Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Jantares-debate

Freitas do Amaral em Jantar-debate defendeu União Europeia mais solidária

Com a sala da Biblioteca do Grémio Literário esgotada, Diogo Freitas do Amaral foi o primeiro orador convidado no novo ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, agora subordinado ao tema “Que Portugal na Europa, que futuro para a União?”

Freitas do Amaral preferiu iniciar a sua intervenção reflectindo o sobre o presente e o futuro da União Europeia, como testemunha presencial que foi dos esforços bem-sucedidos de Portugal, com o objectivo de integrar, de pleno direito, o exigente clube europeu.
Para o antigo chefe da diplomacia portuguesa, a União Europeia atravessa uma fase complexa, quer em função das consequências do Brexit, quer do problema dos refugiados, quer ainda da instabilidade do euro. A Europa "está numa profunda encruzilhada - disse - ou encontra uma saida para esta crise, ou dá-se a desagregação".

No campo das hipóteses admitiu, a manterem-se as actuais assimetrias, que a moeda única possa vir a ser partilhada, em planos distintos, seguindo um modelo para os países mais ricos e outro para os países com reconhecidas dificuldades estruturais.


Rejeitou, contudo, que haja o risco de Portugal abandonar o euro, ou mesmo a União Europeia, apesar de ser essa a posição conhecida do PCP e do Bloco de Esquerda. Em reforço da sua tese, disse duvidar que o PS pudesse seguir essa tendência, uma vez que reconhece aos socialistas um perfil europeísta.


Freitas do Amaral, enfatizou, por mais de uma vez, a necessidade da União Europeia ser solidária, não sendo essa solidariedade um gesto meramente altruísta, mas uma decorrência dos próprios tratados.


Para o relançamento do projecto original da União, Freitas do Amaral, reconheceu ser necessário que alguém “dê um murro na mesa”, afirmando uma liderança que neste momento faz falta à Europa, à qual, afirmou, "falta uma política económica". E ao dizê-lo, defendeu que " a Europa precisa de fazer uma proposta de grande alcance estratégico - à Ríssia, à China ou à Mercosul."


Quanto à perspectiva de Portugal na Europa, o orador considerou ser indispensável atrair mais investimento estrangeiro, para dinamizar o crescimento económico, sem o qual o país continuará a deslizar para défices crónicos e uma dívida pública agravada. Neste ponto, porém, considerou que " foi-se longe demais na austeridade".


O jantar-debate incluiu, como é habitual, perguntas da assistência, prolongando o debate de uma forma bastante participada.

 

 

 

 

 

 

 

 

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


ver mais >
Opinião
Sobre a liberdade de expressão em Portugal
Francisco Sarsfield Cabral
O caso da participação num programa matinal da TVI de um racista, já condenado e tendo cumprido pena de prisão, Mário Machado, suscitou polémica. Ainda bem, porque as questões em causa são importantes. Mas, como é costume, o debate rapidamente derivou para um confronto entre a esquerda indignada por se ter dado tempo de antena a um criminoso fascista e a direita defendendo a liberdade de expressão e a dualidade de...
O panorama dos media
Manuel Falcão
Se olharmos para o top dos programas mais vistos na televisão generalista em 2018 vemos um claro domínio das transmissões desportivas, seguidas a grande distância pelos reality shows e, ainda mais para trás, pelas telenovelas. No entanto as transmissões televisivas produzem apenas picos de audiência e contribuem relativamente pouco para as médias e para planos continuados. O dilema das televisões generalistas está na...
Informar ou depender…
Dinis de Abreu
O título deste texto corresponde a um livro publicado nos anos 70 por Francisco Balsemão, numa altura em que já se ‘contavam espingardas’ para pôr termo ao Estado Novo, como veio a acontecer com o derrube de Marcello Caetano, em 25 de Abril de 74.  A obra foi polémica à época e justamente considerada um ‘grito de alma’, assinada por quem começara a sua vida profissional num jornal controlado pela família...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...