Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

Os media tradicionais e o debate sobre a ética do jornalismo

A ética no jornalismo continua em debate, aumentando a necessidade de uma reflexão sobre o tema, cada vez mais frequente.

Num artigo publicado no Observatório de Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria, Maura Oliveira Martins, jornalista, professora universitária e editora do site “A Escotilha”, analisa o jornalismo como prática quotidiana.

A autora refere -  citando a obra do professor Eugênio Bucci - que “os jornalistas não costumam gostar de falar sobre ética”. Por várias razões, diz, “mas uma delas chama mais a atenção: como o ofício jornalístico é marcado essencialmente pela rapidez, pelo dinamismo, não há como parar as actividades quotidianas para discutir cada decisão que precisa ser tomada. É preciso continuar sempre fazendo, automatizar o que se faz; caso contrário, a prática jornalística viraria uma espécie de “assembleísmo” sem sentido”.

Para Maura Oliveira Martins, esta característica acaba por diluir a noção de algo que é inerente à profissão: “o facto de que tudo que se faz no jornalismo gera, inevitavelmente, uma vítima”.  Mas, se os jornalistas se lembrassem disso em permanência, provavelmente nenhuma noticia seria possível.

“Vivemos um momento marcante sobre este não-questionamento em relação à veiculação de certos factos – algo que se potencializa pela razão que tudo está ao alcance de uma máquina, de um clique, de um celular que vai gerar um vídeo. Tudo se torna filmável, registável. O grande risco trazido por este fenômeno é o de acharmos que tudo é noticiável”.

Estamos hoje confrontados com o desafio das imagens recolhidas e instantaneamente divulgadas, designadamente, nas redes sociais. Por isso, como defende a autora, perante o crescimento constante desses vídeos amadores, os media tradicionais precisarão de discutir no plano ético o que fazer.

 

 Leia aqui na íntegra o artigo de Maura Oliveira Martins

 

 

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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