Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
Media

Jornalismo cultural dependente da "ditadura da agenda"

A abundância de material informativo a chegar, sem ser pedido, à mesa do jornalista, é uma coisa boa ou má? Depende da origem e do que se trata. Mas, sendo boa, não deve substituir a iniciativa de reportagem do próprio; e, vinda da inciativa de outrem, deve sempre ser sujeita à verificação da sua oportunidade, justeza e intenção do remetente.

Esta reflexão é feita, pelo jornalista Franthiesco Ballerini, a propósito da “ditadura da agenda” no jornalismo cultural, em que o redactor abdica da reportagem e da investigação do que realmente interessa, para ficar acomodado “dentro da redacção, debaixo do ar condicionado, à mercê das centenas de sugestões de pautas recebidas por e-mail”.

O que ele descreve pode acontecer no jornalismo cultural como no de outras áreas, e no Brasil como aqui ou noutros países. Decorre, em parte, da suposta “oferta gratuita” trazida pelos novos meios tecnológicos, e em parte da pressão do “press-release recebido das centenas de assessorias de imprensa existentes”.

Este jornalismo “pronto a usar” não é inocente, e deve ser avaliado criticamente, tanto pelos profissionais como por leitores “mais exigentes”, como afirma o autor. Porque finalmente, e citando George Orwell, “Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.”

O artigo vem publicado no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria. 

Connosco
Bettany Hugues, prémio Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hugues, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hugues como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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As notícias falsas e a internet
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As redes sociais são, hoje, a principal fonte de informação, se não mesmo a única, para imensa gente. O combate às “fake news” tem que ser feito, não pela censura, mas pela consciencialização dos utilizadores da net. Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil graças à utilização maciça das redes sociais. A maioria dos jornais brasileiros de referência não o apoiou, o...
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