As autoridades egípcias continuam a coartar a liberdade de imprensa, através da prisão de jornalistas e do controlo e manipulação no tráfego “online”.
Em 2018, o governo instituiu uma nova lei, que condena a prática de “cibercrimes”. Este ano o diploma começou a ser utilizado contra os “media”.
No final de Junho, a jornalista Noura Younis -- responsável pelo “site” de jornalismo colaborativo “al-Manassa” -- foi detida, sob acusações de utilizar um “software” de edição, sem a autorização prévia do governo.
Em declarações ao Comité Para a Protecção dos Jornalistas (CPJ), Younis afirmou que as acusações carecem de fundamento, já que o “software” em causa não é suportado pelo sistema operativo que utiliza, o “Ubuntu”.
Esta não é a primeira vez que o “al-Manassa”, lançado há quatro anos, é alvo de censura. Em 2017, o “site” foi encerrado, por ter, alegadamente, partilhado “fake news”.
A publicação foi, assim, forçada a alterar o domínio do “site”, de .org para .net.
A plataforma de “streaming” Netflix está a testar uma modalidade de áudio, para o sistema operativo Android. Caso seja aprovada, esta variante permitirá que os utilizadores tenham acesso aos sons de séries e de filmes, oferecendo uma experiência semelhante à dos “podcasts” e dos “audiobooks”.
A novidade foi revelada pela XDA Developers, que encontrou novas linhas de código na “app” da plataforma de “streaming”.
Naquelas linhas de código, a Netflix sugere que os utilizadores “poupem internet móvel, ao desligar o vídeo e ouvindo os seus programas preferidos”. Outro dos trechos indica que o “vídeo está desligado”, mas que os utilizadores podem “ouvir o seu programa, enquanto realizam outras actividades”.
Os líderes do Facebook, Google e Twitter responderam a mais de 120 perguntas dos senadores de ambas as forças políticas norte- americanas – democratas e republicanos – sobre uma importante lei da internet, a secção 230.
A secção 230 é a principal responsável pelo crescimento destas empresas, já que lhes fornece imunidade perante qualquer conteúdo publicado, por terceiros, nas suas plataformas, e permite-lhes moderar os “posts” que considerem ofensivos.
Vários membros do Congresso mostraram-se preocupados com a possibilidade de esta lei estar desactualizada e exigiram que fosse reformulada urgentemente.
Por outro lado, Sundar Pichai, CEO da Google, sugeriu que o comité fosse “cauteloso”. Jack Dorsey, que lidera o Twitter, afirmou que a erosão do núcleo da lei faria “colapsar a forma como comunicamos na internet”.
Mark Zuckerberg acabou por posicionar-se de forma diferente. O presidente executivo do Facebook disse que “o debate sobre a Secção 230 mostra que cidadãos de todas as tendências políticas estão insatisfeitos com o status quo”. “Mudá-la [ à secção] é uma decisão significativa. No entanto, acredito que o Congresso deve actualizar a lei para se certificar de que está tudo a funcionar como pretendido.”
O Observatório de “media” Acrimed condenou, em comunicado, o assassinato do professor francês Samuel Paty, bem como a instrumentalização do acontecimento pelos “media”.
De acordo com aquela associação, estes incidentes constituíram um atentado contra a liberdade de expressão e de imprensa.
“Quando a nossa associação foi criada, em 1996, as nossas lutas eram pioneiras: criticar os excessos dos ‘media’. Lutar contra a apropriação dos meios de comunicação social pelos capitalistas. Denunciar as mentiras do Estado, partilhadas pela imprensa. Atacar a ‘circulação da desinformação’. Defender a reapropriação democrática dos meios de comunicação social. (...) Propor ferramentas para reconstruir a imprensa. E para protestar contra todas as formas de censura”, pode ler-se no documento.
“Acima de tudo, queríamos defender a liberdade de imprensa (...) O direito à caricatura e à sua crítica”, continua o comunicado. “Gostaríamos de nunca ter de reafirmar esta premissa”.
A liberdade de imprensa continua a ser reprimida na Hungria, onde o tribunal de Budapeste emitiu uma ordem judicial contra a publicação de uma reportagem, do jornal “Magyar Narancs”, sobre a empresa de bebidas Hell Energy.
Para tal, a justiça húngara citou o Regulamento Geral sobre a Protecção de Dados da UE.
Em resposta a este acontecimento, o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ) considerou que “as empresas privadas têm o direito de iniciar processos contra publicações jornalísticas, mas não devem evitar o escrutínio e suprimir informação que pertence ao domínio público”.
Em declarações ao CPJ, Keller-Alánt, jornalista de investigação para o “Magyar Narancs”, confirmou o envio de onze perguntas, para a Hell Energy.
A empresa não respondeu, mas iniciou um processo em tribunal, apelando às autoridades que impedissem a publicação de qualquer conteúdo relacionado com as questões.
De acordo com aquele profissional, a decisão constitui “um precedente perigoso, que terá consequência negativas no jornalismo de investigação húngaro”.
Pela primeira vez em quase 100 anos de história, a “newsmagazine” “Time”, decidiu alterar o seu logótipo, substituindo-o pela palavra “Vote”.
“Poucos acontecimentos irão moldar mais o mundo do que o resultado destas eleições presidenciais nos EUA”, justificou Edward Felsenthal, director e CEO da “Time”, explicando que a decisão de mudar o logótipo serve o propósito de “marcar este momento histórico”.
Assim, esta edição inclui, também, “um guia sobre como votar de forma segura durante este extraordinário ano”, de forma a incentivar o exercício do direito ao voto.
“Estamos perante um momento raro, daqueles que irá separar a história em antes e depois ao longo de gerações. É por este tipo de momento que os leitores, por todo o país, e pelo mundo fora sempre procuraram a ‘Time’”, concluiu Edward Felsenthal.
A credibilidade do “New York Times” ficou abalada, depois de o prestigiado jornal ter desencadeado uma investigação interna sobre o “podcast” “Caliphate”, (califado, em português).
O “Caliphate” foi um projecto iniciado, em 2018, pela jornalista Rukmini Callimachi , especializada em investigações sobre o “jihadismo”.
Para esta iniciativa, Callimachi tentou entrar em contacto com membros do Estado Islâmico, para que estes pudessem relatar, em primeira mão, a sua acção na Síria. Foi então que a jornalista conseguiu uma entrevista com um cidadão canadiano, Abu Huzayfah, que relatou, ao pormenor, o seu envolvimento com o ISIS.
Huzayfah foi, assim, a peça central do “podcast”, descrevendo, de forma grotesca, algumas das situações que teria presenciado.
Contudo, as autoridades canadianas apuraram, entretanto, que Abu Huzayfaj mentiu sobre o seu passado e que pode nunca ter viajado para a Síria. Aliás, o cidadão foi acusado de partilhar “teorias da conspiração que incitaram à violência”, sem qualquer menção à participação em actos terroristas.
Perante este quadro, o colunista de “media”, Ben Smith, revelou que o jornal iniciou uma investigação interna.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, desrespeitou um compromisso estabelecido com o canal CBS, ao partilhar um excerto da sua participação no programa “60 Minutes”.
Trump mostrou-se insatisfeito com resultado da sua entrevista com a correspondente Lesley Stahl, e ameaçou “arruinar o programa”, ao revelar, antecipadamente, parte do seu conteúdo, através das redes sociais.
De acordo com a equipa da CBS News, esta acção constitui uma “violação de um acordo” que a Casa Branca mantém com aquele canal noticioso.
Com este gesto, o presidente norte-americano pretendeu demonstrar que Stahl foi “injusta”, já que colocou questões “ mais leves” ao candidato democrata às eleições de 3 de Novembro, Joe Biden.
Entretanto, a CBS publicou um comunicado, anunciando que “ a decisão, sem precedentes, da Casa Branca, em ignorar o seu acordo com a CBS News e em partilhar as suas filmagens não impedirá o ‘60 Minutes’ de divulgar a reportagem completa e contextualizada”.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.