Quarta-feira, 22 de Setembro, 2021

  

Pandemia afectou volume de negócio dos “media” nacionais

Media Galeria

Os efeitos da pandemia no negócio dos “media” continuaram a fazer-se sentir no arranque deste ano, com 52% das empresas a terem registado uma contracção do volume de negócios, revelou um relatório da Entidade Reguladora para Comunicação Social (ERC).

De acordo com o estudo da ERC, apenas 3 em cada 10 empresas de “media” referiam manter os mesmos valores de 2019.

Desta forma, aponta o documento, o impacto da pandemia sobre o negócio dos “media “no último ano não foi sentido de igual forma por todos os meios.
Aliás, conforme indicou a ERC, houve mesmo alguns “media” que não sofreram alterações no volume de negócios. São estes o “operador público de televisão, alguns operadores privados de TV (30%) e a maioria dos fornecedores de VoD, distribuidores e outros fornecedores de serviços audiovisuais”.
Da mesma forma, “cerca de 42% dos operadores privados de rádio nacional e 34% dos operadores de rádio regional e local também mantiveram o seu volume de negócios em 2020”.
Por sua vez, cerca de 71% da imprensa nacional e 65% da imprensa regional e local apresentaram contracção do volume de negócios.
O documento dá, ainda, conta de que 14% das empresas terão encerrado órgãos de comunicação social, sobretudo canais televisivos locais e publicações impressas, embora a maioria mantenha a expectativa de retomar a actividade.

Literacia mediática em Espanha

Breves

A Associação de Imprensa de Madrid (APM) está a elaborar uma proposta para introdução de aulas de literacia mediática no currículo escolar, anunciou o seu presidente, Juan Caño, no evento “Novo Dia -- Novo Jornalismo”.

Durante a sua intervenção no debate sobre “Notícias falsas”, Juan Caño afirmou que “a desinformação deve ser atacada desde as raízes”, o que passa pela implementação de “workshops” sobre o funcionamento dos “media” em Espanha.

Juan Caño recordou que a APM tem uma tradição de formação a este respeito, graças às oficinas “Promover a leitura na escola”: uma iniciativa lançada em 2009, nas quais é explicada ,“a diferença entre opinião e informação, bem como os diferentes géneros jornalísticos”.

“Agora, queremos ir muito mais longe e implementá-lo no sistema educativo”, afirmou.

O "Guardian" troca suplemente "Weekend" pela revista "Saturday"

Media Galeria

O “Guardian” prepara-se para lançar uma nova aposta editorial, transformando o suplemento de fim-de-semana “Weekend”, numa nova revista, a “Saturday”, colocando um ponto final numa revolução iniciada em 1988.

Segundo recordou aquele jornal britânico num “artigo de despedida”, o suplemento “Weekend” foi lançado no final da década de 1980, depois de o “Independent” ter criado uma revista semanal, como forma de colmatar a quebra de circulação registada aos sábados.

Temendo perder leitores para o “Independent”, a direcção editorial do “Guardian” aceitou experimentar um formato “tablóide”, cuja primeira capa dizia respeito a uma reportagem do colunista Richard Boston, que foi para o Sul de França viver com naturistas.

Desta forma, o “Guardian” passou a distribuir um suplemento de tom informal e lúdico, o que surtiu resultados positivos de forma quase imediata.

Além disso, as capas daquela aposta editorial distinguiam-se de todas as outras, já que apostavam em imagens disruptivas.

“Eram como uma peça de arte. Havia alguma coisa de importante sobre a totalidade da capa, sobre o facto de incluir apenas uma imagem e mais nada. Sentimos que foi impactante”, disse Simon Hattenstone, que foi o principal entrevistador da revista durante décadas. “Prendia-se com a criatividade tipográfica, uma boa escolha fotográfica e com recortes engenhosos. Devemos muito disto a Maggie Murphy, que tem uma mente jornalística brilhante”.
Em 2000, a editora Katharine Viner promoveu o renascimento da revista, aumentando o número de páginas para 184, um recorde para qualquer suplemento noticioso britânico.

Oposição angolana questiona critérios dos "media"

Mundo Galeria

A UNITA, principal partido da oposição angolana, criticou o boicote das televisões estatais às suas iniciativas, salientando que esta acção vem “confirmar e oficializar a reiterada censura” e violação das leis e deontologia.

Em causa está um comunicado emitido pelos canais públicos de televisão angolanos, TPA e TV Zimbo, que decidiram deixar de cobrir actividades da UNITA, perante as agressões aos seus jornalistas, numa manifestação convocada por aquele partido.

Em resposta, a UNITA disse que os dois canais públicos “não são, de facto, seus concorrentes” e convida a tutela e os gestores daqueles órgãos “a reflectirem sobre a sua reiterada prática panfletista e exclusivista contra a UNITA e o seu líder”.

Estes posicionamentos, considerou a UNITA, “só vieram confirmar e oficializar a reiterada censura e confissão do desrespeito e da grave violação às leis e à deontologia que demonstram ignorar”.

O partido acrescenta que o seu presidente, Adalberto da Costa Júnior, condenou “as acções dos jovens que impediram as reportagens dos correspondentes das televisões públicas” e assinala que “a legítima defesa dos colaboradores” dos canais “não pode resvalar no argumento de não lhes mandar cobrir futuros eventos organizados pela UNITA”.

O comunicado aborda, ainda, “o perfeito alinhamento do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social com as direções da TV Zimbo e TPA” sobre o incidente ocorrido.

Jornalismo neo-zelandês com nota positiva durante a pandemia

Media Galeria

A Nova Zelândia é um dos países do Mundo com melhor nível de liberdade de imprensa, distinguindo-se pela pluralidade dos “media” e encontrando-se em 8º lugar no Índice Anual dos Repórteres sem Fronteiras (RSF), entre um total de 180 países.

Ainda assim, o sector mediático neo-zelandês enfrenta alguns desafios comuns a toda a imprensa, tais como a proliferação de notícias falsas.

Quem o garante é Caitlin Cherry, uma jornalista neo-zelandesa, licenciada pela New Zealand Broadcasting School que, em entrevista para o “Observatório da Imprensa” -- com o qual o CPI mantém um acordo de parceria -- descreveu o actual panorama dos “media” nacionais.

Cherry começou por destacar a importância das redes sociais para o jornalismo contemporâneo, ressalvando que estas plataformas têm vindo a contribuir para a distribuição alargada de informações de interesse público.

Por outro lado, continuou aquela profissional, e apesar de todas as suas vantagens, este tipo de “sites” também tem acelerado a disseminação de notícias falsas, o que prejudica a percepção da realidade.

Outros dos problemas apontados por Cherry passam pela falta de repórteres locais, e pela necessidade de apostar em novos conteúdos sobre a diversidade étnica naquele país.

Além disso, aquela profissional considera que as faculdades de comunicação deveriam leccionar jornalismo de forma isolada, sem misturar a profissão com outras áreas do sector, tais como as relações públicas ou o “marketing”.

Não obstante, Cherry deu “nota positiva” ao papel dos “media” durante a pandemia, sublinhado que a maioria dos jornais primou por notícias com rigor científico.

 

"Fact-checking" ganha influência perante as "fake news"

Estudo Galeria

Os relatórios de “fact-checking” tornaram-se populares com a chegada da pandemia, já que esta foi uma altura propícia para a partilha de notícias falsas e de “teorias da conspiração” sobre a covid-19.

Como tal, vários jornalistas e investigadores académicos tentaram avaliar a eficácia da desmistificação de notícias, de forma a perceber se os danos causados pelas “fake news” eram reversíveis.

Contudo, apontou Sara Scire num artigo publicado no “Nieman Lab”, estes estudos reflectem, sobretudo, a realidade de “países desenvolvidos”, sem nunca se focarem no Continente Africano ou na América Latina, onde a desinformação circula tão, ou mais rapidamente, do que na Europa.

Perante este cenário, dois investigadores da Universidade Ohio realizaram inquéritos junto de cidadãos de quatro países, com diferenças significativas a nível cultural, económico e social: Argentina, África do Sul, Nigéria e Reino Unido.

O objectivo do estudo, afirma a Scire, era perceber se o “fact-checking” tinha resultados positivos em todas as partes do mundo, independentemente de factores socioeconómicos.

Para este efeito, os inquiridos foram divididos por grupos. Um dos grupos recebeu documentos com informação falsa, enquanto outro recebeu um documento com “fake news” e com a sua desmistificação.

Depois, cada um dos grupos foi testado, devendo identificar as afirmações que eram falsas, e quais eram as verdadeiras.

De acordo com Scire, as descobertas foram promissoras, já que os participantes que tiveram acesso aos relatórios de “fact-checking” mostraram-se mais capazes de identificar as informações não fidedignas.

Prémio de Ilustração

Breves

O “cartoonista” André Carrilho venceu a 25.ª edição do Prémio Nacional de Ilustração com o livro “A Menina com os Olhos Ocupados”, anunciou a Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB).

De acordo com um comunicado da DGLAB, o júri decidiu, por unanimidade, galardoar André Carrilho, que também assinou o texto da obra, tendo, ainda, atribuído duas menções especiais: a Nicolau, por “1.º Direito”, e a Eduarda Lima, pelas ilustrações de “O Protesto”.

A 25.ª edição do Prémio Nacional de Ilustração recebeu a concurso 76 obras publicadas em 2020. O júri foi constituído pelo “designer” e programador José Teófilo Duarte, pela jornalista da agência, Lusa Sílvia Borges da Silva e por Vera Oliveira, em representação da DGLAB.

Rádios da Media Capital poderão mudar de mãos

Media Galeria

O Grupo Media Capital confirmou que o Grupo Bauer está interessado em adquirir as cinco rádios da empresa de “media”, designadamente, a Rádio Comercial, M80, Cidade FM, Smooth FM e Vodafone FM.

Esta informação foi divulgada na sequência de um artigo publicado no “Jornal de Negócios”, que noticiava uma negociação entre a Media Capital e uma subsidiária da Bauer, para a transacção das cinco rádios. De acordo com aquela publicação, o negócio poderá ser realizado por 50 milhões de euros.

“Em face das notícias divulgadas na imprensa, o Grupo Media Capital confirma ter recebido uma manifestação de interesse em relação ao seu negócio das rádios, provinda da Bauer, um grande operador de rádio europeu”, avançou a empresa num comunicado enviado à CMVM.

Apesar de confirmar o interesse da Bauer nas rádios do grupo, a Media Capital, que também controla a estação televisiva TVI e a produtora Plural, assegura que “não foram apresentadas quaisquer ofertas vinculativas e é prematuro dizer neste momento que será alcançado algum acordo”.

O Grupo de “media” recordou, ainda, que qualquer operação deste tipo estará sempre dependente da autorização da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).

A Rádio Comercial, recorde-se, é a mais ouvida pelos portugueses, de acordo com o Bareme Rádio da Marktest.

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O Clube


Recomeçamos. A pausa de agosto foi um tempo de análise e de reflexão sobre as delicadas circunstâncias que rodeiam e condicionam os media portugueses e as associações representativas do sector.
Enquanto as redacções encolhem e os jornais lutam pela sobrevivência, as grandes plataformas digitais tornam-se omnipresentes e absorvem a melhor publicidade.
Um estudo da ERC revela que dois terços dos inquiridos utiliza a internet, mas que, depois das televisões, as redes sociais aparecem já como fonte noticiosa preferencial, suplantando os jornais impressos.


A dificuldade da imprensa, com tiragens minguadas, influenciou a principal distribuidora de jornais e revistas no sentido de lançar uma taxa diária a cobrar aos quiosques e outros postos de venda.
Por agora, a cobrança está suspensa, no seguimento de uma providência cautelar aceite pelo tribunal, mas nada garante que o desfecho não venha a penalizar mais ainda a circulação da Imprensa.
A fragilidade das empresas de media agravou a sua dependência, e tornou-as gradualmente mais permeáveis aos desígnios do poder político.
Seja no audiovisual, seja nas publicações impressas, observa-se uma crescente uniformidade noticiosa, a par de uma actuação comprometida com as prioridades da agenda do Executivo.
Neste contexto, as associações do sector não têm a vida facilitada, quer pelo enfraquecimento do mecenato, quer pela apatia já antiga que se nota nos jornalistas no tocante ao associativismo.
Com 40 anos feitos de actividade ininterrupta, o Clube Português de Imprensa tem neste site uma forma de ligação privilegiada com associados e outros profissionais do sector, bem como com os estudantes dos cursos de jornalismo, apoiado em parcerias que são preciosas fontes complementares de informação e de análise.
Por aqui continuamos, com a consciência do desafio e do risco envolventes, e com a noção de partilha e de serviço que nos anima desde o início.


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Opinião
O impacto da pandemia no universo mediático está longe de encontrar-se esgotado, apesar das promessas de “libertação” da sociedade, ensaiadas por vários governos, entre os quais o português, em doses apreciáveis.O jornalismo tornou-se mais fechado, confirmando uma tendência que não é nova de os jornalistas recorrerem à Internet e às redes sociais como fonte predominante de informação.Os...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...