Sexta-feira, 22 de Março, 2019
Mundo

Falsas noticias na Internet sob vigilância mais apertada

A facilidade com que se propagam as falsas notícias, provenientes sobretudo das redes sociais, levou a First Draft, uma das mais conhecidas organizações de fact-checking, lançada pela Google, a estabelecer uma parceria com mais de 30 empresas noticiosas, incluindo The New York Times, The Washington Post e BuzzFeed, e grandes plataformas como o Facebook, Twitter e YouTube, para partilharem as melhores práticas neste terreno.

Chamada First Draft Partner Network, esta parceria alarga assim o alcance do esforço originalmente desenvolvido pela First Draft Coalition, que reunia nove destas primeiras organizações de fact-checking, em torno da tarefa comum de impor a verificação dos factos e das fontes, corrigir e combater boatos ou notícias falsas intencionalmente divulgadas, e desencorajar, entre o público consumidor, a apetência por elas.

 

O problema começa por aqui. Como conta, desde o início, o artigo de Ricardo Bilton, que citamos da NiemanLab, “graças às redes sociais, nunca foi tão fácil levar as pessoas a ler e a partilhar

notícias falsas”; os leitores gostam delas pela surpresa e pelo choque, e os editores pelo tráfego que geram e se reflecte na captação de anúncios".  

 

A rede dominante neste grupo é, evidentemente, o Facebook, “que tem um papel desproporcionado na divulgação das notícias falsas graças à sua escala e à natureza do seu algoritmo”; mas o artigo presta a justiça de reconhecer alguns passos que a empresa tem dado recentemente no sentido de corrigir esta fama e este proveito, incluindo uma aplicação que permite aos seus próprios utentes identificarem uma notícia como sendo falsa.

 

A questão que fica é a de saber quantos desses leitores/difusores vão ter o cuidado de mudar os seus próprios comportamentos.

 

 

Mais informação no artigo da NiemanLab e no site FirstDraftNews, a que pertence a imagem, denominada “máquina de verificação”

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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