Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
Media

A escolha das notícias entre o algoritmo e o editor

Colocada a questão de saber se preferem que as notícias sejam seleccionadas por um algoritmo ou por um editor, muitos leitores, especialmente os mais novos e mais envolvidos na tecnologia, escolhem o algoritmo. O argumento que os move é a suposta independência e neutralidade dos algoritmos, por contraste com os pressupostos editoriais ou políticos dos editores humanos. Estes dados são revelados num estudo do Reuters Institute, intitulado Brand and Trust in a Fragmented News Environment, que complementa o recente relatório 2016 Digital News Report, a que fazemos referência noutro local deste site.

O debate é muito actual e está longe de concluído. O artigo de Emma Goodman, que aqui citamos, tem o cuidado de descrever a linha de fractura e os motivos contraditórios das escolhas feitas. Mas descreve também, de modo geral, uma geração jovem mais dependente, e uma geração adulta mais desconfiada, do trabalho oculto dos algoritmos na preparação da nossa ementa diária de noticiário. 

O trabalho de base deste relatório assenta em debates de grupo realizados no Reino Unido, EUA, Alemanha e Espanha, com utentes jovens (entre os 20 e os 34 anos) e mais velhos (entre os 35 e 54), para entender de que modo se comportam no terreno da distribuição de notícias, onde os agregadores e as redes sociais são intermediários cada vez mais importantes. 

“O estudo revela que a confiança nas notícias está associada à relação com uma variedade de fontes e, como já tinha descoberto o Digital News Report, que muitas pessoas começam a sentir-se como editoras das notícias que consomem, misturando e reunindo uma quantidade de fontes diferentes e gerindo proactivamente as suas várias origens.” 

“Os que preferem ter editores, principalmente os mais velhos e menos à vontade com a tecnologia, apreciam a competência dos humanos e o modo maleável como é apresentada. Estes mais velhos, particularmente na Alemanha, mostram-se também preocupados com a possibilidade de os seus dados pessoais serem usados para fazer escolhas de conteúdos.” (...) 

“Muitos docentes de jornalismo e outros têm escrito sobre como é problemático que os algoritmos sejam entendidos como neutrais, quando nunca podem realmente ser: eles são sempre criados de acordo com princípios específicos. Os algoritmos sobre os quais as empresas de tecnologia constroem os seus negócios também nunca serão transparentes e, como não são entidades de utilidade pública, nunca serão responsabilizados. Como escreveu Emily Bell no Guardian: ‘O Facebook não se considera responsável pela dieta de Informação do mundo, mesmo que seja isto, precisamente, em que se está a tornar’.” 


 O artigo de Emma Goodman, no site do Reuters Institute

Connosco
Bettany Hugues, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hugues, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hugues como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
As redes sociais são, hoje, a principal fonte de informação, se não mesmo a única, para imensa gente. O combate às “fake news” tem que ser feito, não pela censura, mas pela consciencialização dos utilizadores da net. Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil graças à utilização maciça das redes sociais. A maioria dos jornais brasileiros de referência não o apoiou, o...
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...
Há cerca de um ano, António Barreto  costumava assinar uma assertiva coluna de opinião no Diário de Noticias, entretanto desaparecida como outras, sem deixar rasto. Numa delas,  reconhecia ser “simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão” . E comentava, a propósito,  que  “a vulgaridade é sinal de verdade. A...