformidade noticiosa, a par de uma actuação comprometida com as prioridades da agenda do Executivo.
Neste contexto, as associações do sector não têm a vida facilitada, quer pelo enfraquecimento do mecenato, quer pela apatia já antiga que se nota nos jornalistas no tocante ao associativismo.
Com 40 anos feitos de actividade ininterrupta, o Clube Português de Imprensa tem neste site uma forma de ligação privilegiada com associados e outros profissionais do sector, bem como com os estudantes dos cursos de jornalismo, apoiado em parcerias que são preciosas fontes complementares de informação e de análise.
Por aqui continuamos, com a consciência do desafio e do risco envolventes, e com a noção de partilha e de serviço que nos anima desde o início.


ver mais >
Opinião
O impacto da pandemia no universo mediático está longe de encontrar-se esgotado, apesar das promessas de “libertação” da sociedade, ensaiadas por vários governos, entre os quais o português, em doses apreciáveis.O jornalismo tornou-se mais fechado, confirmando uma tendência que não é nova de os jornalistas recorrerem à Internet e às redes sociais como fonte predominante de informação.Os...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...