Quarta-feira, 22 de Setembro, 2021

  

Jornais ingleses não autorizam publicação da circulação impressa

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Os jornais “The Guardian” e “The Observer” são os mais recentes títulos da imprensa britânica a optar por não divulgar publicamente a sua circulação impressa paga.

Estes títulos continuarão a ser auditados pela Audit Bureau of Circulations (ABC) -- entidade equivalente à portuguesa APCT -- mas os dados ficarão apenas disponíveis para as agências de meios e anunciantes.

Em entrevista para a “Press Gazette”, um porta-voz da editora Guardian News and Media explicou que o objectivo é os jornais passarem a focar-se noutro tipo de métricas.

“Um número recorde de pessoas em todo o mundo está a aceder ao jornalismo do ‘Guardian’ e do ‘Observer’ através do nosso ‘site’, ‘app’, ‘podcasts’, vídeos, jornais e revista semanal – com mais de dois terços de nossos leitores digitais a virem de fora do Reino Unido”, disse, explicando que “tomámos a decisão de sermos auditados de forma privada pela ABC (...) e de nos concentrarmos em métricas que reflictam com maior precisão a nossa diversidade de jornalismo, leitores e estratégia de negócios”.

Em Maio do ano passado, recorde-se, a ABC não publicou o habitual relatório mensal dedicado à imprensa nacional, permitindo que os títulos mantivessem o acesso aos seus dados restritos.

Aquela entidade argumentou, à época, que se tratava de uma resposta “às preocupações dos editores de que os relatórios mensais da ABC constituíam um estímulo ao declínio da circulação”.

Desde então, os jornais “Daily Telegraph”, “The Sun” e “The Times” seguiram o mesmo caminho do “Guardian” e do “Observer”. Por outro lado, diários como o “Daily Mirror”, “Daily Express” ou “Financial Times” continuam a divulgar dados de circulação impressa.

World Press Photo em exposição no Parque dos Poetas em Oeiras

Media Galeria

A 64.ª edição da World Press Photo estará patente no Parque dos Poetas, Entrada do Templo da Poesia, até ao dia 15 de Outubro, com entrada gratuita

Além da visita à exposição, haverá “workshops” de fotografia aos sábados, com fotojornalistas de renome. Estão já confirmados, nesta iniciativa, Arlindo Camacho, Rita Ferro Alvim, Gonçalo F. Santos e Marcos Borga.

Criado em 1955 pela organização homónima, o concurso World Press Photo premeia, anualmente, fotografias que dão a conhecer ao público questões e momentos cruciais e fracturantes, que marcam a actualidade de povos e de sociedades em todo o mundo.

Neste ano, o concurso recebeu 4 315 fotógrafos de 130 países, com 74 470 imagens inscritas. Os vencedores do concurso anual de fotografia World Press Photo são 45 fotógrafos de 28 países: Argentina, Arménia, Austrália, Bangladesh, Bielorrússia, Brasil, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos da América, França, Grécia, Holanda, Índia, Indonésia, Itália, Irão, Irlanda, México, Myanmar, Peru, Filipinas, Polónia, Portugal, Rússia, Eslovénia, Espanha, Suécia e Suíça.

Rádio francesa

Breves

A France Inter consolidou a sua posição enquanto rádio mais ouvida em França, ao registar, entre Junho e Agosto, uma audiência acumulada de 10,5%, um aumento de 0,3 ponto em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Médiamétrie.

A RTL manteve-se, por sua vez, na segunda posição, aumentando a audiência acumulada em 0,6 pontos, para 9,2%.

O “podium” das rádios francesas é encerrado pela France Info, que registou 8,1% de audiência acumulada, perdendo 0,3 pontos em relação ao ano passado.

 

 

Publicações "online" devem diversificar oferta de conteúdos para captar jovens

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Com a chegada da era digital, os jornais “online” passaram a focar-se na retenção de uma audiência jovem, como forma de conquistar a sua lealdade enquanto consumidores de notícias e de garantir a sustentabilidade financeira a longo prazo.

Apesar de todos os esforços, os jovens têm-se demonstrado reticentes quanto à subscrição de serviços noticiosos digitais, preferindo a consulta de informação através das redes sociais.

Agora, um estudo realizado pela Agência de Imprensa Alemã DPA, em conjunto com Associação Alemã de Editores Digitais e Editores de Jornais (BDZV), revelou o principal motivo deste fenómeno: os jovens não gostam de ser tratados como um grupo homogéneo.

Isto significa, conforme indica o documento, que, de forma a alcançarem o seu objectivo, as publicações “online” devem diversificar a sua oferta de conteúdos, indo ao encontro dos diferentes tópicos e problemáticas sociais.

Além disso, a pesquisa, atesta que há grandes diferenças dentro da mesma faixa etária. “Adolescentes e jovens têm hábitos de consumo, interesses, exigências e necessidades diferentes em relação ao conteúdo das notícias. Dentro da mesma faixa etária, as orientações são muito diferentes ”.

“Mais concretamente -- acrescenta o relatório -- enquanto alguns usam quase exclusivamente fontes jornalísticas para satisfazer a sua grande sede de informação (...), outros utilizadores preferem os conteúdos de comunicadores individuais, como actores e influenciadores”.

O estudo revela, da mesma forma, que os jovens sentem necessidade de ter uma relação próxima com as fontes de informação, como se as publicações falassem, especificamente, sobre os problemas que enfrentam no dia a dia.

"NYT” cria equipa interdisciplinar para recuperar confiança dos leitores

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Com as redes sociais e a rápida disseminação de notícias falsas, os consumidores de informação começaram a manifestar uma quebra acentuada no nível de confiança perante os jornalistas e as empresas de “media”.

Por isso mesmo, alguns jornais começaram a desenvolver planos específicos, como forma de aumentarem o nível de transparência da sua actividade e de estabelecerem uma relação mais próxima com os cidadãos.

É esse o caso do “New York Times”, que acabou de anunciar a criação de uma equipa interdisciplinar, cujo objectivo é recuperar a confiança dos leitores.

“A nossa missão é procurar a verdade e ajudar as pessoas a entender o mundo. Este princípio orienta todo o nosso trabalho, desde as nossas reportagens e padrões éticos, até à forma como promovemos a nossa cobertura noticiosa em todas as plataformas”, disse aquele jornal em comunicado.

Por isso, afirmam, “temos o prazer de apresentar uma equipa que assumirá o desafio de desenvolver formas inovadoras para aumentar a confiança do público na nossa missão e na credibilidade do nosso jornalismo, independentemente da sua localização”.

Esta iniciativa multidisciplinar “ajudará a empresa a estabelecer uma visão de como o jornalismo do ‘NYT’ pode continuar a evoluir. Isso inclui destacar as nossas reportagens originais e independentes, a profunda experiência dos nossos jornalistas e as medidas que tomamos para garantir a factualidade e precisão dos nossos artigos. "

UE quer proteger a liberdade dos “media” e dos jornalistas...

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou, que vai propor, em 2022, “uma lei sobre a liberdade dos meios de comunicação social”, com o objectivo de garantir a “proteção”, “liberdade” e “independência” dos jornalistas.

“No próximo ano, apresentaremos uma lei sobre a liberdade dos meios de comunicação social. Quando defendemos a liberdade dos nossos ‘media’, estamos também a defender a democracia”, indicou Ursula von der Leyen, durante o discurso do Estado da União, no Parlamento Europeu.

Afirmando que “há jornalistas, homens e mulheres, que são atacados pelo simples facto de fazerem o seu trabalho”, a presidente da Comissão Europeia relembrou os homicídios da jornalista maltesa Daphné Caruana Galizia, do jornalista eslovaco Jan Kuciak e, em Julho deste ano, do holandês Peter de Vries.

“As suas histórias podem ter pequenas diferenças. Mas há algo que têm em comum: todos eles lutaram pelo nosso direito à informação e morreram por defenderem esse direito”, salientou Von der Leyen.

A presidente do executivo comunitário considerou, assim, que a “informação é um bem público” e que é necessário “defender os defensores da transparência, as mulheres e os homens jornalistas”.

“Devemos travar todos aqueles que ameaçam a liberdade dos ‘media’. Os meios de comunicação social não são uma empresa qualquer e a sua independência é fundamental. É por isso que a Europa precisa de uma lei que garanta essa independência”, apontou a presidente do executivo comunitário.

 

... E Bruxelas recomenda aos Estados-membros maior protecção para os jornalistas

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A Comissão Europeia quer que as autoridades policiais dos Estados-membros recebam formação para garantir que os jornalistas e outros profissionais dos “media” possam trabalhar em segurança, nomeadamente, durante a cobertura noticiosa de manifestações,.

Além disso, na sua primeira recomendação destinada a reforçar a segurança dos jornalistas e de outros profissionais da comunicação social, o executivo comunitário apelou aos países que investigassem e reprimissem todos os actos criminosos contra jornalistas, recorrendo à legislação nacional e europeia e às autoridades como Europol e Eurojust.

Nesse contexto, indica um comunicado da CE, “os Estados-membros devem promover uma melhor cooperação entre as autoridades responsáveis pela aplicação da lei e os organismos da comunicação social, a fim de poderem identificar e combater, mais eficazmente, as ameaças que pesam sobre os jornalistas, e proporcionar uma protecção pessoal aos jornalistas, cuja segurança esteja ameaçada”.

A Comissão encoraja, ainda, à fomentação da cooperação entre as plataformas em linha e as organizações especializadas no combate às ameaças contra os jornalistas.

“Nenhum jornalista deve perder a vida ou ser ferido devido à sua profissão. Temos de apoiar e proteger os jornalistas, que são elementos essenciais da democracia”, disse a comissária europeia para os Valores e Transparência, Vera Jourova, acrescentando que os Estados-membros são convidados “a adoptar medidas decisivas para tornar a UE um espaço mais seguro”.

 

Murdoch anuncia novo canal de TV no Reino Unido

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O empresário Rupert Murdoch anunciou o lançamento de um canal de televisão no Reino Unido, através da editora News UK, que integra o Grupo News Corp.

De acordo com o “Guardian”, a nova emissora vai chamar-se Talk TV e planeia ser uma concorrente directa da GB News, o canal informativo de linha editorial conservadora, lançado em Junho de 2021,

Além disso, à semelhança da GB News, a Talk TV tenciona atrair audiências através da colaboração com personalidades conhecidas do público, tendo já confirmado a sua primeira “grande contratação”: o jornalista Piers Morgan.

Além de apresentar um programa em “horário nobre” no novo canal britânico, Morgan vai passar a colaborar com outros “media” da News Corp.

Murdoch, que anunciou a colaboração ao lado daquele jornalista, disse estar entusiasmado com a parceria. “Piers é o profissional que todos querem, mas que têm receio de contratar. Trata-se de um apresentador de excelência, de um jornalista talentoso, e de alguém que diz aquilo que todos pensamos e sentimos”.

Apesar de a TalkTV ter afirmado que irá incluir programas de entretenimento e desporto na sua “grelha”, é provável que o seu principal foco venha a ser a actualidade noticiosa e a actividade política, garantiu o “Guardian”.

O novo canal, cujas emissões deverão iniciar-se nos primeiros meses do próximo ano, já confirmou, igualmente, a sua presença no mundo do “streaming”.

 

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O Clube


Recomeçamos. A pausa de agosto foi um tempo de análise e de reflexão sobre as delicadas circunstâncias que rodeiam e condicionam os media portugueses e as associações representativas do sector.
Enquanto as redacções encolhem e os jornais lutam pela sobrevivência, as grandes plataformas digitais tornam-se omnipresentes e absorvem a melhor publicidade.
Um estudo da ERC revela que dois terços dos inquiridos utiliza a internet, mas que, depois das televisões, as redes sociais aparecem já como fonte noticiosa preferencial, suplantando os jornais impressos.


A dificuldade da imprensa, com tiragens minguadas, influenciou a principal distribuidora de jornais e revistas no sentido de lançar uma taxa diária a cobrar aos quiosques e outros postos de venda.
Por agora, a cobrança está suspensa, no seguimento de uma providência cautelar aceite pelo tribunal, mas nada garante que o desfecho não venha a penalizar mais ainda a circulação da Imprensa.
A fragilidade das empresas de media agravou a sua dependência, e tornou-as gradualmente mais permeáveis aos desígnios do poder político.
Seja no audiovisual, seja nas publicações impressas, observa-se uma crescente uniformidade noticiosa, a par de uma actuação comprometida com as prioridades da agenda do Executivo.
Neste contexto, as associações do sector não têm a vida facilitada, quer pelo enfraquecimento do mecenato, quer pela apatia já antiga que se nota nos jornalistas no tocante ao associativismo.
Com 40 anos feitos de actividade ininterrupta, o Clube Português de Imprensa tem neste site uma forma de ligação privilegiada com associados e outros profissionais do sector, bem como com os estudantes dos cursos de jornalismo, apoiado em parcerias que são preciosas fontes complementares de informação e de análise.
Por aqui continuamos, com a consciência do desafio e do risco envolventes, e com a noção de partilha e de serviço que nos anima desde o início.


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Opinião
O impacto da pandemia no universo mediático está longe de encontrar-se esgotado, apesar das promessas de “libertação” da sociedade, ensaiadas por vários governos, entre os quais o português, em doses apreciáveis.O jornalismo tornou-se mais fechado, confirmando uma tendência que não é nova de os jornalistas recorrerem à Internet e às redes sociais como fonte predominante de informação.Os...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...