Quarta-feira, 2 de Dezembro, 2020
O Clube

Prémio Europeu Helena Vaz da Silva entregue a 10 de Outubro na Fundação Gulbenkian

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído este ano a Eduardo Lourenço e ao  cartoonista Plantu, será entregue no próximo dia 10 de Outubro no decorrer de uma cerimónia solene na Fundação Calouste Gulbenkian presidida por Marcelo Rebelo de Sousa. Este prémio é instituído pelo CNC – Centro Nacional de Cultura em parceria com o Clube Português de Imprensa e em cooperação com a a Europa Nostra, desde  2013.

O Prémio homenageia Eduardo Lourenço, especialista da alma e do imaginário português, memória viva da cultura portuguesa de que é um dos maiores historiadores e um dos seus criadores mais fecundos, e com obra traduzida numa dezena de línguas, e distingue também Plantu pelo seu contributo, através do desenho, da ironia e da emoção, para a promoção dos valores europeus, da tolerância e da paz.

Servindo-se de linguagens distintas, ambos os vencedores têm demonstrado ao longo dos anos um compromisso corajoso e continuo para tornar mais clara a actualidade e mais fácil a reflexão sobre a sociedade e a defesa do património de valores comuns - Eduardo Lourenço analisando as questões e reflectindo sobre elas, Plantu, explicando através do confronto e do sorriso.

O Prémio distingue contribuições excepcionais para a protecção e divulgação do património cultural e dos ideais europeus. Conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Reagindo à notícia, Eduardo Lourenço afirmou “Em plena crise da nossa milenária Europa, recebo a inesperada notícia de que me foi atribuído, com o caricaturista do Le Monde, Plantu, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, deputada europeia e militante ardente da causa da Europa. É uma consolação para o tempo caótico que vivemos e para mim é uma pequena luz ao fundo do túnel da nossa aventura europeia em panne.”

Por seu lado, Pantu afirmou “Estou muito orgulhoso de receber o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva. Num momento em que na Europa, muitos há que tendem a fechar-se sobre si próprios, é necessário retomar tudo, reaprender tudo, reexplicar tudo calmamente e o desenho é um bom meio para isso, recorrendo ao humor e ao sentido pedagógico, para abordar os temas que agitam a nossa Europa fragilizada. A intolerância começa a instalar-se e, face à reacção nacionalista e ao racismo, os cartoonistas podem ajudar neste novo desafio.  Sobre Helena Vaz da Silva, Edgar Morin dizia que encarnava uma “resistência intelectual obstinada”. Podemos retomar esta fórmula para fazer face ao desafio que permitirá aos 28 .... perdão, aos 27 da União Europeia encontrar qualquer coisa que se pareça com resistência, tolerância e Paz”. “Viver juntos” é uma lição para os próximos anos”.

O Júri do Prémio foi constituído por Maria Calado, Presidente do Centro Nacional de Cultura, Francisco Pinto Balsemão, Chairman do Grupo Impresa, Guilherme d´Oliveira Martins, Membro do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, João David Nunes, Membro da Direção do Clube Português de Imprensa, Irina Subotic e Piet Jaspaert, Vice-Presidentes da Europa Nostra, José María Ballester, Membro do Conselho da Europa Nostra e Marianne Ytterdal, Membro da Direcção da Europa Nostra.

Este Prémio Europeu, que tem o nome de Helena Vaz da Silva (1939- 2002), recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política, e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. É atribuído anualmente a um cidadão europeu cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e artísticas, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O prestigiado escritor italiano Claudio Magris foi o primeiro laureado deste prémio europeu, em 2013, seguindo-se-lhe o Prémio Nobel da Literatura Orhan Pamuk, em 2014, e o conceituado músico e maestro catalão, Jordi Savall, em 2015.

 

Connosco
Crescimento das assinaturas digitais não compensa as perdas na circulação impressa Ver galeria

A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.

Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.

Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.

Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.

Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.

No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.

Movimento de jornalistas franceses contra nova Lei de Segurança Ver galeria

Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.

Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.

Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.

Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.

Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.

A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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