A transição tecnológica dos “media” -- e a celeridade da informação -- forçou uma mudança nas incumbências dos editores, que já não devem ser “intelectuais do público”, que tentam responder a todas as necessidades e exigências dos leitores, considerou Alan Rusbridger, num artigo publicado na “Press Gazette”.
Enquanto antigo editor do jornal britânico “Guardian”, Rusbridger entende que estes profissionais devem ser, agora, polivalentes e, ao mesmo tempo, não ter medo de delegar tarefas.
Ou seja, devem avaliar as suas próprias valências, e confiar certas funções a colaboradores competentes. Um editor que seja virtuoso na esfera tecnológica, por exemplo, deve focar-se na “app” do jornal, libertando-se, em parte, da preocupação jornalística.
Para serem mais eficazes nas suas funções -- defendeu, igualmente, Rusbridger -- os editores devem manter “hobbies” paralelos, que lhes permitam aliviar a pressão do trabalho.
Além disso, Rusbridger acredita que os editores actuais devem saber um pouco de tudo -- mesmo que esse conhecimento não incida sobre a sua área -- e ser honestos quanto àquilo que não compreendem.
A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) decidiu suspender, de forma imediata, os direitos de voto dos novos accionistas da Media Capital – entre os quais se contam o empresário Mário Ferreira, a Triun, a Biz Partners, a CIN e a ZenithOdissey – considerando que há “fundadas dúvidas” sobre a identidade dos efectivos titulares.
A decisão da ERC surgiu na véspera de uma assembleia-geral do Grupo Media Capital, alertando que “qualquer decisão adoptada que possa envolver uma alteração de domínio, dos operadores de rádio e de televisão da Media Capital não será reconhecida”.
Ainda assim, a empresa decidiu reunir a AG, que elegeu Mário Ferreira para presidir ao CA. O empresário Paulo Gaspar, que controla 23% da dona da TVI através do Grupo Triun, é o vice-presidente. E Avelino Gaspar, presidente do grupo agroalimentar Lusiaves, surge como vogal do conselho de administração, ao lado de rostos já conhecidos da TVI como Cristina Ferreira e Luís Cunha Velho.
Tendo em conta o processo da ERC, as alterações não deverão ser formalizadas.
A medida da entidade reguladora surge “no âmbito do processo de contraordenação em curso na ERC” relativo à aquisição de 30,22% do capital social da Media Capital pelo empresário Mário Ferreira.
A maioria (66%) dos “media” portugueses apresentou resultados líquidos positivos em 2019, ainda que essa percentagem se tenha fixado três pontos percentuais abaixo da registada em 2018, segundo um relatório da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC).
Além disso, os resultados líquidos atingiram os 19,5 milhões de euros, enquanto o EBITDA (lucros antes de impostos, resultados financeiros, depreciações e amortizações) se fixou em 51,5 milhões de euros, o que representa uma quebra de 5%, face ao ano anterior
Na generalidade, a ERC considera que o sector se mantém rentável. “A alavancagem do sector permaneceu elevada, com uma proporção média de capitais próprios para o activo de 41%”.
“As quotas de mercado nos segmentos relevantes mantiveram-se próximas mas, em regra, tem permanecido, ao longo dos anos, uma publicação dominante, como por exemplo o ‘Correio da Manhã’, nos jornais diários, com uma quota da circulação média anual de 37%, seguido pelo Jornal de Notícias com 20%, ou, nos semanários, o ‘Expresso’, com uma quota da circulação média anual de 65%”, pode ler-se no documento.
A 31 de Dezembro de 2019 encontravam-se activas e registadas na entidade 1.725 publicações periódicas, 309 empresas jornalísticas, 286 operadores de radiodifusão, 109 serviços de programas distribuídos exclusivamente pela internet, 25 operadores televisivos, dez operadores de distribuição de televisão (STVS) e duas empresas noticiosas.
Vender pacotes de subscrição de jornais durante a semana da “Black Friday” poderá ser uma fórmula eficaz de aumentar as receitas, defendeu Fran Quilty num artigo da “Press Gazette”.
De acordo com Quilty, durante esse período, os cidadãos exibem uma mentalidade mais consumista, procurando os melhores descontos, para produtos que lhes despertem, pelo menos, algum interesse.
Ao mesmo tempo, no actual panorama, a população tem vindo a mostrar-se disponível para consumir informação de qualidade, em detrimento dos conteúdos de “clickbait”, que impulsionam vagas de “fake news”.
Assim, Quilty considera que a “Black Friday” é o momento mais propício para conquistar novos leitores, que procurem apoiar o jornalismo de qualidade, mas não a “preço de saldo”.
Contudo, levanta-se, posteriormente, a necessidade de manter essa base de novos subscritores, que poderão ter aderido ao serviço por impulso.
A crise dos “media” está a normalizar a fusão de publicações, que, até então, actuavam enquanto rivais.
Só este ano, as revistas de cinema “Hollywood Reporter” e “Variety” passaram a ser controladas pela mesma empresa e, mais recentemente, o Buzzfeed adquiriu um outro “site” de conteúdos virais, o “HuffPost”.
De acordo com um artigo de Jon Allsop, publicado no “Columbia Journalism Review”, esta operação tem algumas desvantagens, que são “equilibradas” por boas perspectivas futuras.
Por um lado, o “HuffPost” continuará no mercado. Por outro, este tipo de operações costuma resultar em despedimento de diversos colaboradores, a pretexto de criar “sinergia”.
O director do Buzzfeed, Jonah Peretti, garantiu que não haverá mais rescisões no interior da empresa. Mas, até agora, ainda não se manifestou quanto aos seus planos para os colaboradores do “HuffPost”.
Um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A nota surge em resposta ao novo "esquema nacional de aplicação da lei", que considera que os jornalistas devem ter “um lugar especial nas manifestações” e que devem recolher-se após ordem policial.
“O desejo expresso de assegurar a protecção dos jornalistas é equivalente a supervisionar e controlar o seu trabalho”, pode ler-se na missiva, publicada no jornal “Monde”. “Isto é particularmente preocupante no contexto da proposta de lei sobre ‘segurança global’, que prevê restrições à divulgação de imagens das autoridades”.
“Os jornalistas não deveriam ter que deslocar-se à sede da Polícia para cobrir uma manifestação. Não é necessária acreditação para trabalhar livremente na via pública”.
“Por este motivo, recusar-nos-emos a conceder acreditação aos nossos jornalistas para cobrir manifestações”.
Perante a pandemia, algumas empresas de "media" norte-americanas lançaram iniciativas de “jornalismo de serviços”, de forma a ajudarem os leitores a melhorar o seu estilo de vida, e a manterem as rotinas, mesmo que em confinamento, notou o “site” da CNN.
Estes projectos incluem, por exemplo, guias diários, “podcasts” semanais e artigos de “lifestyle”.
Uma das iniciativas mais populares é a do “Washington Post”, que lançou a "Voraciously: Baking Basics”, uma “newsletter” que ensina os leitores a confeccionarem doçaria, em casa.
Além disso, a "What Day Is It? -- uma outra “newsletter” do WP, que começou a ser enviada em Setembro do ano passado -- registou um crescimento substancial na sua base de subscritores, já que ajuda os cidadãos a manterem-se activos.
“Algum do fluxo de audiência, que registámos durante a pandemia, corresponde a cidadãos que querem manter-se informados sobre algo que lhes tem vindo a condicionar o dia-a-dia. Estamos a tentar enviar-lhes conteúdos que ajudem à resolução de problemas”, afirmou Tessa Muggeridge, responsável pela subscrições do WP, em declarações à CNN.
O Tribunal de Paris considerou “inadmissível” uma queixa apresentada pela cidade italiana de Amatrice contra o jornal satírico “Charlie Hebdo”, na sequência do terramoto de 2016, que devastou o país.
A cidade italiana tinha apresentado uma queixa contra o semanário satírico, por difamação e insulto, pela publicação de dois “cartoons”, que mostravam vítimas ensanguentadas, com a legenda “penne com molho de tomate”, e outros cidadãos esmagados pelos escombros, sob o título “lasanha”.
"A morte é sempre tabu (...), por vezes também é necessário transgredir", disse, à época, o editor do jornal, Riss, em declarações à
France Inter. "Para nós é um desenho de humor negro como qualquer outro, não é nada de extraordinário”.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.