null, 11 de Abril, 2021

  

O contributo dos “ombudsman” para restaurar a confiança nos “media”

Media Galeria

Nos últimos anos, os cidadãos têm manifestado um baixo nível de confiança nos “media”, alegando que a imprensa é tendenciosa e que dissemina “fake news”.

Ainda assim, de acordo com um estudo publicado na plataforma “Gallup”, 70% dos norte-americanos acredita que a credibilidade dos “media” poderá ser recuperada.

Este tema foi analisado na tese de mestrado de Dan Salamone, para a Universidade do Missouri, que investigou sobre a importância dos “ombudsman” na criação de uma boa relação com os leitores.

Salamone recordou, neste âmbito, que os “ombudsman”, ou provedores do leitor, começaram a surgir na década de 1960, e atingiram o pico da sua relevância na década de 1980.

Contudo, hoje em dia, existem poucos provedores nos Estados Unidos.

Por isso mesmo, Salamone entrevistou oito profissionais que já exerceram esta função, para que estes esclarecessem qual o papel dos “ombudsman” e qual a sua importância no espaço mediático.

“O ‘ombudsman’ era considerado uma pessoa independente e autónoma , ao mesmo nível do editor-executivo, mas sem funções noticiosas” afirmou Mark Prendergast, que foi provedor do “Stars and Stripes” entre 2009 e 2012.

Já Clark Hoyt, provedor do “New York Times” entre 2007 e 2010, disse que “trabalhava para o público”, ao explicar as funções do jornalismo e os valores da instituição.

Por sua vez, Elizabeth Jensen, provedora da National Public Radio, entre 2015 e 2019 afirmou que o seu papel era “recolher os factos”, “estabelecer contacto com os leitores”, “representar o público” e garantir a transparência.

Os restantes provedores entrevistados referiram, igualmente, os valores da transparência e da representação dos leitores no interior da redacção, bem como a sua própria independência.

 

Directiva editorial da TDM provoca controvérsia em Macau

Mundo Galeria

Dois deputados de Macau pediram, na Assembleia Legislativa (AL), que o Governo rectificasse as directivas patrióticas impostas às redacções de língua portuguesa e inglesa da TDM -Teledifusão de Macau.

“O Governo deve exigir à TDM a revisão imediata dessas directrizes controversas, e tentar, com boa vontade, restabelecer a relação laboral com os trabalhadores que se demitiram em defesa da liberdade de imprensa”, disse Ng Kuok Cheong, referindo-se à actual situação na emissora pública de Macau, que levou à demissão de seis jornalistas portuguesas.

De forma a evitar que a imagem de Macau e da própria China seja afectada junto da comunidade internacional, aquele deputado pró-democracia afirmou, ainda, que o Governo deve “garantir a liberdade de imprensa no serviço público de radiodifusão, para salvaguardar os direitos e liberdades fundamentais dos residentes”.

No mesmo debate, o deputado Sulu Sou frisou que o Governo tem de assumir a responsabilidade e “rectificar os requisitos internos da TDM que violem a lei, fiscalizando a Comissão Executiva nomeada pelo Chefe do Executivo para tomar medidas práticas” que salvaguardem e promovam “ a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e a liberdade de edição, tal como estipulado na Lei Básica e na Lei de Imprensa”.

O mais jovem deputado de Macau, que marcou presença numa manifestação de apoio à liberdade de imprensa na região em frente à sede da TDM, pediu, igualmente, aos responsáveis da Radiodifusão de Macau que “assumam a promessa de que a TDM e os seus profissionais da comunicação social não sejam aproveitados como instrumento de divulgação do Governo”.

Já o deputado Wu Chou Kit, também no plenário, discordou dos apelos dos dois colegas pró-democratas, e afirmou que o Governo não deve interferir “nem deve ser solicitado a interferir com os assuntos internos da empresa e com a independência dos meios de comunicação social”.

CT da Lusa critica Nicolau Santos

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A Comissão de Trabalhadores (CT) da Lusa criticou o presidente cessante, Nicolau Santos, pela “falta de esclarecimentos” sobre a exploração de sinergias com a RTP.

De acordo com o projecto estratégico 2021-2023 apresentado na candidatura da nova dupla de administradores da RTP, Nicolau Santos e Hugo Figueiredo, prevê-se a exploração de sinergias com a agência Lusa “na área da gestão de espaços e na colaboração editorial”.

Em comunicado, a CT conta que questionou Nicolau Santos sobre o tema, tendo o gestor respondido: “Significa isso mesmo: explorar sinergias na gestão de espaços e na colaboração editorial. Nada mais do que isso”.

Para a CT da Lusa, “esta falta de esclarecimentos suscita mais dúvidas do que respostas”, considerando que “nunca, como hoje, foi tão importante a autonomia dos jornalistas para que a informação seja clara, rigorosa e verificável”.

A Comissão de Trabalhadores salienta, da mesma forma, que “ninguém pode admitir que se pense sacrificar a voz da única agência de informação portuguesa com presença mundial e que fornece todas as televisões portuguesas, especialmente as concorrentes da RTP, graças à sua presença nos países lusófonos e resto do mundo”.

“Teen Vogue” nomeia nova responsável editorial após polémica

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A jornalista Danielle Kwateng foi nomeada para o cargo de editora-executiva da “Teen Vogue”, após a demissão (forçada) de Alexi McCammond.

McCammond, que ficou conhecida enquanto correspondente política para a revista “Axios”, foi “convidada a sair” ainda antes de assumir a liderança da revista juvenil de moda, por ter publicado, em 2011, “tweets” que foram considerados ofensivos.

Estas publicações resultaram em pressão dos investidores, que consideraram que McCammond não seria a pessoa indicada para representar a marca.

A editora Condé Nast reuniu-se, posteriormente, com a jornalista, chegando a um acordo mútuo sobre seu afastamento.

Agora, a liderança editorial da “Teen Vogue” será assegurada por Danielle Kwateng, antiga responsável pelas secções de cultura e entretenimento do título.

Kwateng publicou, entretanto, uma nota no “site” da publicação, demonstrando-se atenta às preocupações e interesses dos leitores.

“Nós, na ‘Teen Vogue’, lemos todos os vossos ‘e-mails’ e comentários, e tivemos em conta a frustração perante as publicações nas redes sociais”, afirmou, referindo-se aos “tweets” de McCammond.

"Le Monde" passou a interagir mensalmente com os seus leitores...

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O jornal “Monde” dispõe, agora, de um “chat” mensal, para responder, directamente, às questões dos seus leitores.

Na primeira edição, que decorreu na primeira terça-feira de Abril, o vice-director do Departamento de Relação com os Leitores, Gilles van Kote, esclareceu dúvidas sobre sobre o modelo publicitário do jornal, modelos de subscrição e imparcialidade dos "media".

Kote começou por responder a uma questão sobre as caixas de comentários disponíveis nos artigos do “Monde”.

De acordo com aquele responsável, ao contrário do que acontece noutras publicações, o “Monde” não tenciona fechar este espaço. Contudo, esta ferramenta passará a estar disponível, apenas, para subscritores.

Kote esclareceu, igualmente, uma dúvida sobre a orientação política dos “media” e sobre a imparcialidade dos jornalistas.

Neste âmbito, afirmou que não existe imparcialidade absoluta, apenas “neutralidade”. Além disso, Kote referiu que o jornal se identifica como sendo de “centro-esquerda”, embora seja lido por cidadãos de todos os espectros políticos.

O mesmo responsável justificou, ainda, a existência de publicidade nas páginas do “Monde”, explicando que estes investimentos representam um quarto das receitas totais do jornal.

Neste contexto, Kote esclareceu que o “site” do “Monde” apresenta, por vezes, anúncios de “baixa qualidade”, por utilizar um agregador. Este problema está, agora, a ser corrigido no sentido de eliminar publicidade incompatível com os ideais do título.

Kote respondeu, ainda, a uma questão sobre a utilização de artigos da AFP, esclarecendo que a sua utilização serve para reforçar o “feed” de notícias gratuitas.

... E atrai um milhão de subscritores no YouTube

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No final de Março, o “Monde” tornou-se o primeiro jornal francês a alcançar o patamar de um milhão de subscritores no YouTube.

O canal do “Monde”, que foi lançado em 2016, disponibiliza conteúdos gratuitos e originais sobre os principais acontecimentos em França e no estrangeiro.

Até agora, o jornal francês já publicou mil vídeos, com temáticas tão variadas como geopolítica, ciência, história e meio ambiente.

Cada vídeo conta com a colaboração da equipa editorial do “Monde” e com especialistas em multimédia.

Estas equipas já realizaram, igualmente, algumas minisséries informativas, destacando-se a “Negócio do Rap” e “História do Brexit”, que recebeu uma menção honrosa no Prix Louise Weiss de Jornalismo Europeu.

É, ainda, de sublinhar a acessibilidade dos vídeos, que disponibilizam legendas em francês e em inglês.

Esta aposta multimédia tem sido, especialmente, bem recebida pelas camadas mais jovens, já que 57% dos espectadores do canal do “Monde” têm entre 18 e 34 anos.

Este ano, o “Monde” planeia reforçar a sua oferta, com novas minisséries e mais conteúdos educativos sobre política.


Jornal centenário de Ovar suspende publicação

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O jornal “João Semana”, publicado há 107 anos no concelho de Ovar, está suspenso por tempo indeterminado devido a constrangimentos financeiros e dificuldades em angariar apoios locais, de acordo com a agência Lusa.

Inicialmente semanal, e nos últimos anos com periodicidade quinzenal devido ao mesmo tipo de problemas, este jornal do distrito de Aveiro é propriedade da Fábrica da Igreja de Ovar e, até Novembro de 2020 era dirigido pelo pároco Manuel Bastos.

No mês seguinte, o padre Vítor Pacheco, que assumiu a direcção do periódico, contactou os assinantes do “João Semana” a alertar para “encargos incomportáveis” com a manutenção do jornal e apelando à angariação de novos assinantes.

As colectas na igreja, durante as missas, também foram insuficientes para auxiliar o quinzenário: “os constrangimentos causados pela pandemia reduziram, drasticamente, as ofertas recebidas na igreja, o que veio agravar ainda mais a sua debilidade económica”.

“As pessoas não têm noção do esforço que manter o jornal implica e estamos a tentar arranjar soluções que permitam salvaguardar a continuidade da marca, contactando empresas e instituições, de alguma responsabilidade, que nos possam ajudar”, declarou Victor Pacheco.

Defendendo que as vendas de uma tiragem quinzenal de mil exemplares — dos quais 900 para assinantes e 100 distribuídos em banca — não é suficiente para fazer face às despesas, o pároco reconheceu, por outro lado, que a audiência do jornal está envelhecida e que é necessário chegar a leitores mais jovens.

Canal chinês sob investigação em França

Mundo Galeria

O Conselho Superior de Televisão francês (CSA) confirmou ter recebido as primeiras queixas contra as reportagens do canal chinês CGTN, cujas emissões já foram suspensas no Reino Unido.

As queixas foram apresentadas pela organização não-governamental Safeguard Defenders, que condena a repressão dos Uighurs na região autónoma de Xinjiang.

Estas acusações surgiram na sequência de uma entrevista concedida por Abudurehim, um Uighur exilado na Austrália, que acusou a CGTN de o difamar.

De acordo com Abudurehim, a CGTN coagiu uma das suas filhas a conceder uma entrevista, de forma a contradizer uma outra reportagem sobre os Uighur, emitida pela CNN.

O CSA está, agora, a investigar as acusações.

"O CSA gostaria de recordar que o canal, que controla de muito perto, é obrigado a respeitar as directrizes estabelecidas na lei. Se for encontrada uma violação, a CSA intervirá", disse aquela autoridade reguladora francesa, que confirmou, recentemente, que é responsável pela regulação das actividades da CGTN na Europa, após a revogação da licença britânica do canal.

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O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Se olharmos para o ranking da liberdade de imprensa, elaborado pela organização internacional Repórteres sem Fronteiras (RSF), verificamos que Portugal fecha o top ten em 2020, entre 180 países avaliados, tendo melhorado duas posições desde o ano anterior. É uma classificação confortável, numa lista liderada pela Noruega, onde a vizinha Espanha aparece em 29.º lugar e a Coreia do Norte em último, um exemplo...
Limites da liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
Na internet não deve continuar a prevalecer a lei da selva. O que não é um apelo à censura, muito menos se ela for praticada pelos gestores das empresas tecnológicas. Cabe à política, e não às empresas, assegurar o bem comum. Quem escreve na internet deverá sujeitar-se às condições jurídicas que não permitam atos que são considerados crimes nos media tradicionais.Não há...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...