Quarta-feira, 22 de Setembro, 2021

  

Desconfiança nas notícias como resultado de factores sociais

Estudo Galeria

Um dos principais desafios do jornalismo para a construção da confiança nas notícias não é a hostilidade, mas a indiferença do público relativamente à informação , revelou um relatório do Reuters Institute, citado por Camila MontAlverne num artigo publicado do “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Segundo apontou MontAlverne, este estudo baseou-se em testemunhos recolhidos no Brasil, Índia, Estados Unidos e Reino Unido, com aproximadamente, dois mil entrevistados em cada país.

Desta forma, o Reuters Institute concluiu que, por norma, os cidadãos que mais desconfiam das notícias são, também , aqueles que menos interesse têm em assuntos cruciais para a vida em sociedade, como a actividade política.

Além disso, a desconfiança perante fontes noticiosas relaciona-se, igualmente, com menores níveis de educação académica, e maior distanciamento de centros urbanos.

Ademais, indica o estudo citado por Camila MontAlverne, os indivíduos que mais desconfiam dos “media” dizem prestar pouca atenção aos métodos utilizados por jornalistas, ou às práticas editoriais.

Outras das características comuns a estes cidadãos são a desvalorização da liberdade de expressão, bem como um maior nível de tolerância perante práticas de censura governamentais.
Do outro lado do espectro, continua o estudo, estão os cidadãos que mais confiam nas notícias. Quando é este o caso, os indivíduos tendem a entender as práticas básicas do jornalismo, a valorizar as fontes utilizadas para a redacção de artigos noticiosos, assim como a transparência de todo o processo.

Com isto, MontAlverne ressalva que, tendencialmente, a descrença nas notícias está relacionada com factores sociais, e não com o trabalho desenvolvido pelos “media”.

Imagem recolhida em "Daily Bruin"

“Correio da Manhã” lidera segmento digital

Media Galeria

Com um “reach” multiplataforma de 3 milhões e 285 mil pessoas, o "Correio da Manhã" foi, em Agosto, o “media” português com maior alcance digital, liderando o “ranking” da NetAudience.

Em segundo lugar ficou a TVI, com uma audiência de 3 milhões e 117 mil leitores. O top 3 fica completo com a “Flash” que, em Agosto, teve um “reach” de 3 milhões e 54 mil pessoas alcançadas no digital.

O “Expresso” ocupa, por sua vez, o quarto lugar no “ranking” geral, sendo o segundo entre os títulos de imprensa generalista, com um “reach” multiplataforma de 2,56 milhões de pessoas, enquanto a SIC, igualmente detida pelo Grupo Impresa, encerra o top 5, com 2,45 milhões de pessoas alcançadas pelas suas plataformas digitais.

O “Jornal de Negócios” lidera entre os títulos do segmento económico, com, aproximadamente 1,46 milhões de leitores no último mês, ocupando a 11ª posição do “ranking” geral,.

A liderança do segmento desportivo permanece nas mãos do “Record”, que registou um “reach” multiplataforma a rondar 1,75 milhões de cidadãos, ocupando a nona posição no “ranking” geral.

Já no segmento da rádio, o “site” da RFM demonstrou ser o mais popular.

Jornalistas estrangeiros perseguidos no Afeganistão...

Media Galeria

O jornalismo internacional está em risco de desaparecer no Afeganistão, alertou o responsável pela FIJ, acrescentando que alguns dos profissionais estrangeiros que tentaram exercer as suas funções sob o domínio talibã foram sujeitos a agressões físicas e a detenções.

“Os talibãs não querem causar demasiado alarido, mas querem controlar tudo, incluindo o jornalismo estrangeiro”, afirmou Anthony Bellanger, o secretário-geral da FIJ em entrevista para o “Guardian”.

“Acredito que iremos assistir a um crescimento dos ‘media’ oficiais, sem presença de mulheres. Todos os outros jornalistas irão, simplesmente, desaparecer. Exercer jornalismo nunca foi fácil, mas agora a situação tornou-se sombria”.

Bellanger acredita, igualmente, que esta é, apenas, a primeira fase de uma série de ataques à imprensa internacional. “É uma questão de semanas até que tudo seja alterado. Estou pessimista”.

Os representantes da FIJ estão a fazer esforços para manter uma relação próxima com os correspondentes estrangeiros no Afeganistão, e acreditam que cerca de 1300 profissionais ainda se encontram no país, incluindo 200 mulheres.

Além disso, de momento, aquela organização está a ajudar alguns colaboradores dos “media” a abandonarem o território afegão.

“Não se trata de retirarmos todos os jornalistas do país. Não temos a capacidade para o fazer, e nem queremos fazê-lo, já que é necessário termos alguém que noticie sobre o que se passa na escuridão. Há profissionais que querem ficar e fazer o seu trabalho, mas o futuro adivinha-se hostil”.

Novos modelos de apoio nos EUA para jornalismo local

Media Galeria

O Congresso norte-americano está, de momento, a avaliar o Local Journalism Sustainability Act que, caso seja promulgado, poderá representar uma ajuda significativa para a viabilidade financeira de muitos projectos mediáticos.

Num artigo publicado no “site” do “Nieman Lab”, a jornalista Sarah Scire começou por explicar que este projecto-lei está dividido em três principais componentes.

A primeira, recordou Scire, sugere a criação de um crédito até 250 dólares para incentivar a subscrição de jornais locais. Contudo, para poderem beneficiar do montante máximo, os cidadãos terão que gastar, no mínimo, 310 dólares em subscrições de publicações comunitárias, ou em doações para empresas jornalísticas sem fins lucrativos.

Este montante, aponta Scire, é muito superior à actual média dos Estados Unidos, onde apenas 20% dos indivíduos pagam para consumir qualquer produto noticioso.

A segunda componente, continuou a autora, consiste na atribuição de um crédito de 5 mil euros a pequenos negócios, para que estas empresas possam investir em publicidade.

Finalmente, a terceira parte do projecto-lei sugere a introdução de benefícios fiscais para jornais comunitários, de forma a facilitar e incentivar a contratação de novos colaboradores.

“Newsletters” do “WP”

Breves

 O “Washington Post” vai lançar uma nova versão das suas “newsletters”, que irão passar a ser mais curtas, e a incluir um maior nível de interacção com os leitores.

“Isto é algo que foi pedido pela nossa audiência”, afirmou Rachel Van Dongen, editora das “newsletters”, em entrevista para o “site” “Axios”. “Partilhamos o nosso público-alvo com muitas outras publicações e há muita competição neste âmbito. Estamos a tentar providenciar o melhor jornalismo possível, de forma condensada”.

Além disso, o “WP” anunciou o lançamento de um novo produto, focado nas alterações climáticas, com o objectivo de atrair mais leitores. As restantes “newsletters”, revelou Van Dongen, continuarão a distinguir-se pelo seu foco especial em questões políticas.

No futuro, o “WP” espera associar produtos áudio às suas “newsletters”.

Privatização do Channel 4 poderá afectar produtores

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Mais de 60 produtoras independentes poderão encerrar a actividade, caso o operador público britânico Channel 4 passe a ser uma emissora privada, de acordo com um relatório publicado pelo governo e citado pelo jornal “The Guardian”.

Conforme recordou o “Guardian”, o estatuto especial do Channel 4 -- enquanto emissora com uma linha editorial independente, que se diferencia, culturalmente, da BBC -- faz com que este canal seja crucial para o funcionamento de centenas de produtoras.

Contudo, em Junho, o secretário da Cultura, Oliver Dowden, anunciou planos para a privatização do operador, garantindo, ainda assim, que o futuro dono do Channel iria continuar a produzir conteúdos sem fins lucrativos e a apoiar a indústria televisiva independente.

“Se avançarmos com o negócio, irei garantir que o Channel 4 continuará a cumprir obrigações públicas”, afirmou Dowden durante a sua intervenção na Cambridge Media Convention. “Se o Channel 4 quer continuar a crescer, precisamos de investimento. Caso contrário, não terá a capacidade de competir com os gigantes do ‘streaming’”

No entanto, informa o “Guardian”, de forma a gerar receitas, o governo terá que “aligeirar” as regras impostas ao Channel 4, permitindo, por exemplo, que o novo proprietário possa produzir os seus próprios conteúdos, sem recorrer a empresas independentes.

... E jornalistas e "media" independentes perseguidos na Rússia

Media Galeria

No último ano, o governo russo tem agravado a sua perseguição a jornalistas e “media” independentes, em resposta à influência exercida pelo líder da oposição, Alexei Navalny, e às manifestações pela liberdade de imprensa na “vizinha” Bielorrússia.

De acordo com o jornal britânico “The Guardian”, um dos principais mecanismos de repressão de publicações independentes, é proceder à sua classificação enquanto “agentes estrangeiros”.

Aprovada em 2017, a lei dos “agentes estrangeiros” obriga os títulos e os profissionais dos “media” a apresentarem relatórios pormenorizados sobre a sua situação financeira.

Além disso, qualquer publicação ou profissional com esta classificação tem de especificar, em todos os seus artigos, que o trabalho apresentado foi “realizado por um ‘agente estrangeiro’”, o que acaba por afastar potenciais investidores publicitários, que temem ser perseguidos por membros do governo.

Assim, ao abrigo desta lei, muitos jornais independentes foram já forçados a declarar falência e a encerrar actividade.

De momento, assinala o "Guardian", cerca de 50 jornalistas e meios de comunicação foram adicionados à lista de “agentes estrangeiros”, incluindo os “sites” de investigação “iStories” e “Insider”.

A campanha de Vladimir Putin contra o jornalismo independente -- recorda o “The Guardian” -- iniciou-se ainda na década de 2000, quando o governo passou a certificar-se de que os principais jornais russos eram controlados por empresários com ligações ao Kremlin.

Assim, ao longo das últimas duas décadas, o jornalismo russo tem sido marcado por perseguições e tentativas de repressão.

Programa do Instituto Poynter ajuda a formar jovens jornalistas

Fórum Galeria

Desde a sua criação em 1975, o Instituto Poynter tem apostado na formação de alunos do ensino secundário, que se dizem interessados em aprender competências jornalísticas e em aplicá-las junto da sua comunidade local e escolar.

Ao longo das suas várias edições, o High School Journalism Program ajudou diversos jovens a iniciarem o seu percurso profissional, e a versão de 2020 não foi excepção, apesar das circunstâncias de isolamento social.

Como tal, os 18 participantes da última edição deste programa estão, agora, a dar os primeiros passos no lançamento dos seus próprios projectos jornalísticos, ou na colaboração com iniciativas já existentes.

É esse o caso de Rohan Baxi, estudante do 11º ano, que tem, agora, o seu próprio programa numa rádio local, no Estado da Califórnia.

“Aprendi muito com o High School Journalism Program e apliquei todos os meus conhecimentos nas emissões de rádio”, garantiu Baxi, em entrevista para o “site” do Instituto Poynter.

Além disso, outros participantes optaram por ajudar na inovação dos projectos jornalísticos das suas próprias comunidades.

 

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O Clube


Recomeçamos. A pausa de agosto foi um tempo de análise e de reflexão sobre as delicadas circunstâncias que rodeiam e condicionam os media portugueses e as associações representativas do sector.
Enquanto as redacções encolhem e os jornais lutam pela sobrevivência, as grandes plataformas digitais tornam-se omnipresentes e absorvem a melhor publicidade.
Um estudo da ERC revela que dois terços dos inquiridos utiliza a internet, mas que, depois das televisões, as redes sociais aparecem já como fonte noticiosa preferencial, suplantando os jornais impressos.


A dificuldade da imprensa, com tiragens minguadas, influenciou a principal distribuidora de jornais e revistas no sentido de lançar uma taxa diária a cobrar aos quiosques e outros postos de venda.
Por agora, a cobrança está suspensa, no seguimento de uma providência cautelar aceite pelo tribunal, mas nada garante que o desfecho não venha a penalizar mais ainda a circulação da Imprensa.
A fragilidade das empresas de media agravou a sua dependência, e tornou-as gradualmente mais permeáveis aos desígnios do poder político.
Seja no audiovisual, seja nas publicações impressas, observa-se uma crescente uniformidade noticiosa, a par de uma actuação comprometida com as prioridades da agenda do Executivo.
Neste contexto, as associações do sector não têm a vida facilitada, quer pelo enfraquecimento do mecenato, quer pela apatia já antiga que se nota nos jornalistas no tocante ao associativismo.
Com 40 anos feitos de actividade ininterrupta, o Clube Português de Imprensa tem neste site uma forma de ligação privilegiada com associados e outros profissionais do sector, bem como com os estudantes dos cursos de jornalismo, apoiado em parcerias que são preciosas fontes complementares de informação e de análise.
Por aqui continuamos, com a consciência do desafio e do risco envolventes, e com a noção de partilha e de serviço que nos anima desde o início.


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Opinião
O impacto da pandemia no universo mediático está longe de encontrar-se esgotado, apesar das promessas de “libertação” da sociedade, ensaiadas por vários governos, entre os quais o português, em doses apreciáveis.O jornalismo tornou-se mais fechado, confirmando uma tendência que não é nova de os jornalistas recorrerem à Internet e às redes sociais como fonte predominante de informação.Os...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...