O associativismo dos jornalistas é fraco. É uma queixa recorrente das instituições que lutam contra essa apatia, que a mudança geracional não alterou. A precariedade do emprego também não contribui para o convívio fora das redacções.
Houve uma significativa substituição de profissionais nas últimas duas décadas, com a saída prematura de muitos. Mas o rejuvenescimento dos quadros editoriais, se trouxe frescura aos media, também os privou de uma memória fundamental.
Um dos ensinamentos que resistiu até hoje na grande imprensa anglo-saxónica foi a preservação de um mix intergeracional, combinando a experiência com a determinação natural de inovar.
Em Portugal, sobejam os candidatos a jornalistas, saídos dos numerosos cursos universitários, públicos e privados, que se multiplicaram como cogumelos. Um estudo recente de âmbito académico evidenciou, contudo, que muitos licenciados estão mais inclinados a utilizar as redacções como alavancagem para outros destinos, do que em permanecer nelas.
Essa instabilidade não parece apoquentar os gestores das empresas de media, porquanto há filas de candidatos em “vigilia” à espera da primeira oportunidade. Sem discutir condições.
O jornalismo enfrenta uma concorrência sem regras. A começar nas redes sociais. E o chamado “jornalismo do cidadão” é um maná para poupar recursos editoriais, embora seja uma porta aberta para comprometer, a prazo, o verdadeiro jornalismo.
Neste contexto, onde as incertezas correm a par de um arsenal tecnológico imparável, não é de estranhar que o associativismo marque passo no sector. E que ética jornalística já tenha conhecido melhores dias.
A profusão de profissionais habilitados com graus académicos, incluindo o doutoramento, tem vindo a impor-se. Estranhamente, porém, falta uma Ordem de Jornalistas. O projecto existiu, chegou a ter pés para andar, mas ficou na gaveta. Ao Sindicato não convinha. Embora não lhe fizesse sombra. E o impasse mantém-se.
Fundado em Dezembro de 1980, o Clube Português de Imprensa tem vencido não poucas adversidades. Este site é o resultado de uma teimosia colectiva, desde o seu lançamento em Novembro do ano passado. O crescendo de visitantes tem sido uma boa recompensa.
Terminada a pausa de Agosto, aqui estamos revigorados. Com a promessa de mais parcerias e de uma dinâmica que incomoda alguns mas que tem o apreço de muitos.
O site mexeu com rotinas instaladas. Ainda bem. Assim nos ajudam a ir mais longe.
A Direcção
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.