Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Os media tradicionais e o debate sobre a ética do jornalismo

A ética no jornalismo continua em debate, aumentando a necessidade de uma reflexão sobre o tema, cada vez mais frequente.

Num artigo publicado no Observatório de Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria, Maura Oliveira Martins, jornalista, professora universitária e editora do site “A Escotilha”, analisa o jornalismo como prática quotidiana.

A autora refere -  citando a obra do professor Eugênio Bucci - que “os jornalistas não costumam gostar de falar sobre ética”. Por várias razões, diz, “mas uma delas chama mais a atenção: como o ofício jornalístico é marcado essencialmente pela rapidez, pelo dinamismo, não há como parar as actividades quotidianas para discutir cada decisão que precisa ser tomada. É preciso continuar sempre fazendo, automatizar o que se faz; caso contrário, a prática jornalística viraria uma espécie de “assembleísmo” sem sentido”.

Para Maura Oliveira Martins, esta característica acaba por diluir a noção de algo que é inerente à profissão: “o facto de que tudo que se faz no jornalismo gera, inevitavelmente, uma vítima”.  Mas, se os jornalistas se lembrassem disso em permanência, provavelmente nenhuma noticia seria possível.

“Vivemos um momento marcante sobre este não-questionamento em relação à veiculação de certos factos – algo que se potencializa pela razão que tudo está ao alcance de uma máquina, de um clique, de um celular que vai gerar um vídeo. Tudo se torna filmável, registável. O grande risco trazido por este fenômeno é o de acharmos que tudo é noticiável”.

Estamos hoje confrontados com o desafio das imagens recolhidas e instantaneamente divulgadas, designadamente, nas redes sociais. Por isso, como defende a autora, perante o crescimento constante desses vídeos amadores, os media tradicionais precisarão de discutir no plano ético o que fazer.

 

 Leia aqui na íntegra o artigo de Maura Oliveira Martins

 

 

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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