Com a segunda vaga da pandemia, os portugueses começaram a passar mais tempo em frente ao televisor: na última semana de Novembro, a média do consumo televisivo ultrapassou as seis horas diárias ( uma subida de 10 minutos, face à semana anterior).
Na equação do “share”, a televisão por cabo cresceu para os 37,3% de quota de audiência. A SIC estabilizou-se nos 18,7%, enquanto a TVI registou 17,2%. A diferença no “share” entre os dois generalistas privados é agora de apenas 1,5p.p., a menor do ano.
A RTP, por outro lado, caiu para os 11,5%. A Categoria “Outros” (inclui o visionamento em 'timeshift', 'streaming' e vídeo/jogos) subiu para os 13,2%.
A CMTV continua a liderar nos canais temáticos, seguida da SIC Notícias e da Globo.
Com a pandemia, os jornais portugueses começaram a apostar nos conteúdos digitais, como forma de colmatar a quebra das receitas publicitárias, e de circulação. Estes produtos foram, na sua generalidade, bem recebidos pelos cidadãos.
De acordo com o último relatório da APCT (Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação), o jornal “Público”, registou, no último ano, um crescimento de 110% nas assinaturas digitais. O formato “online” da publicação conta, agora, com cerca de 35 mil subscritores. Já o “Expresso” viu as assinaturas “online” subirem 49%. Em Setembro, o semanário somava 39.097 assinantes.
No “Jornal de Notícias” o crescimento foi de 54% (9549 em Setembro) e, no “Diário de Notícias”, os números dispararam 169%, num total de 4615 subscritores. O “Correio da Manhã” – que não tem uma estratégia de aposta nas assinaturas “online” – manteve números próximos dos registados 2019.
Mas as boas notícias ficam por aqui. As edições impressas continuaram a mostrar uma tendência decrescente, embora a ritmos muito diferentes. Entre Janeiro e Setembro, foram vendidos menos 25 639 jornais diários, relativamente ao mesmo período do ano passado.
No caso do “Público”, as vendas em banca caíram 17%, face a 2019, situando-se numa média de 11.541 exemplares diários.
Da mesma forma, o “Correio da Manhã” -- que continua a manter a liderança de circulação impressa -- registou um decréscimo de 21%, e o “Jornal de Notícias” caiu 25%.
Morreu, aos 83 anos, o jornalista e escritor francês Jean-Louis Servan-Schreiber, vítima de Covid-19.
Nascido em Boulogne-Billancourt a 31 de Outubro de 1937, Servan-Schreiber desempenhou um papel notável nos “media” franceses, ao fundar e dirigir alguns títulos conceituados.
A sua história de sucesso começou no seio familiar. Depois de terminar os estudos, em 1960, juntou-se ao jornal criado pelo seu pai, Emile Servan-Schreiber, o diário de negócios “Les Echos”.
Depois, em 1964, dirigiu, juntamente com o seu irmão, “L'Express”, que passou a ser considerada um modelo a seguir pelas revistas noticiosas.
Com Jean Boissonnat, fundou, em 1967, a revista “L'Expansion”. Pouco a pouco, a empresa adquiriu vários títulos, e passou a actuar em quinze países. Em 1994, foi forçado a vender o Grupo, devido à queda das receitas publicitárias.
Porém, em 1997, retomou a sua acção enquanto “patrão dos ‘media’”, ao criar, em Marrocos, o semanário “Vie économique”.
O modelo das “paywalls” está, finalmente, a tornar-se popular em Espanha, agora que as receitas publicitárias se mostram insuficientes para garantir o funcionamento dos jornais.
Perante este cenário, cerca de 350 mil cidadãos já subscreveram pelo menos um serviço digital, embora a distribuição de assinantes seja bastante desigual, revelou um estudo do jornalista e professor Miguel Carvajal.
Segundo a pesquisa de Carvajal, o jornal “El País” -- que lançou o modelo pago há menos de um ano -- contava, em Setembro de 2020, com 64 mil subscritores. Contudo, todos os leitores têm direito a um número limitado de artigos gratuitos por mês.
Em segundo lugar, está o “ElDiario.es”, com 56 mil assinantes. Este é o caso que mais se destaca, dado que o conteúdo digital é de livre acesso e sem limitações. O número de subscritores resulta, assim, da criação de uma comunidade leal, disposta a apoiar os “media” independentes.
Em terceiro lugar está 'El Mundo', com uma estratégia de artigos ‘premium’, e 50 mil assinantes.
O governo sudanês está a apertar as restrições à liberdade de imprensa “online”, ao criminalizar a partilha de “fake news” em plataformas digitais, o que inclui qualquer crítica apontada ao regime semi-militar, alertou o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ).
Estas novas restrições dizem respeito a uma emenda legislativa, aplicada a 13 de Julho pelo governo interino, que assumiu funções no Verão.
Em declarações ao CPJ, um membro do secretariado local sudanês para a liberdade de imprensa, Mohamad Nyala, afirmou que pelo menos oito jornalistas já receberam ameaças telefónicas, depois de terem publicado comentários sobre acções militares no país.
Por outro lado, um conselheiro do Ministério da Justiça, Abdel Rahman, sustentou que esta medida não tem qualquer implicação na liberdade de imprensa, ao reiterar que qualquer cidadão pode criticar o exército, desde que não espalhe desinformação.
“ Se partilharem informação falsa com intenção de prejudicar o bom nome dos militares, aí sim, haverá repercussões”.
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) e a Comissão da Carteira apelaram ao Ministério Público e à Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) que defendam a credibilidade do jornalismo em Portugal, de forma a combater as “fake news”.
“A Comissão da Carteira Profissional de Jornalista e o Sindicato dos Jornalistas condenam a usurpação do bom nome colectivo dos Jornalistas e apelam às autoridades competentes, (...), que investiguem e fiscalizem as condutas e os grupos que promovam a desinformação“, por ler-se em comunicado.
Segundo a Comissão e o SJ, “o jornalismo tem um papel fundamental no Estado de Direito e o seu compromisso é com a (busca da) verdade”, lembrando que “a Constituição assegura o direito dos jornalistas às fontes de informação e à protecção da sua independência”.
“A independência é um valor fundamental do jornalista e o primeiro garante da veracidade da informação que produz”, reforçam.
Neste contexto, alertaram para a “a proliferação de meios e formas de comunicação no meio digital, que se apresentam como sendo órgãos jornalísticos (...) e que transmitem informação não verificada, sem fundamento científico e/ou sem qualquer independência face a interesses nunca revelados, porque nada os obriga a isso”.
O “Washington Post” está prestes de alcançar o patamar dos três milhões de subscritores “online”.
O crescimento do jornal deve-se, em grande parte, à estratégia implementada pelo dono da empresa, Jeff Bezos, que tem vindo a apostar no desenvolvimento tecnológico da publicação.
Apesar de estes serem números significativos, ficam aquém dos registados pelo “New York Times”, que já superou os seis milhões de assinantes digitais.
Isto prende-se, sobretudo, com as diferenças na estratégia comercial dos dois títulos, assinalou a jornalista Sara Fischer, numa análise publicada no “site” Axios.
Ambas as marcas investem em talento editorial, mas o “NYT” destaca-se por estabelecer parcerias com personalidades conhecidas do público norte-americano.
O “WP”, por outro lado, tem-se focado em desenvolver artigos conceituados nas áreas de política, tecnologia, negócios, etc.
Ademais, a secção de opinião do “NYT” é muito mais expressiva, conquistando uma audiência mais variada.
Os Sistemas de Gestão de Conteúdos (CMS, na sigla inglesa) são ferramentas cada vez mais populares no sector dos “media”, já que facilitam a modificação das publicações “online”, sem recorrer a algoritmos de programação.
A Arc Publishing -- pertencente ao “Washington Post” -- é uma das plataformas de CMS mais utilizadas, contando com 50 milhões de utilizadores registados. Em Espanha, por exemplo, a Arc Publishing é utilizada pelos jornais “El País” e “La Rázon”.
Perante o crescimento da iniciativa, o dono do “Washington Post”, Jeff Bezos, anunciou o lançamento de novas funcionalidades, que visam acelerar a rentabilização do conteúdo dos jornais.
A nova versão inclui, por exemplo, o lançamento de um sistema de assinatura, em tempo reduzido, bem como “kits” de desenvolvimento de “software”, tanto para o sistema Android, como para iOS.
Foi, igualmente, anunciada uma nova base de dados de utilizadores, que fornece informações, em tempo real, sobre a segmentação dos leitores. "Através desta integração, os clientes Arc podem ir além da análise tradicional e detectar indicadores comportamentais, localização, tipo de dispositivo, etc”, explicou a empresa, em comunicado.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.