Perante o actual panorama do jornalismo em Portugal, as associações portuguesas de “media” têm vindo a expressar a sua preocupação quanto ao sector, pedindo ao Governo que accione planos de apoio.
Como tal, no seu mais recente apelo, o presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, o director-geral da PMP – Plataforma de Media Privado e o presidente da AIC – Associação de Imprensa de Inspiração Cristã reiteraram que os serviços prestados pelos jornalistas não devem ser tomados como garantidos.
Os três responsáveis começaram por citar Vera Jourova e Thierry Breton, comissários europeus.“Não devemos dar por adquiridos os valores que definem a nossa União, como liberdades, a democracia, o Estado de Direito e os direitos fundamentais. Há que lutar por eles. O mesmo sucede com a liberdade e o pluralismo dos meios de comunicação para os quais a transformação digital suscita desafios”, pode ler-se no documento.
“A Liberdade de imprensa é um direito, não só para os jornalistas, mas para todos nós. Assumimos hoje um compromisso no sentido de lutar por meios de comunicação livres e pluralistas”, afirmaram, ainda, Vera Jourova e Thierry Breton, citados pelas três associações.
A imprensa local tem vindo a ser ameaçada pela diminuição na circulação e das receitas publicitárias.
Contudo, no Reino Unido regista-se, já, um caso de sucesso. O “Cumberland and Westmorland Gerald”, em circulação há 160 anos,
conseguiu recuperar, depois de declarar falência. Tudo isto graças ao empresário Andy Barr, que se tem dedicado à recuperação de jornais com história.
Depois de adquirir o jornal, em Fevereiro, Barr tratou de alterar a equipa editorial, mas manteve os 22 colaboradores.
O jornalista John Holiday ficou responsável por comandar as operações e tratou de alterar o foco dos restantes profissionais, que passaram a redigir artigos sobre acontecimentos locais, que envolvessem personalidades conhecidas de todos os leitores.
“Os leitores querem acreditar na sua comunidade e consumir conteúdo de qualidade”, afirmou Holiday em entrevista à “Press Gazette”.
Além disso, Holiday conseguiu contratar mais repórteres, o que permitiu apostar em mais e melhores reportagens.
A Google vai estabelecer acordos com 200 “publishers”, num investimento de cerca de 850 milhões de euros, anunciou Sundar Pichai, presidente executivo da empresa tecnológica.
De acordo com Pichai, o projecto Google ShowCase passa por um “compromisso financeiro (…) que pagará aos editores para criarem e seleccionarem conteúdos de alta qualidade” com vista a uma “experiência” de notícias “online”.
O objectivo é ajudar os editores de notícias no processo de transformação digital e apoiar um jornalismo de qualidade.
Como tal, a Google vai oferecer ferramentas de formatação, para que os artigos tenham “mais profundidade e contexto”, através de “timelines”, recortes de apresentação e vídeo.
A indústria do entretenimento ficou comprometida com a chegada da pandemia o que afectou, igualmente, os “media” que se dedicavam a cobrir as artes do espetáculo.
Registaram-se, contudo, alguns casos de sucesso, como foi o caso da revista mensal “Film Stories”, que se foca, fundamentalmente, em cinema independente britânico.
Durante o período de confinamento, a publicação continuou a registar uma circulação satisfatória, mas deixou de contar com as receitas publicitárias.
Além disso, algumas das publicações nem sequer chegaram às bancas, já que não havia conteúdo suficiente para encher as páginas.
Assim, o fundador da revista, Simon Brew, criou um “crowdfunding”, para que os leitores pudessem contribuir para a sobrevivência do título. Cerca de 500 pessoas arrecadaram um total de 32 mil libras (cerca de 35 mil euros).
O director-geral da BBC, Tim Davie, afirmou que os jornalistas daquele operador público poderão ser obrigados a suspender as suas contas nas redes sociais, caso as suas inserções não sejam suficientemente imparciais.
Os critérios de regulação, para os colaboradores, deverão ser publicados nas próximas semanas.
Davie afirmou -- num comunicado citado pela “Press Gazette” -- que “não se trata de proibir a utilização das redes sociais”, pois considera que os jornalistas devem estar em contacto com todas as formas de “media”.
Mas, na visão de Davie, os colaboradores do operador público têm o dever de não expressarem as suas opiniões, em qualquer plataforma de livre acesso.
Além disso, o novo director-geral da BBC acredita que uma reportagem imparcial pode “ter sabor” e que os estereótipos pejorativos associados a este tipo de artigos (aborrecido, sem interesse) estão errados.
Davie disse, ainda, considerar que a maioria dos colaboradores da BBC concorda com esta medida, já que um maior nível de imparcialidade corresponde a um menor número de incidentes negativos, contra a credibilidade do operador.
O YouTube é uma plataforma utilizada, pela maior parte dos norte- americanos, para fins de entretenimento, mas está a tornar-se, igualmente, uma fonte de informação noticiosa.
De acordo com um estudo publicado no Pew Research Center, cerca de 26% dos americanos consome notícias através do YouTube e consideram que esta é uma plataforma relevante para se manterem, devidamente, informados.
Este “site” , tem, contudo, uma particularidade: as organizações noticiosas e os criadores independentes prosperam lado a lado, ainda que com várias diferenças fundamentais.
Por exemplo, durante o período analisado (Dezembro de 2019), as organizações noticiosas publicaram um volume substancialmente superior de vídeos do que as fontes independentes.
Por outro lado, os vídeos dos canais independentes eram mais longos (mais de 12 minutos, em comparação com cerca de cinco minutos para vídeos de canais filiados a organizações noticiosas).
A UNITA, o maior partido da oposição em Angola, tem expressado preocupação com a “partidarização” da comunicação social.
Isto porque, em Agosto, vários “media” privados foram confiscados pelo Serviço Nacional de Recuperação de Ativos da Procuradoria-Geral da República (PGR) e entregues ao ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social.
Os representantes do partido consideraram, então, urgente que os “media” voltassem a ser “privatizados”.
“Quando o Estado controla toda a imprensa, não abraça, de facto, o Estado democrático de direito. Há sempre a tendência de controlar o espaço noticioso. Continuamos a ver espaços alargados para falar de matérias do partido que governa Angola [MPLA]”, notou a deputada Navita Ngolo, em declarações à agência Lusa. “É (...) necessário que haja órgãos plurais, que não dependam do Estado, para que possam servir o público”.
De acordo com a Freedom House, Angola é um país não-livre, onde o Governo controla a maioria dos meios de comunicação social.
O empresário Mário Ferreira apresentou uma queixa contra o Grupo Cofina, na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), por considerar que aquela empresa está a utilizar as suas publicações para o “atacar”.
De acordo com Mário Ferreira, os ataques da Cofina têm como objectivo "condicionar decisões da ERC e CMVM" pois "os accionistas da Cofina querem, ainda, em total desespero, comprar o remanescente das acções da Prisa, que detinha a Media Capital".
O empresário decidiu, então, solicitar uma "intervenção urgente da ERC na adopção de medidas que assegurem as regras legais, éticas e deontológicas que regem o exercício da liberdade de imprensa, e que a Cofina optou por não usar".
Recorde-se que, em Maio, Mário Ferreira adquiriu 30% do Grupo Media Capital.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.