Sábado, 5 de Dezembro, 2020
Media

O poder dos caricaturistas de Imprensa é uma “arma de distracção maciça”

O jornal Le Monde organizou um debate sobre o poder do desenho de Imprensa, que teve o seu ponto alto numa mesa-redonda com quatro caricaturistas, animada por Plantu, por ocasião do décimo aniversário da associação Cartooning for Peace. O mesmo Plantu que esteve entre nós, em Lisboa, para receber o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, ex-aequo com Eduardo Lourenço, numa cerimónia que é apresentada noutro local deste site. O texto do Le Monde descreve a sua obra, em muitos países, como “um verdadeiro trabalho de resistência”: “Desde as fatwas lançadas contra os caricaturistas dinamarqueses em 2005, e depois das matanças de 2015, sabemos alguma coisa a esse respeito”.

Dos quatro caricaturistas que estiveram nesse debate em directo, no Anfiteatro da Opéra Bastille, em Setembro, três são mulheres:

A tunisina Nadia Khiari, que assina Willis, é autora de muitas crónicas sobre a “revolução de jasmim” e publica os seus desenhos no Siné Mensuel, Courrier International e Zellium. O número de leitores que seguem as suas crónicas de amargura subiu rapidamente a mais de 41 milhares. Entre outras distinções internacionais, recebeu em 2015 o Prix Agora Med du Dialogue Interculturel Méditerranéen

Firoozeh Mozaffari é iraniana, estudou desenho em Teerão e trabalhou em jornais como Shargh, Eternad, Farhikhtegan, e no site Khabaroline. Entre outros prémios pelo seu trabalho, faz parte de um grupo de quatro caricaturistas que foram distinguidos por Kofi Annan. Pertence ao comité executivo da Bienal Internacional de Desenho de Imprensa de Teerão, mas boicotou  este acontecimento aquando das violências que se seguiram às eleições presidenciais de 2009.

Louise Angelergues, que assina Louison, é francesa. Estudou nos Ateliers de Sèvres, em Paris, e revelou-se na revista Marianne, onde continua a trabalhar. Publica também no site de L’Obs, Voici.fr, a revista Cheek e Le Monde des Ados. Mantém um blog no Le Monde.

Michel Kichka, nascido na Bélgica, é um dos representantes mais conhecidos da caricatura israelita. Deixou os seus estudos de arquitectura para se fixar em Israel, onde trabalha como ilustrador, autor de BD e “cartoonista”. Colabora em vários canais de televisão israelitas e franceses e ensina Belas-Artes em Jerusalém.

O texto de apresentação deste debate, pelo Le Monde, descreve o poder dos caricaturistas como um poder de denúncia, de análise, de questionamento sobre a realidade e, frequentemente, um contra-poder. Em certos países, e em certos regimes autoritários, os caricaturistas fazem “um verdadeiro trabalho de resistência”.

“No entanto, como gosta de lembrar Kichka, o desenho de Imprensa, ao contrário das armas de destruição maciça, é uma arma de distracção maciça’... (...) Pelo exagero gráfico, o desenhador realiza um trabalho de jornalista: ele deforma a realidade para dizer a verdade. Barómetro da liberdade de expressão, alívio dos nossos males, o poder do desenho de Imprensa não será, antes de tudo, pacificador?” 

O texto de apresentação do Le Monde, que tornou também disponível o vídeo da mesa-redonda animada por Plantu

Connosco
União Europeia implementa medidas para proteger jornalistas... Ver galeria

A Comissão Europeia quer criminalizar o discurso e o incitamento ao ódio na internet, nomeadamente contra jornalistas. A instituição justificou a medida com o aumento das “ameaças físicas e ‘online’ e ataques a jornalistas” na UE, com frequentes “campanhas de difamação e de intimidação geral e interferências politicamente motivadas”.

“Os jornalistas são alvos de assédio, discurso de ódio e campanhas de difamação, por vezes até iniciadas por actores políticos, na Europa e fora, e as mulheres jornalistas são particularmente visadas”, reforçou a Comissão Europeia, notando que, por vezes, isso conduz “à autocensura e à redução do espaço para o debate público sobre questões importantes”.

Bruxelas recordou, igualmente, que, “nos últimos anos, a Europa tem testemunhado ataques brutais aos meios de comunicação social livres”, numa alusão aos assassinatos dos jornalistas Daphne Caruana Galizia, em Malta, e de Jan Kuciak, na Eslováquia.

Por isso mesmo, a Comissão Europeia vai, também, apresentar uma recomendação sobre a segurança dos jornalistas, visando “assegurar uma melhor implementação pelos Estados-membros das normas da recomendação do Conselho da Europa”.

... E lança plano de recuperação para os "media" e fórum europeu Ver galeria

A Comissão Europeia apresentou um plano de recuperação para os “media” europeus, cujas medidas deverão ser aplicadas no primeiro semestre de 2022.

Desta forma, “a Comissão facilitará um melhor acesso ao financiamento, estimulando os empréstimos, bem como o financiamento de capital próprio”.

Estas acções deverão ser complementadas com diálogos bilaterais, de forma a “aumentar o conhecimento do mercado dos meios de comunicação social europeus entre os investidores”.

Bruxelas diz, ainda, querer “prestar apoio dedicado, sob a forma de subsídios para parcerias de colaboração com os meios de comunicação social”, para promover o jornalismo colaborativo e transfronteiriço.

Outra das medidas propostas é a criação de um fórum europeu, para envolver as partes interessadas, incluindo autoridades reguladoras, representantes de jornalistas, organismos de autorregulamentação, sociedade civil e organizações internacionais.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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