Quarta-feira, 30 de Setembro, 2020

  

Liberdade de imprensa em Angola condicionada com "media" confiscados

Mundo Galeria

A UNITA, o maior partido da oposição em Angola,  tem expressado preocupação com a “partidarização” da comunicação social.

Isto porque, em Agosto, vários “media” privados foram confiscados pelo Serviço Nacional de Recuperação de Ativos da Procuradoria-Geral da República (PGR) e entregues ao ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social.

Os representantes do partido consideraram, então, urgente que os “media” voltassem a ser “privatizados”.

“Quando o Estado controla toda a imprensa, não abraça, de facto, o Estado democrático de direito. Há sempre a tendência de controlar o espaço noticioso. Continuamos a ver espaços alargados para falar de matérias do partido que governa Angola [MPLA]”, notou a deputada Navita Ngolo, em declarações à agência Lusa. “É (...) necessário que haja órgãos plurais, que não dependam do Estado, para que possam servir o público”.

De acordo com a Freedom House, Angola é um país não-livre, onde o Governo controla a maioria dos meios de comunicação social.

Liberdade de imprensa em França

Breves

O Sindicato Nacional dos Jornalistas (SNJ), em França, enviou, um pedido sumário ao Conselho de Estado sobre o novo "esquema nacional de aplicação da lei", que está preocupar os profissionais dos “media”. A Liga para os Direitos Humanos  (LDH) assinou, igualmente, este apelo.

O documento em causa foi elaborado pelo ex-ministro do Interior, Christophe Castaner, que considera que os jornalistas devem ter “um lugar especial nas manifestações” e que devem recolher-se após ordem policial. 

Os profissionais consideram, por sua vez, que, através deste documento, o governo pretende restringir a cobertura jornalística.

As duas organizações pedem, então, um recurso de suspensão do processo, de forma a garantirem a defesa de “informar e de ser informado”.


Mário Ferreira queixa-se à ERC da Cofina

Media Galeria

O empresário Mário Ferreira apresentou uma queixa contra o Grupo Cofina, na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), por considerar que aquela empresa está a utilizar as suas publicações para o “atacar”.

De acordo com Mário Ferreira, os ataques da Cofina têm como objectivo "condicionar decisões da ERC e CMVM" pois "os accionistas da Cofina querem, ainda, em total desespero, comprar o remanescente das acções da Prisa, que detinha a Media Capital".

O empresário decidiu, então, solicitar uma "intervenção urgente da ERC na adopção de medidas que assegurem as regras legais, éticas e deontológicas que regem o exercício da liberdade de imprensa, e que a Cofina optou por não usar".

Recorde-se que, em Maio, Mário Ferreira adquiriu 30% do Grupo Media Capital. 


Wikipedia modifica “layout” e melhora experiência de leitura

Mundo Galeria

Ao longo das últimas duas décadas, a Wikipédia tem servido de fórum para cidadãos de todo o mundo. 

Com mais de 53 milhões de artigos, em 300 línguas, este “site”, de acesso gratuito, tornou-se uma fonte de conhecimento, sobre os mais variados tópicos, mas os seus criadores consideram que há, ainda, espaço para melhorias.

Assim, pela primeira vez em dez anos, a Wikipédia vai alterar o seu “layout”, de forma a refinar a experiência do utilizador.

De acordo com um comunicado de Olga Vasileva, responsável na Wikimedia Foundation, o objectivo é tornar a utilização do “site” mais intuitiva, especialmente para os utilizadores que estão, agora, a iniciar-se na “navegação online”.

“Precisamos de oferecer, não só um excelente conteúdo, mas, igualmente, uma experiência de um ‘site’ moderno, digno de confiança (...) Queremos criar uma página que seja familiar para os nossos utilizadores de longa data, mas simples e intuitiva para os novos visitantes”. 

As alterações incluem um logótipo reconfigurado, barra lateral rebatível, um índice e a extensão da largura da página.


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades na BBC

Mundo Galeria

À semelhança de outros operadores públicos, a BBC tem funcionado, no Reino Unido, como  um regulador da polarização política, recordou Joshua Benton num artigo publicado no “site” do “Nieman Lab”.

De acordo com Joshua Benton, isto deve-se ao facto de a BBC ter sido criada para o bem de todos os cidadãos, enquanto “barreira” contra o totalitarismo e  fórum para o debate público.

Até porque, no Reino Unido, tanto cidadãos conservadores como liberais recorrem à informação da BBC, enquanto fonte fiável de informação.

Contudo, o autor considera que o papel “democratizante” da BBC pode estar em risco, agora que começaram a surgir novos “media”, com uma linha editorial assumidamente conservadora, que contratam antigos colaboradores do operador público.

A título de exemplo, Andrew Neil, uma das figuras mais conhecidas da informação britânica, passou a colaborar com o canal GB News. 

Ora, de acordo com o autor, contratar personalidades nas quais os cidadãos confiam, serve de mecanismo para transmitir uma doutrina, minando a credibilidade do serviço público de informação.


YouTube restringe conteúdos

Breves

O YouTube vai expandir a utilização do seu sistema de “machine learning” para adicionar restrições etárias aos vídeos que são considerados “para adultos”, anunciou a Google.

Esta medida vai, ainda, ser integrada no “browser” da empresa: assim, as crianças que tentarem aceder a estes conteúdos, através de outros “sites”, terão, também, o acesso restringido. 

Por outro lado, os utilizadores que considerarem que o acesso foi condicionado por engano, têm a possibilidade de apelar da decisão.


"Le Parisien" muda de director em transição para o digital

Mundo Galeria

O jornalista Jean-Michel Salvator assume a direcção do “Parisien”, numa altura em que o título continua a sua transição para o digital. O profissional substitui, assim, Stéphane Albouy.

“É o fim de um ciclo", afirmou Pierre Louette, presidente do Grupo Les Échos-Le Parisien, ao “Figaro”. “Gerir a redacção do ‘Parisien’ é um trabalho duro. Stéphane Albouy liderou, com energia e profissionalismo, o projecto de renovação editorial , que está em curso. Jean-Michel Salvator assumirá o controlo, numa altura em que precisamos de novas estratégias e ideias para o desenvolver".

Agora, Salvator ficará incumbido de conquistar 200 mil subscritores “online”, durante os próximos cinco anos, e realizar cortes orçamentais na ordem dos 10 milhões de euros.

Além disso, o novo director deverá supervisionar o despedimento voluntário de cerca de 40 jornalistas,  reforçando, por outro lado, as equipas editoriais de “novas tecnologias”, “ambiente” e “lifestyle”.

O novo responsável do “Parisien” iniciou a sua carreira na rádio, tendo, depois passado pela imprensa escrita e pelo conteúdo “online”


A desinformação também afecta os mais jovens

Estudo Galeria

Os jovens, com idades compreendidas entre os 18 e os 24 anos, são duas vezes mais susceptíveis de acreditar em notícias falsas sobre a pandemia, concluiu um estudo desenvolvido nos Estados Unidos

Em causa estará a partilha de desinformação nas aplicações de mensagens instantâneas, como o Messenger e o Whatsapp,  a falta de literacia mediática, e a utilização das redes sociais. 

Em declarações ao jornal “Público”, um dos investigadores do estudo, Mathew Baum, revelou que “foi surpreendente  concluir que os cidadãos mais jovens eram os mais propensos a acreditar em desinformação”, já que “outros estudos mostram evidências de que os mais velhos têm maior probabilidade de acreditar em ‘fake news’ sobre polícia e saúde.”

A equipa de Baum acredita, igualmente, que os resultados não são exclusivos dos Estados Unidos. “A desinformação é um problema global e está longe de ser exclusiva dos EUA”, sublinhou o académico. “Existem muitos casos documentados de histórias de desinformação [sobre covid-19] que se tornaram virais em outros países e regiões.”


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O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Opinião
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