Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

A era da pós-verdade como desafio para o jornalismo contemporâneo

Num artigo publicado no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com o qual o CPI tem um acordo de parceria, Carlos Castilho, levanta uma interessante reflexão sobre a informação veiculada, na perspectiva da verdade e da mentira, que acabam por se confundir, devido ao excesso de noticias sobre o mesmo acontecimento.

De acordo com Castilho “a pós verdade é apenas um dos itens da era digital, que estão abalando nossas crenças e valores. Nós jornalistas e toda a sociedade, estamos vivendo um momento de insegurança e incertezas porque estamos passando de um contexto social para outro.  Esta insegurança não é um fenômeno inédito na humanidade porque já aconteceu antes quando grandes inovações tecnológicas alteraram radicalmente o contexto social da época. Basta ver o que ocorreu após a invenção da pólvora, dos tipos móveis por Gutemberg, da máquina a vapor e dos processos de produção industrial”.

Na opinião do autor “a pós-verdade, é um termo já incorporado ao vocabulário dos média mundiais, parte de um processo inédito provocado essencialmente pela avalanche de informações gerada pelas novas tecnologias de informação. “

Para Castilho “os especialistas em informação enviesada ou distorcida (spin doctors , no jargão norte-americano), aproveitaram-se das incertezas e inseguranças provocadas pela quebra dos paradigmas dicotómicos para criar a pós verdade, ou seja, uma pseudo-verdade apoiada em indícios e convicções, já que os factos tornaram-se demasiado complexos”.

 E conclui “a pós verdade é, talvez, o maior desafio para o jornalismo contemporâneo, porque ela afecta a relação de credibilidade entre nós e o público. A nossa atividade está baseada na confiança das pessoas de que o que publicamos é verdadeiro. Quando uma nova conjuntura informativa interfere nesta confiabilidade, temos sérias razões para nos preocupar, e muito, sobre o futuro da profissão”.

 

Leia aqui na íntegra o artigo de Carlos Castilho. 

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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