O secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva, anunciou que o processo de compra antecipada de publicidade institucional pelo Estado, no montante global de 15 milhões, está “neste momento, na sua fase final”.
Contudo, em comunicado, a Associação Portuguesa de Radiodifusão referiu, por sua vez, que a informação de que dispõe contraria esta versão.
Isto porque, apenas 32 de 258 rádios locais receberam, até agora, verbas da compra antecipada de publicidade institucional por parte do Estado.
“Atendendo a que nos encontramos a meio do mês de Novembro, é difícil acreditar que o processo de aquisição antecipada de publicidade do Estado estará totalmente concluído até ao final do ano, contudo continuamos a ter esperança que esta situação se concretize neste prazo”, acrescentou a APR, referindo, ainda, que remeteu a informação para o gabinete do secretário de Estado, “para que possa ter um conhecimento real do ponto em que se encontra todo o processo”.
O projecto português de jornalismo de investigação “Divergente” vai ser apoiado pelo programa de bolsas Civitates, promovido Network of European Foundations.
Em comunicado, a organização referiu que, “acolheu, especialmente, as candidaturas de organizações que operam em contextos onde o mercado falhou em apoiar o jornalismo independente, os ‘media’ foram capturados por actores estatais ou não estatais, ou onde houve um ambiente hostil para o jornalismo de interesse público”.
Ao todo, a Civitates vai distribuir, ao longo de três anos, 2,4 milhões de euros por 11 títulos. O “Divergente” irá receber 150 mil euros.
Pelo menos um colaborador do jornal “online” “Observador” foi alvo de tentativa de agressão, durante a manifestação dos empresários da restauração, no largo do Rossio.
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) condenou, entretanto, o incidente, defendendo que as imagens aí registadas são “suficientes” para a abertura de um inquérito judicial.
De acordo com o “Observador”, uma das equipas do jornal “foi ameaçada por manifestantes e teve de ser retirada do local, após um dos dinamizadores do protesto ter criticado uma notícia dada [pela publicação], que referia a presença de 200 pessoas na manifestação, e que estava desactualizada”.
“Pouco depois daquela crítica ao’ Observador’ , feita a partir do palco, uma dezena de manifestantes correram irados em direcção à equipa da Rádio Observador, facilmente identificada pelo microfone. Perante a ameaça de agressão iminente, a PSP retirou a nossa equipa do local, para garantir a sua segurança”.
Perante este quadro, o SJ instou “a direcção do ‘Observador’ a agir em conformidade, ou seja, a apresentar queixa às autoridades competentes na defesa do jornalista”.
A violência contra jornalistas continua a intensificar-se no México, onde foram registados três homicídios de profissionais dos “media” em apenas duas semanas. Ao todo, desde o início do ano, foram assassinados, naquele país, oito colaboradores na comunicação social.
De acordo com relatórios dos Repórteres sem Fronteiras (RSF) e do Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ), os jornalistas que investigam casos de corrupção e tráfico de drogas são os principais alvos de ataques.
As organizações alertam, ainda, para o facto de a maioria dos responsáveis pelos crimes saírem impunes.
“Se quiseres matar um jornalista, podes fazê-lo sem grande risco de seres apanhado”, afirmou Jan-Albert Hootsen, representante do México no CPJ, em declarações ao “Guardian”. “Regista-se, assim, uma crise de criminalidade e impunidade. Até porque os sucessivos governos mexicanos, nada têm feito para alterar este quadro”.
Perante esta situação, os jornalistas mexicanos são obrigados a reforçarem as medidas de precaução.
Os “media” espanhóis carecem de transparência nas áreas de propriedade, gestão empresarial, informação económica, criação e divulgação de conteúdos e conformidade regulamentar, denunciou o estudo Primera Plana 2019, realizado pela Fundación Compromiso y Transparencia.
De acordo com o relatório -- que se baseou em 19 indicadores -- nenhum dos 21 Grupos de “media” e publicações avaliados vão ao encontro dos critérios estabelecidos, para alcançar o patamar de “transparência”.
No relatório deste ano, apenas os Grupos Atresmedia, Mediaset, Prisa e Vocento entraram para a categoria de "translúcido" (em parte como resultado das obrigações acima mencionadas).
Os restantes, ficaram-se pela categoria “opaco”.
Entre as suas conclusões, o relatório Compromisso e Transparência afirma que "os grupos de comunicação social espanhóis ainda não estão conscientes dos riscos que afectam a sua credibilidade e independência editorial".
Com a entrada na era digital, os “media” portugueses sofreram algumas alterações profundas, que se reflectiram, igualmente, no comportamento das audiências e, mais tarde, no modelo de negócio.
Como tal, durante a última década, o Obercom tem vindo a recolher dados sobre as tendências dos meios de comunicação social, de forma a projectar o futuro do sector em Portugal.
No seu mais recente relatório, intitulado “Análise do Comportamento dos Media”, o Obercom comparou os resultados dos principais meios portugueses, tanto na imprensa escrita, como na rádio e na televisão, entre 2008 e 2019.
No que toca à imprensa, o Obercom concluiu que, em 2019, foram aprofundadas algumas tendências. As treze publicações analisadas permitiram constatar que, quer no volume de circulação paga, quer no volume de tiragens, registaram-se quebras acentuadas.
Com efeito, em 2019, o valor global da circulação paga era já menos de metade daquele verificado em 2008.
No período 2008-2019, o “Diário de Notícias” lidera nas perdas em circulação impressa paga. Contudo, praticamente todas as publicações analisadas diminuiram o volume de vendas em banca, com excepção da revista “Sábado” (+ 1,3%) e do “Jornal Económico” (+56%)
Em relação ao índice de Eficiência das publicações, que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa, continua a verificar-se a liderança do “Expresso” e da revista “Visão”.
De salientar que o jornal “Correio da Manhã” é ainda o título com maior distribuição e mais vendas registadas, com o semanário “Expresso” a surgir no segundo lugar.
Os fundos de apoio ao jornalismo de investigação estão a ser reduzidos em vários países, uma tendência que tem sido agravada pela pandemia, sendo necessário implementar medidas políticas para inverter o actual panorama, alertou o “Media for Democracy Monitor 2020” (MDM).
No caso português, a generalidade dos meios de comunicação reconhece que a situação económico-financeira “é muito difícil”, ressalvando que os jornalistas têm sido “decisivos na descoberta e denúncia” de alguns casos “de maior impacto público”.
Neste sentido, os canais de televisão têm procurado manter “maior atenção” ao jornalismo de investigação, recorrendo a programas semanais e a reportagens de média duração. “Além disso, a participação de meios portugueses em consórcios internacionais de investigação jornalística tem dado alguns frutos neste domínio”, aponta o estudo.
Da mesma forma, nos Países Baixos e na Bélgica, os projectos jornalísticos de investigação têm sido “possíveis mediante políticas de subsidiação”.
Já na Suécia, alguns órgãos de comunicação privados têm tentado canalizar 10% dos orçamentos editoriais para trabalhos de investigação, enquanto na Dinamarca os “media” “mais importantes a nível nacional” procuram manter equipas dedicadas a reportagens especiais, disponibilizando os recursos adequados.
No Reino Unido, continua a observar-se “alguma dinâmica” na produção destes trabalhos, “embora as pressões financeiras se façam sentir cada vez mais nos meios regionais e locais”. Verifica-se uma situação semelhante na Austrália.
Nos países da América do Sul as dificuldades financeiras levaram à “redução substancial dos orçamentos” e, por isso, os trabalhos de investigação ficaram à responsabilidade de “freelancers”.
A poucas semanas de a Comissão Europeia definir novas regras para o mundo digital -- através do Acto de Serviços Digitais-- a Google expôs, publicamente, as suas preocupações, relativas ao Youtube.
Segundo apontou o jornal “Público”, o maior receio da empresa (dona do YouTube) é que as regras, para restringir desinformação e conteúdo ofensivo, diminuam os postos de trabalho e afastem os utilizadores do “site”.
“Vimos isto a acontecer durante o começo da pandemia, quando tivemos de trocar os nossos colaboradores por máquinas”, alertou Marco Pancini, responsável de políticas públicas do YouTube para a região europeia.
Pancini frisou que “o YouTube apoia a missão da UE para criar uma Internet mais responsável”, mas que as regras devem ser flexíveis e não devem impedir “a capacidade de as plataformas inovarem”.
“O que nos preocupa é a possibilidade de se criarem directivas excessivamente rígidas que influenciem a forma como removemos conteúdo”, sublinhou Pancini.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.