Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

A escolha das notícias entre o algoritmo e o editor

Colocada a questão de saber se preferem que as notícias sejam seleccionadas por um algoritmo ou por um editor, muitos leitores, especialmente os mais novos e mais envolvidos na tecnologia, escolhem o algoritmo. O argumento que os move é a suposta independência e neutralidade dos algoritmos, por contraste com os pressupostos editoriais ou políticos dos editores humanos. Estes dados são revelados num estudo do Reuters Institute, intitulado Brand and Trust in a Fragmented News Environment, que complementa o recente relatório 2016 Digital News Report, a que fazemos referência noutro local deste site.

O debate é muito actual e está longe de concluído. O artigo de Emma Goodman, que aqui citamos, tem o cuidado de descrever a linha de fractura e os motivos contraditórios das escolhas feitas. Mas descreve também, de modo geral, uma geração jovem mais dependente, e uma geração adulta mais desconfiada, do trabalho oculto dos algoritmos na preparação da nossa ementa diária de noticiário. 

O trabalho de base deste relatório assenta em debates de grupo realizados no Reino Unido, EUA, Alemanha e Espanha, com utentes jovens (entre os 20 e os 34 anos) e mais velhos (entre os 35 e 54), para entender de que modo se comportam no terreno da distribuição de notícias, onde os agregadores e as redes sociais são intermediários cada vez mais importantes. 

“O estudo revela que a confiança nas notícias está associada à relação com uma variedade de fontes e, como já tinha descoberto o Digital News Report, que muitas pessoas começam a sentir-se como editoras das notícias que consomem, misturando e reunindo uma quantidade de fontes diferentes e gerindo proactivamente as suas várias origens.” 

“Os que preferem ter editores, principalmente os mais velhos e menos à vontade com a tecnologia, apreciam a competência dos humanos e o modo maleável como é apresentada. Estes mais velhos, particularmente na Alemanha, mostram-se também preocupados com a possibilidade de os seus dados pessoais serem usados para fazer escolhas de conteúdos.” (...) 

“Muitos docentes de jornalismo e outros têm escrito sobre como é problemático que os algoritmos sejam entendidos como neutrais, quando nunca podem realmente ser: eles são sempre criados de acordo com princípios específicos. Os algoritmos sobre os quais as empresas de tecnologia constroem os seus negócios também nunca serão transparentes e, como não são entidades de utilidade pública, nunca serão responsabilizados. Como escreveu Emily Bell no Guardian: ‘O Facebook não se considera responsável pela dieta de Informação do mundo, mesmo que seja isto, precisamente, em que se está a tornar’.” 


 O artigo de Emma Goodman, no site do Reuters Institute

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Um relatório recente sobre os princípios de actuação mais frequentes dos maiores publishers digitais dá algumas indicações que vale a pena ter em conta. O estudo “Digital Publishers Report”, divulgado pelo site Digiday, analisa as práticas de uma centena de editores e destaca alguns factores que, na sua opinião, permitem obter os melhores resultados. O estudo estima que as receitas provenientes de conteúdo digital...
E lá se foi mais um daqueles Artistas geniais que tornam a existência humana mais suportável… Guillermo Mordillo era um daqueles raríssimos autores que não precisam de palavras para nos revelarem os aspectos mais evidentes, e também os mais escondidos, das nossas vidas – os alegres, os menos alegres, os cómicos, os ridículos, até os trágicos -- com um traço redondo, que dava aos seus bonecos uma vivacidade...
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“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
Agenda
01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
16
Set