Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2018

  

O fascínio pelas imagens de motins como nova cultura dos Media

Mundo Galeria

Um pequeno video das manifestações em Paris, feito na manhã de 2 de Dezembro e colocado no Twitter, mostra umas dezenas de indivíduos de capuz, a correr na rua, com um fogo em segundo plano. Uma legenda diz que os desordeiros [casseurs, no original] põem a polícia em fuga. Três horas depois de ser publicada, a sequência já teve 45 mil visualizações. À tarde, o contador regista 145 mil e no dia seguinte o dobro, sem contar com a sua reprodução nos media. No YouTube, no Reddit e outros meios semelhantes, estes vídeos chegam facilmente aos milhões.

“Este fascínio pelas imagens de motins  - ou de revolta, segundo o ponto de vista -  é agora chamado riot porn  - designando o prazer (um pouco culpado) de ver ou partilhar um certo tipo de imagens, como o food porn, de pratos de comida, ou o sky porn para imagens do céu e de cenas de pôr-de-sol.”

A reflexão é de Emilie Tôn, em L’Express, num trabalho que aborda o voyeurisme da violência nas ruas, em que todos podemos ser protagonistas, mesmo que involuntários, espectadores ou realizadores de documentário, com um telemóvel na mão.

“Minha" a nova revista do Minho

Breves
A nova revista mensal Minha, propriedade do grupo Diário do Minho que é detido pela Arquidiocese de Braga, foi lançada recentemente, tem distribuição gratuita e terá uma versão digital. Com foco regional, irá abordar temas relacionados com eventos, gastronomia, concertos, exposições, restaurantes, hotéis, percursos e património da região. A revista Minha é para os jovens, mais concretamente para jovens-adultos. O grupo Diário do Minho com este novo projecto dá, assim, mais um passo na sua consolidação como órgão de comunicação social de referência e, “com sadia utopia, deve começar a sonhar com um projecto televisivo”,referiu o arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, durante a apresentação da revista.

Joana Petiz deixa direcção do DN

Breves

A sub-directora do Diário de Notícias, Joana Petiz, vai sair da direcção deste jornal para assumir o cargo de sub-directora do Dinheiro Vivo. Um dos projectos pensados para 2019 é preparar a nova estrutura da publicação semanal dedicada à economia portiguesa. Joana Petiz que integrou a direcção do DN com André Macedo,e que foi, posteriormente, reconduzida por Paulo Baldaia em 2016, vai ter essa tarefa entre mãos.

A “missão impossível” dos repórteres árabes de investigação

Media Galeria

A auto-confiança com que actuaram os executores de Jamal Khashoggi tem várias razões, e uma delas tem a ver connosco, jornalistas. Quando chegou, finalmente, a admissão do crime, jornalistas por todo o mundo árabe vieram em defesa de Riade. “Eles não sabiam nada  - mas escreveram o que lhes foi dito que escrevessem. E de cada vez que mudava a versão oficial, eles mudavam a sua para se ajustar, sem embaraço ou hesitação.”

“E não estavam sozinhos. Os sauditas tinham uma segunda linha de defesa: um grupo menor, mas não menos influente, de jornalistas do Ocidente, que tinham passado mais de um ano a contar a história de uma Arábia Saudita reformista, acabada de retocar, de ventos de mudança soprando no deserto, com as suas visões e ambições comoventes louvadas por todo o mundo.”

A reflexão é da jornalista jordana Rana Sabbagh, que está à frente da Rede de Jornalismo de Investigação Árabe (membro da Global Investigative Journalism Network) e foi a primeira mulher árabe a dirigir um jornal político no Médio Oriente, o Jordan Times.

Agência Lusa renova e moderniza o seu logótipo

Media Galeria

A Agência Lusa apresentou o seu novo logótipo, que mantém as cores verde e vermelha do anterior, bem como o símbolo do globo terrestre, mas “com uma imagem mais moderna e mais dinâmica”. Segundo Nicolau Santos, presidente do conselho de administração da empresa, “não é uma ruptura com o que existia antes, é uma continuidade”:

“Há uma modernização do símbolo, mas o essencial é manter os valores de isenção, de credibilidade, de fiabilidade da agência”  -  afirmou.

Reportagens de investigação partilhadas por vários Media internacionais acessíveis em português

Media Galeria

As reportagens de investigação realizadas entre muitas redacções diferentes, em termos de jornalismo de colaboração, e constando da base de dados do Center for Cooperative Media, da Escola de Comunicação da Universidade de Montclair, em New Jersey, nos EUA, passam a estar acessíveis em traduções feitas para as línguas portuguesa e espanhola. Estão identificados até agora 175 trabalhos desta natureza, que envolveram mais de 1500 media de uma centena de países.

As traduções foram possíveis graças à participação, neste projecto, do jornalista brasileiro Guilherme Amado, de O Globo, membro do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação e vice-presidente da Abraji – Associação Brasileira de Jornalismo de Investigação.

Governo húngaro concentra 500 Media numa Fundação

Media Galeria

Meio milhar de meios de comunicação húngaros, incluindo jornais e revistas, sites e estações de rádio e televisão, todos abertamente favoráveis ao Governo, foram transferidos, pelos seus proprietários, para uma Fundação dirigida por Gabor Liskay, empresário no sector dos media e velho aliado do primeiro-ministro Viktor Orban. Este assinou, seguidamente, um decreto que classifica a referida Fundação como “uma importante estratégia nacional no interesse do público”  - o que bloqueia qualquer possibilidade de meios concorrentes, ou dirigentes do sector, se oporem.
Segundo a agência Lusa, que aqui citamos do Jornal de Negócios, a “Fundação da Comunicação Social e dos Meios da Europa Central” (CEPMF, na sigla em Húngaro), tem por objectivo “a preservação dos valores nacionais”.

Agravou-se o declínio global da liberdade de expressão e o perigo do exercício do jornalismo

Media Galeria

A liberdade de expressão encontra-se no seu ponto mais baixo desde há dez anos, afirma a organização britânica de defesa dos direitos humanos Article 19  - o que significa que a prática do jornalismo se tornou mais perigosa. Pelo menos 78 jornalistas foram mortos em serviço durante o ano de 2017, e 326 metidos na prisão, mas a organização reconhece que a recolha de dados peca por defeito na identificação de todos os casos de violência contra os jornalistas.

“O preço a pagar pela defesa do direito à liberdade de expressão e informação tornou-se extremamente elevado: morte, prisão e medo tomam grandes proporções diante de comunicadores e activistas por todo o mundo, e o espaço para comunicação e debate significativos está sob cerco”  -  afirmou Thomas Hughes, o director-executivo de Article 19, sobre os dados revelados pelo seu mais recente relatório.

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
O Presidente Marcelo é um dos poucos políticos portugueses com legitimidade para colocar a questão dos apoios do estado à produção jornalística porque ele é produtor e produto do sistema mediático.A sua biografia confunde-se com a liberdade de imprensa e a pergunta que Marcelo faz é, para ele, uma questão de consciência presidencial.Dito isto, pergunto:O que diríamos nós se fosse Donald Trump a...
Perante a bem conhecida e infelizmente bem real crise da comunicação social o Presidente da República questionou, há dias, se o Estado não tem a obrigação de intervir. Para Marcelo Rebelo de Sousa há uma "situação de emergência", que já constitui um problema democrático e de regime. A crise está longe de ser apenas portuguesa: é mundial. E tem sobretudo a ver com o facto de cada vez mais...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...