Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
Media

Os media tradicionais e o debate sobre a ética do jornalismo

A ética no jornalismo continua em debate, aumentando a necessidade de uma reflexão sobre o tema, cada vez mais frequente.

Num artigo publicado no Observatório de Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria, Maura Oliveira Martins, jornalista, professora universitária e editora do site “A Escotilha”, analisa o jornalismo como prática quotidiana.

A autora refere -  citando a obra do professor Eugênio Bucci - que “os jornalistas não costumam gostar de falar sobre ética”. Por várias razões, diz, “mas uma delas chama mais a atenção: como o ofício jornalístico é marcado essencialmente pela rapidez, pelo dinamismo, não há como parar as actividades quotidianas para discutir cada decisão que precisa ser tomada. É preciso continuar sempre fazendo, automatizar o que se faz; caso contrário, a prática jornalística viraria uma espécie de “assembleísmo” sem sentido”.

Para Maura Oliveira Martins, esta característica acaba por diluir a noção de algo que é inerente à profissão: “o facto de que tudo que se faz no jornalismo gera, inevitavelmente, uma vítima”.  Mas, se os jornalistas se lembrassem disso em permanência, provavelmente nenhuma noticia seria possível.

“Vivemos um momento marcante sobre este não-questionamento em relação à veiculação de certos factos – algo que se potencializa pela razão que tudo está ao alcance de uma máquina, de um clique, de um celular que vai gerar um vídeo. Tudo se torna filmável, registável. O grande risco trazido por este fenômeno é o de acharmos que tudo é noticiável”.

Estamos hoje confrontados com o desafio das imagens recolhidas e instantaneamente divulgadas, designadamente, nas redes sociais. Por isso, como defende a autora, perante o crescimento constante desses vídeos amadores, os media tradicionais precisarão de discutir no plano ético o que fazer.

 

 Leia aqui na íntegra o artigo de Maura Oliveira Martins

 

 

Connosco
Bettany Hugues, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hugues, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hugues como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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