Habituei-me muito cedo a admirar em Helena Vaz da Silva um talento raro e multifacetado – no Jornalismo, na Cultura, na Política. Em tudo em que se envolvia, fazia-o com um entusiasmo transbordante, uma energia inesgotável, uma alegria única, num sorriso aberto de quem respirava optimismo e gostava de comunicar e interagir com os outros, retirando da vida o melhor que esta pudesse oferecer-lhe .
A sua casa na Calçada do Combro era um estuário – e um porto de abrigo - para onde convergiam intelectuais, artistas, escritores, gente carregada de ideias e de utopias, que a Helena e o Alberto recebiam de porta aberta, como se fossem família. E eram.
O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído este ano a Eduardo Lourenço e ao cartoonista Plantu, será entregue no próximo dia 10 de Outubro no decorrer de uma cerimónia solene na Fundação Calouste Gulbenkian presidida por Marcelo Rebelo de Sousa. Este prémio é instituído pelo CNC – Centro Nacional de Cultura em parceria com o Clube Português de Imprensa e em cooperação com a a Europa Nostra, desde 2013.
O Prémio homenageia Eduardo Lourenço, especialista da alma e do imaginário português, memória viva da cultura portuguesa de que é um dos maiores historiadores e um dos seus criadores mais fecundos, e com obra traduzida numa dezena de línguas, e distingue também Plantu pelo seu contributo, através do desenho, da ironia e da emoção, para a promoção dos valores europeus, da tolerância e da paz.
O associativismo dos jornalistas é fraco. É uma queixa recorrente das instituições que lutam contra essa apatia, que a mudança geracional não alterou. A precariedade do emprego também não contribui para o convívio fora das redacções.
Houve uma significativa substituição de profissionais nas últimas duas décadas, com a saída prematura de muitos. Mas o rejuvenescimento dos quadros editoriais, se trouxe frescura aos media, também os privou de uma memória fundamental.
Um dos ensinamentos que resistiu até hoje na grande imprensa anglo-saxónica foi a preservação de um mix intergeracional, combinando a experiência com a determinação natural de inovar.
Este site acompanha a tendência da época e vai de férias durante o mês de Agosto, reaparecendo a 29, com regularidade, sem prejuízo de actualizações pontuais que vierem a revelar-se necessárias.
Lançado em Novembro do ano passado, o site do Clube Português de Imprensa procurou, desde o inicio, não ser apenas um espaço institucional reservado às actividades do Clube, mas alargar o seu âmbito e oferecer aos visitantes, jornalistas ou não, uma informação objectiva sobre os media e uma opinião sustentada sobre o jornalismo e os acontecimentos que são a sua razão de ser.
Em menos de um ano, este site do Clube Português de Imprensa tem granjeado, de uma forma consistente, mais visitantes, mais páginas lidas, mais tempo de permanência em cada contacto. É uma realidade que nos reconforta.
Este espaço não se limita a fazer eco das actividades prosseguidas pelo Clube, numa lógica puramente institucional. Vai mais longe. Quer ser um ponto de encontro para uma reflexão sobre os grandes temas que ilustram hoje as preocupações de quem acompanha de perto os media, escritos ou audiovisuais, sejam jornalistas, estudantes ou académicos empenhados nas Ciências de Comunicação.
Está confirmado para 28 de Junho o próximo jantar-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, subordinado ao tema “Que Portugal queremos ser, que Portugal vamos ter?, tendo o historiador Rui Ramos como orador convidado.
Polémico e frontal, é um dos mais activos protagonistas de uma nova geração que se tem afirmado pela qualidade da sua intervenção no espaço público, sem concessões a tendências seguidas como moda e avesso, por natureza, ao politicamente correcto.
De acordo com a sua biografia pública, Rui Manuel Monteiro Lopes Ramos nasceu em Torres Vedras, em 1962, e licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1985, onde teve uma breve passagem como assistente estagiário.
O CNC – Centro Nacional de Cultura, o Clube Português de Imprensa e a Europa Nostra voltam a instituir este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural.
O Prémio é atribuído a uma personalidade europeia que, ao longo da sua carreira, se tenha distinguido pela sua actividade de divulgação, defesa e promoção do Património Cultural Europeu, nomeadamente, através de obras literárias, peças jornalísticas, artigos, crónicas, fotos, séries documentais, filmes e programas de rádio e/ou de televisão publicados ou emitidos nos diversos media.
Formalizado em 1980, o Clube Português de Imprensa tem entre os seus fundadores o novo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. São dele, aliás, os Estatutos pelos quais esta Associação ainda hoje se rege.
Marcelo Rebelo de Sousa integrou o Conselho Directivo do Clube nos primeiro Corpos Sociais eleitos, ao lado de Dinis de Abreu, Carlos Barbosa, Nuno Rocha, e Diogo Pires Aurélio.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.