Os “media” estão a ficar cada vez mais dependentes do jogo político, que condicionam a informação que partilham, consoante a opinião dominante.
Esta nova realidade está a restringir a pluralidade da imprensa, que começou, entretanto, a silenciar pontos de vista, considerados politicamente incorrectos.
É esse o caso do conceituado jornal “New York Times”, que forçou a demissão da editora de opinião, Bari Weiss, conhecida pelos seus artigos moderados, e por defender a visibilidade mediática de todo o espectro político.
Em entrevista à revista “Le Point”, a jornalista explicou que enquanto colaboradora do “Wall Street Journal” -- onde trabalhou por quatro anos -- era considerada uma das profissionais mais progressistas, já que se manifestava contra muitas das políticas do então candidato à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump.
O cenário mudou quando entrou, em 2017, para o “NYT”, onde, por contraste, era considerada conservadora. À época, as suas funções passavam por escrever artigos ocasionais e por encomendar crónicas, de forma a garantir a pluralidade no jornal.
Mas, com o passar do tempo, o ambiente foi-se tornando demasiado hostil. “ Passou a ser cada vez mais difícil conseguir escrever sobre temas que me interessavam - e penso que alguns dos artigos que escrevi quando entrei para o jornal não seriam publicados hoje”.
O empresário Mário Ferreira -- accionista maioritário do Grupo Media Capital -- considerou, em conferência de imprensa, que a deliberação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) é “muito grave” e merece “repúdio e crítica”.
Ferreira, que foi eleito presidente do Conselho de Administração, garantiu que os accionistas e investidores do Grupo estão legitimados e que, por isso, haverá a manutenção da sua posição no interior na empresa.
“Estamos aqui com a transparência, como administradores eleitos”, argumentou o empresário, adiantando que “o percurso empresarial dos que [os] elegeram é amplamente conhecido”. Por isso, defendeu,“tentar inviabilizar os nossos accionistas colocaria em causa a existência deste grupo de comunicação”.
Recorde-se que a ERC decidiu suspender os direitos de voto dos novos accionistas da Media Capital – entre os quais se contam o empresário Mário Ferreira, a Triun, a Biz Partners, a CIN e a ZenithOdissey – considerando que há “fundadas dúvidas” sobre a identidade dos efectivos titulares.
A decisão surgiu na véspera de uma assembleia-geral do Grupo Media Capital, alertando que “qualquer decisão adoptada que possa envolver uma alteração de domínio, dos operadores de rádio e de televisão da Media Capital não será reconhecida”.
O vice-presidente daquele órgão regulador, Mário Mesquita, absteve-se, porém, na votação para a deliberação. Aquele membro do conselho defendeu que a decisão, tendo acontecido na véspera da assembleia-geral do Grupo Media Capital, “pode ser entendida, mesmo que o seja erroneamente, como pressão sobre os participantes na referida assembleia”.
Ao contrário do que se registou no início da pandemia, os cidadãos deixaram de se interessar pela informação respeitante ao novo coronavírus, notou Carlos Castilho num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
De acordo com Castilho, esta indiferença do público está a acelerar a segunda vaga da doença, já que alguns sectores da sociedade -- assoberbados com a quantidade de notícias sobre o vírus -- deixaram de se mostrar disponíveis para se manterem informados e combaterem, activamente, a propagação da doença.
Uma análise do “site” Axios demonstra, por exemplo, que, apesar de o número de norte-americanos infectados ter disparado nas últimas semanas, as interacções nas redes sociais sobre a pandemia ficaram-se pelos 75 milhões por dia, depois de terem atingido, em Março, pouco mais de 600 milhões, a cada 24 horas.
Assim, os “media” devem proceder à reavaliação das estratégias editoriais adoptadas até agora. Isto porque a imprensa é a intermediária entre as autoridades e o público, devendo assegurar uma comunicação interactiva.
É, portanto, necessário reformular o formato dos noticiários sobre a pandemia que, de acordo com Castilho, se tornou repetitivo e pouco criativo.
A SIC lançou, recentemente, a Opto, um serviço de “streaming” que contará com conteúdos exclusivos.
Em declarações à revista “Meios e Publicidade”, o CEO do Grupo Impresa, Francisco Pedro Balsemão, disse acreditar que “a Opto será um complemento de luxo às plataformas internacionais”.
“ Com um preço mais baixo, mas com uma experiência de utilização e de navegação ao mesmo nível daquelas, estamos convictos de que será um sucesso, porque teremos milhares de horas de portugalidade de alta qualidade, que falta aos outros”, prosseguiu aquele responsável.
Este serviço de “streaming” pode ser utilizado de forma gratuita ou consoante planos de subscrição, que dão acesso a conteúdos exclusivos, antestreias e 30 dias de gravação da “grelha” da SIC. Além disso, excluem as interrupções para publicidade.
“O primeiro ano da versão ‘premium’ da Opto custará 29,99 euros, se se fizer a subscrição até à data de lançamento da plataforma, a 24 de Novembro. Quem subscrever a partir dessa data pagará o valor de 39,99 euros por ano. Quem preferir a versão mensal poderá subscrever o serviço por 3,99 euros/mês. No estrangeiro, apenas existe a versão com subscrição anual, com um valor de 69,99 euros/ano”, notou o CEO do Grupo.
A revista “Time Out”, -- que passou a ser exclusivamente digital e gratuita desde a chegada da pandemia -- vai regressar às bancas para uma edição especial, dedicada à quadra natalícia.
A “Time Out Especial de Natal”, com quase 150 páginas, custa cinco euros e promete “centenas de ideias de presentes para toda a família e tudo para uma consoada perfeita”.
“Mais do que uma revista, a ‘Time Out Especial de Natal’ é uma declaração de amor aos negócios locais e às marcas nacionais que são, mais do que nunca, a melhor ideia para encher o sapatinho e fazer a festa”, descreveu o título em comunicado, onde se refere ainda que “a capa foi bordada à mão, em ponto de cruz, por Marta Ramos (mais conhecida por Ginger & Stitch)”.
Nos últimos meses, registaram-se várias mudanças no Grupo Global Media, destacando-se as alterações de direcção dos seus títulos.
Neste contexto, o “Diário de Notícias”, em circulação há 156 anos, conta, pela primeira vez, com uma mulher -- Rosália Amorim -- no cargo de directora do jornal.
Para Rosália Amorim isto representa uma “nova era”. Em editorial, assegurou que irá renovar o compromisso estabelecido por aquele jornal em 1864: “informar, investigar, formar cidadãos esclarecidos, exigentes e com opinião própria”
“Este é o mais antigo jornal português de âmbito nacional, um dos mais importantes títulos lusitanos e com uma história rica, da qual nos orgulhamos -- continuou Amorim -- Desengane-se quem ainda considera que a história cheira a mofo ou deve ficar fechada numa gaveta. Pelo contrário, a história impele-nos a ir mais longe, a superarmo-nos. A história ajuda-nos a perceber de onde vimos e para onde vamos”.
A jornalista referiu, igualmente, que “é um desafio e também um privilégio poder renovar e reinventar este projecto editorial”, garantindo que “é com enorme entusiasmo, paixão pelo jornalismo e sentido de responsabilidade” que abraça, “sem máscaras, esta grande instituição”.
O excesso de informação sobre a pandemia -- a chamada “infodemia” -- está a impulsionar as correntes de “fake news”, alertaram Filippo Menczer e Thomas Hills no “site” “Scientific American”.
De acordo com os especialistas em informática e psicologia, respectivamente, isto acontece porque, ao ficarem assoberbados com a quantidade de notícias disponíveis, os cidadãos recorrem ao círculo mais próximo de amigos e colegas de trabalho.
Ou seja, os leitores preferem manter-se na “sua bolha”, que partilha conteúdos que lhes dizem respeito, rejeitando a informação fidedigna partilhada pelos “media”.
Isto tem uma explicação psicológica, baseada no comportamento dos nossos antepassados: por uma questão de sobrevivência, tendemos a confiar no nosso grupo mais próximo.
Em termos técnicos, confiamos na nossa cognição básica para nos defendermos em tempos incertos.
Esta tendência é, agora, amplificada pelas redes sociais, que nos permitem manter contacto constante com amigos e familiares.
Os algoritmos informáticos direccionam-nos para “sites” que “inflamam” as nossas dúvidas e preocupações, promovendo a polarização da sociedade.
A crise dos “media” tem vindo a impulsionar várias mudanças no “modus operandi” das empresas de comunicação social.
Estas “metamorfoses” verificam-se na forma de informar, de estabelecer relação com os leitores e, especialmente, no modelo utilizado para a monetização do negócio.
Neste contexto, a implementação da “paywall” tornou-se uma tendência, ao ser adoptada tanto por publicações recentes, como por jornais centenários, como é o caso do “South China Morning Post”, que lançou os primeiros pacotes de subscrição em 2017.
O responsável pelas subscrições daquele jornal, Adrian Lee, defende, porém, que os “publishers” devem reflectir antes de implementar esta ferramenta. Como tal, desenvolveu um guia com 10 questões essenciais, que foi publicado no “site” “World Association of News Publishers”.
Em primeiro lugar, Lee acredita que os “publishers” devem estabelecer a razão pela qual querem alterar o seu modelo de negócio.
Depois, os responsáveis devem garantir que têm os recursos humanos necessários para efectuar a mudança.
Em terceiro lugar, a redacção deve estar de acordo quanto à sua posição do mercado dos “media”. Isto será essencial para convencer os leitores a subscrever o produto.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.