O Sindicato dos Jornalistas (SJ) pediu a intervenção do Governo e da Assembleia da República no processo de despedimento colectivo da Global Media, detentor de títulos como “Diário de Notícias”, “Jornal de Notícias” e “O Jogo”:
Em comunicado, o SJ revelou que “escreveu ao primeiro-ministro, às ministras do Trabalho e da Cultura, ao secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media e ao grupos parlamentares da Assembleia da República, exigindo que intervenham no âmbito do presente processo de despedimento colectivo”.
O SJ denunciou ainda que “o regime de ‘lay-off’ simplificado”, implementado em Abril, acabou por financiar os despedimentos em causa. “Se o objectivo real do ’lay-off’ simplificado é a manutenção do nível de emprego, as autoridades mencionadas têm a obrigação de garantir que assim seja”.
Até porque, de acordo com o SJ, “os despedimentos e a degradação das condições de trabalho não devem, nem podem, ser a única solução das administrações para resolver as dificuldades económicas”
Recorde-se que, no final de Outubro, a Global Media anunciou a dispensa de 81 colaboradores, 17 dos quais jornalistas.
Os rendimentos consolidados da Media Capital desceram 22% até Outubro deste ano, para 104,6 milhões de euros, revelou o Grupo, num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
A empresa justificou os resultados com a pandemia e a redução da quota de audiência.
Segundo a Media Capital, estes factores “tiveram maior incidência nos meses de Março a Junho, período em que o mercado publicitário relevante do grupo Media Capital recuou de forma agregada”.
Por outro lado, o Grupo referiu que, “devido a uma cuidada gestão de tesouraria”, o endividamento financeiro líquido do período em análise, diminuiu 7,3 milhões de euros desde Junho de 2020 (de 93,5 milhões de euros para 86,2 milhões de euros)”.
“Neste ambiente, e consciente da sua relevância e responsabilidade enquanto Grupo de ‘media’ de excelência e referência em Portugal, foram tomadas as medidas operacionais e estratégicas adequadas por forma a corresponder aos difíceis desafios, garantindo em simultâneo a qualidade da cobertura jornalística e dos restantes conteúdos ao público em geral, bem como a execução das necessárias medidas de segurança sanitária”, garantiu a empresa.
No dia 2 de Novembro, a UNESCO celebrou o Dia Internacional para o Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, que tem como objectivo alertar para a baixa taxa global de condenação por crimes violentos contra profissionais dos “media”.
Para assinalar a ocasião, a directora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, publicou um comunicado, no qual referiu que “um dos papéis mais importantes dos jornalistas é trazer a verdade para a luz do dia. Isto significa identificar, compilar e verificar factos e, a seguir, dar conta do seu significado com precisão. Isto coloca os jornalistas numa posição única e crucial”.
“No entanto, para demasiados jornalistas, dizer a verdade tem um preço -- continuou aquela responsável -- Entre 2010 e 2019, cerca de 900 jornalistas foram mortos no exercício das suas funções (...) Muitos perderam a vida enquanto cobriam conflitos, mas outros foram assassinados por investigarem casos de corrupção, tráfico, irregularidades políticas, violações dos direitos humanos e as questões ambientais”.
Audrey Azoulay sublinhou, por outro lado, que “a morte não é o único risco que os jornalistas enfrentam, uma vez que os ataques à imprensa podem assumir a forma de ameaças, raptos, detenções, prisão ou assédio - ‘offline’ e ‘online’, e visam, especialmente, as mulheres.
“Ainda que o número de jornalistas mortos em 2019 seja algo animador, por ter atingido o seu nível mais baixo numa década, este tipo de ataques está a progredir a um ritmo alarmante, e a crise da covid-19 gerou novos riscos para os profissionais dos ‘media’ em todo o mundo”, prosseguiu.O jornalismo enfrenta um nível de ameaças sem precedentes, incluindo um possível "evento de extinção" que deve ser abordado com urgência, revelou o relatório "Jornalismo e Pandemias: Um instantâneo global de impactos", citado por Miguel Ormaetxea num artigo publicado no “site” “Media-tics”.
As conclusões basearam-se nas respostas de um inquérito, realizado junto de 1400 jornalistas.
De acordo com o estudo, a pandemia está a afectar, gravemente, o jornalismo, ao acelerar a quebra nas receitas de publicidade e de circulação, que estão na base na instabilidade financeira de muitos títulos.
Cerca de 17% dos inquiridos disse que as receitas das suas empresas caíram mais de 75% por cento durante os primeiros três meses da pandemia e, além disso, quase 90% dos jornalistas apontou que o empregador tinha implementado medidas de contenção de custos.
Aliás, a maioria dos jornalistas referiu que a maior necessidade dos “media” passa pela a obtenção de financiamento para cobrir custos operacionais.
Por outro lado, o aumento da partilha de conteúdos falsos tem dificultado o trabalho de 28% dos inquiridos, que dizem detectar “fake news” várias vezes por dia. Segundo indicaram os jornalistas, as principais fontes de desinformação são o Facebook (66%), seguido pelo Twitter (42%) e o Whatsapp (35%).
O Grupo Discovery, que detém os canais Eurosport, vai proceder a um corte de 10% no número de colaboradores. A medida foi justificada com a diminuição das receitas na transmissão “tradicional” de programas -- ou seja, nos conteúdos que são consumidos em “directo”.
O plano de contenção deverá afectar todo o escritório de Paris, que inclui os canais Eurosport France, Eurosport International e Discovery France.
Entre as equipas afectadas, poderão incluir-se técnicos de vídeo e pessoal envolvido na gestão de antena. Mas, em declarações ao jornal “Le Monde”, um dos colaboradores do Grupo afirmou que ainda não foi revelado “quem está de partida”.
Na opinião daquele profissional, a empresa deveria ter adiado a medida, já que a Eurosport obteve licença para transmitir os Jogos Olímpicos de Tóquio (agendados para Julho de 2021), o que deverá impulsionar as receitas.
Nos últimos meses, o Eurosport-Discovery sofreu várias mudanças na gestão. No início de Setembro, o Grupo anunciou a anexação da filial do Eurosport France a Espanha, e consequentemente, a partida de Laurent Prud'homme, o director da Discovery France.
Os portugueses passam, em média, 129 minutos, por dia, nas redes sociais, o que faz de Portugal o quinto país da União Europeia com maior utilização destas plataformas e, por conseguinte, dos mais expostos à desinformação, revelou um relatório do Centro Comum de Investigação (CCI), o serviço científico interno da Comissão Europeia.
De acordo com o estudo, no ano passado, "48% dos cidadãos da União Europeia [UE] utilizavam redes sociais todos os dias, ou quase todos os dias". Desta forma, as plataformas digitais tornaram-se “uma característica omnipresente na vida" dos cidadãos europeus.
O relatório revelou, igualmente, que, entre Julho de 2019 e Julho de 2020, a quase totalidade (98,5%) da utilização das redes sociais em toda a UE assentava sobre cinco plataformas, todas elas norte-americanas: o Facebook, o Pinterest, o Twitter, o Instagram e o YouTube.
Relativamente à política, os responsáveis pelo estudo referiram que "os espaços ‘online’ podem funcionar como laboratórios que desenvolvem conversas extremistas”, existindo provas de que “as redes sociais mudam o comportamento cívico dos cidadãos, incluindo o incitamento a comportamentos perigosos, tais como crimes de ódio".
O Facebook lançou o “Get Digital”, um programa gratuito de literacia digital para jovens, pais e educadores portugueses. O objectivo é ajudar os mais novos “a navegarem de forma segura”, num mundo “online” “progressivamente mais complexo”, e a influenciarem “a comunidade de forma positiva”.
Os recursos deste programa assentam em cinco pilares: Alicerces digitais; Bem-estar digital; Interação digital; Emancipação digital; e Oportunidades digitais.
“Os cinco pilares estão distribuídos num módulo de três partes distintas: educadores, pais e jovens”, adiantou o Facebook, referindo que “esta abordagem holística permite que a mensagem da segurança ‘online’ esteja presente tanto em casa, como na sala de aula”.
Enquanto os educadores têm acesso a 37 lições para apresentar, a alunos dos 11 aos 18 anos, os pais podem aceder a cinco vídeos educativos. Por outro lado, os próprios jovens têm à sua disposição uma série de exemplos de impacto positivo na comunidade “online”, assim como exercícios e actividades.
O “cartoonista” e realizador de cinema francês, Riad Sattouf, é o protagonista da mais recente revista dos Repórteres sem Fronteiras (RSF), intitulada “Riad Sattouf, 100 desenhos para a liberdade de imprensa”.
Este edição inclui, também, "os segredos dos desenhos que marcaram a carreira” de Sattouf, “desde os primeiros ‘cartoons, que desenhou na sua infância, até ao seu sucesso global”.
Para além do trabalho de Sattouf, o álbum apresenta, igualmente, numerosas contribuições de colegas, amigos e editores.
As receitas desta edição reverterão, na sua totalidade, para a promoção da liberdade de imprensa.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
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