Habituei-me muito cedo a admirar em Helena Vaz da Silva um talento raro e multifacetado – no Jornalismo, na Cultura, na Política. Em tudo em que se envolvia, fazia-o com um entusiasmo transbordante, uma energia inesgotável, uma alegria única, num sorriso aberto de quem respirava optimismo e gostava de comunicar e interagir com os outros, retirando da vida o melhor que esta pudesse oferecer-lhe .
A sua casa na Calçada do Combro era um estuário – e um porto de abrigo - para onde convergiam intelectuais, artistas, escritores, gente carregada de ideias e de utopias, que a Helena e o Alberto recebiam de porta aberta, como se fossem família. E eram.
Infelizmente, para todos nós que convivemos de perto com a Helena, a vida atraiçoou-a quando tinha imenso para nos dar.
Mas a sua marca ficou – primeiro na memória que temos dela, depois na obra que nos deixou.
O Centro Nacional de Cultura ficou a dever-lhe o ter sido recuperado das sombras e da decadência, impondo-se na paisagem cultural portuguesa com uma nova luz, que permanece até hoje, herança assumida por Guilherme D `Oliveira Martins - que lhe sucedeu com o mesmo denodo e engenho -, e agora por Maria Calado, a quem entregou recentemente o testemunho.
O Prémio, instituído em 2013, pelo Centro Nacional de Cultura em cooperação com a Europa Nostra, ao qual o Clube Português de Imprensa se associou com orgulho, e que hoje voltamos a entregar, é a melhor homenagem prestada à Helena, por tudo o que nos transmitiu.
Desde o cuidado com que acompanhava as pequenas coisas, que a deixavam feliz, até aos grandes desafios que a motivavam, a Helena habituou-nos a desdobrar-se, com o mesmo empenho, desde o jornalismo - escrito com alma -, às viagens culturais em demanda dos vestígios da presença portuguesa no mundo, ou, ainda, ao observatório privilegiado de Bruxelas e de Estrasburgo, enquanto activa eurodeputada.
Por isso, este Prémio, com o seu nome, distingue e consagra as contribuições excepcionais para a protecção e divulgação do património cultural e dos ideais europeus.
A Helena, que nos deixou prematuramente em 2002 - e que lutou até ao fim como se ignorasse o poente, que se adivinhava rápido e inexorável -, gostaria de saber que passaram já por aqui, distinguidos com o Prémio que leva o seu nome, personalidades com a grandeza de Claudio Magris, Orhan Pamuk, ou Jordi Savall, aos quais se juntam, este ano, o grande pensador e ensaísta, Eduardo Lourenço, e o famoso cartoonista Plantu, há mais de 40 anos a semear talento nas páginas do Le Monde. Foram escolhas inadiáveis do Júri.
Costumava dizer-se que Helena Vaz da Silva era uma mulher que pensava e fazia. Fiel a valores dos quais nunca se desviou. Formada em princípios de que nunca abdicou.
Sabe bem evocar o seu exemplo, num tempo incerto e caótico, onde a desordem das redes sociais se institui como novo paradigma, muitas vezes à revelia do humanismo que nos moldou e nos deu razão de ser.
A Helena apostava em valores e no futuro. Este Prémio também.
(Intervenção de Dinis de Abreu, em representação do Clube Português de Imprensa, na cerimónia de entrega do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído este ano a Eduardo Lourenço e a ao cartoonista Plantu)
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.