As eleições americanas, bem como a pandemia provocada pelo covid-19, têm sido dois poderosos ímanes na cobertura mediática, e campo fértil para o exercício do jornalismo, desde o que é servido com rigor, àquele que obedece apenas aos cânones ideológicos de quem escreve.
Houve tempo em que se cultivava o sagrado principio da separação da opinião e da informação na escrita jornalística, quer nas redacções, quer nas Universidades dedicadas ao ensino do jornalismo e das ciências de comunicação.
Hoje é vulgar observar-se a dificuldade de o jornalista separar o “trigo do joio”, confundindo amiúde no mesmo texto o que é factual com aquilo que é a sua posição própria.
Pior: há jornais onde se torna difícil distinguir o que é noticioso daquilo que é o comentário do autor da peça.
Este modelo tem vindo a ganhar terreno, e é frequente vê-lo apoiado em teorias da “defesa de causas”, sejam sociais, políticas ou, simplesmente, ambientalistas, na lógica da vaga das alterações climáticas.
As eleições presidenciais americanas reforçaram essa tendência, até porque o Presidente quase cessante nunca “morreu de amores” pelos media, conseguindo tê-los contra si, em vigorosa oposição, com raras excepções.
Em Espanha, a imprensa local regista melhores resultados de circulação, do que a imprensa nacional, notou o jornalista Luis Palacio num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas” editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
De acordo com o autor, nos últimos anos, a circulação dos jornais nacionais caiu em 49,5%, enquanto a imprensa local registou uma quebra de “apenas” 27%. Ainda assim, Palacio considera que a imprensa regional espanhola tem características muito próprias, que devem ser analisadas, de forma a mitigar possíveis problemas.
Para começar, cada mercado é único. E por cada mercado entende-se o mercado provincial ou local. Ou seja, são consideradas as províncias dentro de cada região autónoma: no caso da Catalunha, por exemplo, são analisadas as províncias de Barcelona, Girona, Lérida e Tarragona.
A segunda característica do mercado de imprensa local é a pouca expressão virtual dos jornais regionais.
A terceira passa pela importância de dois Grupos de imprensa especializados neste mercado: o Vocento e a Prensa Ibérica Media, são proprietários da maioria dos títulos da imprensa local conceituada.
O Vocento registou, em 2019, receitas operacionais de 395 milhões de euros, dos quais 57% provinham da sua divisão de imprensa local, com 222 mil exemplares em circulação diária.
No caso da Prensa Ibérica Media, o volume de circulação ascendeu aos 137 mil exemplares. Contudo, no ano passado, o Grupo presidido por Francisco Javier Moll absorveu o Grupo Zeta. Se tivermos em conta a “performance” de ambas as empresas, em 2018, a circulação da Prensa Ibérica Media estaria ao nível da Vocento: 220 mil.
O governo turco aplicou multas às principais redes sociais, incluindo o Twitter, Facebook e Instagram, por estas plataformas terem desrespeitado as directivas de uma nova lei, que entrou em vigor no mês de Outubro.
Segundo a nova legislação, as redes sociais com mais de um milhão de ligações únicas diárias, como o Twitter e o Facebook, devem eleger um representante na Turquia, e eliminar determinados conteúdos num prazo de 48 horas.
No caso de incumprimento destas obrigações, as plataformas arriscam-se a multas até 30 milhões de liras turcas (cerca de três milhões de euros).
Apesar da ameaça de sanções, a maioria dos “gigantes” das redes sociais recusou, até ao momento, acatar as medidas previstas pela lei, ao considerarem que pode abrir o caminho a actos de censura.
Por isso, “foi imposta uma multa de 10 milhões de liras turcas (cerca de um milhão de euros) aos fornecedores de redes sociais, incluindo Facebook, Instagram, Twitter, Periscope, YouTube e TikTok, que não declararam ter designado um representante no final do prazo legal“, anunciou Ömer Fatih Sayan, vice-ministro dos Transportes e infraestruturas.
A cobertura mediática das eleições norte-americanos focou-se, durante os meses de Setembro e Outubro, em reportagem sobre desinformação, censura e utilização das redes sociais revelou um estudo do “site” “Axios”.
Isto verificou-se, principalmente, em canais noticiosos, cujos jornalistas passaram a empregar expressões como “fake news” ou “misinformation” (informação enganadora, em português).
Estes tópicos vieram “ultrapassar” os termos que, por norma, são utilizados em período pré-eleitoral, como “imigração”, “segurança social” e “alterações climáticas”.
De acordo com a análise do “Axios”, esta tendência foi impulsionada pelo candidato republicano, Donald Trump, que tende a questionar o trabalho dos “media”. Aliás, o termo mais empregado por Trump, durante o último ano, foi “fake news”.
A “Axios” recordou , ainda, que os temas relacionados com a liberdade de imprensa e confiabilidade raramente são abordados pelos “media”.
Os colaboradores da agência Lusa decidiram, em plenário, que irão entrar em greve, nos dias 13 e 14 de Novembro, como forma de protesto contra o corte de 29,65 euros no subsídio de transporte.
Esta redução, explicaram os profissionais, foi efectivada no salário, de Outubro, “de forma unilateral pela administração da empresa”.
Além de defenderem a reposição do montante, os colaboradores da Lusa exigem, ainda, “o cumprimento integral do Acordo de Empresa, nomeadamente, as cláusulas relativas ao pagamento do trabalho extraordinário e nocturno, e a integração nos quadros dos trabalhadores com vínculo precário que respondem a necessidades permanentes”.
Ademais, “os sindicatos tudo farão para inverter a situação e retomar as negociações das matérias pecuniárias previstas no Acordo de Empresa”.
A jornalista Alexandra Borges, que mantinha um segmento de reportagens de investigação na TVI, está de saída da estação de Queluz.
A profissional, que estava há 21 anos naquele canal, justificou a decisão nas redes sociais.
“Vinte e um anos é uma vida. Cresci profissionalmente na TVI e dediquei-me ao jornalismo de investigação porque ainda acredito que é um dos mais importantes pilares da democracia”, começou por referir aquela jornalista.
“Costumo dizer que o meu pai me deixou a mais valiosa das heranças: a honestidade e a lealdade”, garantindo que “é este ADN que levarei comigo para um novo desafio profissional, desafio este que terá os ingredientes que sempre exigi na minha vida profissional, ambição em fazer melhor, lideranças competentes e sérias e projectos disruptivos que acrescentem, qualitativamente, tanto a quem os protagoniza como, também, ao nosso país”.
A Associação de Imprensa de Madrid (APM) -- com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- voltou a promover, no dia 3 de Novembro, uma sessão de "Workshops para a leitura da imprensa", destinados a jovens entre os 13 e os 17 anos.
A conferência, organizada pela APM em colaboração com a Fundação "la Caixa", contou com a presença do director do jornal “El Mundo”, Francisco Rosell, que encorajou os jovens a continuarem a informar-se sobre literacia mediática.
“Estamos a viver numa época de ‘infodemias’, ou a chamada superabundância de informação, que, por vezes geram confusão entre os cidadãos”. Neste contexto, Rosell aconselhou os participantes a desconfiarem dos conteúdos que “reafirmem as nossas preconcepções”.
Da mesma forma, o director do “El Mundo” destacou "a necessidade social do jornalismo", ou seja, o trabalho que os “media” desenvolvem para ajudarem a sociedade a discernir a verdade da desinformação.
Rosell afirmou, ainda, que “os ‘media’ são, não só, uma extraordinária fonte de conhecimento", mas que enriquecem, igualmente, "a escrita, a conversa e, acima de tudo, a reflexão".
De todos os dilemas enfrentados, actualmente, pelas “startups” de jornalismo, o mais difícil e, também, o menos discutido é a sustentabilidade financeira a médio e longo prazo, reiterou Carlos Castilho num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria,
De acordo com o autor, esta preocupação começa, finalmente, a tornar-se relevante, porque a esmagadora maioria das iniciativas não consegue sobreviver mais do que dois anos e meio. Os empreendedores estão, assim, a procurar novas fórmulas de gerar receitas.
Isto acontece porque muitos dos projectos demonstraram que é necessário ter uma base financeira sólida, que, até agora, dependia da publicidade.
A análise das iniciativas falhadas sugere, assim, que a solução mais viável para a sobrevivência de projectos jornalísticos “online” assenta, provavelmente, na relação estabelecida com o público.
Ou seja, os empresários devem garantir um nível de proximidade com os leitores, que têm de ser tratados como parceiros, e não como consumidores passivos. Isto obriga a que se investigue a realidade em que se inserem: ou seja, a seguirem a Teoria da Prática.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.