A Russia Today France -- versão francesa de um canal televisivo russo-- está a atravessar um período turbulento, agora que aguarda a renovação da licença de emissão, que deverá ser atribuída pelo CSA (Conseil supérieur de l'audiovisuel ), até ao final do ano.
Durante o período de espera, o operador dispensou a maioria dos seus repórteres de imagem, revelou o jornal “Le Monde”.
Todos os colaboradores da RT France estão obrigados, contratualmente, a cumprir a “lei do silêncio”. Contudo a 23 de Setembro, um fotojornalista, Nicolas Winckler, partilhou alguns pormenores sobre as operações no interior da redacção, através das redes sociais.
Isto porque, nesse dia, seis repórteres de imagem foram informados de que o seu contrato não seria renovado.
Os profissionais em causa foram contratados pelo ex-director de informação, David Bobin, que abandonou o canal em meados de Agosto.
Serão, agora, substituídos por técnicos de imagem, sem formação em jornalismo.
O operador público holandês de radiodifusão, o NOS, foi forçado a “neutralizar” as suas carrinhas, retirando-lhes o logotipo de empresa.
Desta forma, o operador espera reduzir os ataques aos seus colaboradores, por parte de militantes radicais, que têm, igualmente, vandalizado o material de reportagem.
Em entrevista ao “Guardian”, o editor-executivo do NOS, Marcel Gelauff, afirmou que “o jornalismo está sob ataque de cidadãos, que rejeitam perspectivas plurais, e que, por isso, violam o direito à liberdade de imprensa”.
Perante este acontecimento, o ministro da Comunicação holandês, Arie Slob, apelou a que os atacantes deixassem “os jornalistas fazer o seu trabalho, de forma segura e independente”.
A porta-voz do Parlamento, Khadija Arib, afirmou, por sua vez, que estava profundamente preocupada com o aumento de ataques “online” contra os profissionais dos “media”.
Já o coordenador nacional da Luta Contra o Terrorismo, dos Países Baixos, Pieter-Jaap Aalbersberg, referiu que a crise do coronavírus intensificou as manifestações contra a comunicação social.
O mercado dos “media” está a ficar saturado e, por isso, é necessário apostar na revitalização de projectos já existentes.
Pelo menos essa é a ideia por detrás da iniciativa “Newstart”, que quer ajudar jovens profissionais a modernizarem redacções locais, que ainda estão a gerar lucro.
Num artigo publicado no “Columbia Journalism Review”, a jornalista Lauren Harris revelou que o primeiro objectivo deste projecto, promovido pela Universidade de West Virginia, é estabelecer ligação entre cidadãos, que querem gerir negócios mediáticos, e empresários que pretendam vender os seus títulos.
Ao passarem o legado, estes “homens de negócios” esperam garantir o futuro das publicações, através da perspectiva de jovens empreendedores.
De acordo com o responsável pelo projecto, Jim Iovino, esta é uma fórmula eficaz de garantir que as publicações mais tradicionais realizem a sua transformação digital e adoptem modelos de negócio sustentáveis.
O jornalista ganês, David Tamakloe, foi detido pelas autoridades policiais, por ter, alegadamente, violado o código criminal daquele país.
Em declarações ao Comité Para a Protecção dos Jornalistas (CPJ), aquele profissional -- que exerce funções como editor executivo da publicação privada “Whatsup News” -- afirmou que, estava em causa uma reportagem, publicada em Julho, sobre a crise pré-eleitoral na região de Ashanti.
Entretanto, Tamakloe foi libertado sob uma caução de 10 mil cedis (cerca de 1500 euros).
Perante este quadro, o CPJ apelou, junto do governo do Gana, que fossem retiradas todas as queixas contra o profissional, recordando que, naquele país, as autoridades têm por hábito perseguir jornalistas.
De acordo com relatórios dos Repórteres sem Fronteiras (RSF) e da Freedom House, apesar de o Gana ser considerado um dos países mais democráticos de África, onde existe pluralidade jornalística, cerca de um terço dos “media” são controlados pelo Estado.
O Sindicato dos Jornalistas considera que o Orçamento do Estado para 2021 deveria incluir medidas de apoio ao sector dos “media”, além de uma iniciativa para a literacia mediática.
Em declarações à Lusa, a presidente do Sindicato, Sofia Branco, salientou que “com excepção das empresas do sector empresarial do Estado,(...), não está nada previsto no Orçamento do Estado, que responda àquilo que nos parecem ser as exigências do sector, neste contexto”.
Aquela dirigente recordou, ainda, que o Governo demorou seis meses a estabelecer contactos com “media”, regionais e nacionais, para a atribuição das verbas da compra antecipada de publicidade institucional. Uma situação que considerou “inadmissível”.
Os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) lançaram, recentemente, a campanha “Pacto para a Liberdade de Imprensa”, com o objectivo de sensibilizar os candidatos presidenciais nos Estados Unidos para a importância da pluralidade mediática.
O primeiro passo consiste em pedir aos candidatos, à presidência e ao Congresso, que assinem um compromisso de campanha.
Depois, os signatários deverão informar-se sobre a história da liberdade de imprensa nos Estados Unidos.
Para tal, os RSF forneceram um breve resumo, no qual recordam que, durante muitos anos, os EUA foram considerados os principais defensores dos “media”, graças à Primeira Emenda da Constituição, que prevê a defesa do trabalho jornalístico.
A organização sublinha, porém, que este estatuto tem vindo a deteriorar-se. Em 2020, os Estados Unidos ocupam o 45º lugar no Índice de Liberdade de Imprensa, num total de 180 países.
A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) abriu um processo de contraordenação contra Mário Ferreira e o Grupo Prisa, baseando-se na decisão preliminar da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Em causa está o acordo sobre direitos de preferência na venda de acções da empresa espanhola, anunciado por Mário Ferreira aquando da comunicação da compra de cerca de 30% das acções da Media Capital.
A ERC justificou a decisão com facto de existirem "fortes indícios da ocorrência de uma alteração não autorizada de domínio sobre os operadores de rádio e de televisão”.
"Do ponto de vista da ERC, é necessário saber se estas operações envolvem ou não uma alteração de domínio sobre os operadores de rádio e de televisão acima identificados, visto que a lei exige (...) uma autorização prévia”, pode ler-se num comunicado, partilhado no “site” da Entidade.
Na sua deliberação, a ERC sublinhou, ainda, que a alteração de domínio constitui uma contraordenação, prevista na Lei da Rádio, com coimas até 100 mil euros e, na Lei da Televisão, com coimas até 375 mil euros.
A pandemia veio alterar o “modus operandi” de muitos jornalistas, que deixaram de deslocar-se à redacção e passaram a exercer as suas funções em regime de teletrabalho.
Este quadro deve manter-se inalterado, nos próximos meses, o que tem levantado objecções por parte de alguns especialistas do sector.
A título de exemplo, a editora executiva do jornal “Financial Times”, Roula Khalaf, considera que o teletrabalho é prejudicial para a indústria dos “media”.
Durante o evento Future of News, aquela profissional declarou que não apreciava trabalhar a partir de casa e que gostaria de ver os seus colegas a “regressarem ao escritório”.
"Penso que estamos a subestimar aquilo que perdemos por não estarmos na redacção, porque somos uma indústria criativa, precisamos de falar uns com os outros”, afirmou. "Temos de partilhar ideias”.
Em declarações noutro painel do mesmo evento, o director executivo do “Financial Times”, John Ridding, também se mostrou apreensivo quanto ao trabalho remoto.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
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