A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Com a segunda vaga da pandemia, os portugueses começaram a passar mais tempo em frente ao televisor: na última semana de Novembro, a média do consumo televisivo ultrapassou as seis horas diárias ( uma subida de 10 minutos, face à semana anterior).
Na equação do “share”, a televisão por cabo cresceu para os 37,3% de quota de audiência. A SIC estabilizou-se nos 18,7%, enquanto a TVI registou 17,2%. A diferença no “share” entre os dois generalistas privados é agora de apenas 1,5p.p., a menor do ano.
A RTP, por outro lado, caiu para os 11,5%. A Categoria “Outros” (inclui o visionamento em 'timeshift', 'streaming' e vídeo/jogos) subiu para os 13,2%.
A CMTV continua a liderar nos canais temáticos, seguida da SIC Notícias e da Globo.
O projecto Green Savers -- que contava já com um “site” informativo e uma “newsletter” -- lançou, recentemente, uma revista trimestral dedicada ao desenvolvimento sustentável.
O novo projecto editorial promete “uma visão abrangente sobre o país e o mundo”, numa abordagem baseada no “conceito de ‘slow journalism', apostando em reportagens, análises, entrevistas e artigos de opinião”.
A primeira edição tem 84 páginas e inclui conteúdos sobre finanças sustentáveis, economia verde, tecnologia e inovação, mobilidade, florestas, biodiversidades, mar e “design”.
A revista “Green Savers” integra a rede internacional Covering Climate Now, ligação da qual resulta, neste primeiro número, um “dossier” especial com artigos exclusivos do “Guardian” e da CBS News.
A retórica da dúvida tem sido um mecanismo eficiente para a criação de conteúdos desinformativos, especialmente no âmbito político, notou Carlos Castilho num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
De acordo com o autor, os adeptos da estratégia da dúvida desprezam a lógica e a coerência, acreditando que quanto maior a desorientação do público, menores a probabilidade de serem “desmascarados”.
Para que a estratégia da dúvida alcance os seus objectivos é necessário que o protagonista seja uma personalidade em cargos influentes, e tenha uma ampla divulgação pela imprensa e redes sociais.
O jornalismo torna-se, assim, um elemento-chave no processo, já que é o mecanismo ideal para desmistificar certos dados, contextualizando-os.
Como tal, os jornalistas devem ter em atenção os artigos virais que circulam nas plataformas “online”, para que estes temas não ganhem notoriedade política, num contexto de confrontos entre partidos ou candidatos.
Com a pandemia, os jornais portugueses começaram a apostar nos conteúdos digitais, como forma de colmatar a quebra das receitas publicitárias, e de circulação. Estes produtos foram, na sua generalidade, bem recebidos pelos cidadãos.
De acordo com o último relatório da APCT (Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação), o jornal “Público”, registou, no último ano, um crescimento de 110% nas assinaturas digitais. O formato “online” da publicação conta, agora, com cerca de 35 mil subscritores. Já o “Expresso” viu as assinaturas “online” subirem 49%. Em Setembro, o semanário somava 39.097 assinantes.
No “Jornal de Notícias” o crescimento foi de 54% (9549 em Setembro) e, no “Diário de Notícias”, os números dispararam 169%, num total de 4615 subscritores. O “Correio da Manhã” – que não tem uma estratégia de aposta nas assinaturas “online” – manteve números próximos dos registados 2019.
Mas as boas notícias ficam por aqui. As edições impressas continuaram a mostrar uma tendência decrescente, embora a ritmos muito diferentes. Entre Janeiro e Setembro, foram vendidos menos 25 639 jornais diários, relativamente ao mesmo período do ano passado.
No caso do “Público”, as vendas em banca caíram 17%, face a 2019, situando-se numa média de 11.541 exemplares diários.
Da mesma forma, o “Correio da Manhã” -- que continua a manter a liderança de circulação impressa -- registou um decréscimo de 21%, e o “Jornal de Notícias” caiu 25%.
Morreu, aos 97 anos, o ensaísta, escritor filósofo, professor, e notável pensador , Eduardo Lourenço.
Com várias distinções, nacionais e internacionais, Eduardo Lourenço recebeu, em 2016, o Prémio Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituido pelo CNC – Centro Nacional de Cultura, em parceria com o CPI – Clube Português de Imprensa e a Europa Nostra, que partilhou, ex-aequo, com o “cartoonista” Plantu.
Antes, como conferencista, esteve em 2013 no Grémio Literário, a convite do CPI e do CNC, onde proferiu uma palestra enquadrada no ciclo de jantar-debates, subordinado ao tema "Portugal: que Estado, que Sociedade, que Soberania?", juntamente com Guilherme D `Oliveira Martins.
Nascido em São Pedro de Rio Seco em 1923, Eduardo Lourenço estudou na Universidade de Coimbra e fez a maior parte da carreira no estrangeiro. Deixa, para trás, dezenas de volumes escritos, centenas de ensaios e milhares de outras intervenções públicas.
Em Bordéus, estagiou com uma bolsa Fulbright (1949). Em Hamburgo ou Heidelberg, foi leitor de Cultura Portuguesa (1953 a 1955). Passou, ainda, pela Universidade de Montpellier (1956 a 1958) e pela Universidade Federal da Bahia em 1959. Regressou a Portugal posteriormente à morte da mulher, após quase quatro décadas a viver em França.
Recorde-se que a atribuição do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural , instituído em 2013, teve como intenção homenagear o “especialista da alma e do imaginário português, memória viva da cultura portuguesa de que é um dos maiores historiadores e um dos seus criadores mais fecundos, e com obra traduzida numa dezena de línguas”.
À época, Eduardo Lourenço reagiu à notícia afirmando que “em plena crise da nossa milenária Europa, recebo a inesperada notícia de que me foi atribuído (...) o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, deputada europeia e militante ardente da causa da Europa. É uma consolação para o tempo caótico que vivemos e para mim é uma pequena luz ao fundo do túnel da nossa aventura europeia em panne.”
Alguns países europeus -- como é o caso da França e do Reino Unido -- estão a começar a limitar o poder exercido pelas empresas tecnológicas norte-americanas.
Em França, as autoridades francesas já começaram a cobrar um imposto sobre os serviços digitais às “gigantes” tecnológicas, noticiou o “Financial Times”. As empresas sujeitas “receberam a notificação de imposto referente a 2020”, confirmou uma fonte do governo, em comunicado.
Em declarações ao jornal “Público”, o Facebook afirmou que vai pagar os impostos exigidos por França. Segundo um porta-voz da empresa, a tecnológica norte-americana vai “[continuar] a incentivar um foco global por parte dos governos, para se chegar a uma reforma tributária nacional”.
Por outro lado, no Reino Unido está a ser criado um novo departamento para regular as plataformas “online”, com o objectivo de garantir a competição no sector tecnológico.
De acordo com o jornal “Guardian”, o Competitions and Markets Authority (CMA) ficará, assim, habilitado para aplicar um novo código de conduta às empresas, que deverão seguir um “comportamento aceitável”.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.