Terça-feira, 9 de Março, 2021
Media

O poder dos caricaturistas de Imprensa é uma “arma de distracção maciça”

O jornal Le Monde organizou um debate sobre o poder do desenho de Imprensa, que teve o seu ponto alto numa mesa-redonda com quatro caricaturistas, animada por Plantu, por ocasião do décimo aniversário da associação Cartooning for Peace. O mesmo Plantu que esteve entre nós, em Lisboa, para receber o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, ex-aequo com Eduardo Lourenço, numa cerimónia que é apresentada noutro local deste site. O texto do Le Monde descreve a sua obra, em muitos países, como “um verdadeiro trabalho de resistência”: “Desde as fatwas lançadas contra os caricaturistas dinamarqueses em 2005, e depois das matanças de 2015, sabemos alguma coisa a esse respeito”.

Dos quatro caricaturistas que estiveram nesse debate em directo, no Anfiteatro da Opéra Bastille, em Setembro, três são mulheres:

A tunisina Nadia Khiari, que assina Willis, é autora de muitas crónicas sobre a “revolução de jasmim” e publica os seus desenhos no Siné Mensuel, Courrier International e Zellium. O número de leitores que seguem as suas crónicas de amargura subiu rapidamente a mais de 41 milhares. Entre outras distinções internacionais, recebeu em 2015 o Prix Agora Med du Dialogue Interculturel Méditerranéen

Firoozeh Mozaffari é iraniana, estudou desenho em Teerão e trabalhou em jornais como Shargh, Eternad, Farhikhtegan, e no site Khabaroline. Entre outros prémios pelo seu trabalho, faz parte de um grupo de quatro caricaturistas que foram distinguidos por Kofi Annan. Pertence ao comité executivo da Bienal Internacional de Desenho de Imprensa de Teerão, mas boicotou  este acontecimento aquando das violências que se seguiram às eleições presidenciais de 2009.

Louise Angelergues, que assina Louison, é francesa. Estudou nos Ateliers de Sèvres, em Paris, e revelou-se na revista Marianne, onde continua a trabalhar. Publica também no site de L’Obs, Voici.fr, a revista Cheek e Le Monde des Ados. Mantém um blog no Le Monde.

Michel Kichka, nascido na Bélgica, é um dos representantes mais conhecidos da caricatura israelita. Deixou os seus estudos de arquitectura para se fixar em Israel, onde trabalha como ilustrador, autor de BD e “cartoonista”. Colabora em vários canais de televisão israelitas e franceses e ensina Belas-Artes em Jerusalém.

O texto de apresentação deste debate, pelo Le Monde, descreve o poder dos caricaturistas como um poder de denúncia, de análise, de questionamento sobre a realidade e, frequentemente, um contra-poder. Em certos países, e em certos regimes autoritários, os caricaturistas fazem “um verdadeiro trabalho de resistência”.

“No entanto, como gosta de lembrar Kichka, o desenho de Imprensa, ao contrário das armas de destruição maciça, é uma arma de distracção maciça’... (...) Pelo exagero gráfico, o desenhador realiza um trabalho de jornalista: ele deforma a realidade para dizer a verdade. Barómetro da liberdade de expressão, alívio dos nossos males, o poder do desenho de Imprensa não será, antes de tudo, pacificador?” 

O texto de apresentação do Le Monde, que tornou também disponível o vídeo da mesa-redonda animada por Plantu

Connosco
Jornalismo de investigação (pouco convencional) para escrutinar governo russo Ver galeria

Na Rússia, alguns “media” estão a utilizar métodos pouco convencionais para realizar reportagens de investigação e escrutinar o governo de Vladimir Putin.

De acordo com o “New York Times”, estas publicações estão a recorrer à rede social Telegram e à “darkweb” para aceder a bases de dados, obter informações sobre geolocalização e, ainda, consultar registos de viagens aéreas.

Estes métodos são conhecidos por “probiv” -- “perfurar”, em tradução livre -- e permitiram identificar, por exemplo, a célula responsável pelo envenenamento do líder da oposição, Alexei Navalny.

Além disso, graças ao “probiv”, estes projectos de “media” conseguiram publicar histórias exclusivas sobre a “família secreta de Putin” e sobre a interferência russa, em 2016, nas eleições presidenciais norte-americanas.

Com tudo isto, o jornalismo independente russo atingiu um nível “que não se via desde o final da década de 1990”, considerou Denis Volkov, o director do Levada Center, um grupo de pesquisa de opinião pública.

O “probiv” é, contudo, um fenómeno exclusivo da Rússia, já que a maioria dos “media” internacionais rege-se pelo princípio ético de não pagar por informação roubada.

“ As nossas audiências não querem saber se a informação foi ou não roubada”, afirmou Roman Anin, o fundador da plataforma iStories. “Como vivemos num país onde as autoridades matam os líderes de oposição, esquecemo-nos dessas regras [de ética], porque as nossas histórias são muito mais importantes”.

Da mesma forma, o criador do “site” Proekt, Roman Badanin, considera que o número de leitores compensa qualquer desrespeito pelo código deontológico.

Jornalista portuguesa vence Prémio Rei de Espanha Ver galeria

A jornalista portuguesa Catarina Canelas recebeu o Prémio Rei de Espanha na Categoria de Ambiente, graças à reportagem "Plástico: o Novo Continente".

Atribuída por unanimidade do júri, a distinção sublinha as “imagens impactantes que reflectem um enorme problema global e a invasão dos plásticos nos mares”.

Graças a estes elementos visuais, a reportagem conseguiu destacar-se entre as 155 candidaturas submetidas por mais de duas dezenas de países ibero-americanos.

Composta por sete episódios e exibida, pela TVI, em Agosto do último ano, a série documental foi realizada em conjunto com João Franco, Nélson Costa e Teresa Almeida, resultando num trabalho que, “documenta de forma extensa, (..) os perigos que pressupõem a presença do plástico no oceano”.

Esta reportagem contou, ainda, com a “opinião de especialistas, investigadores, cientistas, organizações conservacionistas e ecologistas que trabalham também na luta contra o plástico”.

A jornalista afirmou, entretanto, através das redes sociais que,“este reconhecimento de uma distinção tão importante a nível internacional é uma honra e um orgulho imenso”.

A série de reportagens está disponível no TVI Player.

 

 

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Limites da liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
Na internet não deve continuar a prevalecer a lei da selva. O que não é um apelo à censura, muito menos se ela for praticada pelos gestores das empresas tecnológicas. Cabe à política, e não às empresas, assegurar o bem comum. Quem escreve na internet deverá sujeitar-se às condições jurídicas que não permitam atos que são considerados crimes nos media tradicionais.Não há...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Notas breves
José Leite Pereira
1 - Assistir a entrevistas na televisão tornou-se um ato penoso. As entrevistas fizeram-se para que alguém possa transmitir a terceiros o que entende dever ser transmitido. Ao jornalista cabe o papel de intermediário e intérprete do que julga ser a curiosidade do público. A entrevista é um ato de esclarecimento. Diferente de um texto de opinião ou de uma comunicação pura e simples exatamente por causa da presença do...
Agenda
11
Mar
22
Abr
International Symposium on Online Journalism
10:00 @ Conferência "Online"
17
Jun
4th International Conference Stereo & Immersive Media 2021
09:30 @ Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
24
Jun
International Congress of Audiovisual Researchers
09:00 @ Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias