Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019

  

Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas...

Media Galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Sindicato dos Jornalistas opõe-se a compra da TVI

Media Galeria

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) anunciou que se constituiu como parte interessada no negócio da aquisição da Media Capital, por parte do Grupo Cofina, e comunicou à Autoridade da Concorrência (AdC) a sua opinião desfavorável em relação ao mesmo.

O SJ assumiu esta posição "uma vez que é uma entidade que defende os interesses legalmente protegidos dos seus associados, que podem vir a ser afectados por esta operação de concentração", alertando, ainda, para o facto de se estar a verificar um agravamento da concentração dos media “a uma escala sem precedentes”.

Segundo o sindicato, esse possível “controlo absoluto” do mercado de trabalho poderá constituir um grande risco no condicionamento da liberdade de expressão e de emprego, bem como a deterioração das condições de trabalho dos jornalistas. 

A aquisição em causa poderá, ainda, gerar um “domínio hegemónico do mercado de publicidade e de definição unilateral das suas regras”.

O Sindicato mencionou, também, que “por norma, e lamentavelmente, este tipo de fusões tem-se traduzido em cortes de pessoal e emagrecimento de redacções”.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica

Media Galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

Reestruturação da revista “L’Express” gera despedimentos

Media Galeria

A redacção do L’Express está prestes a sofrer uma reestruturação, implementada por Alain Weill, CEO da Altice, que adquiriu 51% do Grupo de Imprensa.

A revista tinha perdido cerca de dez milhões de euros no ano anterior e, portanto, será submetida a uma redução de custos que levará a grandes alterações.

Perante esta notícia, os trabalhadores da revista desfilaram junto do edifício da Alticeexibindo cartazes: "#Weill Massacre L'Express" (Weill massacra L’Express).

Alain Weill assume que pretende salvar o L’Express, mas que a publicação necessita de uma intervenção dolorosa.

A direcção tinha assumido, anteriormente, que quarenta despedimentos, dos quais trinta jornalistas, seria o bastante para que o Grupo conseguisse recuperar. 

Posteriormente, 42 jornalistas invocaram uma cláusula que lhes permitia despedirem-se com indemnização devido à alteração do proprietário do jornal. 

Contudo, a direcção anunciou um plano de protecção ao trabalho, que inclui a eliminação de outros 26 cargos e a supressão de departamentos, como por exemplo o da cultura e da investigação.

A jornalista Sandrine Cassine publicou no site do Le Monde um artigo sobre o respectivo plano de trabalho.

Sky lança canal sem “Brexit”

Breves

Foi apurado numa pesquisa recente que 70% dos britânicos estão cansados da interminável saga do Brexit. De forma a dar resposta às necessidades do público, o Grupo de televisão Sky lançou um novo canal de notícias, o "Sky News Brexit-Free", cujo objectivo é cobrir todas as notícias britânicas com excepção do tema “Brexit”. O novo canal emitirá conteúdos durante cinco horas – entre as 17 e as 22 horas –, de Segunda a sexta-feira. Por seu lado, a Sky News, principal canal do Grupo, continuará a emitir sobre o Brexit, cuja aprovação se encontra suspensa até ser validada pelo Parlamento a legislação que implementa o acordo.

Repórter conta em livro as aventuras de uma profissão

Media Galeria

A partir de lições que aprendeu na sua carreira, Peter Copeland definiu três valores fundamentais do jornalismo: rapidez, rigor e imparcialidade.

Copeland foi correspondente da Scripps na América latina, na década de 1980, período durante o qual esteve na Cidade do México. Em meados dos anos 90, tornou-se correspondente no Pentágono e assumiu funções de editor na redacção.

O jornalista, que publicou recentemente o livro "Finding the News: Adventures of a young reporter", considera que o rigor é o requisito básico para o exercício da profsisão. 

Em relação à rapidez, defende que é o factor que garante um ambiente competitivo no sector, para que o jornalismo não se resuma apenas a repórteres a cobrirem histórias.

O terceiro valor, que considera fundamental, é a imparcialidade e justiça, pois entende que até uma criança de dois anos percebe o que é justo. 

Para o autor, a objectividade e a justiça para com as pessoas envolvidas e com a própria história, são o mais importante.

Quase 40 anos depois, o jornalista relata no livro a sua primeira história e relembra a sua carreira, que o levou a 30 países, em cinco regiões do mundo, para dar testemunho do que viu.

Copeland falou com a IJNet sobre o seu livro e reflectiu sobre o estado actual da profissão.

Kretinsky accionista do “ProSieben”

Breves

O empresário checo Daniel Kretinsky, que já adquiriu participações em várias publicações francesas, alargará as suas aquisições e participações aos meios de comunicação no resto da Europa. A sua holding CMI adquiriu uma participação de, aproximadamente, 4,07% no Grupo audiovisual mais poderoso da Alemanha, a ProSieben, através da Bolsa de Valores. Este investimento, que representa cerca de 120 milhões de euros, está de acordo com a nova estratégia do Grupo para adquirir participações minoritárias em meios de comunicação europeus de grande potencial. 

A privacidade e dados pessoais correm risco de ficar reféns da internet

Media Galeria

internet, uma das maiores obras concebidas pela Humanidade, tem vindo a degenerar numa ameaça aos princípios da liberdade.

Actualmente, no sistema capitalista, tudo se tornou numa mercadoria, incluindo os dados dos utilizadores. Como consequência, a perda da privacidade parece algo aceitável e inevitável. 

Na navegação online, facultamos os nossos dados ao Facebook e ao Google, entre outras entidades, em troca de um “acesso gratuito” às suas plataformas. Essas entidades recolhem, analisam e vendem os dados dos utilizadores que, posteriormente, acedem às suas contas repletas de publicidade personalizada e conteúdos patrocinados.

Para Enrique Dans, especialista em tecnologia e inovação, a privacidade é “um bem comum que temos de defender, debater e legislar adequadamente”.

Miguel Ormaetxea, editor do Media-Tics, refere que “o modelo para o qual a Internet deriva, baseado em plataformas, algoritmos, inteligência artificial e sensores, é profundamente antidemocrático”. Num artigo publicado no site, o autor compara-o a “um golpe de Estado silencioso”, que se “apresenta quase benevolente, discreto e bondoso”. 

1  2  3  4  5  6  7  8  9  ... »
PESQUISA AVANÇADA
PESQUISAR POR DATA
PESQUISAR POR CATEGORIA
PESQUISAR POR PALAVRA-CHAVE

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


ver mais >
Opinião
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...