null, 7 de Março, 2021

  

Jornalista inglês forçado a deixar Moçambique

Mundo Galeria

O jornalista britânico Tom Bowker, que edita o portal “Zitamar”, abandonou Moçambique, depois de um despacho assinado pelo ministro do Interior, Amade Miquidade, ter ditado a sua expulsão.

Ficou estabelecido, da mesma forma, que aquele profissional não poderá entrar em Moçambique durante os próximos dez anos.

Em declarações aos jornalistas, à entrada do Aeroporto Internacional de Maputo, Bowker revelou, contudo, que vai tentar reverter esta decisão, por via legal.

Recorde-se que a primeira ordem de expulsão de Bowker foi comunicada por via oral, nas instalações do Serviço Nacional de Migração (Senami),

Mais tarde, esta decisão foi reforçada por um despacho assinado pelo ministro do Interior, Amade Miquidade.

De acordo com Bowker, na sua decisão, o ministro do Interior citou os argumentos apresentados pelo Gabinete de Informação (Gabinfo) -- entidade estatal que superintende os “media” -- que invocou irregularidades na documentação do jornalista, acrescentando que, do ponto de vista de registo documental, o portal “Zitamar” “é inexistente, tanto em Inglaterra, como em Moçambique”.

Jornalista franceses invocam cláusula de consciência e demitem-se

Media Galeria

Pelo menos onze jornalistas vão abandonar as revistas “Rustica” e “Système D”, invocando o direito à cláusula de consciência, por estarem preocupados com a independência dos títulos, ambos publicados pelo Grupo Rustica SA PGV Maison.

“Podemos não ser um jornal de investigação, mas informamos os nossos leitores com honestidade", disse, em declarações ao “Le Monde”, David Fouillé, chefe editorial da “Rustica”.

“Há anos que produzimos conteúdo publicitário", admite, por outro lado, um colaborador da “Système D”. “Mas [esta actividade] tem sido separada da editorial. Receamos que isto mude no futuro”.

Contudo, a directora executiva do Grupo, Caroline Thomas, garante que os jornalistas não entenderam o novo conjunto de medidas, que deverá vigorar entre 2021 e 2023, e que a qualidade editorial dos títulos nunca seria prejudicada.

Ainda assim, os jornalistas esperam que esta decisão possa alertar o ministério da Cultura para o actual panorama dos “media” franceses.

Agência Lusa defronta-se com situação financeira delicada

Media Galeria

A agência Lusa encontra-se numa situação financeira delicada, já que a empresa só tem “tesouraria para um mês e meio”.

Quem o diz é Joaquim Carreira, responsável pelas áreas de suporte, que, numa reunião entre a comissão de trabalhadores e a administração, em 21 de Janeiro, admitiu que a agência aguarda, agora, que o ministério das Finanças, liderado por João Leão, apresente uma solução, “o mais rapidamente possível”

Perante este cenário -- continuou Carreira -- a agência só deverá ter condições para funcionar até ao final de Fevereiro.

Segundo noticiou o jornal “Observador”, a situação financeira da Agência Lusa foi um dos pontos mais debatidos naquela reunião entre colaboradores, direcção e administração.

O presidente do conselho de administração, Nicolau Santos, adiantou,
à época, que a Lusa “ainda não tinha (...) recebido qualquer verba referente aos 1,5 milhões de euros aprovados pelo Parlamento, em acréscimo ao orçamentado para 2020”.

Após esta reunião, o Governo acabaria, contudo, por transferir parte da verba, mais concretamente 604 mil euros.

No entanto, mesmo com este montante “a situação de tesouraria não é fácil”.

Jornalistas ruandeses utilizam YouTube para contornar censura

Media Galeria


No Ruanda, os jornalistas estão a começar a utilizar o YouTube para debaterem sobre temas políticos e para informarem a população sobre a pandemia, noticiou o jornal “Le Monde”.

De acordo com o jornal, isto está a acontecer porque os “media” controlados pelo Estado, ou pró-estatais, não permitem que os profissionais abordem determinados temas, considerados prejudiciais para o funcionamento do governo.

Um dos primeiros jornalistas a aderir a esta tendência foi Etienne Gatanazi, que criou o seu canal por considerar que não existia foco informativo nas redes sociais no Ruanda.

Como tal, lançou o “Real Talk” e começou a convidar figuras de todo o espectro político, como forma de garantir o pluralismo e a liberdade de expressão.

Contudo, as autoridades estão, agora, a perseguir alguns dos jornalistas que começaram a reportar através do YouTube, acusando-os de partilhar a ideologia genocida.

Além disso, a Comissão Ruandesa dos Meios de Comunicação Social, que actua como organismo regulador, convidou, recentemente, os canais do YouTube a registarem-se enquanto “media” tradicionais

A medida foi, rapidamente, abandonada face à polémica que gerou nas redes.

ERC recomenda rigor informativo ao “Correio da Manhã”

Media Galeria

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) recomendou ao “Correio da Manhã” que adoptasse “ mecanismos internos de controlo do trabalho jornalístico“, na sequência de uma queixa apresentada pela Pluris Investments, do empresário Mário Ferreira.

Esta deliberação foi emitida em 28 de Janeiro, contando com a abstenção do vice-presidente do Conselho Regulador da ERC, Mário Mesquita, que justificou a posição “por entender que deveria ter sido encarada a possibilidade de um procedimento contraordenatório, por não estar em causa apenas o rigor informativo, mas uma tentativa de condicionar, de forma enviesada, a actividade regulatória da ERC”.

Recorde-se que Mário Ferreira, accionista e presidente da Media Capital, tinha apresentado uma queixa contra o “Correio da Manhã”, a propósito de dois artigos publicados em 28 de Setembro, sobre a sua intervenção naquela empresa de “media”.

Neste contexto, o Conselho Regulador deliberou que o “Correio da Manhã” não cumpriu regras básicas do exercício jornalístico, como “a rejeição do sensacionalismo, a separação entre factos e opiniões, a auscultação das partes com interesses atendíveis no caso, a abstenção de formulação de acusações com base em meras suspeições e a identificação de fontes de informação”.

O regulador dos “media” decidiu, por isso, “recomendar ao ‘Correio da Manhã’ a adopção de mecanismos internos de controlo do trabalho jornalístico, de modo a garantir a prevalência do rigor informativo na sua produção noticiosa” e a respeitar o “artigo 3.º da Lei de Imprensa e o artigo 14.º do Estatuto do Jornalista, assim como as normas que regem o exercício da profissão”.

TVI liderou audiências "online" em Janeiro

Media Galeria

No arranque de 2021, a TVI estabeleceu-se como líder de audiências “online”, ao registar um “reach” multiplataforma de três milhões e 932 mil leitores, revelou o mais recente relatório da NetAudience, auditado pela Marktest.

Desta forma, a TVI ultrapassou o “Correio da Manhã”, que se manteve em primeiro lugar entre Agosto e Dezembro do ano passado. O diário da Cofina registou, agora, um “reach” de 3,71 milhões.

A encerrar o top 3 surge agora a SIC, com uma audiência de 3,09 milhões.

A Marktest sublinha, contudo, que estes resultados foram influenciados pela ausência do “Jornal de Notícias” -- bem como dos restantes títulos da Global Media -- e da Mundo Sapo, que deixaram de ser auditados no final de 2020.

Assim, na análise entre os títulos generalistas, o segundo lugar passa a ser ocupado pelo “Expresso”, título que, no “ranking” geral, se encontra agora na quarta posição, ultrapassando a “Flash”.

O “Record” segue, por sua vez, na liderança no segmento desportivo com um “reach” próximo de 1,4 milhões.

Entre as estações de televisão, à primeira e terceira posições alcançadas pelos dois canais privados, segue-se, na sexta posição do “ranking” geral, a RTP.

Hungria e Polónia condicionam imprensa independente

Media Galeria

A liberdade de imprensa está a degradar-se, inexoravelmente, na Hungria e na Polónia, devido às medidas restritivas impostas pelos respectivos governos, recordou, num texto editorial, o jornal “ Le Monde”.

O jornal recorda, neste sentido, que, no caso húngaro, a Klubradio, a principal estação de rádio privada independente, conhecida por criticar o governo, perdeu a licença de emissão, depois de o seu recurso ter sido rejeitado em Tribunal.

Entretanto, na Polónia, os “media” privados entraram em “blackout”, como forma de alertar para os perigos do fim do jornalismo independente.

A medida foi impulsionada por uma proposta-lei apresentada pelo governo polaco, que pretende aumentar os impostos sobre as receitas de publicidade dos “media” independentes.

Posto isto, o “Monde” argumenta que, tanto a Polónia como a Hungria estão a utilizar o mesmo método para enfraquecer, gradualmente, o pluralismo da imprensa: retirar a publicidade constitucional de todos os “media” independentes, controlar a radiodifusão pública, e fechar ou comprar as últimas empresas privadas.

Aquele jornal francês recordou,ainda, que, em ambos os países, os líderes Viktor Orban e Jaroslaw Kaczynski afirmam que a sua política tem como objectivo "reequilibrar" o tratamento mediático, o que tem significado, por exemplo, a redução do “tempo de antena” para a oposição política.

China retalia e cancela licença à BBC World News

Media Galeria

A BBC World News foi banida da China, depois de o Ofcom não ter renovado a licença de emissão ao canal CGTN, ao concluir que o controlo editorial do canal era exercido pelo Governo de Pequim.

Num comunicado oficial, a Administração Chinesa para a Rádio e Televisão -- responsável pela regulação dos “media” -- afirmou que a decisão foi motivada pelo facto de a BBC World News ter violado os interesses nacionais chineses, bem como os valores de solidariedade étnica.

Nas últimas semanas, o governo de Pequim tinha vindo a criticar as reportagens da BBC, que abordavam temas como abuso sexual e trabalho forçado.

“Já que o canal não está a cumprir as normas necessárias para emitir na China, a BBC World News vai perder a sua licença”, afirmou, em comunicado, a entidade reguladora.

Por sua vez, a BBC lamentou a decisão de Pequim, recordando que o seu jornalismo é reconhecido, mundialmente, pela imparcialidade e isenção.

Já o secretário britânico de negócios estrangeiros, Dominic Raab, afirmou que esta foi uma “acção contra a liberdade dos ‘media’”, que irá “prejudicar a reputação da China aos olhos do Mundo”.

« ... 2  3  4  5  6  7  8  9  10  ... »
  
PESQUISA AVANÇADA
PESQUISAR POR DATA
PESQUISAR POR CATEGORIA
PESQUISAR POR PALAVRA-CHAVE

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


ver mais >
Opinião
Limites da liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
Na internet não deve continuar a prevalecer a lei da selva. O que não é um apelo à censura, muito menos se ela for praticada pelos gestores das empresas tecnológicas. Cabe à política, e não às empresas, assegurar o bem comum. Quem escreve na internet deverá sujeitar-se às condições jurídicas que não permitam atos que são considerados crimes nos media tradicionais.Não há...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Notas breves
José Leite Pereira
1 - Assistir a entrevistas na televisão tornou-se um ato penoso. As entrevistas fizeram-se para que alguém possa transmitir a terceiros o que entende dever ser transmitido. Ao jornalista cabe o papel de intermediário e intérprete do que julga ser a curiosidade do público. A entrevista é um ato de esclarecimento. Diferente de um texto de opinião ou de uma comunicação pura e simples exatamente por causa da presença do...