Sábado, 18 de Janeiro, 2020
Jantares-debate

Freitas do Amaral em Jantar-debate defendeu União Europeia mais solidária

Com a sala da Biblioteca do Grémio Literário esgotada, Diogo Freitas do Amaral foi o primeiro orador convidado no novo ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, agora subordinado ao tema “Que Portugal na Europa, que futuro para a União?”

Freitas do Amaral preferiu iniciar a sua intervenção reflectindo o sobre o presente e o futuro da União Europeia, como testemunha presencial que foi dos esforços bem-sucedidos de Portugal, com o objectivo de integrar, de pleno direito, o exigente clube europeu.
Para o antigo chefe da diplomacia portuguesa, a União Europeia atravessa uma fase complexa, quer em função das consequências do Brexit, quer do problema dos refugiados, quer ainda da instabilidade do euro. A Europa "está numa profunda encruzilhada - disse - ou encontra uma saida para esta crise, ou dá-se a desagregação".

No campo das hipóteses admitiu, a manterem-se as actuais assimetrias, que a moeda única possa vir a ser partilhada, em planos distintos, seguindo um modelo para os países mais ricos e outro para os países com reconhecidas dificuldades estruturais.


Rejeitou, contudo, que haja o risco de Portugal abandonar o euro, ou mesmo a União Europeia, apesar de ser essa a posição conhecida do PCP e do Bloco de Esquerda. Em reforço da sua tese, disse duvidar que o PS pudesse seguir essa tendência, uma vez que reconhece aos socialistas um perfil europeísta.


Freitas do Amaral, enfatizou, por mais de uma vez, a necessidade da União Europeia ser solidária, não sendo essa solidariedade um gesto meramente altruísta, mas uma decorrência dos próprios tratados.


Para o relançamento do projecto original da União, Freitas do Amaral, reconheceu ser necessário que alguém “dê um murro na mesa”, afirmando uma liderança que neste momento faz falta à Europa, à qual, afirmou, "falta uma política económica". E ao dizê-lo, defendeu que " a Europa precisa de fazer uma proposta de grande alcance estratégico - à Ríssia, à China ou à Mercosul."


Quanto à perspectiva de Portugal na Europa, o orador considerou ser indispensável atrair mais investimento estrangeiro, para dinamizar o crescimento económico, sem o qual o país continuará a deslizar para défices crónicos e uma dívida pública agravada. Neste ponto, porém, considerou que " foi-se longe demais na austeridade".


O jantar-debate incluiu, como é habitual, perguntas da assistência, prolongando o debate de uma forma bastante participada.

 

 

 

 

 

 

 

 

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
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