Quarta-feira, 22 de Setembro, 2021

  

Prémio de Jornalismo

Breves

A Associação Elche Informators (AEI) anunciou o lançamento do Prémio Vicente Verdú de Jornalismo e Inovação, que visa reconhecer e incentivar a criação de novos modelos informativos.

Podem candidatar-se jornalistas portugueses que colaborem com “media” espanhóis, e que tenham publicado peças originais, apresentadas de forma inovadora.

O vencedor receberá um prémio pecuniário de seis mil euros.

Os interessados deverão submeter a sua candidatura até 29 de Outubro.

"Streaming" britânico gera novas oportunidades

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As produtoras televisivas inglesas planeiam criar 30 mil novos postos de emprego e dar formação a 10 mil profissionais, em resposta ao actual interesse do público internacional em consumir séries britânicas através de plataformas de “streaming”.

De acordo com o produtor Tim Bevan este é um cenário sem precedentes no Reino Unido, onde, por norma, não há qualquer investimento na formação especializada de novos colaboradores para o sector do entretenimento.

“Está a ser muito difícil encontrar novas pessoas, que estejam disponíveis para trabalhar em produções”, disse Bevan, em entrevista para o jornal “Guardian”.

Por isso mesmo, a Netflix UK quer “abrir a porta a potenciais colaboradores, e apoiá-los”, de forma a tornar-se o estúdio que “oferece mais oportunidades de formação no país”, com o objectivo de “diversificar a indústria”, garantiu Alison Small, responsável pelas acções de educação profissional daquela empresa.

Além disso, outras produtoras estão a contratar colaboradores “freelancer”, oferecendo-lhes melhores condições laborais, para que estes trabalhem em todos os projectos dos estúdios.

O “turbo-capitalismo” da informação como nova realidade mediática na era digital

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A era digital tem vindo a demonstrar-se prejudicial para o jornalismo, já que tem impulsionado um modelo híbrido da imprensa, que mistura conteúdos noticiosos, com entretenimento e informações não verificadas, denunciou Miguel Ormaetxea num artigo publicado no “site” “Media-tics”.

De acordo com Ormaetxea, esta realidade é uma consequência do “turbo-capitalismo da informação”, que leva os empresários a darem prioridade à quantidade, em detrimento da qualidade do conteúdo partilhado, resultando, consequentemente, numa “infodemia”.

Além disso, recordou o autor, alguns estudos académicos verificaram que os jornais que mais partilham desinformação são, também, aqueles que registam os melhores resultados financeiros.

Com isto, os responsáveis por pequenas empresas jornalísticas, podem sentir-se impelidos a optar pelo mesmo modelo de negócio, continuando a reforçar as vagas de “fake news” nas redes sociais.

Restam, por outro lado, algumas fontes jornalísticas de confiança, que, graças à sua posição no mercado, continuam a apostar em conteúdo de qualidade e na melhoria das reportagens analíticas e dos artigos multiplataforma.

No entanto, acrescenta Ormaetxea, a aposta em conteúdos de qualidade é quase um “luxo” no actual panorama mediático, exclusivo de alguns grandes Grupos de comunicação.

A credibilidade dos "media" afectada por manobras políticas

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As empresas de comunicação e os jornalistas estão a enfrentar um complexo dilema profissional e corporativo, provocado pela utilização da
estratégia da dúvida informativa, um recurso comum a grupos políticos, que procuram reforçar o seu poder na sociedade contemporânea.

Segundo notou Carlos Castilho num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria, apesar de a incerteza ser uma estratégia popular há várias décadas, a internet veio torná-la mais sofisticada, minando a credibilidade de personalidades e instituições.

Além disso, esta manobra constitui, também, uma ameaça para a credibilidade dos “media”, obrigando os profissionais a escolher entre compactuar com as manobras políticas -- ficando em falta para com os cidadãos -- ou desmistificar as “semi-verdades” -- correndo o risco de serem acusados de parcialidade e partidarismo.

Segundo recordou o autor, este fenómeno está, agora, a ser analisado por diversos especialistas em comunicação política, que concluíram que tudo começa com a partilha de uma “suspeita inicial”, às quais se vão acrescentando novas afirmações, levando os consumidores de informação a questionar as suas próprias convicções.

O esquema, ressalva Castilho, é particularmente eficaz quando jornais, revistas, noticiários radiofónicos e telejornais transmitem conteúdos supostamente noticiosos, gerados pelos promotores da dúvida.
Contudo, a recente consciencialização dos jornalistas, promovida pela análise de especialistas, obrigou as publicações a verificarem a fiabilidade e o contexto de todas as suspeitas partilhadas contra personalidades, instituições e órgãos governamentais.

“Le Monde” interage com leitores através de “chat”

Media Galeria

O “Monde” voltou a responder às questões dos seus leitores, através de um “chat” criado para estabelecer contacto entre a redacção e os consumidores do jornal.

Na sexta edição desta iniciativa, que decorreu na primeira terça-feira de Setembro, o vice-director do Departamento de Relação com os Leitores, Gilles van Kote, respondeu a dúvidas sobre a cobertura das eleições presidenciais francesas de 2022, sobre os “live blogs” informativos e sobre os critérios de selecção dos artigos “premium”.

Kote começou por responder a uma questão relativa às eleições presidenciais de 2022, esclarecendo que, tal como tem vindo a acontecer ao longo dos últimos anos, o jornal decidiu não favorecer nenhum candidato.

“A nossa preocupação é cobrir a eleição presidencial da melhor maneira possível, do ponto de vista jornalístico. Caberá aos nossos leitores formar uma opinião, pelo que não tentaremos impor qualquer ideologia”, garantiu aquele responsável.

Kote respondeu, igualmente, a uma questão sobre os “live blogs” informativos, que passaram a ser um formato comum em contexto de pandemia, mas cuja relevância noticiosa foi posta em causa por um leitor do jornal.

Neste âmbito, Kote recordou que os “lives” surgiram, pela primeira vez, em Janeiro de 2010, com o objectivo de seguir as consequências do terramoto no Haiti.

Desde então, prosseguiu aquele responsável, o “Monde” opta por este formato sempre que os desenvolvimentos de um determinado evento possam interessar ao público em geral, incluindo os cidadãos que, por norma, não consomem artigos informativos.

 

Jornalista Isabel Lucas distinguida com prémio Vicente Jorge Silva

Media Galeria

A jornalista Isabel Lucas foi a grande vencedora da primeira edição do Prémio Jornalismo de Excelência Vicente Jorge Silva, recebendo uma bolsa de cinco mil euros, graças à reportagem “Estados Unidos da América, crónica de uma (des)união”.

Neste trabalho, publicado em Outubro de 2020 – poucas semanas antes das últimas eleições presidenciais norte-americanas –, Isabel Lucas reflectiu sobre os conflitos internos que atravessam os Estados Unidos, e que fomentam a desunião entre os habitantes do país.

Além da distinção deste trabalho, foram ainda atribuídas menções honrosas a duas outras peças jornalísticas. A reportagem “Voltar a Andar”, da autoria de Raquel Monteiro e Tiago Miranda, foi uma das distinguidas. A segunda foi o trabalho de investigação desenvolvido por Micael Pereira e Luís Garriapa com a peça “Luanda Leaks. Como Isabel dos Santos desviou mais de 100 milhões de dólares da Sonangol para o Dubai”.

Este prémio homenageia o primeiro director do “Público”, Vicente Jorge Silva, tendo sido criado no dia em que foi conhecida a morte do jornalista, a 8 de Setembro de 2020.

O júri permanente deste concurso é composto pelo actual director do “Público”, Manuel Carvalho, pelo director do “Expresso”, João Vieira Pereira, e pelo administrador da RTP, Nicolau Santos. As duas personalidades convidadas para integrar o júri nesta primeira edição foram Teresa de Sousa, jornalista do “Público”, e Daniela Santo, jornalista reformada da RDP Madeira.

A cerimónia de entrega do prémio está agendada para dia 15 de Setembro, pelas 18h, na Sociedade Portuguesa de Autores. O evento será, também, emitido “online”.

 

“NYT” utiliza comentários dos leitores para melhorar jornalismo

Media Galeria

O “New York Times” tem desenvolvido estratégias para impulsionar a participação dos seus leitores na caixa de comentários dos seus artigos, como forma de melhorar os conteúdos partilhados, e incentivar o debate, segundo noticiou o “site” “Laboratorio de Periodismo”.

De acordo com o “Laboratorio de Periodismo”, as caixas de comentários são uma das ferramentas mais apreciadas pelos leitores no “New York Times”; que se mostram interessados em conhecer os pontos de vista de outros cidadãos.

Além disso, notaram os autores do artigo, este tipo de participação ajuda os jornalistas a perceber as exigências dos consumidores de informação, permitindo, também, recolher testemunhos de cidadãos que estiveram directamente envolvidos em eventos de interesse público.

A título de exemplo, no âmbito de um artigo sobre a separação de famílias devido à pandemia de coronavírus, vários foram os leitores que aproveitaram a caixa de comentários para partilhar as suas próprias experiências.

Estes testemunhos foram, mais tarde, recolhidos pelos jornalistas do “NYT”, e utilizados, com o consentimento dos respectivos autores, para produzir uma nova reportagem, focada na realidade de cidadãos de todas as partes do mundo.

Produção de entretenimento na TV britânica afectada pela pandemia

Mundo Galeria

No ano passado, as principais emissoras britânicas foram forçadas a fazer cortes nos orçamentos dedicados a programas de entretenimento, registando o investimento mais baixo na última década.

Além disso, perante a situação pandémica, os canais optaram por adiar a produção de novos episódios de algumas das séries televisivas mais reconhecidas no Reino Unido, tais como “Peaky Blinders” e “Line of Duty”, ambas emitidas pela BBC.

Ao todo, o orçamento dedicado aos programas de entretenimento sofreu um corte de, aproximadamente, 10%.

Por outro lado, as empresas de “streaming” conseguiram impulsionar o lançamento de novos programas, graças ao crescimento do número de subscritores, em contexto de confinamento.

No caso da Netflix, registou-se um crescimento de 6% no orçamento dedicado à gravação de séries britânicas, tais como “The Crown”.

Ainda assim, a maioria das produtoras independentes do Reino Unido registou uma quebra nas suas receitas anuais, atingindo os valores mais baixos desde 2017.

 

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O Clube


Recomeçamos. A pausa de agosto foi um tempo de análise e de reflexão sobre as delicadas circunstâncias que rodeiam e condicionam os media portugueses e as associações representativas do sector.
Enquanto as redacções encolhem e os jornais lutam pela sobrevivência, as grandes plataformas digitais tornam-se omnipresentes e absorvem a melhor publicidade.
Um estudo da ERC revela que dois terços dos inquiridos utiliza a internet, mas que, depois das televisões, as redes sociais aparecem já como fonte noticiosa preferencial, suplantando os jornais impressos.


A dificuldade da imprensa, com tiragens minguadas, influenciou a principal distribuidora de jornais e revistas no sentido de lançar uma taxa diária a cobrar aos quiosques e outros postos de venda.
Por agora, a cobrança está suspensa, no seguimento de uma providência cautelar aceite pelo tribunal, mas nada garante que o desfecho não venha a penalizar mais ainda a circulação da Imprensa.
A fragilidade das empresas de media agravou a sua dependência, e tornou-as gradualmente mais permeáveis aos desígnios do poder político.
Seja no audiovisual, seja nas publicações impressas, observa-se uma crescente uniformidade noticiosa, a par de uma actuação comprometida com as prioridades da agenda do Executivo.
Neste contexto, as associações do sector não têm a vida facilitada, quer pelo enfraquecimento do mecenato, quer pela apatia já antiga que se nota nos jornalistas no tocante ao associativismo.
Com 40 anos feitos de actividade ininterrupta, o Clube Português de Imprensa tem neste site uma forma de ligação privilegiada com associados e outros profissionais do sector, bem como com os estudantes dos cursos de jornalismo, apoiado em parcerias que são preciosas fontes complementares de informação e de análise.
Por aqui continuamos, com a consciência do desafio e do risco envolventes, e com a noção de partilha e de serviço que nos anima desde o início.


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Opinião
O impacto da pandemia no universo mediático está longe de encontrar-se esgotado, apesar das promessas de “libertação” da sociedade, ensaiadas por vários governos, entre os quais o português, em doses apreciáveis.O jornalismo tornou-se mais fechado, confirmando uma tendência que não é nova de os jornalistas recorrerem à Internet e às redes sociais como fonte predominante de informação.Os...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...